quarta-feira, 9 de março de 2022

Mesmo em “cenário confuso”, Murilo Zauith flerta com PP e PL

 

Ligeira reaproximação com governador o coloca na mesma trilha de seguidores de Jair Bolsonaro

CELSO BEJARANO



O vice-governador Murilo Zauith, ex-DEM, longe das atividades políticas desde janeiro do ano passado, quando foi contaminado pela Covid-19, pode seguir a mesma rota da ministra Tereza Cristina (Agricultura), filiando-se ao PP até o dia 2 de abril, data-limite da chamada janela partidária para as eleições deste ano.  


Tal caminho o coloca também em rota de reaproximação com o governador Reinaldo Azambuja, com quem não tinha contato desde o início de 2020, mas voltou a conversar há algumas semanas.


Mas esta rota não é plenamente definitiva, já que ele disse ter, caso queira, outro traçado, que é o de se filiar ao PL, legenda do presidente Jair Bolsonaro.


O DEM de Murilo enturmou-se com o PSL e, daí, nasceu a sigla União Brasil, partido ao qual ainda é filiado.


Embora distante do quadro político por conta do tratamento de saúde, o vice-governador mostra-se antenado na política atual.


“Penso que o quadro político está muito confuso. Hoje estamos muito dependentes de Brasília, com essa novidade que é a formação de federações. Acho que o quadro nacional está muito confuso e passando uma insegurança eleitoral”, disse ele em recente entrevista na Capital.


A mencionada federação partidária é a inovação para as eleições de outubro.


A federação passa a existir quando dois ou mais partidos se juntam e, a partir daí, agem como se fossem uma só legenda por período que dura quatro anos – situação que, em tese, interessa mais às pequenas siglas do que aos grandes partidos políticos do Brasil.


Pelo dito, Zauith ainda não abonou a novidade – a ideia da federação, no caso.


“Depois que acabar o nosso prazo de troca de partido, em 2 de abril, as siglas têm até 31 de maio para decidir se vão se juntar em federação. Aí você não tem como escapar”, prosseguiu o vice-governador.


Em casa, ainda se recuperando da Covid-19, Murilo, dono de universidade, tem extensa influência nas cidades que integram a conhecida região da Grande Dourados.


De janeiro para cá, o ex-prefeito de Dourados, ex-deputado federal e vice-governador nas gestões do MDB e PSDB tem recebido, em casa, visitas de políticos e líderes partidários diversos e de todo MS.


“Teve uma romaria em Dourados atrás de mim”, disse, completando depois: “Estou me sentindo muito assediado. Mas agora a Tereza [ex-colega do DEM] vai ficar com o PP. Eu posso caminhar com ela lá, mas tenho o PL também como opção”, frisou.


O vice-governador citou também uma provável terceira opção, mas sem tanta animação como com as demais.


“Tenho conversado com o União Brasil [da senadora Soraya Thronicke] também. Mas não tem nada lá, pois lá tem um problema. Se não arrumar em casa [o partido], como é que vai arrumar em Brasília?”, questionou Murilo.


O assédio para obter apoio do vice-governador, que ainda não disse se vai concorrer a algum mandato em outubro, pode ter como motivação a estratégia que adota em períodos eleitorais.


“Faz mais de 20 anos que ocupo cargos e nunca tive inimigos. Eventualmente tenho adversários durante a campanha, mas, se verem, quando estive no DEM até vice do PT eu tive ao meu lado. Tenho uma relação boa com todos”.


Com informação do Portal Correio do Estado

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