quarta-feira, 8 de fevereiro de 2023

Governadores querem receber até R$ 45 bilhões de perdas com o ICMS

 

                                             Foto: Divulgação


Os governadores preveem receber até R$ 45 bilhões com a compensação das perdas com a redução do ICMS (Imposto sobre Mercadorias e Serviços) sobre os combustíveis, energia elétrica, gás natural e telecomunicações e transporte público, em 2022. 


A compensação pode vir num prazo de quadro anos de forma escalonada, conforme ficou previamente acertado na reunião de ontem entre governadores e o ministro Fernando Haddad (Economia). 


Governado pelo tucano Eduardo Riedel (PSDB), Mato Grosso do Sul, por exemplo, nutre a esperança de receber R$ 1,2 bilhão para recompor as perdas financeiras com a redução da alíquota do ICMS sobre produtos essenciais, como combustíveis e energia elétrica.


De acordo com o governador sul-mato-grossense, a redução da receita com ICMS vai comprometer as contas de muitos governos estaduais, por isso necessário a recomposição.


De acordo com o governador do Espírito Santo, Renato Casagrande (PSB), Haddad foi bastante receptivo e o acordo está “bem encaminhado”, mas ainda não estão definidos os valores das compensações e o prazo de pagamento aos estados. A expectativa, segundo Casagrande e o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (União), é de que os valores sejam definidos nesta quarta-feira (8/2), em encontro com todos os secretários estaduais de Fazenda e o secretário do Tesouro Nacional, Rogério Ceron. A reunião deverá começar por volta das 10h.


“O governo federal quer fazer a recomposição e pediu que ela possa ser feita dentro deste período de mandato, nos próximos quatro anos, e vai discutir uma média entre aquilo que nós achamos que é a perda, de até R$ 45 bilhões, e a portaria feita no governo Jair Bolsonaro (PL), que apontava para R$ 13 bilhões de recuperação”, afirmou. 


Segundo ele, vai ser definida uma média e, amanhã, com os secretários de Fazenda, será discutido caso a caso, pois tem estados que podem compensar a dívida com a União. “Cada caso, cada estado é uma realidade. Mas saiu a decisão de fazer a compensação e o detalhe da compensação vai ser discutida a compensação”, afirmou.


De acordo com Casagrande, a fonte do recurso não foi afirmada por Haddad, mas ele solicitou um parcelamento da dívida da União com os estados. “O que ele pediu foi que a compensação pudesse ser feita durante esses próximos anos, dentro dos nossos mandatos".


Apesar de, na entrada, ter dito aos jornalistas que o principal tema da conversa com Haddad seria a reforma tributária, Caiado disse que o assunto acabou não sendo discutido por falta de tempo. 


“Estivemos com o secretário Bernard Appy, mas realmente, como a reunião de hoje foi mais no sentido de tentar sensibilizar o ministro e assessoria dele para esteja nos acompanhando com a reunião com os ministros do STF (Supremo Tribunal Federal), ele se comprometeu em ligar para os ministros e até mesmo ir na reunião de amanhã”, afirmou o governador goiano em referência às tarifas de uso do Sistema de Transmissão de Energia Elétrica (Tust) e do Sistema de Distribuição de Energia Elétrica (Tusd).


A União propôs a retirada da Tust e da Tusd da base de cálculo do ICMS na lei complementar 194, de 2022, que estipulou o teto do ICMS em 17% e 18%, dependendo do estado, e o assunto sobre essas duas tarifas está sendo relatado pelo ministro Gilmar Mendes, do Supremo. 


Pelas estimativas preliminares dos estados do Nordeste, as perdas com a mudança da base de cálculo poderia chegar a R$ 340 bilhões. Já para os estados do Sudeste, a perda seria menor, em torno de R$ 168,4 bilhões, sendo que, apenas São Paulo teria um prejuízo de R$ 45 bilhões.


Os governadores elogiaram o ministro Haddad. “Ele demonstrou muito interesse e disposição em encaminhar uma solução para as demandas dos estados, consciente de que o que afeta os estados, afeta a União como um todo”, afirmou. 


Ele lembrou que, além da retirada da incidência do ICMS sobre Tust e Tust, “que gerou o questionamento a partir das leis complementares do ano passado (192 e 194)”, a questão da não essencialidade da gasolina, permitindo uma alíquota diferenciada sobre o combustível, “a questão de um sanção tardia do presidente Jair Bolsonaro, sobre princípio de anterioridade, obrigando os estados a devolverem a arrecadação no ano passado e, por fim, a compensação das perdas no ano passado dos estados”. Com informações de agências nacionais. 

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