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| Foto: Arquivo SES |
O dia em que Ivanilda chegou a Ribas do Rio Pardo deveria representar apenas o começo de uma nova etapa. Aos 67 anos, ela havia acabado de se mudar para a cidade quando um acidente transformou completamente seus planos. Era 19 de março, aniversário do município. Antes mesmo da primeira noite na casa nova, veio a queda, as fraturas e o início de uma longa jornada de recuperação.
As lesões no pé, na tíbia e no joelho comprometeram sua mobilidade e exigiram cirurgia, acompanhamento especializado e meses de reabilitação. Em meio às dificuldades, Ivanilda encontrou no serviço de ortopedia implantado em Ribas do Rio Pardo o suporte necessário para enfrentar esse período.
"Foi uma experiência muito difícil e ainda não terminou, porque perdi a mobilidade que eu tinha antes. Mas, olhando para como eu estava meses atrás, hoje estou muito melhor, graças a Deus", conta.
Ela faz questão de destacar o atendimento recebido durante todo o tratamento, especialmente da ortopedista Maria Helena e do médico Simon.
"Eles têm empatia, se colocam no lugar da gente. São profissionais que amam o que fazem. Eu só tenho gratidão por todo o cuidado que tiveram comigo."
A história de Ivanilda representa uma realidade que tem se repetido entre pacientes de diferentes regiões de Mato Grosso do Sul. Com a ampliação do serviço de cirurgias ortopédicas em Ribas do Rio Pardo, o município passou a integrar a estratégia estadual de regionalização da saúde, oferecendo atendimento especializado fora da Capital e aproximando os serviços de quem mais precisa.
Crescimento da capacidade de atendimento
Localizada a cerca de 100 quilômetros de Campo Grande, Ribas do Rio Pardo consolidou-se como referência em cirurgias do trauma ortopédico por meio da parceria entre a Prefeitura Municipal e a Secretaria de Estado de Saúde (SES).
Desde julho de 2025, quando o programa foi ampliado, o volume de cirurgias realizadas cresceu nove vezes. Já são mais de 370 procedimentos executados, atendendo pacientes encaminhados de 40 municípios sul-mato-grossenses.
A iniciativa busca reduzir a necessidade de deslocamentos para Campo Grande, desafogar hospitais de maior porte e garantir que pacientes vítimas de acidentes ou com necessidade de intervenção ortopédica tenham acesso ao tratamento especializado em menor tempo.
Para o governador Eduardo Riedel, a experiência demonstra como a regionalização fortalece a rede pública de saúde.
"Regionalizar a saúde é fazer com que o atendimento chegue mais perto das pessoas, com qualidade, estrutura e resolutividade. Quando um paciente do interior consegue fazer uma cirurgia especializada sem depender exclusivamente da Capital, nós estamos garantindo dignidade, reduzindo sofrimento e organizando melhor toda a rede pública. Esse é o caminho que Mato Grosso do Sul está construindo: uma saúde mais próxima, mais eficiente e mais humana", afirma.
Atendimento especializado e humanizado
Foi essa estrutura que acolheu também o editor de vídeo Chrisptofer Mellin, de 36 anos, morador de Bonito. Depois de sofrer um acidente de trânsito enquanto seguia de bicicleta para o trabalho, ele teve fraturas graves no tornozelo e no cotovelo direitos.
A necessidade de uma cirurgia especializada fez com que percorresse aproximadamente 400 quilômetros até Ribas do Rio Pardo.
A distância trouxe preocupação. Autista, Chrisptofer receava enfrentar sozinho um período de internação marcado por estresse e falta de compreensão sobre suas necessidades. A experiência, porém, foi diferente do que imaginava.
"Eu estava sozinho e tinha medo de passar por um estresse muito intenso, mas isso não aconteceu. Toda a equipe me deixou tranquilo e confortável."
Ele também destaca a qualidade da estrutura encontrada.
"Valeu a pena ter viajado tudo isso. Fui muito bem tratado, com uma preocupação genuína não só com meu estado de saúde, mas também emocional."
O relato evidencia um dos principais objetivos da regionalização da saúde em Mato Grosso do Sul: ampliar o acesso aos serviços especializados, distribuindo melhor os atendimentos pelo território estadual e fortalecendo unidades do interior para oferecer procedimentos de média e alta complexidade.
Estrutura que fortalece a rede pública
Responsável por parte das cirurgias ortopédicas do programa, a médica Maria Helena afirma que o diferencial do serviço está na integração entre equipe especializada, estrutura hospitalar e atendimento humanizado.
Segundo ela, o fortalecimento da ortopedia em Ribas do Rio Pardo permitiu ampliar o acesso para pacientes de diversas regiões sem comprometer o atendimento da população local.
"O que construímos em Ribas do Rio Pardo mostra que cidades do interior também conseguem oferecer atendimento especializado e resolutivo. Hoje contamos com diversas subespecialidades da ortopedia e uma equipe preparada desde o acolhimento até o pós-operatório."
A médica explica que a consolidação do serviço foi possível graças ao trabalho conjunto entre a equipe do centro cirúrgico, a gestão municipal e a Secretaria de Estado de Saúde, responsável pela organização dos encaminhamentos e pela ampliação da capacidade de atendimento.
Saúde mais perto das pessoas
Mais do que ampliar estatísticas, o programa representa uma mudança concreta na vida de quem depende do Sistema Único de Saúde. Para pacientes que sofreram acidentes ou enfrentam fraturas complexas, realizar a cirurgia no momento adequado pode reduzir sequelas, acelerar a recuperação e devolver qualidade de vida.
Ao mesmo tempo, a estratégia fortalece a rede estadual ao distribuir melhor a demanda entre os municípios, reduzindo a pressão sobre os hospitais da Capital e aproveitando a capacidade instalada em outras regiões.
Em Ribas do Rio Pardo, essa política pública ganha rosto e história. Para Ivanilda, significa a possibilidade de recuperar, aos poucos, a autonomia interrompida no dia em que chegou à cidade. Para Chrisptofer, representa a certeza de que atendimento especializado e acolhimento podem caminhar juntos.
Para Mato Grosso do Sul, a experiência demonstra que a interiorização da saúde deixou de ser apenas um planejamento para se tornar uma realidade capaz de aproximar o cuidado especializado da população, onde quer que ela esteja.

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