- Craque argentino chega a 16 bolas na rede em Mundiais, ultrapassando Ronaldo e Mbappé
- Em rodada com brilho de Mbappé e Haaland, quase quarentão mostra que ainda não chegou a hora de passar a coroa
Ao longo do último ciclo até a Copa do Mundo na América do Norte, Lionel Messi, aos 38 anos, chegou a colocar algumas vezes em dúvida sua participação no torneio quadrienal de seleções da Fifa (Federação Internacional de Futebol).
Nesta terça-feira (16), o craque dissipou qualquer questionamento: com atuação de gala, marcou três vezes na primeira partida da Argentina na Copa e igualou o alemão Miroslav Klose como maior goleador da história dos Mundiais.
Na estreia dos atuais campeões, no primeiro jogo do grupo J, contra a Argélia, no estádio Arrowhead, em Kansas City, o atacante canhoto do Inter Miami marcou, na verdade, quatro vezes —o primeiro foi anulado— e foi o grande responsável por começar com o pé direito a caminhada argentina rumo à quarta estrela dourada no peito.
Protagonista da conquista do tricampeonato da alviceleste há quatro anos, no Qatar, o argentino não só mostrou que está novamente em forma com sua equipe para a disputa de mais um Mundial, como ainda segue, de longe, como a principal liderança técnica do grupo.
Com o "hat-trick", ele agora é, empatado com o alemão já aposentado Miroslav Klose, o maior artilheiro da história das Copas do Mundo, com 16 gols, com boas chances de chegar ao topo isolado da lista durante a campanha da Argentina na competição, em uma disputa que promete ser acirrada com o francês Kylian Mbappé.
Com os gols em uma noite já histórica na cidade do Meio-Oeste americano, Messi ultrapassou Ronaldo Nazário, que tem 15 gols em Mundiais.
Messi ultrapassou até mesmo Kylian Mbappé, o francês que começou a rodada atrás do argentino na artilharia histórica e fez dois na estreia de sua seleção contra Senegal também nesta terça-feira, chegando a 14, mesma marca do atacante alemão já aposentado Gerd Müller. Por poucas horas, esteve à frente do argentino.
Em uma primeira rodada que contou com o brilho de atacantes bem mais novos, como o próprio Mbappé, de 27 anos, e o norueguês Erling Haaland, de 25, e que também fez dois em vitória por 4 a 1 sobre o Iraque, o quase quarentão Messi mostrou que segue com ambição para voltar a ser eleito o melhor da competição, como foi em 2022, e do mundo.
Sabendo da pressão de atuar com um alvo nas costas por ser a detentora do título, a Argentina começou o jogo partindo para cima da defesa argelina, apoiada pelo mar de torcedores de azul e branco que invadiu as arquibancadas do Arrowhead, conhecida popularmente como a arena mais barulhenta dos Estados Unidos.
Em número bem maior do que os argelinos, os "hinchas" [como são conhecidos os torcedores argentinos] pularam e cantaram a plenos pulmões praticamente ao longo de toda a partida, em um show à parte amplificado pela estrutura de aço em formato oval, casa do Kansas City Chiefs, da NFL (a liga de futebol americano, o esporte mais popular dos Estados Unidos).
Ao apito final do árbitro, os milhares de argentinos que se integraram à paisagem da cidade do estado do Missouri nos últimos dias deixaram o estádio em grande festa, celebrando seu camisa 10, e naturalmente mais confiantes em um novo título.
Em um início de jogo frenético, logo aos três minutos, a seleção argentina já chegou pela primeira vez ao gol de Luca Zidane, filho do ex-craque francês Zinédine Zidane, em cabeçada de Lautaro Martínez.
Somente dois minutos depois, Messi surgiu na entrada da grande área pela direita e bateu por cima do goleiro para fazer o primeiro, mas o gol foi anulado pelo juíz polonês Szymon Marciniak —o mesmo que apitou a final de 2022 contra a França.
Aos 7min, foi a vez de a Argélia assustar os torcedores argentinos. O meia Ibrahim Maza fez boa jogada e encontrou o volante Chaibi, que bateu na direita de Emiliano "Dibu" Martínez. O árbitro anulou novamente por impedimento.
Menos de dez minutos depois, aos, 16, Messi fez seu segundo gol da partida, o primeiro que valeu. O craque argentino recebeu passe espetacular do companheiro de Inter Miami Rodrigo de Paul, dominou na entrada da grande área e bateu com categoria de esquerda, no ângulo esquerdo da meta adversária, sem chance de defesa para Luca Zidane.
Na volta para o segundo tempo, Messi voltou com a mesma disposição e fez grande jogada pela direita aos oito minutos, passando para Lautaro Martínez, que parou em boa defesa do goleiro argelino.
Aos 14, o craque fez seu terceiro gol do jogo, o segundo válido, aproveitando rebote em chute de Mac Allister. Ele ainda balançaria as redes mais uma vez, aos 30 minutos, em chute colocado rasteiro no canto direito da meta argelina.
Quatro minutos depois, foi substituído pelo treinador Lionel Scaloni pelo meia Nico Paz, apontado pela mídia argentina como um de seus possíveis sucessores na seleção argentina. Como não poderia deixar de ser, deixou o gramado ovacionado pelas arquibancadas.
Na próxima rodada, quando Messi poderá se tornar o maior artilheiro isolado das Copas, a Argentina encara a seleção da Áustria, de volta ao torneio após 28 anos, em Dallas, no dia 22.
No dia 27, também em Dallas, a alviceleste encerra a participação na fase de grupos contra a Jordânia, atual vice-campeã da Copa da Ásia e uma das quatro estreantes na Copa.
Já a Argélia encara a Jordânia no dia 23, em San Francisco, e a Áustria, no dia 27, novamente em Kansas City.

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