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terça-feira, 9 de junho de 2026
Metade dos funcionários cruza os braços após atraso de salários na Santa Casa
Foto: Marcos Maluf
Funcionários da Santa Casa de Campo Grande iniciaram uma paralisação parcial nesta terça-feira (9) em protesto contra o atraso no pagamento dos salários referentes ao mês de maio. Segundo os sindicatos que representam a categoria, cerca de 50% do efetivo aderiu ao movimento, que reivindica o pagamento dos vencimentos dentro do prazo legal, até o quinto dia útil do mês.
Enfermeiros, fisioterapeutas, psicólogos, nutricionistas e profissionais de diversos setores participaram da mobilização com faixas e cartazes cobrando a regularização dos salários. Os trabalhadores também convocaram colegas para participar de uma assembleia marcada para esta terça-feira, com a presença de representantes sindicais.
De acordo com Osmar Gussi, presidente do Sindicato Intermunicipal dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Serviços de Saúde de Mato Grosso do Sul (SinteSaúde-MS), a paralisação foi motivada pelo segundo atraso salarial registrado na instituição neste ano.
Segundo ele, a direção da Santa Casa informou que o atraso estaria relacionado à falta de repasses do poder público. Embora seja uma instituição privada, o hospital depende de recursos provenientes do Sistema Único de Saúde (SUS), financiados pela União, pelo Estado e pelo município.
“A informação que recebemos é de que os repasses ainda não foram efetuados. Como a gestão plena da saúde é responsabilidade do município, cabe à prefeitura realizar esses pagamentos. Até o momento, não há previsão para a regularização”, afirmou.
Gussi destacou que o movimento foi organizado de forma a não comprometer o atendimento aos pacientes. “Mantivemos 50% do efetivo em atividade justamente para garantir a assistência. Assim que os salários forem pagos, os trabalhadores retornam integralmente às suas funções”, disse.
O dirigente sindical ressaltou ainda que os atrasos salariais têm se tornado recorrentes e afetam não apenas a equipe de enfermagem, mas profissionais de diversas áreas. Atualmente, o SinteSaúde representa cerca de 1.500 trabalhadores da instituição, entre fisioterapeutas, psicólogos, nutricionistas, funcionários da copa, cozinha, lavanderia, segurança e tecnologia da informação.
“Essa é uma situação que vem se repetindo. O pagamento do mês de maio não foi efetuado dentro do prazo, e essa é uma pauta que une todos os trabalhadores”, afirmou.
Representando os profissionais de enfermagem, a diretora do Sindicato dos Trabalhadores na Área de Enfermagem de Mato Grosso do Sul (Siems), Maria Neusa Santana, chamou atenção para os impactos da crise na saúde dos trabalhadores. Segundo ela, dos cerca de 1.600 profissionais vinculados ao sindicato, aproximadamente 400 estão afastados por problemas de saúde, especialmente relacionados à saúde mental.
“A situação é muito difícil para os trabalhadores, que dependem do salário para cumprir seus compromissos financeiros. O pagamento tem caráter alimentar e os atrasos vêm ocorrendo com frequência. Todos aguardam receber até o quinto dia útil, mas isso não tem acontecido”, afirmou.
Maria Neusa destacou que a Santa Casa possui quase 4 mil funcionários e que o atraso salarial afeta trabalhadores de todos os setores da instituição.
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