sexta-feira, 26 de junho de 2026

Governo federal oficializa retomada de fábrica de fertilizantes da Petrobras em MS

Foto: Dyego Queiroz/TV Morena

 O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, esteve em Três Lagoas (MS) na manhã desta quinta-feira (25) para a assinatura dos contratos que marcam a retomada das obras da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados III (UFN-III), da Petrobras.

Paralisado há 11 anos, o empreendimento será retomado como parte da estratégia do governo federal para ampliar a produção nacional de fertilizantes e reduzir a dependência de importações.

Durante o evento, Lula criticou a longa interrupção das obras.

“Não tem explicação sobre o tempo que essa obra ficou parada. Uma coisa é você não começar uma obra, outra é ter quase 85% dela pronta e não concluir, enquanto o Brasil paga preços absurdos para importar fertilizantes que poderiam ser produzidos aqui”, afirmou.

Segundo a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, os trabalhos devem ser retomados em julho, com investimento superior a R$ 5 bilhões. A expectativa é de geração de cerca de 8 mil empregos diretos e indiretos, além da entrada em operação da unidade prevista para 2029.

A UFN-III será dedicada à produção de ureia e amônia, insumos essenciais para o agronegócio. Atualmente, o Brasil depende fortemente da importação de ureia, principal fonte de nitrogênio utilizada na agricultura, aplicada em culturas como milho, cana-de-açúcar, trigo, arroz e café.

Qualificação profissional e empregos

Durante o evento, Magda Chambriard também anunciou a aprovação do projeto Autonomia e Renda Três Lagoas, voltado à capacitação de mão de obra para a operação da fábrica.

Segundo ela, serão abertas 1,4 mil vagas em cursos de formação e qualificação profissional, em parceria com instituições como o Sesi, Senai e institutos federais.

“Estamos garantindo 8 mil postos de trabalho, entre diretos e indiretos, e precisamos preparar a população. Por isso, aprovamos esse projeto de qualificação”, afirmou.

A estimativa é de que a unidade produza cerca de 1,2 milhão de toneladas de ureia e 70 mil toneladas de amônia por ano, atendendo principalmente estados com forte demanda agrícola, como Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Paraná e São Paulo.

Histórico da UFN-III

As obras da UFN-III começaram em 2011, mas foram interrompidas em dezembro de 2014, após o encerramento do contrato com o consórcio responsável por descumprimento contratual.

Em 2017, a Petrobras anunciou a venda da unidade como parte de seu programa de desinvestimentos no setor de fertilizantes. No ano seguinte, chegou a negociar com o grupo russo Acron, mas o processo foi suspenso após decisão liminar do Supremo Tribunal Federal (STF) que tratava da venda de estatais.

Posteriormente, a estatal retomou o processo de desinvestimento, incluindo a UFN-III e a Araucária Nitrogenados S.A. (ANSA), dentro de sua estratégia de otimização de portfólio.

O interesse do grupo Acron acabou sendo retirado, entre outros fatores, por dificuldades relacionadas ao fornecimento de gás natural, que seria importado da Bolívia. (Com G1/MS)

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