terça-feira, 28 de abril de 2026

Forças de MS chegam a 9,1 mil promoções de carreira em 4 anos

 

                                             Divulgaçõ


Valorização profissional como pilar de fortalecimento da segurança pública, área cada vez mais eficaz em solo sul-mato-grossense. É com essa premissa que o Governo de Mato Grosso do Sul realiza ao longo de 2026 um amplo avanço nas carreiras da PM (Polícia Militar), Corpo de Bombeiros, Polícia Penal e Polícia Civil. Ao todo, serão mais de 2,4 mil promoções funcionais concedidas a partir de maio, que somadas às progressões de carreira formalizadas desde 2023 totalizarão 9,1 mil promoções para agentes estaduais de segurança pública.


A notícia de que serão concedidas as promoções para as forças de segurança pública do Estado foi anunciada na semana passada pelo governador Eduardo Riedel, durante a entrega da Medalha Tiradentes, na sede do Comando-Geral da PM. Os números acima foram obtidos a partir de dados da SAD (Secretaria de Administração) e das coordenadorias de pessoal da Polícia Militar, Corpo de Bombeiros e Agepen (Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário) - esta última a qual estão vinculados os policiais penais.


"Segurança pública se faz com investimento [em equipamentos e tecnologia], inteligência e valorização desses profissionais. E é o que a gente tem buscado no dia a dia de trabalho. As demandas no cotidiano do Estado são múltiplas e complexas, e enfrentarmos uma equação nada simples para garantir o equilíbrio fiscal e o bem-estar das nossas pessoas, mas garantir também valorização a aqueles que doam o seu trabalho, o seu tempo e a sua própria vida muitas vezes para a sociedade sul-mato-grossense", destacou o governador.


Levantamento da Sejusp (Secretaria de Justiça e Segurança Pública) mostra que entre 2024 e 2025 em Mato Grosso do Sul houve considerável queda de 15,9% nos roubos, que passaram de 3.130 casos no ano retrasado para 2.631 no ano seguinte, com destaque para reduções em roubo seguido de morte (-23,5%) e roubo ao comércio (-21,3%). Os furtos também recuaram 1,6% no período, com ênfase na diminuição de furtos de veículos (-17,2%).


Em Campo Grande, a redução foi ainda mais expressiva, com queda de 20,7% nos roubos. Destaque para o recuo no índice de roubos em via urbana, que foi de 23,1%. Apesar de leve aumento de 0,3% no total de furtos, o furto de veículos caiu 22,1% na Capital.


Os Bombeiros também integra as forças de segurança pública, sendo seu trabalho fundamental em diversas situações - como na foto, nos combates aos incêndios florestais no Pantanal.

Investimentos cruciais


Para executar o trabalho da melhor forma, os profissionais da segurança pública sul-mato-grossense contam com investimentos constantes do Governo do Estado em ferramentas que vão desde a tecnologia até programas estratégicos que guiam as ações das forças estaduais. Contabilizando apenas os valores aplicados à PM de Mato Grosso do Sul, entre 2023 e 2025 foram R$ 91 milhões em viaturas, armamentos, equipamentos, infraestrutura e tecnologia.


Em julho do ano passado o Estado celebrou a formatura de 427 novos soldados, uma das maiores turmas da história da PMMS, reforçando significativamente o policiamento ostensivo. A corporação também teve sua gama de equipamentos ampliada: em abril de 2025, a PM de Mato Grosso do Sul recebeu 42 motocicletas e 89 fuzis, destinados a unidades de Campo Grande, Três Lagoas e Dourados, em um investimento superior a R$ 4,4 milhões.


Outra conquista da segurança pública do Estado - que se destaca nacionalmente - foi a expansão do sistema de inteligência, com a consolidação do videomonitoramento integrado, ferramenta que se tornou possível graças à Infovia Digital, rede de fibra óptica que conecta todos os 79 municípios sul-mato-grossenses e mais de 1,5 mil prédios públicos.


O sistema conta hoje com 123 câmeras PTZ - com previsão de expansão para 129 - instaladas em pontos estratégicos, além de 28 câmeras OCR capazes de identificar automaticamente placas de veículos. As imagens são monitoradas pelo Copom e pelo Batalhão Rodoviário, garantindo respostas mais rápidas e precisão nas ações preventivas e repressivas. Por fim, outra ferramente que auxilia a segurança estadual é o mapa estratégico, com projeções até 2030.


"Temos um trabalho desenvolvido no Estado, com índices [criminalidade] que estão menores que média nacional e estão caindo cada vez mais. Nosso Estado tem fronteiras importantes com o Paraguai e Bolívia, em uma grande extensão que é seca, onde temos também um combate efetivo principalmente contra o tráfico de drogas, que vai para outros estados e países", frisa o secretário de Justiça e Segurança Pública, Antônio Carlos Videira.


Capital humano é fundamental


Fora os efeitos da ampliação estrutural, os resultados são atribuídos ao reforço no efetivo, com formação de novos policiais e bombeiros, além de concursos em andamento, e a estratégias integradas de segurança, como ampliação da setorização e combate ao crime organizado, além do empenho individual e coletivo das tropas e agentes.


Entre as corporações, a PM concentra o maior volume de promoções previstas para este ano, com 813 avanços na carreira. Em seguida aparece a Polícia Penal, com 722 promoções, a Polícia Civil, com 479, e o Corpo de Bombeiros, com 396 - sendo 200 destas de militares que realizarão o Curso de Formação de Sargentos e 20 que realizarão o Curso de Habilitação de Oficiais.


Policiamento nas ruas, atendendo à população, e nas centrais de monitoramento conjunto.


Somadas às promoções já efetivadas nos três primeiros anos do atual Governo, o total chega a 5.612 concessões desse tipo no período. Além das promoções, a administração estadual também assegura o avanço por progressão funcional, que soma 3.531 progressões no período analisado. Nesse quesito, a Polícia Militar lidera com 1.532 progressões, seguida pela Polícia Civil (1.026), Polícia Penal (641) e Corpo de Bombeiros (332).


Ao considerar promoções e progressões funcionais, o volume total de avanços nas carreiras da segurança pública chega a 9.143 movimentações entre 2023 e 2026, números que evidenciam uma política contínua de valorização profissional, que impacta diretamente na motivação dos servidores e na qualidade dos serviços prestados à população.

Sul-mato-grossense desaparecida em SC volta para casa após 9 dias

 

                                             ND Mais


A campo-grandense Karyn Lima Souza e Silva, que estava desaparecida desde o dia 15 de abril, em Santa Catarina, retornou para casa na última sexta-feira, dia 24 de abril. Ela é suspeita de desviar R$ 40 mil da escola onde trabalhava.


Karyn Lima teria desaparecido ao entrar em um carro de aplicativo. Depois, teria avisado a família que estava bem e precisava de um tempo.


Na última quinta-feira (23), a Polícia Civil informou que as equipes da DPPD (Delegacia de Polícia de Pessoas Desaparecidas) seguiam em diligências para verificar a veracidade das informações.


Segundo a imprensa local ND Mais, a mãe da jovem explicou que a filha estava em situação de rua e retornou caminhando para casa. Ela está bem, mas fragilizada emocionalmente

segunda-feira, 27 de abril de 2026

Crédito trava e isso pode ser problema

 

                                             Foto: Pixabay



A queda do dólar para níveis próximos de R$ 5,00 gera efeito duplo

O agronegócio brasileiro atravessa um momento de definição, marcado por pressão financeira, atenção redobrada ao clima e decisões estratégicas voltadas à próxima safra. As informações são de Antonio Prado G. B. Neto, CEO da Pirecal.


O vencimento de mais de R$ 155 bilhões em crédito rural em abril coloca a liquidez do setor à prova, com inadimplência próxima de 7% e queda na pontualidade. O cenário leva instituições financeiras a adotarem critérios mais rigorosos, elevando a exigência de garantias e impactando diretamente o acesso a recursos para a safra 26/27. Nos próximos dois a três meses, a disponibilidade de crédito deve ser definida, consolidando a liquidez como fator central.



A queda do dólar para níveis próximos de R$ 5,00 gera efeito duplo. Ao mesmo tempo em que pressiona os preços das commodities em reais, reduz a competitividade das exportações e comprime margens, também indica tendência de queda nos custos de insumos, ainda que com defasagem. O descompasso entre receita e custo intensifica o aperto no curto prazo.


No mercado de soja, o ritmo segue lento, com baixo volume de negócios, margens reduzidas e produtores retraídos. A ausência de reação consistente em Chicago e no câmbio mantém o cenário travado, agravado pela pressão de vendas para cumprimento de vencimentos no fim de abril.


Já o milho passa a incorporar o risco climático, com valorização recente na B3 e sustentação da demanda internacional. As próximas semanas serão decisivas, especialmente diante da dependência de chuvas em cerca de 5,3 milhões de hectares da segunda safra, com maior atenção para regiões do Centro-Oeste e Matopiba.


Apesar das margens pressionadas, as exportações de soja seguem fortes, com expectativa de novo recorde em abril. No campo climático, o avanço do El Niño eleva o risco para a safra 26/27, com previsão de seca no centro-norte e chuvas acima da média no Sul.


Registros de emissão de CPR chegam a R$ 560 bilhões em março

 

                                           Foto: Pixabay


Emissões de CPR e investimentos em títulos do agro registram alta em março

Os registros de emissão de Cédula de Produto Rural (CPR) alcançaram R$ 560 bilhões em março, resultado 17% superior ao verificado no mesmo mês do ano passado. Foram R$ 35 bilhões em cédulas emitidas, frente a R$ 30 bilhões registrados em março de 2025. Considerando o estoque total, o volume chegou a 402 mil cédulas.



Os dados constam no Boletim de Finanças Privadas do Agro, elaborado mensalmente pelo Departamento de Política de Financiamento ao Setor Agropecuário, da Secretaria de Política Agrícola do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).


No acumulado da safra atual, de julho de 2025 a março de 2026, o valor registrado apresentou retração de 5%, passando de R$ 299 bilhões na temporada anterior para R$ 283 bilhões na atual, considerando o mesmo período de comparação.


As Letras de Crédito do Agronegócio (LCA) alcançaram estoque de R$ 583 bilhões em março, valor 6% superior ao registrado há um ano. Desse montante, no mínimo 60% deve ser obrigatoriamente reaplicado pelas instituições financeiras emissoras no financiamento rural.


Em março, o valor total a ser reaplicado foi de R$ 350 bilhões, crescimento de 28% em relação ao mesmo período de 2025. Desse total, ao menos 45% deve ser destinado obrigatoriamente ao crédito rural, alcançando R$ 157 bilhões no período analisado.


O mercado de Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA) apresentou crescimento de 15% no valor dos estoques nos últimos 12 meses, demonstrando o bom desempenho do título ao longo da série histórica.


No caso dos Certificados de Direitos Creditórios do Agronegócio (CDCA), houve recuo de 8% no valor do estoque em março, na comparação com o ano anterior, totalizando R$ 35 bilhões. O resultado ainda reflete o crescimento momentâneo e extraordinário ocorrido em agosto de 2024, revertido gradualmente nos meses seguintes.


Outro destaque de março foram os Fundos de Investimento nas Cadeias Produtivas do Agronegócio (Fiagro), cuja atualização de dados foi retomada em dezembro, após breve interrupção. Em março, o patrimônio líquido dos Fiagro alcançou R$ 56 bilhões, alta de 29% em relação ao mesmo período do ano passado. Ao todo, 221 fundos operavam regularmente, número 60% superior ao registrado em igual intervalo de 2025.


Jesus vem para conduzir-nos pelos caminhos direitos e não para roubar a nossa vida e liberdade, diz Leão XIV

 

                                           Papa Leão na oração do Regina Caeli de hoje (26) | Daniel Ibañez/ EWTN News



O papa Leão XIV disse hoje (26), durante a recitação do Regina Caeli, que "Jesus não vem, como um ladrão, roubar a nossa vida e a nossa liberdade, mas conduzir-nos pelos caminhos direitos".  


Em sua reflexão antes da oração mariana, o papa recordou que o Evangelho de hoje, "convida-nos a confiar no Senhor" que "não vem para nos roubar nada.


“Pelo contrário", disse o papa, Jesus "é o Bom Pastor, que multiplica a vida e no-la oferece em abundância".


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Jesus "não vem sequestrar ou enganar a nossa consciência, mas iluminá-la com a luz da sua sabedoria. Não vem corromper as nossas alegrias terrenas, mas abri-las a uma felicidade mais plena e duradoura", destacou Leão XIV.


O papa explicou que a diferença entre Cristo e quem age como um ladrão é "evidente": "O pastor tem uma ligação especial com as suas ovelhas e, por isso, pode entrar pela porta do redil; se, pelo contrário, alguém precisa de transpor a cerca, então é certamente um ladrão que quer roubar as ovelhas".


"Jesus diz-nos que está ligado a nós por uma relação de amizade: Ele conhece-nos, chama-nos pelo nome, guia-nos e, tal como o pastor faz com as suas ovelhas, vem à nossa procura quando nos perdemos e trata das nossas feridas quando estamos doentes", continuou Leão XIV.


O papa ainda disse que aqueles que confiam em Jesus "não tem nada a temer" e exortou os fiéis a uma vigilância interior.


"Irmãos e irmãs, somos convidados a refletir e, sobretudo, a vigiar o redil do nosso coração e da nossa vida, porque quem nele entrar pode multiplicar a alegria ou, como um ladrão, pode roubá-la", impeliu o papa.


Ladrões que ‘sufocam’ a liberdade


Ainda em sua reflexão, o papa alertou que os “ladrões” podem ter muitos rostos.



Eles "são aqueles que, apesar das aparências, sufocam a liberdade ou não respeitam a nossa dignidade; são convicções e preconceitos que nos impedem de ter um olhar sereno sobre os outros e sobre a vida; são ideias erradas que podem levar-nos a escolhas negativas; são estilos de vida superficiais ou marcados pelo consumismo, que nos esvaziam interiormente e nos levam a viver sempre à margem de nós mesmos", explicou.


O papa também chamou a atenção para aqueles que causam graves danos à humanidade "saqueando os recursos da terra, combatendo guerras sangrentas ou alimentando o mal nas suas diversas formas".


Eles "não fazem mais do que roubar a todos a possibilidade de um futuro de paz e tranquilidade", continuou Leão XIV.


No final, o papa propôs uma reflexão pessoal por meio de algumas perguntas.


"Podemos perguntar-nos: Quem queremos que guie a nossa vida? Quais são os “ladrões” que tentaram entrar no nosso redil? Conseguiram-no, ou fomos capazes de os afastar?", interpelou Leão XIV.


Uso da energia atômica 'ao serviço da vida e da paz'

Depois do Regina Caeli, Leão XIV recordou o 40º aniversário do trágico acidente de Chernobyl, que segundo ele, "marcou a consciência da humanidade".


"Este acidente continua a ser um aviso sobre os riscos inerentes ao uso de tecnologias cada vez mais poderosas. Confiamos à misericórdia de Deus as vítimas e todos aqueles que ainda sofrem as suas consequências", disse o papa.


Ao final, o papa pediu que, "a todos os níveis de decisão, prevaleçam sempre o discernimento e a responsabilidade, para que qualquer utilização da energia atômica esteja ao serviço da vida e da paz"


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Por Victoria Cardiel

Carne bovina: Brasil pode ganhar espaço com crise russa

 

                                           Foto: Pixabay




O aumento recente no abate de bovinos na Rússia passou a ser monitorado por agentes do mercado pecuário internacional, diante da escala e da velocidade das medidas adotadas. Inicialmente interpretado como um ajuste interno, o movimento ganhou relevância com relatos sobre possíveis problemas sanitários no rebanho.



De forma oficial, autoridades russas mencionam ocorrências como pasteurelose e outros quadros infecciosos. No entanto, especialistas avaliam que o padrão de resposta pode indicar um cenário mais amplo. “A escala, a velocidade e o padrão das medidas adotadas indicam algo mais profundo, cuja natureza ainda não foi totalmente esclarecida”, afirma o consultor financeiro e zootecnista Fabiano Tavares.


Entre as hipóteses consideradas por técnicos do mercado internacional está a possibilidade de ocorrência de febre aftosa, enfermidade com impacto direto no comércio global de proteína animal. “A aftosa não é apenas uma doença, é um divisor de águas no comércio internacional. Sempre que há suspeita consistente, a resposta sanitária envolve abate em massa, isolamento de regiões e restrições severas, exatamente o que estamos observando”, explica.


Caso o cenário sanitário seja confirmado, a tendência é de redução da participação russa no mercado global. Países importadores costumam adotar barreiras rigorosas diante de registros da doença. “Isso significa, na prática, uma retirada parcial ou até total da Rússia do fluxo global de carne bovina”, diz Tavares.


Além do impacto direto, há preocupação com efeitos regionais, especialmente em países vizinhos. Medidas preventivas em áreas de fronteira indicam maior cautela sanitária, o que pode gerar instabilidade em uma região relevante para o consumo mundial de carne.


Nesse contexto, o Brasil surge como potencial beneficiado. Com um dos maiores rebanhos comerciais do mundo e histórico de avanços em sanidade animal, o país pode atender a uma eventual recomposição da oferta global. “O Brasil construiu, ao longo das últimas décadas, um ativo importante que é a confiança sanitária, e isso ganha ainda mais relevância em momentos de instabilidade”, afirma o consultor.


Segundo Tavares, os efeitos podem se refletir em diferentes frentes. “O movimento natural do mercado é buscar fornecedores seguros e com capacidade de escala. Isso pode gerar aumento da demanda, valorização dos preços e maior consolidação do Brasil como fornecedor estratégico”, avalia.


Apesar das projeções, o especialista ressalta que o cenário ainda depende de confirmações oficiais. “O mercado ainda aguarda definições mais claras, mas os sinais já colocam o tema no radar global”, afirma.


Para o consultor, o episódio pode representar mudanças mais amplas no setor. “O que está acontecendo pode não ser apenas uma crise local, mas o início de um rearranjo no mercado global de carne bovina”, conclui.


Governo amplia Desenrola com uso do FGTS na renegociação

 

                                           Ministro da Fazenda, Dario Durigan (Foto: Paulo Pinto/ABr)


O novo programa Desenrola, que vem sendo chamado de Desenrola 2.0, deve ser anunciado esta semana pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e vai permitir o uso do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) para a renegociação das dívidas. 


A informação foi confirmada nesta segunda-feira (27) pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan, em São Paulo, após participar de reuniões com banqueiros.


“A gente segue trabalhando com a possibilidade de usar o fundo de garantia”, disse o ministro. 


Durigan adiantou, no entanto, que haverá um limite para o uso do FGTS no Desenrola. 


“A limitação que vai ter para garantia do próprio fundo é um percentual do saque. Então é um saque limitado dentro do programa, vinculado ao pagamento das dívidas do programa, mas não necessariamente sendo maior do que a dívida”, explicou. 


Nesta manhã, o ministro esteve reunido na capital paulista com banqueiros e com o presidente da Federação Brasileira de Bancos, Isaac Sidney. Estiveram presentes os presidentes dos bancos BTG Pactual, Itaú Unibanco, Santander, Bradesco e Nubank. À tarde, ele também se reuniu com representantes do Citibank.


“Estamos hoje concluindo as conversas com as instituições financeiras para entregar ao presidente, essa semana, o programa de renegociação das dívidas das famílias brasileiras. Estou voltando para Brasília amanhã e falarei com o presidente para que o anúncio seja feito, possivelmente, ainda esta semana pelo presidente”, disse ele a jornalistas. 


De acordo com o ministro, o novo programa Desenrola pretende reduzir os níveis de inadimplência no país, em um cenário de juros ainda elevados, mas com expectativa de queda nos próximos meses. “O programa tem aquela linha geral de exigir reduções de uma dívida que as famílias brasileiras mais sofrem hoje como o cartão de crédito, o CDC (crédito direto ao consumidor) e o cheque especial”, explicou.


Ele também adiantou que o Desenrola vai ter um aporte do Fundo Garantidor de Operações (FGO). “Vai ter um aporte no FGO também, isso está previsto nas medidas que a gente vai colocar. Vai ser o suficiente para a gente garantir a renegociação de quem quiser fazer essa renegociação”, declarou.


Embora não tenha fornecido mais detalhes sobre o novo programa, o ministro disse esperar que os descontos possam alcançar até 90%.


“O que a gente está exigindo, com a contrapartida dos bancos, é que haja uma taxa de juros muito menor do que a praticada nesses três segmentos [CDC, cartão de crédito e cheque especial], que são créditos caros que as pessoas têm que tomar no Brasil. Estamos falando de taxas de juros que variam entre 6% e 10% ao mês. Então, uma dívida de R$ 10 mil, por exemplo, no mês seguinte, ela possivelmente vai ser uma dívida de R$ 11 mil. Uma família brasileira que recebe um salário médio, possivelmente não sairá desse ciclo de atualização da sua dívida. Então, com um desconto amplo, a gente vai chegar a descontos de até 90% nesse programa”, estimou.


Ele ressaltou, no entanto, que o programa não será um “Refis periódico” e ocorrerá apenas como uma medida excepcional.


“Tanto no Desenrola que aconteceu em 2023 quanto no de agora, tratam-se de medidas pontuais e as pessoas não devem contar com a recorrência desse tipo de medida. Nós estamos vivendo uma situação excepcional, as famílias têm um problema, estamos vendo uma guerra e vendo alguns impactos que muitas vezes fogem ao nosso controle. Mas é importante dizer que não se trata de um Refis recorrente”, ressaltou.


Quanto ao número de beneficiados, o ministro declarou que a expectativa do governo é de que milhões de pessoas possam ser atingidas pela nova medida. “Eu espero que a gente atinja dezenas de milhões de pessoas pelo país”, limitou-se a dizer. No primeiro programa Desenrola Brasil, cerca de 15 milhões de pessoas foram beneficiadas com a negociação de R$ 53,2 bilhões em dívidas.


Hoje à tarde o ministro ainda deve se reunir com executivos das empresas Equinor Brasil, Petrogal Brasil, Repsol Sinopec Brasil, Shell Brasil e TotalEnergies EP Brasil. Todas são do setor de petróleo e gás. (Com ABr)