quinta-feira, 9 de julho de 2026

CAMPO GRANDE Foragido da Justiça morre após confronto com a PM

 

                                               Victoria/ Campo Grande News



Homem de 35 anos identificado como Fernando Ferraz Fernandes, morreu na madrugada desta quinta-feira (9/7), em Campo Grande, após confronto com a Polícia Militar. Conforme relatado pela equipe, ele foi baleado depois de sacar uma arma de fogo e apontá-la contra os servidores. 


O caso ocorreu durante abordagem realizada na Avenida Duque de Caxias, no bairro Nova Campo Grande. Ele chegou a ser socorrido com vida, mas morreu às 1h27 na UPA (Unidade de Pronto Atendimento) Santa Mônica.


Conforme o Campo Grande News, equipe da Força Tática fazia rondas na região do Jardim Sayonara quando foi abordada por uma pessoa, que informou sobre uma briga envolvendo usuários de drogas.


Ao se deslocar até o endereço os policiais observaram várias pessoas se dispersando em diferentes direções. Segundo o relato policial, um homem que conduzia uma bicicleta preta chamou a atenção dos militares e, ao perceber a aproximação da viatura, fugiu pela Rua Teófilo Otoni.


Os policiais seguiram o homem, mas o perderam de vista nas proximidades do cruzamento com a Avenida Duque de Caxias. Foram feitas buscas pela região, inicialmente sem sucesso.


Posteriormente, enquanto a equipe permanecia parada na Avenida Duque de Caxias, os militares ouviram um ruído vindo de um terreno baldio. Diante da suspeita de que o homem pudesse estar escondido no local, os policiais entraram no terreno e o localizaram próximo a uma cerca.


Houve tentativa de abordagem e, segundo a polícia, na sequência, Fernando teria sacado uma arma de fogo e apontado na direção da equipe. Os policiais então efetuaram disparos, alegando que agiram para se defender.


Após a identificação, a polícia constatou que Fernando estava foragido da Justiça.


Com ele foram apreendidos uma bicicleta preta, aro 29, uma mochila preta contendo 10 papelotes de cocaína e uma arma de fogo calibre .22, sem marca aparente e com uma munição intacta.


Conforme o registro, as armas pertencentes aos policiais militares e a arma atribuída a Fernando foram recolhidas pela Perícia Criminal ainda no local dos fatos.


A bicicleta preta e a mochila também foram apresentadas à unidade policial. Até o momento do registro da ocorrência, não havia sido possível identificar a origem ou a propriedade dos dois objetos.


A autoridade policial determinou o registro da ocorrência e a adoção das demais providências legais.

Quartas de final da Copa começam nesta quinta com 6 seleções europeias

 

                                            França e Marrocos duelam nesta tarde. (Foto: Fifa)



A Copa do Mundo de futebol inicia a fase de quartas de final nesta quinta-feira (9) nos Estados Unidos, com oito seleções, a maioria delas europeia.


Entre elas França e Inglaterra, que também chegaram às quartas de final nas última duas edições - Rússia 2018 e Catar 2022.


Completando o rol de equipes do Velho Continente estão Bélgica, Espanha, Noruega e Suíça.  


Assim como na Copa de 2002, em que o Brasil conquistou o pentacampeonato, apenas uma seleção sul-americana disputará vaga nas semifinais: a atual campeã Argentina. Por fim, Marrocos representará pela segunda vez consecutiva o futebol africano nas quartas.


França x Marrocos


O primeiro confronto terá de um lado a bicampeã França (1998 e 2018), vice na Copa do Catar, e do outro a seleção marroquina, que sonha com o título inédito.


O Les Blues (Os Azuis), apelido da França, contam com Kylian Mbappé, vice-líder na artilharia da Copa, com sete gols, um a menos que o argentino Lione Messi. Já os Leões do Atlas podem entrar em campo sem a principal estrela, o meio-campista Ismael Saibari, artilheiro da equipe com três gols. Ele sentiu dores ao fim da partida contra o Canadá.


O jogo está programado para às 17h (horário de Brasília) desta quinta (9), no Estádio de Boston. O embate tem tudo para ser um dos mais emocionantes desta fase, pois será uma reedição das semifinais do último Mundial.  Na ocasião, os europeus levaram a melhor por 2 a 0, avançaram e chegaram à final contra a Argentina. Já equipe africana encerrou o Mundial em quarto lugar, o melhor desempenho do país em seis participações.


Espanha x Bélgica


As duas seleções voltam a se enfrentar em Copa do Mundo após um hiato de 36 anos. Considerada uma das favoritas ao título, a Espanha sonha levantar a taça pela segunda vez – a primeira foi na Copa da África do Sul (2010). No elenco talentoso da Fúria estão os atacantes Lamine Yamal, de apenas 18 anos, e Oyarzabal,  que balançou a rede quatro vezes nesta edição.


De olho no título inédito, a seleção belga chega embalada nas quartas após golear os Estados Unidos (4 a 1) nas oitavas e cravar vitória de virada sobre o Senegal (3 a 2) nos acréscimos da prorrogação na segunda fase (eliminatória). A equipe conta com jogadores experientes como Romelu Lukaku e Thibaut Courtois, e mais novos como o atacante Jérémy Doku, de apenas 17 anos.


Fúria e Diabos Vermelhos entram em campo na sexta (10), às 16h, no SoFi Stadium, em Los Angeles.


Inglaterra x Noruega


Único duelo inédito em Mundiais colocará frente a frente a experiente Inglaterra, em sua 17ª participação em Copas, contra a Noruega, que chegou pela primeira vez na história a fase de quartas. De um lado estarão os Três Leões – apelido da seleção inglesa – que que sonham com o segundo título em Copas- o primeiro foi em 1966. Do outro, os Vikings - apelido da seleção Norueguesa – que voltaram ao Mundial em grande estilo,  após amargarem 28 anos de ausência. A Noruega competiu apenas em três edições (1938, 1994 e 1998) e chegou às oitavas em 1938 e 1998.


No retrospecto, ingleses e noruegueses já duelaram 12 vezes em outras competições, com sete vitórias para os britânicos, três empates, e dois triunfos dos Vikings. Em campo estarão dois dos melhores artilheiros do Mundial, o holandês Erling Haaland (sete gols) e britânico Harry Kane (seis).


O confronto será no sábado (11), às 18h, no Hard Rock Stadium, em Miami.


Argentina x Suíça


A atual campeã mundial Argentina chega às quartas de final após uma virada épica contra o Egito (3 a 2), comandada por Messi, artilheiro do mundial. O último encontro de argentinos e suíços em Copa foi na edição de 2014, no Brasil, quando os hermanos levaram a melhor por 1 a 0 na prorrogação. Tricampeões mundiais (1978, 1986 e 2022), os argentinos nunca perderam para os suíços na história: em sete confrontos, venceram cinco e empataram dois.


A seleção suíça mira uma classificação inédita às semifinais da Copa. Depois de 72 anos, a equipe europeia volta a disputar a fase de quartas, fato que só ocorreu em três oportunidade (1934, 1938 e 1954). A defesa bem armada é a principal estratégia da Suíça, conhecida pelo apelido de Ferrolho Suíço.


O último duelo das quartas ocorrerá no sábado (11), às 22h, no Kansas City Stadium.  

Senado aprova projeto que agrava penas para violência sexual digital com uso de IA

 

                                                Ton  Molina


O Senado aprovou nesta semana o projeto de lei que aumenta as punições para a violência sexual digital contra crianças e adolescentes, inclusive nos casos em que é usada a inteligência artificial. O PL 3.066/2025 segue para a sanção. Além de elevar penas para crimes como produzir, divulgar ou comercializar conteúdo de violência sexual contra…

O Senado aprovou nesta semana o projeto de lei que aumenta as punições para a violência sexual digital contra crianças e adolescentes, inclusive nos casos em que é usada a inteligência artificial. O PL 3.066/2025 segue para a sanção.


Além de elevar penas para crimes como produzir, divulgar ou comercializar conteúdo de violência sexual contra menores por meio da internet ou das redes sociais, o projeto torna hediondos vários desses crimes, tornando mais rígidas as condições de cumprimento da pena.


“Nós temos legislado sistematicamente para proteger crianças, adolescentes e suas famílias dos males que, infelizmente, se disseminam pela internet e pelas redes sociais”, disse a senadora Tereza Cristina (PP-MS), que apoiou a medida.


No Senado, o texto, de autoria do deputado Osmar Terra (PL-RS), foi analisado pelo plenário em regime de urgência e teve como último relator o senador Fabiano Contarato (PT-ES), que recomentou a aprovação com ajustes apenas de redação.


Para ele, as estatísticas indicam que as penas atualmente previstas no Estatuto da Criança e do Adolescente não têm sido suficientes para prevenir os crimes de exploração sexual contra eles.


“Entre janeiro e julho de 2025, foram registradas 49.336 denúncias anônimas de abuso e exploração sexual infantil, representando um aumento de 18,9% em relação ao mesmo período de 2024, conforme dados da Safernet Brasil.  (…) Nesse cenário, temos que o incremento de penas, sua inserção no rol de crimes hediondos e a ampliação de condutas delitivas promovidas pelo projeto são medidas adequadas e necessárias”, disse o relator por videoconferência na sessão plenária.


Além disso, o projeto substitui a expressão “pornografia infantil” por “violência sexual contra criança ou adolescente” na legislação sobre o tema. Para o relator, o termo pornografia pode remeter a “obscenidade ou material sexual destinado a adultos”, o que não traduz a gravidade das condutas.


A senadora Damares Alves (Republicanos-DF), que relatou o texto na Comissão de Direitos Humanos (CDH), elogiou o trabalho de Contarato e afirmou que o Senado está entregando um instrumento de proteção da infância. “Estamos dando um exemplo para o mundo de proteção de crianças nas redes sociais, no mundo virtual, no mundo on-line”, avaliou.


Crime hediondo

O projeto inclui diversos crimes relacionados à violência sexual contra crianças e adolescentes no rol dos crimes hediondos. Entre esses crimes estão produzir conteúdo de sexo explícito envolvendo criança ou adolescente, exibir essas cenas e recrutar crianças ou adolescentes para esses conteúdos. Também passa a ser crime hediondo vender, trocar, publicar e armazenar esse material.


Quando um crime é classificado como hediondo,  passa a ser tratado com muito mais rigor pela lei. As punições se tornam mais duras e os benefícios para o condenado (como fiança, indulto e progressão da pena) são cortados ou dificultados.


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Com informações da Agência Senado

Morre Bonnie Tyler, voz do clássico "Total Eclipse of the Heart", aos 75 anos

 

                                          Bonnie Tyler no clipe de 'Total eclipse of the heart' (Foto: Reprodução) 



O estado de saúde da intérprete de um dos maiores sucessos da década de 1980, "Total Eclipse of the Heart" (1983), havia se agravado nos últimos dias. Ela chegou a ser colocada em coma induzido e, posteriormente, foi transferida para a unidade de terapia intensiva do hospital.


Tyler nasceu em 8 de junho de 1952, em Skewen, no País de Gales. Seu nome de batismo era Gaynor Hopkins e o pai, Glynd?r Hopkins, era mineiro de carvão e militar na Segunda Guerra Mundial. A mãe, Elsie Hopkins (nascida Lewis), era uma dona de casa.


A família protestante era profundamente religiosa e a primeira apresentação da cantora, quando criança, foi em uma capela, cantando o hino anglicano "All things bright and beautifiul". Mas os irmãos e irmãs também a apresentaram a diferentes nomes da música pop como Elvis Presley, Frank Sinatra e os Beatles.


A futura cantora deixou a escola aos 16 anos, sem nenhuma qualificação, e começou a trabalhar em um mercado. Em abril de 1969, ela foi inscrita por uma tia em um concurso de talentos local, ficando em segundo lugar. A experiência estimulou Tyler a tentar a carreira como cantora. Ela trabalhou como backing vocal para Bobby Wayne & the Dixies antes de formar sua própria banda, Imagination. Nessa época, mudou seu nome para Sherene Davis, para evitar ser confundida com uma cantora folk galesa, Mary Hopkin.


Em 1975, um olheiro de músicos, Roger Bell, viu Tyler cantando com sua banda no Townsman Club, em Swansea, e a convidou a gravar uma demo em Londres. Passaram-se meses até ela ser chamada pela RCA Records para assinar um contrato de gravação. Mas a gravadora recomendou que ela mudasse novamente de nome. Foi olhando uma lista de sobrenomes e nomes próprios de um jornal que a artista resolveu assumir o nome artístico com o qual ficou famosa.


O primeiro single já como Bonnie Tyler, "My! My! Honeycomb", foi lançado em abril de 1976 e fracassou comercialmente. Para o lançamento seguinte, "Lost in France", a RCA pagou a ida de 30 DJs e jornalistas musicais para um jantar de quatro pratos com a cantora em Le Touquet, um balneário no Norte na França. "Lost in France" alcançou o 9º lugar nas paradas do Reino Unido e levou Tyler à primeira aparição no popular programa musical Top of the Pops.


O lançamento seguinte, "More Than a Lover", em janeiro de 1977, teve o uso em uma série infantil da TV britânica, Get it togheter, vetado por causa da natureza sexual da letra da música. Com a ajuda do que Tyler definiu como "publicidade extra", a música conseguiu chegar ao 27º lugar nas paradas britânicas.


O álbum de estreia, "The World Starts Tonight", fracassou no Reino Unido, mas alcançou o 2º lugar nas paradas da Suécia. No mesmo ano, Tyler passou por uma cirurgia para remover nódulos nas cordas vocais e foi aconselhada por seu médico a repousar a voz por seis semanas. Em reação, durante o repouso, deu um grito de frustração. O tom rouco que resultou desta desobediência médica se tornou sua marca permanente como cantora.


O sucesso internacional "It's a Heartache" foi lançado em novembro de 1977, alcançando o 4º lugar na Grã-Bretanha o 3º lugar na Billboard Hot 100. A primeira turnê de Tyler nos Estados Unidos foi no ano seguinte, com várias apresentações no Greek Theatre em Los Angeles, abrindo para Tom Jones. Em novembro de 1979, Tyler representou o Reino Unido no Festival Mundial de Canções Populares da Yamaha, no Japão e ganhou o prêmio Grand Prix Internacional por sua interpretação de "Sitting on the Edge of the Ocean".


Eclipse do coração


Em 1982, depois do fim do contrato com a RCA, Tyler assinou com a CBS Columbia e passou a trabalhar com o produtor Jim Steinman. Ele teve resistência a cantora, até que ela enviou fitas com rocks que estava mais interessada em gravar. Foi Steinmam que escreveu e produziu o maior sucesso da artista: "Total Eclipse of the Heart", que o produtor chamou de "uma avalanche de som e emoção wagneriana".


"Total Eclipse of the Heart" foi lançado em 11 de fevereiro de 1983 e tornou-se um dos singles mais bem-sucedidos de todos os tempos do Reino Unido, com mais de seis milhões de unidades vendidas. O álbum "Faster Than the Speed ??of Night" estreou em 1º lugar na parada de álbuns da Grã-Bretanha e chegou ao 4º lugar na Billboard 200 dos Estados Unidos, onde vendeu mais de um milhão de cópias.


Em 1984, a cantora lançou "Holding Out for a Hero", que fez parte da trilha sonora de "Footloose". No ano seguinte, sua gravação de "Here She Comes" para a restauração de Giorgio Moroder do filme "Metropolis", o clássico de ficção-científica de Fritz Lang de 1927, rendeu uma indicação ao Grammy de Melhor Performance Vocal Feminina de Rock. Foi neste ano que a cantora recusou uma oferta para gravar o tema de "007 - Nunca Mais Outra Vez", em que Sean Connery voltou ao papel de James Bond após 12 anos.


Com Fábio Jr.


Ao longo da década de 1980, Tyler fez trabalhos com nomes fundamentais do pop britânico, como o produtor George Martin, Elton John e o multi-instrumentista Mike Oldfield. E na lista de parcerias, entrou o cantor brasileiro Fábio Jr.: os dois fizeram um dueto em "Sem limites para sonhar", em um álbum bilíngue do cantor.


Foi no ano seguinte que Tyler e seu marido, Robert Sullivan, um incorporador imobiliário, compraram uma propriedade em Albufeira, no Algarve, no sul de Portugal. O casal também comprou mais tarde uma fazenda na Nova Zelândia, além de manter residência em Londres.


Ao longo de toda a sua vida, Tyler nunca parou de lançar discos e se apresentar. Em julho do ano passado, lançou "Together", produzido por David Guetta e Hypaton. A música fez sucesso nas paradas francesas, com sua letra interpolada pelo refrão de "Total Eclipse of the Heart". Em 2022, ela fez sua primeira turnê no Brasil, cantando em Florianópolis, Curitiba, São Paulo, Porto Alegre e Rio de Janeiro.


Causas sociais


Tyler participou de três grupos beneficentes ao longo da sua carreira: em 1986, juntou-se ao Projeto Anti-Heroína para gravar "It's a Live-In World", com renda foi doada para o financiamento de centros de recuperação para dependentes na Grã-Bretanha. No ano seguinte, fez o vocal de apoio do grupo britânico-americano Ferry Aid, que lançou um cover de "Let It Be", dos Beatles.


A renda obtida com a música, que liderou as paradas britânicas por três semanas, foi para o apoio às vítimas do desastre com um ferry boat em Zeebrugge, na Bélgica, em que morreram 193 pessoas. Em 1990, Tyler se juntou ao Rock Against Repatriation para gravar um cover de "Sailing", um protesto contra repatriação de vietnamitas que fugiram para Hong Kong.


A cantora se dedicou a outras causas, como o apoio a crianças com paralisia cerebral e a arrecadação de fundos para vítimas da tsunami no Oceano Índico em 2004. Em 2020, participou de uma regravação de "Don't Answer Me", do Alan Parsons Project, para arrecadar fundos para Bergamo, cidade italiana profundamente impactada pelo surto da pandemia de COVID-19. (Com o Globo)

Correios adiam fechamento de agências enquanto busca por R$ 7 bi

 

                                            Correios têm 14 trimestres seguidos de prejuízo (Foto: Ton Molina/Bloomberg)



Apresentado no ano passado como contrapartida ao aval do Tesouro para um empréstimo de R$ 12 bilhões, o plano de reestruturação em curso nos Correios foi parcialmente interrompido neste mês.


A estatal suspendeu o fechamento de agências, a retirada de uma gratificação de R$ 500 para funcionários que exerçam atendimento ao público, além da adoção de um sistema para mapear os recursos necessários para realizar as entregas. A decisão foi tomada diante da ameaça de servidores de entrarem em greve.


A suspensão das medidas previstas no plano ocorre no momento em que a direção da empresa, comandada por Emmanoel Rondon, busca um novo empréstimo, agora de R$ 7 bilhões, como parte da estratégia para reverter os resultados negativos dos últimos anos. A estatal fechou 2025 com prejuízo de R$ 8,5 bilhões, e o rombo deve ser ainda maior neste ano. No primeiro trimestre de 2026, o déficit foi de R$ 3,1 bilhões.


Em nota, os Correios afirmaram que a suspensão é temporária e servirá para que entidades representativas dos trabalhadores possam apontar possíveis distorções na aplicação das medidas. "A suspensão das medidas citadas é temporária e restrita aos temas em discussão, permitindo que as demais iniciativas previstas no plano de reestruturação tenham continuidade", disse a empresa. Estão mantidas, por exemplo, as ações de venda de imóveis e outras medidas de contenção de despesas.


Um total de 256 agências já fechou as portas


A suspensão temporária foi proposta em carta a sindicalistas, em resposta ao movimento grevista. Insatisfeitos com as medidas do plano de reestruturação, os representantes dos trabalhadores haviam indicado que começariam uma paralisação na terça-feira passada. Depois do aceno da direção dos Correios, recuaram e só mantiveram o estado de greve, que permite à categoria cruzar os braços a qualquer momento, caso haja descumprimento dos termos da negociação pela empresa.


“Como demonstração concreta do compromisso dos Correios com o diálogo e com a busca de soluções construídas de forma negociada, propõe-se a suspensão do fechamento de unidades previstas no plano de reestruturação dos Correios até 31 de julho de 2026, ressalvadas as unidades fechadas ou em processo avançado de fechamento”, diz a carta, ao qual O GLOBO teve acesso. O documento é assinado pelo presidente da empresa e pelos diretores de Gestão de Pessoas e de Operações.


No período da suspensão, segundo o documento, serão avaliados e debatidos novos fechamentos, com “análise técnica, institucional e social das situações apresentadas”.


Da mesma forma, foi proposta a suspensão do sistema de dimensionamento de distribuição e a reavaliação de medidas já realizadas em junho. Por fim, a direção se comprometeu com a interrupção da retirada das remunerações relativas ao Adicional de Atendimento em Guichê – AAG e Quebra de Caixa, com a reavaliação dos benefícios que já foram encerrados.


Das ações paralisadas no contexto da negociação com os trabalhadores, uma das mais relevantes para o processo de recuperação financeira da empresa é o fechamento de agências e centros de tratamento e distribuição. Das 1.000 unidades que a empresa pretendia reduzir, com previsão de economia de R$ 2,1 bilhões, 256 tiveram suas atividades encerradas até o momento.


PDV será voltado a unidades fechadas


A medida é importante também porque o novo PDV (programa de demissão voluntária), que deve ser anunciado em breve, será exclusivamente voltado para as unidades que serão fechadas, que têm, ao todo, 7 mil funcionários.


Na primeira iniciativa de desligamento voluntário deste ano, houve frustração. Somente 3.075 funcionários aderiram à iniciativa, bem abaixo da meta de 10 mil. A economia alcançada foi de cerca de R$ 700 milhões, contra o objetivo de R$ 1,4 bilhão. Agora, a meta é desligar entre 2 mil e 3 mil pessoas.


Na parte do plano que envolve a busca de novas receitas, a empresa, por sua vez, vem avançando em parcerias. O plano de reestruturação foi apresentado pelos Correios no ano passado, diante de uma grave crise financeira e como condição do governo para que o Tesouro Nacional desse aval a um empréstimo de R$ 12 bilhões para socorrer a estatal. (Com O Globo)

Campo Grande e região chilena selam acordo para inovação e Rota Bioceânica

 





O Parktec CG (Parque Tecnológico e de Inovação de Campo Grande) e o Governo Regional de Tarapacá, no Chile, assinaram nesta quarta-feira (8) um termo de cooperação para desenvolver ações conjuntas nas áreas de inovação, tecnologia, empreendedorismo e logística.


O acordo foi formalizado durante a visita de uma comitiva chilena à Capital.


A parceria prevê o intercâmbio de conhecimento entre instituições, a aproximação de empresas e universidades e a identificação de oportunidades ligadas à Rota Bioceânica, corredor que conectará o Brasil aos portos do norte do Chile por meio de Paraguai e Argentina.


Segundo os participantes, a cooperação também deverá envolver projetos nas áreas de turismo, sustentabilidade e desenvolvimento econômico. A expectativa é que startups, instituições de ensino e empresas possam participar de futuras iniciativas decorrentes do acordo.


Durante o encontro, representantes dos dois governos destacaram o potencial da Rota Bioceânica para ampliar a integração entre os países do Cone Sul e facilitar o desenvolvimento de novos negócios e parcerias.

Acordo com Chile consolida Capital na Rota Bioceânica. (Foto: PMCG)
                                            

Famílias recorrem à Justiça para obrigar planos a custear novo remédio contra Alzheimer

 

                                              M.Q.S., 34, segura as mãos do pai, C.S.S, 71, que recebeu diagnóstico de Alzheimer em estágio inicial e recorreu à Justiça para obter medicação - Rafaela Araújo/Folhapress

  • Medicamento para pacientes em estágio inicial da doença custa cerca de R$ 30 mil por aplicação

  • Donanemabe é vendido no Brasil desde setembro de 2025, mas farmacêutica ainda não pediu inclusão no rol da ANS


Dez meses após chegar ao mercado brasileiro, um medicamento que promete retardar a progressão da doença de Alzheimer passou a impulsionar ações judiciais contra planos de saúde. O Kisunla (donanemabe) é indicado para pessoas com comprometimento cognitivo leve ou demência leve.


Famílias têm obtido liminares favoráveis para garantir acesso ao Kisunla, indicado para pacientes na fase inicial da doença e cujo custo pode superar R$ 30 mil por aplicação em hospitais privados de São Paulo. As infusões são feitas mensalmente em ambiente ambulatorial.


Levantamento obtido pela Folha identificou 35 ações na segunda instância em São Paulo. Em 28 delas houve decisão favorável aos pacientes; 5 tiveram liminares negadas; e 2 ainda aguardam laudos complementares. Na primeira instância tramitavam outras 51 ações até a última sexta-feira (3).


Fabricado pela Eli Lilly, o donanemabe recebeu registro da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) em abril de 2025 e começou a ser comercializado em setembro do mesmo ano. A farmacêutica ainda não pediu inclusão do medicamento no rol da ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar) nem avaliação da Conitec, a comissão de incorporação de novas tecnologias no SUS.


No entendimento de muitos juízes, os planos de saúde têm obrigação legal de cobrir o tratamento, desde que haja indicação médica adequada. O fato de o medicamento não estar no rol da ANS não impede a cobertura, segundo eles.


Os magistrados argumentam que desde a lei 14.454, de 2022, o rol deixou de ser uma lista fechada e passou a ser apenas uma referência. Alguns citam decisão do STF (Supremo Tribunal Federal) de 2025 que admite, em caráter excepcional, a cobertura de tratamentos fora do rol da ANS quando preenchidos requisitos como prescrição médica, registro na Anvisa, comprovação científica e ausência de alternativa terapêutica.


Embora especialistas ressaltem que o benefício clínico do donanemabe seja modesto e não represente uma cura do Alzheimer, estudos mostram que ele pode retardar a perda de memória e de autonomia quando iniciado precocemente. Esse curto intervalo terapêutico tem subsidiado liminares que obrigam os planos de saúde a custear o tratamento.


"O tempo é determinante. Se a doença avança, a pessoa deixa de ser elegível ao medicamento", afirma a advogada Renata Vilhena Silva, especialista em direito à saúde e sócia-fundadora do escritório Vilhena Silva, que relata aumento expressivo na procura de pacientes nos últimos meses.


Segundo ela, as ações têm sido ingressadas após a negativa de cobertura com argumentos padronizados, como ausência no rol da ANS. Ela diz que, na maioria dos casos, as liminares são concedidas entre 72 horas e duas semanas.


Foi esse o caminho seguido pela empresária M.Q.S.,34, filha do também empresário C.S.S., 71, que recebeu diagnóstico de Alzheimer no início de 2025. A família pediu para não ser identificada.


M. conta que os primeiros sintomas da doença surgiram de forma discreta. O pai começou a esquecer compromissos, confundia informações no trabalho e apresentava dificuldades para se orientar.


Depois de quase um ano de investigação, exames confirmaram Alzheimer em estágio inicial. Um neurologista falou sobre a possibilidade do tratamento com donanemabe, e a família imediatamente foi atrás.


O plano de saúde recusou a cobertura. A família entrou na Justiça. O processo foi protocolado às 6h da manhã, e às 14h a liminar foi concedida, conta a filha.


Mesmo com a decisão favorável, a infusão inicial foi paga pela própria família devido a problemas na autorização do convênio. Custou R$ 23 mil, valor cobrado pela primeira aplicação, que contém 25% de uma dose completa. O fracionamento ocorre devido à possibilidade de efeitos adversos, e a quantidade aplicada vai aumentando gradualmente até chegar a 100%. O valor de uma dose completa varia de R$ 27 mil a R$ 31 mil, dependendo da instituição.


Hoje, após quatro infusões, M. diz que, embora o pai continue tendo limitações, a família percebe mudanças —está mais comunicativo, mais calmo, voltou a participar das conversas.


Para ela, mesmo que o medicamento não reverta a doença, só o fato de o pai ganhar mais tempo de autonomia já compensa. Diz ainda que, se o plano deixasse de pagar o medicamento, a família daria um jeito de seguir com o tratamento.


O neurologista Paulo Caramelli, professor da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), afirma que a procura pela terapia tem crescido rapidamente nos consultórios e que a cobertura pelos planos precisará ser discutida para evitar a expansão da judicialização.


"O custo mensal torna o tratamento inviável para praticamente todas as famílias, inclusive as de maior renda", afirma. Segundo Caramelli, o medicamento deve ser reservado a pacientes cuidadosamente selecionados. "Não é uma medicação para qualquer paciente com Alzheimer. O benefício é maior justamente quando a doença ainda provoca pouco impacto funcional."


O donanemabe pertence à classe dos anticorpos monoclonais antiamiloide e atua removendo placas beta-amiloide do cérebro. Nos estudos que embasaram sua aprovação, retardou o declínio cognitivo e funcional em cerca de 35%, na comparação com o placebo. O tratamento exige monitoramento por ressonância magnética devido ao risco de efeitos adversos.


Bruno Sobral, diretor-executivo da Fenasaúde (Federação Nacional de Saúde Suplementar), atribui parte do aumento da judicialização à estratégia da fabricante, já que, embora o medicamento tenha registro desde 2025, ainda não houve pedido de incorporação ao SUS nem à ANS. "Há, aparentemente, uma preferência, uma escolha da indústria, até que se prove o contrário, de investir na judicialização."


Para ele, muitos juízes têm concedido liminares considerando apenas a prescrição médica e o registro na Anvisa, sem observar outros critérios definidos pelo STF.


Segundo ele, o donanemabe precisa passar pelo processo formal de avaliação de tecnologias em saúde antes de ser incorporado. Essa análise é importante, afirma, porque o medicamento possui indicação restrita a pacientes em fases específicas da doença e apresenta riscos que exigem monitoramento. "Passou pelo processo, definidas as diretrizes de utilização desse medicamento, a gente vai cobrir", diz.


Em nota, a Eli Lilly afirmou que o acesso a terapias inovadoras ainda enfrenta desafios no país. Disse também que o intervalo entre a aprovação regulatória e a efetiva disponibilização no sistema de saúde costuma superar cinco anos e que cerca de 80% dos casos da doença permanecem sem diagnóstico, o que dificulta a identificação dos pacientes elegíveis para o tratamento.


A farmacêutica afirmou que sua prioridade é contribuir para melhorias na infraestrutura de diagnóstico e para ampliar o acesso dos pacientes que podem se beneficiar da terapia. Disse ainda que avalia as estratégias mais adequadas para isso, mas que, "por ora, não há expectativa de submissão de Kisunla à ANS ou à Conitec no curto prazo", cenário que, segundo a empresa, é reavaliado continuamente


Cláudia Collucci

Folha de São Paulo