terça-feira, 3 de novembro de 2026

Tereza Cristina mantém candidatura à presidência do Senado e aposta em terceira via

 

                                              Agência Senado



Senadora de Mato Grosso do Sul segue na disputa pelo comando da Casa, mesmo diante das candidaturas de Davi Alcolumbre e Rogério Marinho; articulações ainda não resultaram em acordo.


A senadora Tereza Cristina (PP-MS) mantém sua candidatura à presidência do Senado Federal para o próximo período legislativo. A parlamentar sul-mato-grossense busca se consolidar como uma terceira opção na disputa pelo comando da Casa, diante dos nomes de Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) e Rogério Marinho (PL-RN).


Segundo informações atribuídas a aliados, uma reunião entre Tereza Cristina e Rogério Marinho terminou sem acordo para a unificação das candidaturas. Com isso, a senadora segue na disputa, enquanto continuam as articulações políticas entre os partidos.


A candidatura de Tereza Cristina ocorre em meio às negociações para a formação da nova composição do Senado, que inicia seus trabalhos em 2027. A definição da presidência da Casa envolve acordos entre bancadas e lideranças partidárias.


Ex-ministra da Agricultura e representante de Mato Grosso do Sul no Congresso Nacional, Tereza Cristina integra o Progressistas e participa das discussões sobre a organização política do Senado.


A disputa também envolve o posicionamento das legendas em relação à candidatura de Davi Alcolumbre, que busca permanecer no comando da Casa.


Até o momento, conforme as informações disponíveis para esta matéria, não há confirmação de um entendimento entre Tereza Cristina e Rogério Marinho para a retirada de uma das candidaturas.


A escolha da presidência do Senado será feita pelos próprios senadores, em votação interna, conforme as regras da Casa.

Governo Lula tenta separar redução da maioridade penal de PEC da Segurança e propõe proposta paralela

 

                                           Evaristo Sá - 14.abr.26/AFP

  • Ministro da articulação política quer evitar alteração no texto aprovado pela Câmara
  • Oposição insistirá em emenda para reduzir a maioridade para 16 anos, gerando embate no Senado


O ministro de Relações Institucionais, José Guimarães, reuniu nesta terça-feira (3) líderes da base do governo para evitar a votação da redução da maioridade penal junto com a PEC (Proposta de Emenda à Constituição) da Segurança Pública.


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem pressa para aprovar o projeto neste ano, mas uma mudança levaria o texto de volta à Câmara.


Havia dúvida se de fato o governo Lula defenderia a separação das propostas, diante da popularidade do tema. Segundo Guimarães, o Planalto não é contra a discussão da redução da maioridade, mas afirmou que é preciso analisar a proposta separadamente da PEC, para evitar uma alteração no texto aprovado pelos deputados em março deste ano.


Vamos votar a PEC como veio da Câmara, é a que passou na CCJ [Comissão de Constituição e Justiça] e, portanto, o relator vai trabalhar para não acatar nenhuma emenda", afirmou José Guimarães após a reunião, que contou com os líderes do governo na Câmara, Paulo Pimenta (PT-RS), no Senado, Teresa Leitão (PT-PE), e no Congresso, Randolfe Rodrigues (PT-AP).


O relator da PEC da Segurança é o senador Rogério Carvalho (PT-SE), o que facilitou para o Planalto a construção do parecer nos moldes desejados —ou seja, com a derrubada das emendas.


Quando a PEC foi incluída na pauta do Senado no último dia 15, emendas para inserir na proposta a redução da maioridade foram protocoladas pela oposição, mas o senador Camilo Santana (PT-CE) também apresentou um texto semelhante, para impedir o desgaste do presidente Lula durante a campanha eleitoral

Agora, passada a campanha, o governo vai tratar da redução da maioridade em separado, segundo Guimarães. "Está posta essa discussão [da redução da maioridade penal] no governo, mas não dá para misturar. O presidente Lula precisa da constitucionalização da PEC para criar o Ministério da Segurança Pública", disse ele.


O líder da oposição, Rogério Marinho (PL-RN), afirmou que manterá a emenda para redução da maioridade, o que deve levar a uma votação separada desse trecho da PEC.


A proposta o PL reduz para 16 anos a inimputabilidade penal em geral e para 14 anos em caso de crimes definidos como hediondos, tortura, tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins, terrorismo, organização e associação criminosa.


Em resposta, Guimarães disse que, se a oposição insistir na emenda, o texto será definido "no voto".


A aprovação de uma PEC requer 49 votos, e o Planalto acredita ter o apoio necessário para aprová-la. Para incorporar uma emenda à proposta, a oposição precisa da mesma quantidade de votos favoráveis.


Marinho evitou responder se acredita ter os votos necessários. A senadora Tereza Cristina (PP-MS), também de oposição, afirmou que o grupo não vai abrir mão de votar o trecho referente à redução da maioridade.


Teresa Leitão, líder do governo no Senado, destacou o esforço de não permitir nenhuma alteração no texto, a fim de acelerar a promulgação da PEC. "A PEC da Segurança é um instrumento vital, foi protocolada em 2025. O debate da maioridade para esta PEC é um corpo estranho. É um debate que precisa ser feito, mas não no âmbito de uma PEC estruturante do sistema de segurança pública", explicou.


O líder do governo no Congresso, Randolfe Rodrigues, completou: "A partir da aprovação dessa PEC, a União será incorporada ao sistema de combate ao crime organizado e facções criminosas, que hoje é de competência dos estados. Não temos óbice ao debate de redução de maioridade penal, que está colocado na Câmara com uma comissão especial. Temas relativos tramitarão numa PEC em paralelo e enviada para a comissão especial".


A PEC da Segurança é um dos focos do governo neste fim de ano no Congresso. O Planalto entende que é preciso garantir sua aprovação antes da votação do Orçamento de 2027, para garantir a criação do Ministério da Segurança Pública já com previsão orçamentária. A implementação da pasta é uma promessa de campanha do presidente Lula.


Hoje, o Ministério da Justiça e Segurança Pública concentra o debate das duas áreas. Pelo desenho em discussão, o novo ministério reuniria a Senasp (Secretaria Nacional de Segurança Pública), a Senappen (Secretaria Nacional de Políticas Penais), a Polícia Federal e a Polícia Rodoviária Federal.


A PEC amplia o papel da União na coordenação das políticas de segurança pública e fortalece a atuação conjunta dos governos federal, estaduais, distrital e municipais no combate à criminalidade.


Augusto TenórioCarolina LinharesFolha de São Paulo

FAC usa chá-mate em enfeites natalinos

 

                                            PMCG/Divulgação


O Fundo de Apoio à Comunidade (FAC) intensificou a produção e a restauração de peças decorativas para o Natal de 2026, utilizando técnicas de sustentabilidade e reaproveitamento de materiais. Desde o mês de agosto, uma equipe formada por quatro voluntárias e duas funcionárias trabalha em uma oficina artesanal que transforma itens recicláveis e erva de chá-mate em elementos que integrarão a ornamentação natalina da Capital. 


Um dos principais destaques do projeto é a utilização da erva de chá-mate recolhida após o consumo humano. Após passar por processo de coleta e secagem, o resíduo orgânico é aplicado na cobertura de casinhas ornamentais de Natal, gerando um efeito estético rústico semelhante ao sapé. A iniciativa aproveita também peças de edições anteriores, que passam por restauração para serem reaproveitadas nos cenários natalinos. 


O presidente do FAC, Adir Diniz, destaca que a proposta une a conscientização ambiental à participação comunitária. “Estamos preparando uma decoração de Natal que vai muito além da beleza. Cada peça carrega criatividade, dedicação e o compromisso de dar uma nova oportunidade a materiais que seriam descartados. Queremos levar às famílias campo-grandenses não apenas o encanto do Natal, mas também uma mensagem de sustentabilidade e de valorização do trabalho coletivo”, destaca. 


A ideia de utilizar a erva de chá-mate surgiu no próprio setor de produção do órgão. A colaboradora do FAC, Ivonete Duarte, explica o processo de desenvolvimento da técnica. “A gente começou a pensar em como aproveitar algo que normalmente vai para o lixo e descobriu que a erva do chá-mate, depois de recolhida e bem seca, pode dar um efeito muito bonito no telhado das casinhas. Ela lembra o sapé e ajuda a criar um visual mais rústico, com aquele charme de casinha natalina”, explica. 


A frente do setor de habilidades manuais da instituição, Maria do Carmo Teixeira de Moura, reforça que a iniciativa promove a redução de resíduos e o consumo consciente na administração pública. “Cada material que chega até nós é uma oportunidade de criar. O jeans, o papelão, o plástico e até a erva do chá-mate podem ganhar novas formas quando trabalhamos com imaginação e dedicação. Também temos o cuidado de recuperar enfeites de outros anos, valorizando o que já existe e evitando desperdícios”, afirma Maria do Carmo. 


A confecção das peças segue em andamento na sede do FAC para que a ornamentação completa seja instalada nos pontos públicos de Campo Grande no final do ano, promovendo a educação ambiental por meio da arte popular. 

Mercado eleva projeção para inflação, juros e dólar em 2026

 

                                             Marcelo Casal Jr.




O mercado financeiro elevou as projeções para a taxa básica de juros (Selic), a inflação e o dólar neste ano e reduziu, pela terceira semana consecutiva, a estimativa de crescimento da economia. 


Os dados constam do Boletim Focus, relatório semanal divulgado pelo Banco Central com projeções do mercado financeiro para inflação, câmbio, taxa Selic, entre outros indicadores.


Neste primeiro boletim após o resultado das eleições presidenciais, a projeção para a taxa básica de juros (Selic) ao final de 2026 passou de 13,25% na semana passada para 13,5% – mesmo patamar estimado há quatro semanas.


Atualmente, a Selic está em 13,75%, o que indica que o mercado ainda espera por um corte de 0,25 ponto percentual até o fim do ano.


Para 2027 e 2028, as projeções para a Selic estão em 12,5% e 11%, respectivamente.


A Selic é o principal instrumento do Banco Central para controlar a inflação. Juros mais altos encarecem o crédito e ajudam a reduzir a demanda e os preços, mas podem frear a atividade econômica.


Juros menores estimulam o consumo e os investimentos, favorecendo o crescimento, mas podem pressionar a inflação.


Inflação

Utilizado para medir a inflação oficial do país, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) também está entre as projeções do Boletim Focus.


As estimativas do mercado financeiro para 2026 subiram de 5,19% há uma semana, para 5,22%. Há quatro semanas, a projeção para o IPCA era de 5,01%.


Para 2027, o mercado projeta inflação de 4,76%. Para 2028, a expectativa é de 4%.


A prévia da inflação oficial ficou em 0,32% em outubro, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Com o resultado, o IPCA-15 acumula alta de 4,62% em 12 meses, acima do teto da meta de inflação.


A desaceleração em relação a setembro (0,70%) foi influenciada principalmente pela queda da energia elétrica residencial, após a adoção da bandeira tarifária verde no mês de outubro.


A maior pressão de alta veio dos alimentos, com destaque para tomate (24,54%), cebola (13,63%), batata-inglesa (10,96%) e arroz (5,80%).


Economia

Com relação ao Produto Interno Bruto (PIB), soma dos bens e serviços produzidos no país, o mercado financeiro reduziu, pela terceira semana consecutiva, as projeções para 2026.


Há uma semana, o mercado projetava crescimento de 1,8% para o PIB em 2026. Na atual edição do Boletim Focus, essa estimativa recuou para 1,76%. Para 2027, a expectativa é de crescimento de 1,2% e para 2028, 1,8%.


Câmbio

As projeções para a cotação do dólar ao final do ano subiram de R$ 5,05, há uma semana, para R$ 5,34.


O mercado estima que, em 2027, a moeda norte-americana encerrará o ano cotada a R$ 5,40. Para 2028, a projeção se mantém em R$ 5,40.

Ônibus de Corumbá é flagrado com 661 kg de folhas de coca em SP

                                            PMR


Um ônibus que saiu de Corumbá, em Mato Grosso do Sul, com destino à capital paulista foi interceptado com 661 quilos de folhas de coca na manhã de domingo (1º), em Irapuru, no interior de São Paulo.


Um passageiro boliviano, de 45 anos, acabou preso por suspeita de transportar a carga.


A apreensão, segundo o Jornal de Brasília, ocorreu na Rodovia Comandante João Ribeiro de Barros (SP-294), durante uma fiscalização da PMR (Polícia Militar Rodoviária), realizada como parte da Operação Impacto/Fronteira.


Durante a vistoria, os policiais encontraram 27 malas no bagageiro externo do coletivo, que transportava 37 passageiros. As bagagens estavam carregadas com folhas de coca in natura, utilizadas como matéria-prima na fabricação de cocaína.


Após identificar o responsável pelas malas, os agentes prenderam o boliviano, que ocupava a primeira poltrona do ônibus.


O suspeito foi encaminhado à Delegacia da PF (Polícia Federal) em Presidente Prudente, onde permaneceu preso.


Segundo a polícia, a apreensão representa um prejuízo estimado em R$ 140 mil para o crime organizado. 

Número de brasileiros com obesidade atendidos na rede básica do SUS aumenta 259% em dez anos

 

                                              Mohamed Hassan - 02.jun.23/Pixabay


  • Condição é associada a mais de 240 doenças e redução de expectativa de vida
  • 71,5% dos adultos registrados na atenção primária da rede pública de saúde estão com algum grau de excesso de peso


O número de brasileiros com obesidade monitorados pelo Sisvan (Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional), do Ministério da Saúde, passou de 3,09 milhões em 2016 para 11,12 milhões neste ano —mais de um terço (36%) de todo o público adulto acompanhado no sistema. A alta no período foi de 259%.


O Sisvan reúne informações sobre o estado nutricional da população atendida na Atenção Primária à Saúde no SUS (Sistema Único de Saúde).


No mesmo período, os indicadores de sobrepeso saltaram de cerca de 4,19 milhões para 10,76 milhões —elevação de 156,8%.


Juntas, as duas condições somam 21,88 milhões de indivíduos. O dado revela que 71,5% dos adultos assistidos pelo Sisvan estão acima do peso adequado.


O excesso de peso abrange os dois níveis: sobrepeso e obesidade. É considerada com sobrepeso uma pessoa que tenha IMC (índice de massa corporal) de 25 a 29,9; na obesidade, considerada doença crônica inflamatória e multifatorial, o índice é igual ou superior a 30. O indicador é calculado dividindo o peso dividido pelo quadrado da altura.



O endocrinologista Bruno Halpern, presidente da Federação Mundial da Obesidade e vice-presidente da Abeso (Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica), diz que os gargalos da assistência à condição no SUS vão desde a escassez de medicamentos até a falta de capacitação profissional.


De acordo com o médico, a rede pública carece de um protocolo de tratamento clínico unificado e abrangente para os quadros agudos de excesso de peso. Como a cirurgia bariátrica é indicada apenas para casos de obesidade grave, a maior parte da população afetada fica sem amparo. Além disso, o acesso ao procedimento é desigual e marcado por filas de espera, que variam em tempo e tamanho conforme a região do país.


Segundo Halpern, mesmo para os pacientes que conseguem fazer a cirurgia, o suporte pós-operatório é deficiente, com destaque para a ausência de fornecimento regular de suplementos polivitamínicos essenciais.


"Não há linhas de cuidado bem trabalhadas", afirma o endocrinologista, acrescentando que há algumas ilhas de excelência na abordagem da mudança de estilo de vida no SUS, mas nada estrutural. "E os profissionais de saúde têm pouca educação em obesidade."


A obesidade é associada a mais de 240 doenças, entre elas diferentes tipos de câncer e danos cardiológicos, e redução de expectativa de vida.


A capacidade dos sistemas de saúde de oferecer prevenção, acompanhamento e tratamento adequado à população foi um dos temas abordados durante o XVI Congresso Latino-Americano de Obesidade, realizado entre 28 e 31 de outubro, em Salvador.


Em 24 das 27 unidades federativas, o total de adultos com obesidade em atendimento na atenção básica já supera o de pessoas com o peso considerado adequado. Em 18 estados brasileiros, pelo menos 70% dos assistidos pelo sistema apresentam excesso de peso (sobrepeso ou obesidade).


O Rio Grande do Sul lidera os índices nacionais: 42,6% dos acompanhados apresentam obesidade e 75,9%, excesso de peso.


São Paulo e Rio de Janeiro têm, respectivamente, 40,5% (1,74 milhão) e 40,1% (759,2 mil) de pessoas com obesidade em atendimento. Minas Gerais contabiliza 1,16 milhão (34,6%), e a Bahia, 735,3 mil (31,9%).


Quando analisada a taxa geral de excesso de peso em 2026, as marcas mais altas nos registros do Sisvan ficam com o Rio Grande do Norte (75,5%), Amapá (74,5%) e São Paulo (74,3%).


Os números estaduais refletem a tendência nacional: em dez anos, a taxa nacional de obesidade escalou de 25,1% em 2016 para os atuais 36,4%. Esta é a primeira vez que os registros de obesidade (11,12 milhões) superaram os de sobrepeso (10,76 milhões).


"Sabemos que a obesidade cresce e continuará subindo no Brasil. O que tentaremos fazer é que essa curva seja menos pronunciada", diz o especialista.


Para combater a obesidade são necessárias ações simultâneas de prevenção e de tratamento, explica Bruno Halpern. A primeira frente envolve políticas públicas como incentivar o consumo de alimentos naturais e desestimular o de ultraprocessados. A segunda exige redes de cuidado efetivas para garantir qualidade de vida a quem já vive com a doença.



A obesidade no mundo

No congresso realizado em Salvador, Halpern apresentou os dados globais do estudo MAPPS II (sigla em inglês para Management and Advocacy for Providers, Patients and Systems), da Federação Mundial da Obesidade.


A pesquisa avalia as políticas públicas e o tratamento contra a obesidade em vários países. Os resultados revelam que os governos dão pouco apoio financeiro ao setor, com notas entre 1 e 3 em uma escala até 10.


Segundo o especialista, a falta de verba obriga os pacientes a pagarem pelo próprio tratamento, o que exclui as populações de baixa renda, sobretudo em nações em desenvolvimento.


O levantamento também apontou outras barreiras para o controle da doença. Entre elas estão falta de equipes multidisciplinares e de integração entre os ministérios da Saúde, Educação e Economia; precariedade dos serviços públicos; e preconceito e estigma contra o excesso de peso, inclusive por parte dos profissionais de saúde.


Os resultados globais do MAPPS II serão publicados em 4 de março de 2027, Dia Mundial da Obesidade. A federação também lancará um relatório específico sobre o Brasil ao longo do próximo ano.


O projeto Saúde Pública tem apoio da Umane, associação civil que tem como objetivo auxiliar iniciativas voltadas à promoção da saúde.


Patrícia Pasquini

Folha de São Paulo

Economista ligado a Lula vê quadro fiscal menos dramático no Brasil e elogia proposta de Lara Resende

 

                                            O ex-presidente da Petrobras, Sergio Gabrielli, em entrevista na sede do PT em Brasília (DF) - Gabriela Biló - 10.jun.26/Folhapress

  • Aliado do presidente reeleito pede atenção à tese de um dos pais do Plano Real para 'tabelamento' da Selic

  • Texto sugere rever gastos tributários e contratos de energia e telecomunicações para aumentar arrecadação


O economista José Sergio Gabrielli, coordenador do programa de governo do presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT), disse em um artigo divulgado nesta segunda-feira (2) que a situação fiscal brasileira é "menos dramática" do que apontam os defensores do ajuste, mas que o novo mandato não deve desconsiderar medidas para reduzir o déficit.


Com base no programa de Lula e nas propostas das fundações ligadas ao campo político progressista, como Perseu Abramo, João Mangabeira e Rede Brasil Sustentável, o economista aponta dez iniciativas que poderiam melhorar a arrecadação.


Gabrielli também elogiou a proposta do economista André Lara Resende para limitar os juros. Publicado em setembro, o conteúdo do artigo de Lara Resende recebeu mais atenção nos últimos dias justamente por entrar no radar de integrantes do governo, que, como mostrou a Folha, querem apresentar a proposta a Lula.


O ministro da Fazenda, Dario Durigan, negou neste domingo (1º) que esteja no radar do presidente a proposta de tabelamento de juros.


Entre as iniciativas apontadas por Gabrielli, estão a revisão de contratos de energia, telecomunicações, imóveis e compras padronizadas que estejam próximos ao vencimento, revisar incentivos tributários, que devem, segundo ele, ser concedidos apenas com prazo, objetivo e contrapartidas definidos.


As emendas parlamentares também devem ser alvo de escrutínio, diz o coordenador do programa de Lula, para quem esses recursos precisam estar adequados a programas estruturantes. A relação inclui a discussão de financiamento para a Previdência.


"A agenda de 2027 é diversificar fontes de custeio", diz, o que deve incluir trabalhos por plataforma. "Não se propõe nova idade mínima, redução de indexação ou barreira de elegibilidade como atalho fiscal."


Na avaliação do economista ligado à campanha de reeleição de Lula, não se pode desconsiderar o efeito dos juros sobre os déficits nominais.


Nessa premissa, a Selic alta faz crescer também os encargos da dívida, que crescem mais do que a produção de riqueza do país. A dívida bruta, hoje, está em 82,9% do PIB, o maior nível desde 2021. Lara Resende defende o tabelamento da Selic, hoje em 13,75% ao ano.


O próprio Gabrielli já fez defesa semelhante à Folha no início da campanha. No artigo que divulgou nesta segunda, ele afirma que a proposta de Lara Resende "merece atenção especial" ao criar um "mecanismo mais amplo do que o CMN [Conselho Monetário Nacional] para coordenar a política monetária e fiscal no Brasil".


O economista também escreve que a melhora na razão dívida/PIB é irreal se os juros continuarem elevados. Gabrielli também retoma o termo "austericídio", muito usado por petistas que, no início do governo Lula 3, se opunham ao arcabouço fiscal, que definiu parâmetros para o crescimento de despesas e a meta de superávit.


Na rede social X (ex-Twitter), economistas e petistas teceram críticas em meio a defesas e ataques ao argumento central da publicação de Lara Resende.


A deputada federal e ex-ministra da Secretaria de Relações Institucionais Gleisi Hoffmann (PT-PR) disse que o artigo de Lara Resende "é fundamental para enfrentar essa ofensiva terrorista sobre a política fiscal brasileira".


Em outra frente, o presidente do PT nacional, Edinho Silva, disse que somente o ministro Dario Durigan tem autorização para falar da política econômica e afirmou que "especulações na área econômica não colaboram com o país".


No artigo divulgado nesta segunda, Gabrielli diz também que a reação do mercado financeiro à reeleição de Lula decorre da aposta feita na vitória do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). "A Faria Lima quer pautar o programa do presidente eleito, mesmo tendo apostado no seu adversário."


Fernanda Brigatti

Folha de São Paulo