sábado, 15 de agosto de 2026

EUDR 2026: regra da UE aumenta exigência de rastreabilidade para soja, café e carne

 

                                               Foto: Pexels - Christian Wasserfallen

A norma será aplicada a partir de 30 de dezembro para operadores grandes e médios.


A EUDR 2026, regulamentação da União Europeia voltada a produtos associados ao desmatamento, entra em uma etapa decisiva para as cadeias brasileiras de soja, café e bovinos.


A norma será aplicada a partir de 30 de dezembro de 2026 para operadores grandes e médios, além de determinadas micro e pequenas empresas já abrangidas pelo antigo Regulamento Europeu da Madeira. Para as demais micro e pequenas empresas, a aplicação está prevista para 30 de junho de 2027.



A EUDR abrange sete commodities: bovinos, cacau, café, óleo de palma, borracha, soja e madeira, além de produtos derivados especificados pela regulamentação.


O que a EUDR exige? Para os produtos abrangidos, os operadores responsáveis por colocá-los pela primeira vez no mercado da União Europeia precisam realizar diligência e demonstrar que eles atendem aos critérios definidos pela regulamentação.


Entre eles está a exigência de que os produtos não tenham sido produzidos em áreas submetidas a desmatamento após 31 de dezembro de 2020 e que tenham sido produzidos de acordo com a legislação pertinente do país de origem.


Isso significa que legalidade e critério de desmatamento são aspectos diferentes dentro da análise.


Produtor brasileiro terá obrigação direta perante a EUDR? Na maioria dos casos, não.


A Comissão Europeia esclarece que produtores e empresas estabelecidos fora da União Europeia não possuem obrigações diretas sob a EUDR, a menos que eles próprios coloquem os produtos no mercado europeu.


Isso é particularmente importante para evitar a interpretação de que todo produtor de soja, café ou gado no Brasil terá de realizar individualmente uma declaração diretamente perante a União Europeia.


O impacto mais provável ocorre por meio da cadeia comercial. Compradores e operadores sujeitos à legislação poderão pedir aos fornecedores brasileiros as informações necessárias para realizar sua própria diligência.


Geolocalização passa a ter papel central. Entre os dados previstos no processo de diligência estão informações sobre país de produção, fornecedor e coordenadas geográficas das áreas onde as commodities foram produzidas.


A orientação da Comissão afirma que, quando um operador responsável pela diligência não consegue reunir as informações obrigatórias, o produto abrangido não pode ser colocado no mercado europeu ou exportado pelo operador.


Para fornecedores brasileiros, isso pode aumentar a importância comercial de informações como origem, localização e rastreabilidade ao longo da cadeia.


Brasil é classificado como risco padrão


A classificação de risco também influencia o processo.


A EUDR divide os países em baixo, padrão e alto risco. Operadores que trabalham exclusivamente com produtos originários de países considerados de baixo risco podem utilizar um procedimento simplificado de diligência, desde que cumpridas as condições estabelecidas.


Essa simplificação não se aplica da mesma forma aos produtos provenientes de países classificados como risco padrão.


É importante destacar que “risco padrão” não significa embargo ao produto brasileiro, nem implica automaticamente tarifa adicional. Trata-se de uma classificação utilizada na abordagem de diligência e fiscalização prevista pela regulamentação.


União Europeia atualizou o escopo em julho. Em 13 de julho, a Comissão Europeia adotou medidas para atualizar e simplificar a implementação da EUDR.


Entre as alterações previstas no ato delegado estão a retirada de determinados produtos do escopo, como couros, peles bovinas e soja destinada à semeadura, enquanto café solúvel e outros itens foram acrescentados. O ato ainda foi encaminhado ao Parlamento Europeu e ao Conselho para escrutínio antes de sua entrada em vigor.



A lista das sete commodities centrais, no entanto, não foi alterada.


Rastreabilidade deixa de ser apenas tema ambiental


Para as cadeias brasileiras, um dos principais efeitos da EUDR é transformar a informação sobre origem em um componente ainda mais importante da operação comercial.


A capacidade de demonstrar onde uma soja foi produzida, de onde veio determinado produto bovino ou qual propriedade originou um lote de café pode passar a ser necessária para que compradores europeus cumpram suas obrigações.


Assim, a EUDR não representa automaticamente o fechamento do mercado europeu para o Brasil. Mas cria uma pressão adicional sobre rastreabilidade, geolocalização, integração de dados e documentação das cadeias produtivas.


Com a entrada em aplicação prevista para o fim de dezembro, a questão para o agro brasileiro deixa de ser apenas se determinado produto atende aos requisitos ambientais e legais. Passa a envolver também a capacidade de comprovar sua origem de forma rastreável ao longo da cadeia.


sexta-feira, 14 de agosto de 2026

Mato Grosso do Sul contará com US$ 80 milhões para hospital regional

 

                                             Carlos Moura


"Esse é um recurso fundamental para a população, pois vai permitir a ampliação de serviços de saúde pública de qualidade", afirmou Tereza Cristina, relatora da matéria

O Estado do Mato Grosso do Sul poderá receber empréstimo de US$ 80 milhões — equivalentes hoje a R$ 414,8 milhões — do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), destinados à parceria público-privada (PPP) do Hospital Regional. A resolução parlamentar que valida a operação de crédito externo foi aprovada nesta quinta-feira, 13/08, pelo plenário do Senado e segue à promulgação.


“Esse é um recurso fundamental para a população, pois vai permitir, via parceria público-privada (PPP), a ampliação de serviços de saúde pública de qualidade”, afirmou a senadora Tereza Cristina, (PP-MS), relatora da matéria.


O empréstimo conta com garantia da União, nos termos da mensagem da Presidência da República (MSF 48/2026), foi ratificada pelos senadores. A Secretaria do Tesouro Nacional (STN) e a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) confirmaram o cumprimento dos requisitos legais para a tomada dos recursos pelo governo do Mato Grosso do Sul.


Em seu relatório, Tereza Cristina saudou o estabelecimento da PPP na saúde, argumentando que “o principal objetivo deve ser assegurar uma estrutura hospitalar adequada, serviços de qualidade e utilização eficiente dos recursos públicos, mantendo sempre a saúde e o interesse coletivo como referências centrais da iniciativa”.


Com informações da Agência Senado

Suspeito de golpe de R$ 37 milhões contra aposentada é preso no Rio

 





Um dos principais suspeitos de integrar o esquema de falsos investimentos que fez uma mulher de 70 anos perder R$ 37 milhões foi preso nesta sexta-feira (14).


A idosa recebeu uma herança e usou os recursos devido a promessas de lucros altos. A Polícia Civil também identificou 140 possíveis vítimas da fraude espalhadas pelo Brasil.


Na quinta-feira (13), a Polícia Civil deflagrou a Operação Criptoabate, contra suspeitos de integrar a organização criminosa investigada por estelionato mediante fraude eletrônica e lavagem de dinheiro.


O homem, que não teve identidade revelada, foi preso no Aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro, com apoio da PF (Polícia Federal). Ele é dono de uma das instituições financeiras investigadas pela polícia.


Em uma conta bancária vinculada ao seu CPF, ele recebeu R$ 77 milhões. O dinheiro foi depositado logo após o golpe que fez a mulher perder todo o seu patrimônio. O suspeito é morador de Balneário Camboriú (SC).


???? A orientação da polícia é desconfiar de promessas de rentabilidade muito acima do mercado, plataformas sem credenciais verificáveis e pedidos de novos depósitos para liberar valores que já teriam sido investidos.


De acordo com o DERCC (Departamento Estadual de Repressão aos Crimes Cibernéticos), uma das instituições financeiras investigadas movimentou, em um único dia, R$ 295 milhões. A polícia também identificou uma empresa em São Paulo com movimentação atípica de R$ 500 milhões no período.


Segundo a Polícia Civil, transações suspeitas feitas pelo grupo somam R$ 30 bilhões. A fraude é conhecida internacionalmente como "pig butchering", ou "golpe do abate de porcos". A prática tem origem no sudeste asiático, em países como Laos, Camboja e Mianmar, conforme a Polícia Civil.


De acordo com a polícia, os investigados se passavam por funcionários de uma empresa identificada como TDASX, que fechou após o início das investigações. O g1 tenta contato com os responsáveis pela TDASX, mas não os havia localizado até a última atualização da reportagem.


Vítima transferiu patrimônio ao longo de 6 meses


Mesmo com os avisos de seu corretor oficial, ela decidiu fazer as transferências. O convencimento ocorreu ao longo de seis meses, período em que a vítima migrou todo o seu capital de uma corretora regular para a plataforma fraudulenta.


Segundo o chefe do Departamento de Crimes Cibernéticos, delegado Eibert Moreira, a vítima tinha histórico de investimentos e perfil considerado agressivo, com preferência por ativos de maior rentabilidade.


Conforme o delegado, além da herança, a vítima perdeu também parte da rentabilidade que já havia acumulado em investimentos anteriores feitos por meio de uma corretora que operava regularmente no mercado financeiro.


'O corretor sempre desaconselhava para que ela não fizesse esses aportes tão altos em investimentos tão arriscados, só que aí ela acabou retirando o montante que ela tinha com essa corretora, migrando então os valores para essa plataforma falsa', afirmou o delegado.


Ao todo, 90 ordens judiciais foram cumpridas em três estados. Entre os presos, segundo a Polícia Civil, estão três donos de instituições financeiras que operam conversão para criptomoeda. Também foram presos dois estrangeiros. Um deles, conforme a investigação, é dono de uma das instituições financeiras investigadas.


A polícia afirma ainda que uma gerente de uma instituição financeira tradicional e com grande credibilidade nacional e internacional foi presa. Segundo a apuração, ela era responsável por facilitar a abertura de contas operadas pelo grupo criminoso e usadas para pulverizar, em uma primeira camada, os valores transferidos pela vítima. Os suspeitos não tiveram os nomes divulgados. (Com g1 RS e RBS TV)

MS está entre os cinco estados com menor desemprego no segundo trimestre de 2026

 




Das 27 unidades da federação do país, 11 terminaram o segundo trimestre de 2026 com taxa de desemprego abaixo da média nacional, de 5,4%. Em cinco deles, o índice sequer chega a 3%.


Os dados fazem parte da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, divulgada na manhã desta sexta-feira (14), pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).


Veja quais estados atingiram nível de desemprego abaixo da média nacional:


Santa Catarina: 2,1%


Mato Grosso: 2,2%


Espírito Santo: 2,3%


Rondônia: 2,6%


Mato Grosso do Sul: 2,7%


Paraná: 3,1%


Minas Gerais: 3,8%


Goiás: 4,0%


Tocantins: 4,1%


Rio Grande do Sul: 4,2%


Roraima: 5,0%


Média Brasil: 5,4%


Paraíba: 5,4%


São Paulo: 5,4%


Rio Grande do Norte: 5,6%


Maranhão: 6,0%


Pará: 6,2%


Distrito Federal: 6,5%


Acre: 6,6%


Ceará: 6,6%


Rio de Janeiro: 7,1%


Amazonas: 7,5%


Alagoas: 7,9%


Sergipe: 7,9%


Piauí: 8,3%


Pernambuco: 8,3%


Bahia: 9,1%


Amapá: 9,8%


O analista da pesquisa, William Kratochwill, explica que a diferença entre os estados é proporcionada por fatores ligados aos níveis de industrialização, evolução da atividade econômica e de instrução da população.


"Santa Catarina e a região Sul como um todo apresentam níveis muito mais fortes que os estados do Norte e Nordeste", assinala.


Na média nacional, a taxa de 5,4% no segundo trimestre representa recuo em relação aos 6,1% do primeiro trimestre.


Já entre as unidades da federação, o desemprego diminuiu em 13 localidades. As demais ficaram estáveis.


Confira os estados que reduziram o desemprego no segundo trimestre.


Santa Catarina (-0,6 ponto percentual)


Maranhão (-0,9 p.p.)


Espírito Santo (-0,9 p.p.)


Mato Grosso (-0,9 p.p.)


Goiás (-1 p.p.)


Rondônia ( -1 p.p.)


Mato Grosso do Sul (-1,1 p.p.)


Minas Gerais (-1,2 p.p.)


Alagoas (-1,3 p.p)


Tocantins (-1,5 p.p.)


Acre (-1,6 p.p.)


Paraíba (-1,6 p.p.)


Rio Grande do Norte (-1,9 p.p.)


A pesquisa

A pesquisa do IBGE apura o comportamento no mercado de trabalho para pessoas com 14 anos ou mais e leva em conta todas as formas de ocupação, seja com ou sem carteira assinada, temporário e por conta própria, por exemplo.


Pelos critérios do instituto, só é considerada desocupada a pessoa que efetivamente procurou uma vaga 30 dias antes da pesquisa. São visitados 211 mil domicílios em todos os estados e no Distrito Federal.


Queda no desemprego longo

De acordo com a Pnad, 1,06 milhão de pessoas enfrentavam o chamado desemprego longo, isto é, pessoas que estão à procura de vagas há dois anos ou mais. Esse é o menor contingente de toda a série histórica da pesquisa, iniciada em 2012. Em relação ao mesmo trimestre de 2025, a queda nesse contingente foi de 15,6%.


Negros e mulheres acima da média

O levantamento do segundo trimestre aponta ainda que o desemprego para homens (4,6%) ficou abaixo da média nacional, enquanto o das mulheres ficou acima (6,4%).


Ao observar os números pela cor da pessoa, a desocupação de pretos (6,9%) e pardos (6,1%) é maior que a média; enquanto o dos brancos, abaixo (4,2%).


A pesquisa do IBGE não utiliza o termo negro. Mas o Estatuto da Igualdade Racial considera população negra o conjunto de pessoas que se autodeclaram pretas e pardas. 

Candidatos à Presidência em 2026 voltam às origens para largada oficial das campanhas eleitorais

 

                                          Em montagem, Lula, Flávio Bolsonaro, Ronaldo Caiado, Romeu Zema e Renan Santos - Danilo Verpa - 23.jun.26, Sergio Lima - 22.jun.26, Eduardo Knapp - 26.jul.26, Luis Nova - 27.jul.26, Bruno Santos - 1.ago.26/Folhapress, AFP, Folhapress, Reuters, Folhapress
  • Presidenciáveis escolheram lugares que representam trajetórias políticas
  • Justiça Eleitoral estabeleceu início oficial das campanhas no domingo (16)



O calendário da Justiça Eleitoral tem um marco no próximo domingo (16): o início oficial das campanhas eleitorais de 2026. A partir dessa data, os candidatos estão autorizados a organizar comícios e passeatas, a impulsionar postagens na internet e a pedir votos explicitamente.


Os principais candidatos à Presidência da República escolheram neste ano locais que marcaram o início de suas trajetórias políticas ou pessoais. Os roteiros incluem universidades, cidades do interior e discursos em estádios de futebol. Veja o que cada um planeja.


Onde serã os atos?


Lula (PT)

Flávio Bolsonaro (PL)

Ronaldo Caiado (PSD)

Romeu Zema (Novo)

Renan Santos (Missão)

Lula (PT)


A corrida pela reeleição começará oficialmente em um dos lugares pelos quais o ex-sindicalista ficou conhecido: o Estádio Municipal 1º de Maio, na Vila Euclides, em São Bernardo do Campo (SP).


O centro esportivo foi um dos principais palcos das greves do ABC paulista em 1979. Os protestos reuniram centenas de milhares de pessoas e projetaram Lula como quadro político nacional. A movimentação também culminou com a prisão do atual presidente na ditadura militar (1964-1985).


O petista escolheu o Primeirão, nome popular do estádio, como o lugar do primeiro comício oficial, no domingo (16).


A av. Atlântica, que margeia a praia, recebeu, por exemplo, uma manifestação em 7 de setembro de 2022. O ato reuniu expedientes comuns ao bolsonarismo e misturou as comemorações pelo bicentenário da independência do Brasil com a campanha de Jair Bolsonaro à reeleição.


O ex-presidente sobrevoou a manifestação de helicóptero e discursou com ataques ao STF (Supremo Tribunal Federal).


Ronaldo Caiado (PSD)


O ex-governador de Goiás e candidato pelo PSD escolheu seu estado de origem para dar início à campanha e será o único dos principais presidenciáveis a não organizar manifestações na região Sudeste neste domingo (16).


Caiado deve organizar uma carreata entre os municípios de Águas Lindas de Goiás, Santo Antônio do Descoberto, Novo Gama, Valparaíso, Cidade Ocidental, que fazem divisa com o DF, e Luziânia.Todas as cidades fazem parte da Ride (Região Integrada de Desenvolvimento do Distrito Federal e Entorno).


Além de governador, o candidato do PSD já representou Goiás na Câmara dos Deputados e no Senado. A região teve um crescimento populacional expressivo nas últimas décadas.


Romeu Zema (Novo)


Mineiro de Araxá (MG), o candidato do Novo e ex-governador de Minas Gerais escolheu uma cidade no norte do estado para o primeiro comício oficial: Montes Claros.


Segundo maior colégio eleitoral do país, o estado costuma espelhar o resultado das eleições nacionais. Com exceção de Getúlio Vargas, em 1950, os presidentes eleitos foram os candidatos mais votados em Minas.


O norte mineiro tende a ser um reduto da esquerda. Na eleição de 2018, Fernando Haddad (PT) venceu a disputa na região, mas não foi o mais votado entre o eleitorado do estado todo.


Segundo sua assessoria, Zema tem "muito carinho" pela região, que teria sido beneficiada durante sua gestão com a construção do Contorno de Montes Claros, um anel viário municipal.


Renan Santos (Missão)


O candidato do Missão, partido vinculado ao MBL (Movimento Brasil Livre), escolheu o Largo São Francisco, no centro de São Paulo, para seu primeiro comício oficial. Renan pretende fazer uma apresentação musical com gaita e violão, "inspirada no estilo consagrado por Bob Dylan".


O largo abriga a Faculdade de Direito da USP (Universidade de São Paulo), onde Renan estudou sem se graduar. O Centro Acadêmico 11 de Agosto e a UNE (União Nacional dos Estudantes) criticaram a escolha.


Também um movimento de juventude, o MBL se notabiliza por ir a universidade públicas durante eventos e questionar estudantes sobre seus posicionamentos. As visitas são usadas na produção de conteúdos e, frequentemente, acabam em confusão.

Câmara fará audiência para discutir restrições da Anvisa às canetas paraguaias

 

                                              Canetas emagrecedoras. (Foto: Mohammed Al Ali).



A Câmara dos Deputados fará uma audiência pública para discutir as canetas emagrecedoras do Paraguai, vendidas como versões de tirzepatida, e as restrições da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) a esses medicamentos.


O pedido, aprovado na quarta-feira (12), foi apresentado pelos deputados federais Fausto Pinato (União-SP) e Diego Garcia (União-PR).


A data da audiência ainda não foi definida, mas a expectativa é que ela ocorra nas próximas duas semanas, segundo a assessoria de Pinato. O debate será promovido conjuntamente pelas comissões de Saúde e de Ciência, Tecnologia e Inovação.


A audiência ocorre em meio às medidas regulatórias adotadas pela Anvisa em relação a medicamentos de tirzepatida fabricados no Paraguai, aprovados no país vizinho, mas proibidos no Brasil.


O interesse por essas alternativas cresceu à medida que o Mounjaro, fabricado pela farmacêutica Eli Lilly ?cujo princípio ativo é a tirzepatida e o único autorizado para comercialização no Brasil? se popularizou no país como tratamento para obesidade, mas permaneceu com preço elevado. Uma caixa de 2,5mg custa cerca de R$ 1.422, enquanto uma de 15mg chega a R$ 3.499.


O requerimento afirma que as restrições da Anvisa levantaram discussões sobre segurança sanitária, acesso a tratamentos, inovação farmacêutica e competência regulatória da agência.


O documento da Câmara também menciona o estudo conduzido por pesquisadores da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) a pedido da Folha de S.Paulo. Os resultados mostraram que as amostras de Tirzedral, Tirzec, Lipoless, TG e Gluconex tinham princípio ativo equivalente ao Mounjaro.


O texto ressalta, porém, que a pesquisa não avaliou características como esterilidade, estabilidade ou segurança clínica. Mas para os deputados, os resultados do estudo reforçam a necessidade de aprofundar a discussão científica e regulatória sobre o tema, especialmente diante de declarações públicas da Anvisa sobre os critérios necessários para comprovar qualidade, segurança e eficácia desses medicamentos.


Os deputados também afirmam que a Anvisa não apresentou, em respostas a requerimentos de informação encaminhados pela Câmara, documentos técnicos solicitados, como laudos laboratoriais, estudos científicos e pareceres que teriam fundamentado a edição das resoluções relacionadas ao tema.


“A realização da audiência pública permitirá reunir diferentes instituições e especialsitas para esclarecer os aspectos científicos, regulatórios e jurídicos envolvidos”, diz o requerimento.


Entre os convidados previstos estão o diretor-presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Leandro Safatle; um representante do CIATox (Centro de Informação e Assistência Toxicológica da Unicamp); o porta-voz da Associação Brasileira de Apoio aos Obesos e Bariátricos, Jorge Bentes, dono do perfil no Instagram “eu cansei de ser gordo”; e a médica Tassyane Boel, especialista em obesidade e diabetes.


Também foram indicados os advogados André Schleich e Priscilla Ruschel, que atuam em causas relacionadas à tirzepatida. (Jornal de Brasília)

Análise de solo deve ir além dos nutrientes básicos

 

                                                 Foto: Divulgação


A profundidade da amostragem também merece atenção

A análise de solo é uma ferramenta essencial para identificar limitações do ambiente produtivo e orientar de forma mais eficiente as decisões sobre fertilidade e aplicação de insumos. Segundo Cristiano Zemolin, auxiliar técnico em pesquisa agrícola, a interpretação dos resultados precisa ir além dos indicadores mais conhecidos, como pH, fósforo e potássio.



Além do chamado NPK, a avaliação deve considerar cálcio, magnésio, enxofre, alumínio, H+Al, capacidade de troca de cátions, saturação por bases, matéria orgânica e micronutrientes como boro, zinco, cobre e manganês. A leitura conjunta desses parâmetros permite compreender melhor as condições do solo antes de definir o manejo.


A profundidade da amostragem também merece atenção. Resultados obtidos na camada de 0 a 20 centímetros podem mostrar apenas parte das condições encontradas pelas plantas. Dependendo da cultura e do objetivo da avaliação, a análise entre 20 e 40 centímetros pode revelar problemas como acidez, deficiência de nutrientes e restrições ao desenvolvimento das raízes.



Nesse contexto, a análise não deve servir apenas para calcular a quantidade de fertilizante a ser aplicada. O diagnóstico precisa ajudar a identificar o que está limitando o potencial produtivo da área e direcionar os investimentos para os pontos de maior necessidade.


Na Agricultura de Precisão, esse processo permite transformar dados em decisões, corrigindo deficiências onde elas realmente existem e reduzindo aplicações desnecessárias. A interpretação adequada dos números ajuda o produtor a diferenciar investimento de custo e dá mais base técnica para definir o manejo de cada área