sábado, 18 de julho de 2026

França e Inglaterra lutam contra clima de amistoso em disputa pelo terceiro lugar

 

                                             Didier Deschamps, que faz contra a Inglaterra sua despedida da seleção da França, concede entrevista em Miami Gardens na véspera do jogo - Jamie Squire/Getty Images via AFP

  • Ingleses encaram ressaca e pressão após dolorida queda diante da Argentina na semifinal
  • Franceses buscam a despedida digna para o técnico multicampeão Didier Deschamps


A disputa pelo terceiro lugar de uma Copa do Mundo é o único jogo em que nenhuma seleção gostaria de estar. Mas França e Inglaterra não conseguiram evitar o que se pode chamar de um prêmio de consolação.


Por diferentes razões, porém, as duas seleções prometem fazer neste sábado (18), às 18h (de Brasília), em Miami, um confronto sem cara de amistoso, com objetivos a buscar.


FRANÇA X INGLATERRA

Miami Gardens, sábado (18), às 18h (de Brasília)


Globo, SBT, CazéTV, SporTV, N Sports e Ge TV (Globoplay)

Favorita ao título, a seleção francesa sucumbiu diante da Espanha, mas ainda tem o astro Kylian Mbappé motivado pela briga com Lionel Messi pela artilharia do Mundial.


Os dois estão empatados, com oito gols cada um, mas o argentino aparece à frente no quadro da Fifa por ter mais assistências —e, claro, com um jogo ainda a disputar, neste domingo (19), na decisão com a Espanha.


Também embala o elenco francês a chance de dar uma despedida digna para o técnico Didier Deschamps, em seu último ato à frente da seleção após 14 anos no cargo, duas finais de Copa e um título, em 2018.


"Na minha cabeça, sei muito bem que a cortina se fecha amanhã [sábado]. Sem querer fazer ninguém chorar, sei que sentirei falta da seleção francesa", afirmou o treinador.


Embora admita que o duelo pelo terceiro lugar é muito aquém do que seu elenco poderia ter alcançado, o técnico afirmou que a responsabilidade da sua comissão e de seus jogadores é buscar a vitória.


"Não é um amistoso", disse, embora também tenha informado que deve rodar o elenco e fazer mudanças na equipe. "Há alguns que não podem jogar, por razões que entendo, e isso me levará a fazer algumas escolhas."


Bem menos honrosos são os objetivos da Inglaterra na partida. Depois de ficar perto de voltar à decisão de uma Copa 60 anos após a única vez em que avançou à final, feito alcançado em 1966, como anfitriã, quando conquistou seu único título, a seleção inglesa tenta juntar os cacos na disputa do terceiro lugar.


Torcedores e, sobretudo, a mídia inglesa ainda fazem debates calorosos, com duras críticas ao técnico Thomas Tuchel, apontado como maior vilão pela derrota de virada para a Argentina por 2 a 1 na semifinal.


O motivo de maior ira dos críticos é a postura que a seleção inglesa adotou depois de abrir o placar aos 10 minutos do segundo tempo, com Anthony Gordon.


Depois de um primeiro tempo equilibrado, os ingleses assumiram o controle do duelo na volta do intervalo, mas entregaram a bola logo depois do gol. De acordo com dados da Opta, a Inglaterra teve somente 12% de posse de bola do minuto seguinte à abertura do placar até o final da partida.


Diante das críticas que recebeu, Tuchel se defendeu dizendo que não foram suas escolhas para o jogo que determinaram a virada argentina. Para ele, a culpa está no "DNA" do futebol inglês, em sua visão, incapaz de controlar a posse de bola.


"Acho que a posse de bola desempenha um papel crucial. Talvez não esteja no nosso DNA, como está no DNA espanhol, argentino ou brasileiro, pegar na bola, controlar o jogo e a posse de bola, o que também é um grande problema", afirmou o treinador alemão.


A avaliação de Tuchel o deixou ainda mais exposto para críticas na Inglaterra. Ex-jogador da seleção inglesa e do Manchester United, Gary Neville rebateu a opinião do técnico.


"Tenho um grande problema com isso [que foi dito por Tuchel]. Ele não colocou o Kobbie Mainoo em campo, que tinha um domínio de bola melhor do que a maioria. Ele também não colocou o Bukayo Saka em campo, que provavelmente tinha um domínio de bola melhor do que a maioria", disse o ex-atleta, que atualmente é comentarista na televisão britânica.


Neville também citou jogadores que não foram convocados para a Copa que poderiam dar à Inglaterra a posse de bola que faltou contra a Argentina. "Ele também deixou de fora Phil Foden, Cole Palmer, Adam Wharton, Morgan Gibbs-White e Trent Alexander-Arnold, jogadores técnicos. Ele deixou de fora o que seriam talentos geracionais", criticou.



Tuchel se tornou em janeiro deste ano o primeiro alemão a comandar a Inglaterra. Com contrato de 18 meses, o treinador balança no cargo após o fiasco na semifinal, mas, segundo o site The Athletic, a federação inglesa não considera sua demissão neste momento.


De acordo com a ESPN britânica, o alemão deve ser mantido no cargo, pelo menos, até a final da Euro-2028.


Em qualquer cenário, vencer a França neste sábado é fundamental para o treinador. Ainda que a vitória não tenha tanta importância, uma nova derrota certamente vai ecoar.

Marido mata esposa a tiros e desafeto a facadas em Nioaque

 

                                            Divulgação Ilustração


Rosenilda de Oliveira Candelário, de 48 anos e Reginaldo Messias Bispo, de 58 anos foram mortos a tiros e a facadas, respectivamente, na noite desta sexta-feira (17), na Colônia Conceição, em Nioaque, município localizado a 183 quilômetros de Campo Grande.


O autor do crime é Antônio Marcos da Silva, marido de Rosenilda e conhecido de Reginaldo. Ele deve responder pelos crimes de homicídio e feminicídio.


Conforme apurado pela reportagem, a Polícia Militar foi acionada via 190 para atender uma ocorrência de disparos de arma de fogo, com dois óbitos, na Colônia Conceição – Agrovila.


De acordo com o boletim de ocorrência, duas equipes da PM deslocaram viaturas até o endereço, sendo uma da Rádio Patrulha e outra da Força Tática.



Ao chegarem ao local, visualizaram um veículo da funerária estacionado nas proximidades.


Em seguida, conversaram com a proprietária de um bar, que informou que ouviu cinco disparos de arma de fogo e discussões perto do estabelecimento.


Os policiais iniciaram buscas na região e localizaram Rosenilda, sem vida, com perfurações de arma de fogo no crânio e nos olhos, sentada em uma cadeira na varanda de sua residência, imóvel que também funcionava como bar.


Em seguida, localizaram Reginaldo, caído no chão, com oito perfurações de arma branca no tórax.


Além da PM e funerária, Polícia Civil e Polícia Científica também compareceram ao local para isolar a área, recolher indícios do feminicídio/homicídio e realizar a perícia, respectivamente.


O autor do crime, Antônio, fugiu do local dos fatos e, até o fechamento do boletim de ocorrência, não havia sido localizado pelas autoridades policiais.


FEMINICÍDIO

Feminicídio é o assassinato de uma mulher pelo fato de ser mulher, ou seja, questões de gênero que envolvem violência doméstica, física, verbal, sexual ou patrimonial. 


Geralmente, o feminicídio é praticado por (ex) companheiros, (ex) namorados, (ex) noivos ou (ex) esposos da vítima. 


É um crime hediondo cuja pena pode variar de 20 a 40 anos de reclusão, não sendo possível pagar fiança. A pena é cumprida em regime fechado.


Leia mais em: https://correiodoestado.com.br/cidades/policia/marido-mata-esposa-a-tiros-e-desafeto-a-facadas-em-nioaque/469797/


O feminicídio passou a ser um crime autônomo, com seu próprio artigo no Código Penal, diferente do homicídio qualificado. 


O condenado por feminicídio perde o poder familiar e é impedido de exercer cargos/funções públicas.


Dados divulgados pela Secretaria de Estado e Justiça Pública (Sejusp-MS) apontam que 15 mulheres foram mortas entre 1º de janeiro e 18 de julho de 2026 em Mato Grosso do Sul. 


Violência contra mulher deve ser denunciada em qualquer circunstância, seja agressão física, psicológica, sexual, moral ou patrimonial.


Os números para denúncia são 180 (Atendimento à Mulher), 190 (Polícia Militar) e 153 (Guarda Civil Metropolitana).


O sinal "X" da cor vermelha, escrita na mão, significa que a vítima quer alertar que sofre violência doméstica. Portanto, o cidadão deve ficar atento, acolhê-la e acionar as autoridades. 


Denuncie!


LISTA TRÁGICA

Confira a lista de mulheres assassinadas por (ex) companheiros em 2026:


Josefa dos Santos - 16 de janeiro

Rosana Candia Ohara - 24 de janeiro

Nilza de Almeida Lima - 22 de fevereiro

Beatriz Benevides da Silva - 25 de fevereiro

Liliane de Souza Bonfim Duarte - 6 de março

Leise Aparecida Cruz - 7 de março

Ereni Benites - 8 de março

Fátima Aparecida da Silva - 23 de março

Marlene de Brito Rodrigues - 6 de abril

Vera Lúcia da Silva - 13 de abril

Zelita Rodrigues de Souza - 30 de abril

Fabíola Marcotti - 18 de maio

Maria do Carmo - 28 de junho

Paula de Souza Conceição - 11 de julho

Rosenilda de Oliveira Candelário - 17 de julho

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NAIARA CAMARGO

Portal Correio do Estado




Anac alerta para risco de trote com óleo de avião após morte de piloto

 

                                             Anac Divulgação


O engenheiro e aspirante a piloto Gustavo Henrique Lara teve uma reação alérgica e morreu na tarde desta quinta-feira (16) após um banho de óleo de aviação comemorativo de seu primeiro voo solo no Centro de Instrução de Aviação Civil (CIAC) de Ponta Grossa (PR). 


O trote, prática comum para marcar a conquista entre jovens pilotos, levou a uma reação alérgica grave. O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) de Ponta Grossa confirmou que atendeu o jovem, de 27 anos, e o levou a um hospital na região, onde faleceu.


A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) emitiu um alerta de que produtos químicos aeronáuticos, como óleos e lubrificantes de aviação, não devem, em hipótese alguma, ter contato com a pele, podendo trazer riscos à saúde.


"A Agência reitera a escolas de aviação, aeroclubes e demais organizações de instrução que, na aviação, a segurança vem sempre em primeiro lugar. Por isso, é essencial repensar ritos de conclusão de etapas da formação e garantir que qualquer manifestação seja conduzida de forma responsável, sem expor alunos, instrutores ou terceiros a risco", explicou, em nota, a Anac, que acompanha o caso.


As circunstâncias da morte de Gustavo seguem em apuração pela Polícia Civil. Em nota, o CIAC Ponta Grossa afirmou permanecer à disposição das autoridades competentes e disse que prestará apoio aos familiares, dentro de suas possibilidades.

Com novas regras do BC, registros de fraudes financeiras crescem 10%

 

                                              Joedson Alves. / Agencia Brasil





O número de indícios de fraudes financeiras no Brasil cresceu 10,26% nos seis primeiros meses de 2026, totalizando mais de 9 milhões de ocorrências entre casos suspeitos e confirmados. No segundo semestre do ano passado, houve 8,26 milhões de registros.


Segundo levantamento da Quod, datatech especializada em inteligência de dados para o mercado de crédito, o avanço reflete principalmente o fortalecimento dos mecanismos de detecção após a implementação da Resolução 501 do Banco Central  (BC), que ampliou o compartilhamento de informações entre instituições financeiras para combater golpes.


Pelos critérios da Quod, os indícios representam tanto as suspeitas como as consumações de golpes.


Sistema colaborativo


O estudo foi elaborado a partir dos dados do Registro Unificado de Fraudes (Rufra), uma base colaborativa criada pela Quod para reunir informações sobre indícios e ocorrências de fraudes compartilhadas por instituições financeiras e empresas. O sistema centraliza dados de segurança para identificar padrões de atuação de criminosos, acompanhar o histórico de vítimas e fraudadores e permitir o bloqueio preventivo de operações suspeitas.


Além de apoiar as estratégias de prevenção a golpes, o Rufra também atende às exigências da Resolução 501 do Banco Central, que tornou mais robusta a troca de informações entre as instituições financeiras. Com isso, tentativas de fraude que antes deixavam de ser registradas passaram a integrar uma base única de inteligência, ampliando a capacidade de detecção do sistema financeiro.


Principais números


- Mais de 9 milhões de indícios de fraudes no primeiro semestre de 2026;

- Alta de 10,26% em relação ao segundo semestre de 2025;

- 78% das fraudes ocorreram por meio de celulares;

- 94% envolveram contas correntes;

- 85% utilizaram o Pix para movimentação dos recursos;

- 40% dos casos tiveram origem em golpes de engenharia social;

- 3,1 milhões de pessoas foram vítimas de fraudes no período;

- Cerca de 799 mil vítimas sofreram golpes duas vezes ou mais.


Novas regras


Segundo a Quod, o aumento dos registros não representa apenas uma expansão da atividade criminosa, mas também um avanço na capacidade de monitoramento do mercado.


"O aumento de 10% no volume de fraudes em relação ao semestre anterior reflete, na verdade, o amadurecimento das defesas do mercado financeiro. Com a consolidação da Resolução 501 do Banco Central, as instituições passaram a compartilhar informações de forma muito mais ativa via base Rufra, detectando e trazendo à tona tentativas de golpes que antes ficavam subnotificadas no sistema", afirma Danilo Coelho, diretor de Produtos e Dados da Quod.


Celular e Pix


O ambiente digital continua concentrando a maior parte das fraudes financeiras no país.


O celular foi utilizado em 78% dos casos registrados, tornando-se o principal canal explorado pelos criminosos. As contas correntes apareceram em 94% dos indícios, enquanto o Pix foi o meio de pagamento utilizado em 85% das fraudes.


Golpes psicológicos


A engenharia social segue como a principal estratégia utilizada pelos criminosos.


Essa modalidade, baseada na manipulação psicológica das vítimas para obter informações ou convencê-las a realizar transferências, respondeu por 40% dos registros, o equivalente a mais de 3,6 milhões de ocorrências no semestre.


Perfil das vítimas


Os dados mostram que os jovens são os principais alvos das fraudes financeiras.


Pessoas entre 18 e 34 anos representam 49,06% das vítimas. A faixa de 35 a 49 anos responde por 29,98% dos casos. Homens correspondem a 51% dos registros e mulheres, a 48%. A maioria das vítimas (58%) recebe até dois salários mínimos.


O levantamento também identificou elevado índice de reincidência. Das 3,1 milhões de pessoas que sofreram golpes no semestre, aproximadamente 799 mil, o equivalente a um quarto do total, foram vítimas duas ou mais vezes.


Prevenção


A Quod recomenda que consumidores reforcem os cuidados nas operações financeiras, principalmente pelo celular.


"Nunca tome decisões financeiras apressadas durante o expediente de trabalho, período em que os fraudadores aproveitam a distração das vítimas. Não clique em links recebidos por mensagens e não empreste sua conta bancária para receber ou transferir valores de terceiros, pois isso o torna cúmplice e vítima do esquema de contas laranja", orienta Danilo Coelho.


A Quod é uma datatech especializada em inteligência de dados para o mercado de crédito. A empresa desenvolve soluções baseadas em inteligência artificial e análise de dados para apoiar instituições financeiras e empresas em decisões de crédito, prevenção a fraudes e recuperação de ativos.

CAMPO GRANDE Operação integrada desarticula depósito de drogas e apreende mais de uma tonelada de entorpecentes

 

                                               Divulgação


Equipes da Força Integrada de Combate ao Crime Organizado em Mato Grosso do Sul (FICCO/MS) e do Batalhão de Polícia de Choque (BPChoque) apreenderam 1.028 quilos de entorpecentes durante uma operação realizada em Campo Grande.


A ação foi desencadeada após informações de inteligência apontarem que um casal utilizava um imóvel como depósito de drogas. Diante da denúncia, equipes da FICCO/MS iniciaram diligências e monitoramento do local, confirmando a movimentação suspeita.


Durante a vigilância, os policiais acompanharam a saída de um veículo que deixava o imóvel com aparente excesso de carga. Na abordagem, foram encontradas diversas caixas contendo tabletes de maconha.


Em razão da situação de flagrante, as equipes realizaram buscas na residência, onde localizaram grande quantidade de entorpecentes armazenados em um dos cômodos. As diligências prosseguiram em um terreno vizinho, onde foram encontrados quatro pneus de caminhão utilizados para ocultar mais porções da droga. Para a retirada do material ilícito, os pneus precisaram ser destruídos em uma borracharia.


Ao todo, foram apreendidos 1.028 quilos de drogas, além do veículo utilizado para o transporte do entorpecente. Um homem e uma mulher foram presos em flagrante e encaminhados, juntamente com todo o material apreendido, à Superintendência Regional da Polícia Federal em Mato Grosso do Sul, onde foram adotadas as providências legais cabíveis.


A FICCO/MS é composta pela Polícia Federal, Polícia Militar de Mato Grosso do Sul, Polícia Civil, Polícia Penal Estadual, Polícia Penal Federal, Secretaria Nacional de Políticas Penais (SENAPPEN) e Guarda Civil Metropolitana de Campo Grande.


Brasileiro sabe o que faz mal à saúde, mas rejeita ação do Estado para reduzir riscos

 

                                            Zanone Fraissat - 9.jul.20/Folhapress

  • Datafolha mostra que maioria associa produtos nocivos a doenças, mas só um terço apoia medidas para enfrentá-las

  • Prevenção ainda é vista como responsabilidade individual, apesar do amplo reconhecimento dos fatores de risco



Embora a maioria dos brasileiros associe o tabagismo, o abuso do álcool e o consumo de produtos ultraprocessados ao desenvolvimento de doenças crônicas não transmissíveis (DCNTs) como câncer, diabetes e problemas cardiovasculares, apenas um terço defende medidas legais para reduzir esses fatores de risco.


É o que revela pesquisa Datafolha encomendada pela ACT Promoção da Saúde. O levantamento foi realizado em maio último com 2.000 entrevistados com idade entre 16 e 18 anos e outros 1.913 com mais de 18 anos em 117 municípios das cinco regiões do país. A margem de erro máxima é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos.


O levantamento mostra que a população ainda atribui principalmente ao indivíduo a responsabilidade por evitar doenças crônicas, deixando em segundo plano políticas públicas consideradas essenciais por especialistas para reduzir o consumo de produtos nocivos.


De acordo com a pesquisa, 92% dos entrevistados relacionam o tabagismo —incluindo cigarros eletrônicos— às DCNTs. O consumo excessivo de bebidas alcoólicas é apontado por 83%; alimentação rica em ultraprocessados, por 80%; sedentarismo e poluição do ar, por 78%.


Quando questionados sobre as formas mais eficazes de combater essas doenças, 56% defenderam que as empresas expliquem com clareza os riscos de seus produtos. Outros 53% citaram campanhas de informação na TV, internet e redes sociais, enquanto 52% afirmaram que "cada pessoa deve tomar os cuidados para não desenvolver essas doenças".


Já a adoção de medidas legais, como regulamentações sobre comercialização, publicidade, rotulagem e tributação desses produtos, recebeu apoio de apenas 33% dos entrevistados.


Para Paula Johns, diretora-executiva da ACT Promoção da Saúde, os resultados refletem uma visão cada vez mais centrada na responsabilidade individual pela saúde.


"Existe uma tendência de colocar toda a culpa nas costas do indivíduo, como se todas as escolhas fossem completamente livres, ignorando que elas acontecem dentro de ambientes moldados por estratégias de marketing, interesses econômicos e ausência de regulação", afirma.


Segundo ela, essa percepção dificulta a compreensão do papel das políticas públicas na prevenção. "É impossível esperar que a indústria informe espontaneamente os riscos dos próprios produtos. Rotulagem, restrições à publicidade e outras medidas precisam ser obrigatórias, baseadas em evidências científicas."


A ACT avalia que o resultado evidencia uma oportunidade para ampliar o debate sobre o papel da regulação na saúde pública. Para a entidade, políticas desse tipo não restringem a liberdade individual e tornam os ambientes mais favoráveis a escolhas saudáveis.


A pesquisa também mediu a percepção dos entrevistados sobre a influência política das indústrias de produtos considerados nocivos, e 77% afirmaram que não votariam em candidatos apoiados pela indústria do tabaco. O índice é de 68% para candidatos ligados ao setor de bebidas alcoólicas, 66% para empresas de agrotóxicos e 58% para fabricantes de alimentos ultraprocessados.


Apesar disso, Johns afirma que a população ainda não relaciona o financiamento político à formulação de políticas públicas. "As pessoas dizem que não votariam nesses candidatos, mas muitas vezes não conseguem identificar quem recebe apoio desses setores. Falta transparência para fazer essa conexão."


O levantamento investigou a percepção da população sobre a relação entre mudanças climáticas e doenças crônicas. Para 81% dos entrevistados, eventos como ondas de calor, enchentes e aumento das temperaturas elevam o risco de desenvolver essas doenças.


Desde 2023 a OMS (Organização Mundial da Saúde) vem alertando sobre o impacto das mudanças climáticas na saúde, em especial sobre doenças respiratórias e cardiovasculares.


O aumento das temperaturas, queimadas e inversões térmicas elevam os níveis de material particulado no ar, agravando quadros de asma e DPOC (Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica), por exemplo.


Já o estresse térmico gerado por ondas de calor sobrecarrega o sistema circulatório, aumentando o risco de infarto e AVC (acidente vascular cerebral). Secas prolongadas também dificultam o acesso a alimentos frescos e nutritivos, impactando o controle do diabetes, da obesidade e da desnutrição.


Segundo Johns, o resultado reforça a proposta da entidade de adotar uma abordagem chamada de "prevenção 360º", que integra políticas de saúde e ambientais no enfrentamento das doenças crônicas, que respondem por 74% das mortes do mundo. No Brasil, elas são responsáveis por cerca de 54% dos óbitos.


"Quando melhoramos o ambiente, seja regulatório, urbano ou ambiental, criamos condições para reduzir diversos fatores de risco ao mesmo tempo", diz.


A pesquisa teve apoio da Umane, associação civil sem fins lucrativos e independente que fomenta projetos de prevenção de doenças e promoção da saúde pública no Brasil.


Para Thais Junqueira, presidente da Umane, a iniciativa busca ampliar a capacidade de influenciar políticas públicas e ações intersetoriais. Ela afirma que a proposta também permite aproveitar conquistas obtidas em áreas como o controle do tabaco para enfrentar outros fatores de risco.


Na avaliação de Junqueira, incorporar a dimensão climática amplia o alcance da prevenção ao evidenciar que eventos extremos, como ondas de calor e enchentes, agravam especialmente as doenças cardiovasculares e atingem de forma mais intensa as populações vulneráveis.


Segundo ela, a iniciativa pretende subsidiar políticas voltadas à melhoria da infraestrutura das cidades, ao fortalecimento dos sistemas de alerta e à preparação da atenção primária para responder aos efeitos do clima sobre a saúde.


Para Junqueira, o enfrentamento das doenças crônicas deixa de ser uma agenda restrita ao setor saúde e passa a envolver áreas como planejamento urbano, infraestrutura e meio ambiente.


O projeto Saúde Pública tem apoio da Umane, associação civil que tem como objetivo auxiliar iniciativas voltadas à promoção da saúde.

Quase 4 em cada 10 indicações enviadas pelos vereadores são para tapa-buracos

 

                                               Gerson Oliveira/ Correio do Estado




Os vereadores da Câmara Municipal de Campo Grande entregaram 24.673 indicações ao Poder Executivo sobre reivindicações da população no primeiro semestre deste ano. Destas, cerca de 9 mil foram destinadas à execução do serviço de tapa-buracos em várias regiões da cidade. 


Isso representa uma porcentagem de 36,5% dos encaminhamentos. Ou seja, aproximadamente 4 a cada 10 solicitações feitas pela população campo-grandense envolvem a buraqueira da cidade. 


Segundo o presidente da Comissão de Obras, o vereador Flávio Cabo Almi, enquanto o Executivo não tomar medidas eficazes sobre o problema, "a gente segue cobrando". 


Uma das empresas que atendia a maior região de Campo Grande, a região do Anhanduizinho, estava impedida de participar desse serviço de tapa-buracos, e isso estava sobrecarregando as demais empresas, que precisavam cumprir suas obrigações. Mas a gente espera mesmo que o Executivo faça o seu papel, que é tapar esses buracos na cidade”, frisou.



A empresa responsável por tapar os buracos na região do Anhanduizinho e outras três regiões da cidade era a Construtora Rial, alvo da Operação Buraco Sem Fim, que investigou um centro de corrupção nos contratos de tapa-buraco. As quatro regiões tiberam o serviço paralizado após a Rial se retirar por causa da Operação. 


Entre 2018 e 2025, a Construtora faturou um montante de mais de R$ 114,6 milhões e desde o dia 3 de julho, a empresa foi proibida pela Justiça de participar de processos licitatórios ou firmar e renovar contratos com o Poder Público. 


Quem assume agora o tapa-buraco nas regiões do Anhanduizinho, Bandeira, Segredo e Imbirussu é a RR Barros Serviços e Construções Ltda., que já é responsável pelas outras três regiões de Campo Grande. 


A Câmara Municipal chegou a realizar uma proposta para a realização de uma operação emergencial, com apoio do Exército Brasileiro, para reforçar o serviço de tapa-buraco.


A iniciativa busca ampliar a capacidade operacional do Município em um momento em que parte da cidade ainda aguarda o retorno das equipes responsáveis pela manutenção do asfalto.


Ministério Público

O promotor Fabio Ianni Goldfinger, da 30ª Promotoria de Justiça do Patrimônio Público e Social de Campo Grande, instaurou um novo inquérito civil para acompanhar e fiscalizar as ações para o reparo no asfalto da Capital.


A iniciativa vem após a Operação Buraco sem Fim, que investigou esquema de corrupção envolvendo o serviço, que foi paralisado após a ação.


O processo busca encontrar uma solução definitiva para um problema que atravessa décadas, que são os buracos nas ruas da cidade.


Para o promotor, a malha asfáltica de Campo Grande sofre problemas “críticos” e “recorrentes”, como a baixa qualidade e a rápida deterioração das vias, o que exige uma “reorganização estrutural nas questões sobre os serviços de tapa-buraco”.


Karina Varjão
Portal Correio do Estado