terça-feira, 6 de outubro de 2026

Anvisa proíbe venda de insulina e tirzepatida irregulares

 

                                           

Anvisa proíbe venda de insulina e tirzepatida. (Foto: Reprodução)



A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) proibiu a venda e o uso de todos os lotes de insulina produzidos pela empresa Costa Mar Comércio Licitatório. A decisão foi publicada nesta terça-feira (6) no Diário Oficial da União.  


Em nota, a Anvisa informou que a empresa distribuiu insulina glargina 3 mL/100 UI sem a AFE (Autorização de Funcionamento de Empresa) para a atividade, em desacordo com a legislação sanitária vigente.


Inspeção feita pela vigilância sanitária de Petrópolis (RJ) no início de setembro constatou que a empresa não funciona no endereço cadastrado e não detém licença sanitária identificada naquele local. 


A Agência Brasil tentou contato com a empresa Costa Mar Comércio Licitatório Ltda., mas não houve retorno até a publicação da matéria. O espaço segue aberto para posicionamento.


Peptídeos


A resolução proíbe também a venda de diversos peptídeos sem registro, incluindo uma marca de tirzepatida, vendidos por meio do site https://www.peptideospro.com.


Peptídeos são moléculas produzidas pelo organismo humano para cumprir diversas funções, podendo atuar como hormônios ou na regulação de processos biológicos, incluindo cicatrização, ou até mesmo na resposta imunológica.


Mais recentemente, um hormônio peptídeo específico ficou bastante conhecido: o glucagon-1 (GLP-1), produzido naturalmente pelo corpo humano e responsável por regular o nível de saciedade e os níveis de açúcar no sangue.


Duas substâncias que imitam a atuação do GLP-1 surgiram como opções para o tratamento do diabetes e da obesidade: a tirzepatida e a semaglutida, popularmente conhecidas como canetas emagrecedoras.


Os produtos do site em questão, de acordo com a Anvisa, por estarem sem registro, não podem ser vendidos, fabricados, distribuídos, divulgados, transportados nem utilizados. As ações se aplicam a pessoas físicas/jurídicas ou veículos de comunicação.


A proibição também atinge peptídeos sem notificação ou cadastro na Anvisa fabricados por empresa desconhecida e à venda no site https://peptideosdobrasil.com.br/.


Confira a lista de produtos proibidos e que devem ser apreendidos:


BPC157 & TB500 40 mg – Alluvi Healthcare

NAD+ 1000 mg – Synedica Labs

Tirzegen 60 mg Tirzepatida – Oxygen Pharm

Retagen 40 mg Retatrutide – Oxygen Pharm

Glow GHK-CU 70 mg – Alluvi Healthcare

Retatrutide 40 mg – Alluvi Healthcare


(Agência Brasil)

Leila anuncia saída do futebol e rebate oposição no Palmeiras

 

                                            Lamacchia e Leila Pereira, presidente do Palmeiras. (Foto: Cesar Greco/Palmeiras)



Leila Pereira já colocou prazo para encerrar sua trajetória como dirigente no futebol.


A presidente do Palmeiras afirmou que deixará o meio esportivo quando terminar seu segundo mandato, em dezembro de 2027, e voltará a se dedicar às próprias empresas. A declaração ocorreu em meio a um novo embate interno provocado pela negociação envolvendo a SAF do Vasco.


A dirigente falou durante uma reunião com integrantes de sua base no Conselho Deliberativo do Palmeiras, realizada na noite de segunda-feira (5). Além de tratar do futuro, Leila cobrou uma reação mais firme dos aliados diante das críticas feitas pela oposição.


O desgaste aumentou depois que Marcos Lamacchia, enteado da presidente e filho de José Roberto Lamacchia, marido de Leila, avançou no processo de aquisição da SAF do Vasco. A movimentação provocou questionamentos dentro do Palmeiras sobre um eventual conflito de interesses.


O grupo de oposição Ocupa Palestra chegou a defender a saída de José Roberto Lamacchia do Conselho Deliberativo. Leila reagiu às críticas e classificou os responsáveis pelos questionamentos como “meia dúzia de imbecis”.


A presidente também afirmou que ela e o marido continuarão com dedicação integral ao Palmeiras até dezembro de 2027. Durante o discurso, disse que os dois contribuíram com mais de R$ 1 bilhão ao clube por meio de suas empresas ao longo dos últimos anos.


Leila demonstrou ainda insatisfação com integrantes de sua própria base que, segundo ela, permanecem em silêncio diante dos ataques. A dirigente pediu que os aliados defendam sua gestão e relembrem a atuação dela e do marido no Palmeiras durante a última década.


Futuro longe dos clubes


Apesar das especulações sobre uma possível participação futura na administração do Vasco, Leila descartou permanecer no futebol depois de deixar a presidência palmeirense.


Segundo a dirigente, o plano é retomar a administração de suas empresas a partir de dezembro de 2027. Ela poderá continuar colaborando com o Palmeiras, mas não pretende assumir outro clube.


Leila está no segundo mandato à frente do Palmeiras e, pelas regras atuais, não poderá disputar novamente a presidência. Integrantes da situação chegaram a discutir uma alteração no estatuto que abriria caminho para uma terceira candidatura, mas a proposta não avançou.


Dentro do grupo governista, a tendência é que a presidente apoie o atual vice-presidente Paulo Buosi na sucessão. A eleição que definirá o próximo comando do Palmeiras ocorrerá em 2027. (Com ge)

Breaking movimenta jovens de Campo Grande com aulas gratuitas da Sejuv

 


                                            PMCG/ Divulgação


Jovens a partir de 12 anos podem participar gratuitamente de aulas de breaking oferecidas pela Secretaria Executiva da Juventude (Sejuv), por meio da Prefeitura de Campo Grande. As atividades são realizadas semanalmente, às quintas-feiras e aos sábados, em dois pontos da Capital.


Além dos movimentos da dança, as aulas trabalham musicalidade, criatividade e outros elementos da cultura Hip Hop. A proposta também estimula a convivência, a disciplina e a interação entre os participantes.


Às quintas-feiras, os encontros começam às 19h, na Breaking School, localizada na Rua Taumaturgo, nº 114, no Aero Rancho. Aos sábados, as atividades começam às 15h30, no Parque Ayrton Senna.


As aulas são conduzidas pelos professores Kadu e Bella. Para Bella, o breaking reúne diferentes possibilidades de desenvolvimento para os jovens, tanto no aspecto físico quanto na criatividade e na convivência.


“O Breaking é completo para os jovens. Fortalece o corpo todo, melhora equilíbrio, flexibilidade e tira do sedentarismo. Ensina a improvisar, criar seu próprio estilo e ter mais musicalidade e raciocínio rápido. Cria senso de família, respeito, disciplina e afasta da rua, dando propósito através da cultura Hip Hop.”


A atividade também cria espaço para que os participantes desenvolvam sua própria expressão dentro da dança, enquanto conhecem elementos da cultura Hip Hop e convivem com outros jovens.


Serviço

Aulas de Breaking 


Dias: Quinta-feira (19h às 20h40) e Sábado (15h30 às 17h)


Governo de MS cria feriadão em outubro

 

                                                Gerson Oliveira


Governo de Mato Grosso do Sul emendou dois feriados e criou um feriadão para o servidor público no fim deste mês.


Na prática, o Estado transferiu o Dia do Servidor Público, comemorado em 28 de outubro (quarta-feira), para 30 de outubro (sexta-feira), para emendar com o feriado de 2 de novembro (domingo).


Com isso, o servidor terá 4 dias seguidos de folga: 30 de outubro (sexta-feira), 31 de outubro (sábado), 1° de novembro (domingo) e 2 de novembro (segunda-feira).


O funcionário retornará ao trabalho em 3 de novembro (terça-feira). Vale ressaltar que haverá expediente normal no dia 28 de outubro (quarta-feira).

A folga vale para órgãos e entidades da Administração Direta, Autárquica e Fundacional do Poder Executivo Estadual.


Serviços públicos considerados essenciais, como saúde e segurança, funcionarão normalmente e devem ser divididos por meio de escala ou plantão.


De acordo com o Governo de MS, a alteração do ponto facultativo relacionado ao dia do servidor público estadual não ocasionará nenhum prejuízo às atividades da Administração Pública do Poder Executivo Estadual.

O Decreto Especial n° 69 foi assinado pelo governador de MS Eduardo Riedel e publicado nesta terça-feira (6) o Diário Oficial Eletrônico (DOE-MS).


A Prefeitura Municipal de Campo Grande (PMCG) fez o mesmo: transferiu o ponto facultativo do Dia do Servidor Público para 30 de outubro de 2026, criando um feriadão de quatro dias para os servidores municipais.


Naiara Camargo

Portal Correio do Estado


Vacina antirrábica é principal proteção de cães e gatos contra a raiva

 

                                            PMCG/ Divulgação


Campo Grande registrou o 13º caso de raiva em morcego em 2026, reforçando a importância de manter a vacinação antirrábica de cães e gatos em dia. A Secretaria Municipal de Saúde (Sesau) orienta os tutores a não deixarem passar o período de imunização dos animais, uma vez que a vacina é a principal medida de prevenção da raiva entre cães e gatos e contribui para proteger também a população.


Os registros de morcegos positivos para o vírus foram identificados em diferentes regiões da cidade: Vivendas do Bosque, Centro, Santa Fé, Campo Alto, Pioneiros, São Francisco, Ouro Preto, Nasse e Sargento Amaral. Alguns bairros aparecem mais de uma vez entre os registros, como Centro, Santa Fé e Pioneiros.


A presença de morcegos positivos não significa que todos esses animais ofereçam risco. A maior parte dos morcegos encontrados em Campo Grande pertence a espécies que se alimentam de frutos ou insetos e exerce importante função ambiental. O alerta é para situações em que o animal apresenta comportamento anormal, como estar caído no chão, vivo ou morto, durante o dia ou dentro de residências.


Vacinação é a principal barreira de proteção


A raiva é uma doença grave e, após o aparecimento dos sintomas, apresenta elevada letalidade. Por isso, a prevenção é fundamental. Nos animais domésticos, a vacinação anual de cães e gatos é a principal forma de evitar a circulação do vírus e reduzir o risco de transmissão para outros animais e para as pessoas.


Para facilitar o acesso da população, a Sesau mantém a vacinação antirrábica durante todo o ano no CCZ e também vem ampliando as estratégias de imunização, com equipes realizando vacinação casa a casa e pontos fixos aos fins de semana, permitindo que mais tutores possam atualizar a proteção dos seus animais.


A orientação é que os responsáveis verifiquem a situação vacinal de cães e gatos e procurem os pontos disponibilizados pelo CCZ para manter a imunização em dia.


O que fazer ao encontrar um morcego?


A população deve evitar qualquer contato direto com o animal. Caso um morcego seja encontrado caído no chão, vivo ou morto, ou dentro de uma residência, a orientação é afastar pessoas e animais do local e acionar o CCZ (Centro de Controle de Zoonoses) para que a equipe faça o recolhimento adequado.


Não se deve tocar, mesmo que o morcego esteja morto. O animal poderá ser encaminhado para análise laboratorial, conforme os protocolos de vigilância, para verificar a presença do vírus da raiva.


Já os morcegos observados em comportamento habitual, como voando durante a noite ou abrigados durante o dia em seus locais naturais, não devem ser manipulados.


Em caso de contato direto com um morcego ou de possível exposição ao vírus, a pessoa deve procurar imediatamente uma unidade de saúde com atendimento 24 horas para avaliação e definição da necessidade de iniciar o protocolo de profilaxia antirrábica humana.


Vacinação antirrábica


A vacina para cães e gatos está disponível durante todo o ano no Centro de Controle de Zoonoses (CCZ), localizado na Avenida Senador Filinto Müller, 1.601, Vila Ipiranga.


Horário de atendimento:


* Segunda a sexta-feira: das 7h às 21h;


* Sábados, domingos e feriados: das 6h às 22h.


Além do atendimento no CCZ, a Sesau realiza ações de vacinação casa a casa e disponibiliza pontos fixos aos fins de semana, ampliando as oportunidades para que os tutores mantenham a vacinação dos animais atualizada.


Como acionar o CCZ


Caso um morcego seja encontrado fora dos horários de atendimento, a orientação é não tocar no animal e, sempre que possível, manter pessoas e animais afastados do local até que a equipe possa realizar o recolhimento.


Telefones:


* Geral: (67) 3313-5000


* Segunda a sexta-feira, das 7h às 17h: (67) 2020-1801 / (67) 2020-1789


* Segunda a sexta-feira, das 17h às 21h, e sábados, domingos e feriados, das 6h às 22h: (67) 2020-1794


A Sesau mantém ações permanentes de vigilância, vacinação e monitoramento da circulação do vírus, com o objetivo de reduzir o risco de transmissão da raiva e proteger animais e população.

Santa Casa deve atender apenas a pacientes de alta complexidade

 

                                            Foto: Gerson Oliveira



A Santa Casa de Campo Grande, maior hospital de Mato Grosso do Sul, compactuou com o Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), a Secretaria de Estado de Saúde (SES) e a Secretaria Municipal de Saúde (Sesau) que só receberá pacientes de alta complexidade, deixando de atender casos menos urgentes para não inflar o atendimento do hospital, pelo menos, é o que alega a nova gestão do hospital.


No dia 23 de setembro, Luiz Alberto Kanamura foi conduzido pela Justiça ao cargo de gestor da Santa Casa, depois de Alir Terra ter sido presa no início do mês de setembro e de Heitor Rodrigues Freire ter sido afastado conforme ordem judicial. 


Desde então, reuniões com os poderes fiscalizadores estão ocorrendo para tentar colocar um ponto final nas polêmicas envolvendo o hospital.


Em entrevista ao Correio do Estado, o novo gestor afirmou que um dos novos pactos acordados com entes públicos é que a Santa Casa, aos poucos, deve começar um processo de transição para receber apenas pacientes de alta complexidade, como cardiopatas, neurológicos e queimados.


Esses pacientes vão ter, tanto pelo Estado quanto pelo Município quanto pela Santa Casa uma tentativa de ter acesso direto para a resolução dos problemas deles, principalmente os de urgência. Os outros pacientes, foi pactuado ontem [dia 30 de setembro] com o Ministério Público, quando ele nos intimou, que cada um teria que assumir a parte da sua responsabilidade. Então, os outros pacientes que não estão contemplados aqui, o Município e o Estado vão entrar em um acordo para ver como vão ser resolvidos”, disse.


Em contato com a Sesau, a Pasta disse que a informação repassada pelo novo gestor da Santa Casa não procede.


Conforme matéria veiculada pelo Correio do Estado no fim do ano passado, o hospital tinha um teto de 

R$ 46.907.889,12 para ser gasto em 2024 com internações de alta complexidade, que são serviços e procedimentos que exigem alta tecnologia, alto custo e infraestrutura especializada.


Porém, a entidade ultrapassou em cerca de R$ 2,5 milhões deste montante, o que resultou em um gasto operacional de R$ 49.484.607,38. Na média mensal daquele ano, a instituição operou R$ 214,7 mil a mais do que o estipulado pelo teto.


Enquanto isso, na média complexidade, que são atendimentos e procedimentos que exigem mais conhecimento técnico e equipamentos do que a atenção básica, como consultas com especialistas e exames mais complexos, o deficit alegado é maior.


Mesmo com o limite anual estipulado em R$ 62.536.803,00, valor alto, o hospital afirma que operou em R$ 70.605.690,03 em 2024, mais de R$ 8 milhões acima do teto. Mensalmente, a média extrateto ficou em R$ 672.407,25.


Somando ambas as médias mensais, observa-se que a Santa Casa operou em R$ 887.141,27 acima do teto, o que resulta em R$ 10.645.694,40 ultrapassados em 2024. 


Naquela oportunidade, a reportagem não conseguiu acesso aos números da baixa complexidade, nível de cuidado em saúde voltado para condições não urgentes, preventivas e de rotina, que não representam risco imediato à vida.


CORTE DE GASTOS

Outro pacto acordado entre os entes públicos e a Santa Casa foi que o novo gestor terá de reduzir em 20% a folha de pagamento do hospital, visando cortar gastos diante da crise financeira que a instituição enfrenta, segundo apuração do Correio do Estado.


Esse corte, no entanto, visa os funcionários que atuam no regime de Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e não engloba os contratados pessoas jurídicas (PJ). Ainda conforme apurou o Correio do Estado, alguns nomes já estão sendo afastados pela atual gestão, o que se reflete diretamente no objetivo de cortar os gastos.


“O que nós temos que fazer é adequar a operação. Isso vai causar um impacto financeiro, reduzir o custo operacional e, consequentemente, o deficit de fluxo de caixa deve zerar em um determinado tempo. E nós apresentamos ao Ministério Público uma estimativa de tempo. Estimativa não significa que nós temos o plano de trabalho pronto, é o nosso objetivo, é a nossa meta”, disse Kanamura.


Vale lembrar que uma das obrigações impostas pela Justiça ao novo gestor é que apresente, mensalmente, a prestação de contas e informações atualizadas da situação administrativa, contábil e operacional da instituição, contendo a “aplicação dos recursos públicos e privados pela entidade, das despesas realizadas, dos contratos celebrados ou mantidos, das medidas implementadas para a regularização da gestão e da continuidade dos serviços de saúde”.


Além disso, o juiz também listou 17 obrigações que Kanamura terá de cumprir ao longo deste período na cadeira. Uma delas é a “proibição de contrair empréstimos bancários”, uma decisão que faz sentido ao levar em consideração os balanços financeiros da instituição nos últimos anos.


Para se ter uma ideia, no balanço de 2025, divulgado em julho deste ano, os empréstimos somaram mais de R$ 261,7 milhões e a taxa de juros chegava a 1,85% ao mês. Essa taxa de juros ajuda a explicar o constante endividamento e os seguidos deficit do maior hospital do Estado.


Em 2024, por exemplo, o deficit havia sido da ordem de R$ 98,3 milhões. O deficit acumulado, segundo o balanço do hospital, supera os R$ 544 milhões. Somente os impostos em atraso, todos parcelados, somam 

R$ 189,817 milhões.


“Eu acho que o juiz foi muito feliz quando ele nos vetou a possibilidade de contrair empréstimo. Não significa que eles não vão ser feitos, mas não vão ser feitos por nós. Ou seja, qualquer coisa que seja feita, o Poder Judiciário, o Município e o Estado vão estar participando e vão estar decidindo sobre isso. Ou seja, os entes e quem hoje está prestando esse tipo de controladoria, que é o Judiciário, vão permitir ou não fazer isso”, explica.


Por fim, Kanamura afirma que uma auditoria externa será realizada e que todos os documentos serão divulgados ao fim desse processo. Além disso, o novo gestor disse que a Controladoria-Geral da União (CGU) também foi convidada para fazer uma auditoria independente nos recursos do hospital.


Felipe Machado

Portal Correio do Estado

Flávio Bolsonaro consolida apoios na direita e no centrão enquanto Lula sobe tom contra STF e mira quem não votou

 


  • Candidato do PL recebe adesão de Zema e Temer, marca com Caiado e vê aproximação de federação PP-União
  • Petista busca reduzir abstenção e ampliar rejeição de adversário para conseguir virada inédita no segundo turno


O candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL), recebeu diversos sinais de apoio da direita e do centrão um dia após líderar a votação no primeiro turno, realizado no domingo (4), e pretende reforçar a mobilização da própria base por meio de nomes eleitos do partido.


Seu concorrente, o presidente Lula (PT), fez reunião com aliados nesta segunda-feira (5) para tentar reorganizar sua campanha e traçou como objetivo no segundo turno atrair eleitores que não votaram —a abstenção foi recorde, de mais de 33 milhões— e ampliar a rejeição do adversário.


Pressionado pelo resultado desfavorável, o petista também elevou o tom de críticas ao STF (Supremo Tribunal Federal), dizendo carregar a "promiscuidade" da corte na sua campanha.


Flávio já recebeu respaldo de Romeu Zema (Novo) e deve ter a adesão de Ronaldo Caiado (PSD) em encontro marcado para esta terça-feira (6) em Goiânia, apesar de seu partido se declarar neutro. O ex-presidente Michel Temer (MDB) divulgou vídeo para apoiá-lo –mas seu partido, o MDB, não apoiará nenhum candidato ao Planalto. Expoentes do centrão aproveitaram a onda de direita nas urnas para reforçar a aproximação.


Em Brasília, o filho de Jair Bolsonaro recebeu o governador reeleito de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), considerado um dos cabos eleitorais mais importantes e com quem deverá viajar pelo Brasil.


"Vamos ajudar a organizar os eventos e estruturar o estado para receber o Flávio no maior colégio eleitoral do Brasil", disse Tarcísio em entrevista à CNN Brasil.


A federação partidária formada por União Brasil e PP terá uma reunião nesta terça-feira (6), em Brasília, com as bancadas de deputados e senadores eleitos. Os dois partidos sinalizaram apoio a Flávio nacionalmente, mas tolerando a associação de parte de seus diretórios estaduais a Lula.


Presidente nacional do PP, o senador Ciro Nogueira (PI), que não conseguiu se reeleger, defendeu "apoio total e irrestrito" ao candidato do PL. "Votei no Flávio, tenho uma lealdade enorme ao presidente Bolsonaro", afirmou em entrevista à TV Cidade Verde.


A expectativa é que outros partidos do centrão sigam o mesmo caminho. A campanha busca o apoio do Republicanos e espera consolidar o embarque do partido, presidido pelo deputado federal Marcos Pereira (SP), nesta semana.


A campanha de Flávio teve reuniões com as equipes de comunicação e jurídica. Participaram o coordenador-geral, senador Rogério Marinho (PL-RN), o marqueteiro Duda Lima, e os conselheiros econômicos Daniella Marques e Adolfo Sachsida.


Marinho afirmou que, nesta primeira semana, pretende consolidar apoios de partidos e candidatos que não apoiaram Flávio no primeiro turno. Os governadores eleitos pelo PL devem viajar a Brasília para encontros com o presidenciável. Marinho também quer que a bancada eleita para o Congresso siga em campanha.


"Hoje passamos o dia conversando com esses parlamentares e mostrando a importância de que a campanha tem que continuar nas próximas três semanas", disse.


Além de Tarcísio, nomes de peso, como o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) e o vice Alfredo Gaspar (PL-RN), devem viajar o Brasil de forma independente e separada do senador, multiplicando os estados a serem visitados.


Flávio terminou o primeiro turno com 47% dos votos válidos, contra 45% de Lula. Nunca na história do Brasil um candidato que chegou na frente no primeiro turno foi derrotado no segundo.


O mesmo fenômeno sobre expectativa de poder faz com que aliados de Lula relatem, em conversas reservadas, temor com a possibilidade de líderes regionais, como prefeitos de partidos de centro, que apoiaram o petista no primeiro turno migrem para o lado adversário.


O presidente da República disse nesta segunda ser preciso mirar as abstenções. "Tem uma coisa que nós temos que trabalhar: são 30 milhões de pessoas que não foram votar. O que aconteceu com essas pessoas? Eles perderam o sentido de responsabilidade? Eles não foram convencidos? Eles não gostam dos candidatos? Porque se fosse assim, teria surgido uma terceira via, e não surgiu terceira via", questionou Lula.


O petista recebeu dezenas de aliados, entre candidatos eleitos e derrotados, em um hotel próximo à Esplanada dos Ministérios, também em Brasília. Participaram lulistas como os governadores reeleitos Jerênimo Rodrigues (PT-BA) e Rafael Fonteles (PT-PI); os senadores eleitos Rui Costa (PT-BA) e Jaques Wagner (PT-BA); e os candidatos derrotados Fernando Haddad (PT-SP), Simone Tebet (PSB-SP) e Marina Silva (Rede-SP).


A reunião foi planejada para identificar problemas na campanha de primeiro turno e descobrir como corrigi-los.


Uma das principais ideias é aumentar a rejeição do eleitorado a Flávio Bolsonaro. O plano já foi tentado no primeiro turno, mas não evitou que o adversário tivesse mais votos que o petista. O grupo político de Lula tenta encontrar um novo jeito de atingir esse objetivo.


Em pronunciamento durante a reunião, o petista indicou que deve intensificar as críticas ao STF até o segundo turno. A corte está com a imagem desgastada por causa do escândalo do Banco Master.


"Estamos carregando nas costas uma coisa muito grave que é a promiscuidade que ficou estabelecida na Suprema Corte brasileira depois dessas denúncias", disse Lula. O petista também indicou que haverá um recrudescimento dos ataques ao adversário.


Os responsáveis pelo marketing político, o publicitário Raul Rabelo e o ministro Sidônio Palmeira (Secom), estão entre os maiores alvos de cobrança dos aliados do presidente. A avaliação é que eles demoraram para imprimir na campanha o tom de embate político que a eleição exigia.


A equipe de campanha de Lula esteve rachada ao longo de toda a disputa. Na comunicação, por exemplo, havia até quatro núcleos diferentes com atuação própria. Houve falta de material, como santinhos e bandeiras, no início da propaganda eleitoral.


Em conversas reservadas, lulistas têm criticado presidente do PT e coordenador de campanha, Edinho Silva, e cobrado mais pulso para que a equipe trabalhe toda no mesmo sentido.


Outra cobrança de aliados do presidente é que ele dê espaço para candidatos e articuladores bem-sucedidos nos estados –o nome mais citado é o do ex-ministro da Educação Camilo Santana– opinarem sobre o tom da campanha e as decisões políticas.


No caso da política, o principal erro apontado por petistas foi do próprio Lula. Trata-se da insistência, durante meses, em tentar lançar o ex-senador e agora ministro do TCU (Tribunal de Contas da União) Rodrigo Pacheco como governador de Minas Gerais. Deu errado, e o presidente precisou improvisar a candidatura de Patrus Ananias (PT), que seria derrotado no primeiro turno, para ter um palanque no estado.


Petistas ouvidos pela reportagem temem que o resultado do primeiro turno desanime apoiadores de Lula nos estados, o que reduziria o volume de campanha.


A primeira-dama, Janja Lula da Silva, também é alvo de críticas. Ela teve destaque ao longo de toda campanha. Na reta final, passou a se referir a Nikolas Ferreira, o mais votado do país, como "piá de bosta".


Parte dos aliados do presidente diz acreditar que a proibição das apostas online prejudicou a votação do petista. Houve forte reação de clubes de futebol, influenciadores digitais e empresas de mídia contra a medida. A decisão de vetar as bets, como são conhecidas as operadoras desses jogos, foi do próprio Lula.


O risco de derrota tem feito mesmo decisões que normalmente não são questionadas se tornarem alvo de críticas internas. Aliados de Lula reclamaram à Folha, por exemplo, da grandiosidade do evento em São Paulo onde o presidente acompanhou a apuração dos votos.


Caio Spechoto , Catia Seabra , Mariana Brasil e Carolina Linhares

Folha de São Paulo