quarta-feira, 10 de junho de 2026

Além do peso: canetas emagrecedoras já tratam apneia do sono e doenças hepáticas e renais

 

                                              Karime Xavier/Folhapress
  • Pacientes também relatam mudanças na vida sexual, autoestima e conexão com a comida
  • Com o uso generalizado dos medicamentos, novas evidências científicas surgem cada vez mais rápido




Dezenas de milhões de pessoas ao redor do mundo tomam remédios como o Ozempic. Trata-se de um experimento em tempo real que oferece muito mais dados do que um estudo clínico controlado conseguiria reunir.


Com a adoção acelerada dessas drogas, a ciência tem hoje um retrato mais claro do que nunca sobre seus efeitos e os desafios que acompanham seu uso.


"Normalmente, quando um novo medicamento surge, temos tempo para aprender a utilizá-lo", disse a médica Melanie Jay, diretora do programa de obesidade da NYU Langone, em entrevista durante uma conferência da Associação Americana de Diabetes, em Nova Orleans. Com os medicamentos GLP-1, afirmou, "todos estão, de certa forma, aprendendo ao mesmo tempo".


Aprovados inicialmente para tratamento de diabetes e, depois, de obesidade, alguns desses medicamentos já receberam autorização para tratar risco de ataques cardíacos e outros problemas cardiovasculares, além de apneia do sono, doença hepática grave e doença renal.


Parte desses benefícios decorre da perda de peso em si. Mas pesquisadores acreditam cada vez mais que essas drogas oferecem vantagens completamente independentes do emagrecimento. A teoria mais aceita é que esses medicamentos reduzem níveis elevados de inflamação, associada a diversas doenças crônicas.


Cientistas também investigam o potencial dessas drogas para tratar outras condições, como Covid longa e transtornos por uso de substâncias. Evidências preliminares sugerem que pessoas que usam esses medicamentos bebem e fumam menos e têm menos chances de desenvolver dependência, embora os pesquisadores ainda aguardem estudos maiores antes de tirar conclusões.


O peso volta quando o tratamento é interrompido

Em estudos clínicos com canetas emagrecedoras disponíveis no mercado, os pacientes perderam entre 15% e 20% do peso corporal, em média, após 72 semanas. Pesquisas do mundo real confirmam esses números em alguns casos, mas outros estudos indicam perdas menores —entre 8% e 17%, dependendo da droga e do estudo.


A diferença se explica, em parte, porque muitas pessoas abandonam o tratamento, seja pelos efeitos colaterais ou pelos custos.


Quem para de tomar o medicamento tende a recuperar pelo menos parte do peso, mas algumas pessoas conseguem manter os resultados. Uma análise com dados de mais de 180 mil pacientes mostrou que, dois anos após o fim do tratamento, mais da metade dos que usaram semaglutida ou tirzepatida manteve alguma perda de peso ou até emagreceu mais.


Hamlet Gasoyan, pesquisador que estuda essas drogas, afirma que pacientes que interrompem o uso dos emagrecedores frequentemente recorrem a outros métodos para manter o peso: atividade física intensa, cirurgia bariátrica ou outros medicamentos, incluindo versões mais baratas e manipuladas dos novos compostos.


Resultado não é igual para todo mundo

Cerca de 1 em cada 10 pacientes pode ser classificado como "não respondedor", ou seja, alguém que perde menos de 5% do peso corporal.


Na outra ponta está uma pequena parcela de "super-respondedores", que emagrecem muito em pouco tempo. A genética e o nível de prazer que cada pessoa naturalmente retira da comida parecem influenciar essas respostas distintas.


Efeitos colaterais esperados e surpresas

Náuseas, fadiga e problemas digestivos como vômito e diarreia são efeitos colaterais bem documentados. Mas, com mais pessoas usando as drogas, outros efeitos menos comuns surgiram. O "bafo de Ozempic" —causado, em parte, pelo apetite reduzido— e o "rosto do Ozempic" —mais magro— viraram assunto nas redes sociais.


Alguns efeitos mais sérios também apareceram. Médicos observaram que as drogas podem suprimir o apetite a ponto de gerar deficiências nutricionais, e há associação com um pequeno aumento no risco de pancreatite, ainda que extremamente raro.


A perda de massa muscular é outro efeito frequente. Pacientes jovens e saudáveis costumam recuperar a musculatura ou preservá-la com treinos de força e ingestão adequada de proteínas. Já em adultos mais velhos os médicos têm observado maior fragilidade, com risco aumentado de quedas.


Dose certa ainda é debatida

O tratamento começa com a dose mais baixa e vai aumentando ao longo de meses. Em geral, quanto maior a dose, maior a perda de peso e maior a queda do açúcar no sangue.


"Estamos num território nebuloso, com várias doses disponíveis, e a mais alta pode levar alguém a um peso que talvez não seja bom a longo prazo", disse Scott Hagan, professor associado de medicina da Universidade de Washington. Doses excessivas podem suprimir o apetite a níveis prejudiciais, causar perda óssea e desequilíbrios hormonais e aumentar o risco de cálculos biliares.


Mudanças para além do corpo

À medida que os medicamentos ganharam popularidade, multiplicaram-se relatos sobre os efeitos sutis na vida pessoal e na saúde mental. Muitos dizem que as drogas alteraram sua vida sexual —em alguns casos, gerando mais autoestima; em outros, reduzindo a libido. Alguns relatam se sentir mais confiantes e capazes de se exercitar com mais facilidade.


A pesquisadora Marie Spreckley, da Universidade de Cambridge, conta que alguns pacientes relataram se sentir emocionalmente mais apagados, sem o prazer que antes encontravam na comida, e menos conectados ao aspecto social das refeições. Outros disseram que sua personalidade ficou mais opaca ou que se sentiram mais letárgicos.


O Ozempic chegou ao mercado há menos de uma década. À medida que mais pessoas usam esses medicamentos e os pesquisadores continuam a estudá-los, saberemos mais sobre como essas drogas podem mudar nossa saúde —e a forma como vivemos.


The New York Times

MS reforça municipalismo e sustentabilidade em evento nacional

 

                                            Congresso dos Municípios de Mato Grosso do Sul {Foto: João Garrigó/Vice-governadoria}




Mato Grosso do Sul voltou a se posicionar como referência nacional em modernização da gestão pública ao sediar, terça-feira {9}, em Campo Grande, o 2º Licicomp {Congresso Estadual de Licitações e Compras Públicas}, realizado simultaneamente à 4ª edição do Congresso dos Municípios de Mato Grosso do Sul.


Promovidos pela Assomasul, Sebrae/MS e Governo do Estado, os eventos transformam a capital em um grande ambiente de debates sobre inovação administrativa, sustentabilidade, eficiência pública e fortalecimento das cidades sul-mato-grossenses.


Com foco na construção de modelos mais modernos, transparentes e sustentáveis de gestão pública, o Licicomp reúne gestores estaduais e municipais, órgãos de controle, especialistas, técnicos e representantes do setor produtivo para discutir os impactos das compras governamentais no desenvolvimento econômico e social dos municípios.


A programação aborda temas ligados à nova Lei de Licitações, governança pública, transformação digital, sustentabilidade nas contratações públicas e modernização administrativa, reforçando o papel estratégico das compras públicas como instrumento de desenvolvimento regional, estímulo à economia local e melhoria dos serviços prestados à população.


Representando o governador Eduardo Riedel, o vice-governador José Carlos Barbosa, o Barbosinha, destacou que Mato Grosso do Sul vem consolidando um modelo de gestão baseado em eficiência, responsabilidade fiscal, inovação e parceria permanente com os municípios.


“Estamos construindo um Estado moderno, eficiente e preparado para os desafios do futuro. E isso passa diretamente pela capacidade de inovar na gestão pública, fortalecer os municípios e transformar investimentos em resultados concretos para a população. O Licicomp amplia um debate essencial sobre transparência, sustentabilidade e eficiência administrativa, mostrando que gestão pública de qualidade também é instrumento de desenvolvimento”, afirmou.


O secretário de Estado de Administração, Roberto Gurgel de Oliveira Filho, ressaltou que as compras públicas possuem impacto direto no fortalecimento das economias locais e na melhoria da gestão governamental.


“As licitações e contratações públicas deixaram de ser apenas processos administrativos. Hoje elas representam estratégia de desenvolvimento, incentivo à inovação, fortalecimento de empresas locais e melhoria da eficiência dos serviços públicos. Mato Grosso do Sul vem avançando fortemente nessa agenda”, pontuou.


Paralelamente ao Licicomp, o Congresso dos Municípios discute os desafios contemporâneos da administração municipal. Com o tema “A eficiência do Municipalismo na construção do Brasil”, o encontro reforçou o papel dos municípios como protagonistas na execução das políticas públicas e no desenvolvimento regional.


Durante a programação, serão debatidos temas estratégicos como reforma tributária, arrecadação municipal, sustentabilidade, empreendedorismo, inovação, planejamento urbano, saúde pública e modernização administrativa.


O presidente da Assomasul e prefeito de Itaquiraí, Thalles Tomazelli, destacou que o congresso fortalece a integração institucional e amplia a capacidade técnica das administrações municipais.


“Os municípios estão cada vez mais desafiados a entregar resultados rápidos e eficientes para a população. Eventos como este fortalecem a troca de experiências, aproximam instituições e ajudam a construir soluções conjuntas para uma gestão pública mais moderna, eficiente e preparada para o futuro”, afirmou.


A programação também conta com palestrantes de destaque nacional, como o economista Bernard Appy, um dos formuladores da Reforma Tributária; a jornalista e especialista em ESG Rosana Jatobá; a pesquisadora Juliana Benício; e o comentarista político Caio Coppolla.


Durante a cerimônia de abertura, ainda foram realizadas entregas institucionais importantes, como o Certificado ISO 9001 para a Assomasul, o Selo de Sustentabilidade da AGEMS, o Labô MS e o Selo A3P concedido pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima ao Estado de Mato Grosso do Sul, em decorrência da renovação da adesão à Agenda Ambiental na Administração Pública e cumprimento de todas as metas do programa pela gestão estadual em 2025. Em MS, a execução da A3P é coordenada pela SAD, reforçando o compromisso das instituições públicas com qualidade, sustentabilidade e inovação administrativa.


O vice-governador também ressaltou que o atual ciclo de crescimento de Mato Grosso do Sul é resultado de uma política permanente de cooperação entre Estado e municípios, construída a partir do fortalecimento do municipalismo.


“Não existe Estado forte sem municípios fortes. Mato Grosso do Sul cresceu porque aprendeu a construir soluções de forma compartilhada, ouvindo os prefeitos, respeitando as diferenças regionais e trabalhando em parceria permanente com os 79 municípios. É essa união que permite ao Estado avançar em desenvolvimento, inclusão social, sustentabilidade e qualidade de vida”, concluiu Barbosinha.

Feira incentiva adoção responsável com mais de 50 pets na Capital

 

                                            Adoção de pets {Foto: Divulgação}



Mais de 50 cães e gatos estarão disponíveis para adoção neste domingo {14}, das 9h às 12h, na Praça da Bolívia, em Campo Grande.


A ação, promovida pela Subea {Superintendência de Bem-Estar Animal}, busca encontrar novos lares para animais resgatados e incentivar a adoção responsável.


Entre os animais disponíveis há filhotes e adultos, todos avaliados por equipe veterinária e aptos para adoção. Os pets receberam os cuidados necessários e aguardam uma nova família.


Além de estimular a adoção, a iniciativa reforça a importância da guarda responsável, com orientações sobre alimentação, cuidados veterinários e adaptação dos animais ao novo ambiente.


Os animais adotados também terão acesso ao programa de castração oferecido pela Prefeitura de Campo Grande, medida que contribui para o controle populacional e para a saúde dos pets.


Para adotar, é preciso ter mais de 18 anos, apresentar documento oficial com foto e comprovante de residência. Durante a feira, a equipe da Subea estará disponível para orientar os futuros tutores.


A ação faz parte das atividades permanentes da Prefeitura voltadas à promoção do bem-estar animal, ao combate ao abandono e ao incentivo da adoção.


EUA batem Brasil e interrompem boa fase da Seleção Feminina

 

                                            Brasil foi superado pelos Estados Unidos. (Foto: Reprodução)



O Brasil foi superado pelos Estados Unidos por 1 a 0 nesta terça-feira (9), em amistoso realizado na Arena Castelão, em Fortaleza.


O resultado interrompeu a sequência de quatro vitórias da equipe comandada por Arthur Elias, incluindo um triunfo sobre as norte-americanas, no último sábado (6).


Este é o segundo confronto entre as seleções nesta Data Fifa de junho. No primeiro duelo, Tainá Maranhão e Bia Zaneratto marcaram na vitória brasileira por 2 a 1, em jogo realizado na Neo Química Arena. Sophia Wilson descontou do lado adversário.


Já na partida em Fortaleza, uma finalização desviada em Isabela definiu o resultado positivo a favor das norte-americanas. O amistoso também ficou marcado pelo alto número de cartões distribuídos: 14, sendo quatro vermelhos para Tarciane, Kerolin, Ludmila e Bia Zaneratto.


A partida


O primeiro lance de perigo do confronto saiu aos 18 minutos, em cobrança de falta da atacante Tainá Maranhão que foi à esquerda da meta adversária. Na sequência, aos 20, os Estados Unidos respondeu com Sophia Wilson, que driblou a marcação e finalizou para uma boa defesa da goleira Lorena.


As brasileiras chegaram a balançar as redes na marca de 38 minutos, com a zagueira Isa Haas, mas a arbitragem assinalou um impedimento no lance. Já nos acréscimos, a meia Lindsey Heaps lançou para a atacante Emma Sears, que invadiu a área e bateu para ótima defesa da Lorena. No rebote, Wilson chutou rasteiro e a goleira realizou um milagre no Castelão.


Depois do intervalo, os Estados Unidos retornaram melhor e tiveram uma boa oportunidade aos 10 minutos. Sophia Wilson achou belo passe para a meia Rose Lavelle, que finalizou cruzado e errou o alvo. Pouco depois, Wilson protegeu da defesa e arriscou de fora da área. A bola desviou na lateral Isabela e só parou no fundo das redes: 1 a 0 para as visitantes.


Aos 20 minutos, as estadunidenses puxaram o contra-ataque e a meia Olivia Moultrie acertou a trave. Na sequência, a ponta Trinity Rodman aproveitou uma sobra na área e encheu o pé, mas parou em grande defesa da Lorena. A goleia brasileira ainda pegou mais uma tentativa de Sears, evitando que as estadunidenses ampliassem a vantagem no placar.


Na reta final do amistoso, o clima ficou quente e a arbitragem passou a distribuir cartões. Arthur Elias recebeu o cartão vermelho direto, enquanto Bia Zaneratto foi advertida com o segundo amarelo e também acabou expulsa. Nos acréscimos, a zagueira Tarciane acertou o rosto da jogadora rival e recebeu o vermelho. Depois do apito final, Kerolin e Ludmila foram outras que, por reclamação, terminaram expulsas. (CNN)


Projeto de Jamilson Name sobre depressão infantil é sancionado e vira lei em MS Agência ALEMS

 

                                              Foto: Mauro Silva


O governador de Mato Grosso do Sul sancionou a Lei nº 6.594, de 1º de junho de 2026, originada do Projeto de Lei 272/2025, de autoria do deputado estadual Jamilson Name (PP), que dispõe sobre a afixação de cartazes informativos sobre depressão infantil em repartições públicas, escolas, unidades de saúde e locais de grande circulação de pessoas.


A nova legislação tem como objetivo ampliar o acesso à informação, fortalecer as ações de conscientização e contribuir para a identificação precoce dos sinais da depressão em crianças e adolescentes, promovendo o encaminhamento adequado para atendimento especializado.


Para o deputado Jamilson Name, a transformação do projeto em lei representa um importante avanço na promoção da saúde mental da população infantojuvenil sul-mato-grossense.


“Essa é uma conquista muito importante para Mato Grosso do Sul. A informação é uma ferramenta fundamental para a prevenção. Muitas vezes, os sinais da depressão infantil passam despercebidos e acabam sendo confundidos com comportamentos comuns da infância. Com essa lei, estaremos levando orientação e conscientização para milhares de famílias”, destacou o parlamentar.


A legislação determina que os cartazes contenham informações claras e acessíveis sobre os principais sinais e sintomas da depressão em crianças e adolescentes, orientações sobre a importância da busca por atendimento profissional especializado e a divulgação dos locais de atendimento, com endereços, telefones e horários de funcionamento.


Durante a tramitação da proposta na Assembleia Legislativa, Jamilson Name ressaltou que a depressão não afeta apenas adultos e que crianças e adolescentes também podem enfrentar situações que resultam em sofrimento emocional, tristeza profunda e isolamento social.


“Precisamos estar atentos aos sinais para que a ajuda especializada seja procurada o quanto antes. Quanto mais precoce for a identificação, maiores são as chances de acompanhamento adequado e de prevenção de situações mais graves”, afirmou.


Aprovado por unanimidade pelos deputados estaduais, o projeto agora passa a integrar a legislação estadual, reforçando as políticas públicas voltadas à conscientização, prevenção e cuidado com a saúde mental de crianças e adolescentes em Mato Grosso do Sul.

Especialistas discutem oportunidades e desafios da nova geoeconomia para o Brasil em seminário internacional

 


A intenção do evento é aproximar especialistas, empresários, representantes do setor público e da academia em torno de reflexões estratégicas sobre o desenvolvimento brasileiro”, diz a senadora


Ao abrir, nesta terça-feira, 09/06, em São Paulo, o primeiro seminário internacional do Instituto Diálogos, intitulado “A Nova Geoeconomia Mundial”, a senadora Tereza Cristina (PP- MS), presidente do Conselho de Administração do Instituto, defendeu a importância de se pensar o futuro estratégico e imediato do Brasil. “Por isso estamos aqui hoje. Porque acreditamos que o futuro não acontece. O futuro é construído. E países que deixam de discutir seriamente o seu futuro acabam vivendo o futuro que outros escolheram para eles”, afirmou a senadora.


O evento reuniu especialistas brasileiros e estrangeiros para debater os impactos das transformações geopolíticas globais e a nova ordem econômica mundial. A pauta urgente está no centro da agenda internacional, especialmente neste momento em que a geopolítica global enfrenta seu maior turbilhão em décadas, intensificado pelas recentes tensões comerciais nas relações entre Brasil e Estados Unidos.


Liderado pela senadora e ex-ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Tereza Cristina, o seminário traz à capital paulista autoridades de peso internacional, com destaque para Nicholas Burns, um dos diplomatas mais experientes da política norte-americana. Burns é ex-embaixador dos EUA na China e na Otan, além de professor da Harvard Kennedy School. Também serão palestrantes Marcos Jank, referência em cadeias globais do agro e segurança alimentar; Marcos Troyjo, ex-presidente do Banco dos BRICS e especialista em comércio internacional e geopolítica; e Ricardo Zuñiga, ex-conselheiro da Casa Branca para América Latina e ex-cônsul dos EUA em São Paulo.


“O mundo vive uma reorganização profunda das cadeias produtivas, energéticas e comerciais. O Brasil precisa compreender seu papel estratégico nesse novo cenário global”, afirma a senadora. “A intenção do evento é aproximar especialistas, empresários, representantes do setor público e da academia em torno de reflexões estratégicas sobre o desenvolvimento brasileiro”, acrescenta a senadora.


A pauta do debate trouxe temas como segurança alimentar; dependência global de fertilizantes; petróleo e gás; transição energética; etanol e bioenergia; reorganização das cadeias globais; relações entre Estados Unidos e China; papel do Brasil na nova economia mundial.


“O Brasil inovou em bioenergia de forma sustentável, mas ainda precisamos internacionalizar. Com parcerias estratégicas, como com os EUA, o nosso agro tem um potencial enorme de expansão, sobretudo no comércio com regiões tropicais”, avaliou Marcos Jank.


Durante sua exposição, Marcos Troyjo traçou um paralelo do atual momento geopolítico com um “Mundo Highlander”. Segundo o especialista, vive-se hoje o paradoxo de uma sociedade que sai de um ambiente altamente tecnológico, impulsionado pela inteligência artificial, para uma realidade supostamente medieval, já que essa nova revolução é altamente dependente de recursos básicos como água, comida e energia.


“Esse cenário de necessidade por recursos básicos deveria aproximar Brasil e Estados Unidos. É difícil que isso seja superado no atual contexto político-eleitoral, mas não podemos desperdiçar a grande relação bilateral que foi construída”, concluiu Marcos Troyjo.


O ex-conselheiro da Casa Branca para a América Latina, Ricardo Zuñiga, endossou a necessidade de maior articulação e destacou que o Instituto Diálogos tem o papel fundamental de diminuir a distância entre a estratégia e a ação dos brasileiros. Segundo ele, o Brasil tem plenas condições de construir parcerias na exploração de terras raras com países como Estados Unidos, Índia, Coreia do Sul, Japão e nações europeias, independentemente do atual domínio da China neste setor.


“Brasil e Estados Unidos são muito parecidos e devem trabalhar juntos. Neste momento, perdemos a visão dos interesses dos EUA acima das questões domésticas, e isso nunca aconteceu antes. Mas vamos reconstruir alianças e precisamos fazer isso com aliados, e o Brasil é um amigo. Estou otimista quanto a esse futuro”, ponderou Zuñiga.


No encerramento do primeiro painel, o diplomata Nicholas Burns elogiou a pertinência das discussões, classificando a criação do Instituto Diálogos como uma “grande iniciativa”, e parabenizou a senadora Tereza Cristina pela liderança. Burns manifestou ainda sua satisfação em participar do evento na capital paulista em um momento de repensar a geopolítica. “Estou muito feliz de estar em São Paulo, porque vejo o Brasil como um amigo. E mais do que isso: como um parceiro”, finalizou.


Sobre o Instituto Diálogos

Lançado em 25 de fevereiro de 2026, o Instituto Diálogos – ID – foi criado com o objetivo de promover o debate plural e a difusão de conhecimento sobre grandes temas presentes nos cenários nacional e internacional. É apartidário e sem fins lucrativos, com temática ampla, aberta às discussões e análises das tendências sociais, tecnológicas, políticas, geopolíticas e geoeconômicas. Os fundadores do Instituto acreditam na riqueza da diversidade de perspectivas que levem à construção de projetos para o Brasil. Seu propósito é o de contribuir para ambientes propícios ao crescimento do País e à prosperidade da nossa população.


O ID foi concebido pela senadora Tereza Cristina (PP-MS), que é reconhecida pelos seus pares, membros do Governo, empresariado e imprensa como uma política de posições moderadas, aberta ao diálogo e comprometida com a qualidade do conteúdo de suas manifestações.


Discurso:

Bom dia a todas e a todos.


Sejam muito bem-vindos ao primeiro encontro da Trilha Diálogos em Movimento.


Este não é apenas mais um evento. É o início de um projeto que nasceu de uma convicção simples: o Brasil precisa voltar a pensar estrategicamente sobre si mesmo.


Temos discutido com intensidade os problemas do presente. Mas, muitas vezes, deixamos de debater as grandes questões que definirão o país que seremos daqui a dez, vinte ou trinta anos.


O Instituto Diálogos foi criado para ajudar a preencher esse espaço. Não para produzir consensos artificiais. Não para defender governos ou oposições. Não para reproduzir disputas ideológicas. Mas para promover algo cada vez mais raro e, por isso mesmo, cada vez mais valioso: diálogo. Diálogo aberto. Diálogo franco. Diálogo baseado em fatos.Diálogo orientado a resultados E, sobretudo, diálogo suprapartidário.Porque os desafios estruturais do Brasil não pertencem a um partido. Pertencem ao país. E pensar o Brasil exige necessariamente pensar o mundo.


Durante décadas, operamos em uma ordem internacional relativamente previsível. Uma ordem baseada em instituições, regras e mecanismos de cooperação que, com todas as suas imperfeições, ofereciam referências relativamente estáveis.


Hoje, esse cenário mudou. Vivemos um período de transição profunda.O multilateralismo enfrenta dificuldades. As disputas geopolíticas se intensificam. O comércio internacional tornou-se mais político. E a competição entre grandes potências redefine mercados, alianças e prioridades. Em um ambiente assim, a pergunta central para o Brasil não é apenas o que acontece no mundo.


A pergunta é: qual será o lugar do Brasil nesse mundo?


Porque os países que prosperam não são necessariamente os que possuem mais recursos. São os que conseguem interpretar corretamente as transformações em curso e agir antes que elas se imponham. Por isso, o momento deste encontro não poderia ser mais oportuno. Ou talvez eu devesse dizer: não poderia ser mais revelador.


Quando concebemos esta iniciativa, certamente não imaginávamos que seu primeiro encontro ocorreria exatamente na semana seguinte à nomeação de um novo embaixador dos Estados Unidos para o Brasil, ao anúncio dos resultados da investigação da Seção 301 e à oficialização da classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas pelo Departamento de Estado americano.


Mas aqui estamos. E isso nos lembra uma lição importante. A realidade raramente espera que estejamos preparados para ela. É justamente por isso que precisamos criar espaços permanentes de reflexão estratégica.


O relacionamento entre Brasil e Estados Unidos continua sendo uma das relações mais relevantes para o nosso futuro econômico, político e institucional. E relações importantes não se administram por impulsos. Administram-se por diálogo. Por compreensão mútua. Por capacidade de negociação. E por visão de longo prazo.


Costumo dizer que portas abertas produzem mais resultados do que portas batidas. E, em momentos de divergência, essa verdade se torna ainda mais importante. O Brasil não ganha quando reduz suas opções. O Brasil ganha quando amplia sua capacidade de interlocução. Quando consegue conversar com todos. Negociar com todos. Cooperar com todos. Sem abrir mão de seus interesses nacionais. 


Em tempos de fragmentação, diálogo não é sinal de fraqueza. É instrumento de poder. E é exatamente sobre isso que trata este encontro. Temos a honra de receber convidados que dedicaram suas vidas profissionais a compreender as transformações do sistema internacional. O Embaixador Nick Burns dispensa apresentações formais. Poucas pessoas acompanharam tão de perto as grandes mudanças geopolíticas das últimas décadas. Da Guerra Fria à ascensão da China. Da expansão da OTAN às novas rivalidades estratégicas do século XXI. Seu percurso representa algo particularmente relevante para os dias atuais: a crença de que a diplomacia continua sendo uma das ferramentas mais poderosas de construção de estabilidade em um mundo instável.


Também teremos a contribuição de Ricardo Zúñiga, profundo conhecedor da América Latina e das relações hemisféricas. Ao longo de sua trajetória no serviço público norte-americano, destacou-se pela capacidade de construir pontes, promover entendimentos e manter canais de diálogo mesmo em momentos de maior complexidade política. Alguém que conhece não apenas Washington, mas também nossa região, suas oportunidades e seus desafios. Num momento em que segurança, migração, crime organizado e integração econômica se tornam temas cada vez mais interligados, sua experiência e sua visão sobre as relações entre as Américas são especialmente valiosas.


Marcos Troyjo traz uma combinação rara de vivência diplomática, econômica e financeira internacional. Poucos brasileiros circularam com tanta desenvoltura entre governos, organismos multilaterais, mercados e centros globais de formulação estratégica. Sua perspectiva ajuda a compreender como poder econômico, tecnologia, comércio e geopolítica estão cada vez mais conectados.


E Marcos Jank é uma das vozes mais respeitadas do agronegócio global. Num momento em que alimentos, energia, sustentabilidade e segurança alimentar deixaram de ser apenas temas econômicos para se tornarem temas estratégicos, sua experiência oferece uma leitura indispensável sobre os desafios e oportunidades do Brasil.


Teremos, por fim, a satisfação de contar com a hábil condução de Thais Herédia, uma das jornalistas econômicas mais respeitadas do país. Ao longo de sua carreira, construiu uma trajetória marcada pela capacidade de analisar temas complexos da economia e da política pública com profundidade, clareza e independência. Sua experiência no acompanhamento dos grandes debates nacionais certamente contribuirá para enriquecer a dinâmica deste encontro e das conversas que manteremos ao longo desta manhã.


A presença desses convidados confirma algo que está no DNA do Instituto Diálogos. Nós não queremos conversar apenas sobre o Brasil. Queremos conversar sobre o Brasil no mundo. Porque não existe mais política doméstica completamente separada da política internacional. Uma decisão tomada em Washington, Bruxelas, Pequim ou Nova Délhi pode afetar empregos, investimentos e oportunidades em qualquer estado brasileiro.


O futuro exige essa visão integrada. E exige também coragem intelectual. Coragem para questionar premissas. Coragem para ouvir quem pensa diferente. Coragem para abandonar respostas antigas para problemas novos.


Se o Instituto Diálogos conseguir contribuir para isso, terá cumprido sua missão. Quero concluir com uma reflexão. O Brasil possui recursos naturais extraordinários. Possui capacidade produtiva. Possui diversidade. Possui talento humano. Mas nenhuma dessas vantagens é suficiente por si só. 


O que transforma potencial em realidade é a capacidade de construir projetos nacionais consistentes. E projetos nacionais começam com ideias. Ideias começam com conversas. E conversas só produzem resultados quando há disposição para ouvir. 


Por isso estamos aqui hoje. Porque acreditamos que o futuro não acontece. O futuro é construído.E países que deixam de discutir seriamente o seu futuro acabam vivendo o futuro que outros escolheram para eles.


Muito obrigada pela presença de todos. Sejam bem-vindos ao Instituto Diálogos.


E que este seja apenas o primeiro de muitos diálogos necessários para o Brasil.

Carbono pode virar barreira de mercado?

 



O avanço da regulação sobre emissões tende a ampliar a presença das cadeias produtivas ligadas ao campo no mercado de carbono brasileiro, ainda que a produção primária não esteja entre os primeiros setores diretamente alcançados. A avaliação é de Anderson Teixeira, analista na Petrobras, com atuação na área de Inteligência de Mercado e Conhecimento em Transição Energética, ao comentar os possíveis efeitos do Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões sobre o agronegócio.



Segundo a análise, a ideia de que o agro estaria fora do SBCE simplifica um movimento mais amplo. Embora as atividades “da porteira para dentro” possam não assumir responsabilidades logo no início, a proposta do Ministério da Fazenda indica que segmentos agroindustriais deverão avançar em obrigações de mensuração, relato e verificação de emissões nos próximos anos.


Uma primeira etapa citada envolve o setor de papel e celulose, previsto para entrar em 2027. Esse movimento alcança uma cadeia ligada à base florestal, à bioeconomia, às exportações e à logística de grandes volumes, com exigências que devem fortalecer a necessidade de inventários e controles climáticos.



Na sequência, a partir de 2029, alimentos e bebidas aparecem como outro eixo relevante da agroindústria a ser incorporado ao processo. A cobrança tende a envolver inventários, rastreabilidade e governança climática, elementos que já ganham peso nas relações comerciais e nas exigências de compradores internacionais.


O impacto, portanto, deve chegar ao setor por meio das cadeias de fornecimento, dos grandes processadores, dos operadores logísticos e dos critérios ESG adotados nos mercados externos. Nesse contexto, o carbono passa a ser tratado como variável de custo, risco e acesso a mercados, especialmente para empresas que dependem de logística estruturada e integração com compradores mais exigentes.