quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

TJMS propõe criação de mais de 300 cargos e pressiona orçamento

 

                                             Prédio do TJMS em Campo Grande. (Foto: Reprodução)



A ampliação da estrutura do Poder Judiciário de Mato Grosso do Sul voltou ao centro do debate político após o envio, à Alems (Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul), de um projeto que cria novos cargos em comissão no TJMS (Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul) e nas comarcas do Estado.


A proposta levanta questionamentos sobre impacto financeiro e prioridades orçamentárias, em um cenário de constante pressão sobre as contas públicas.


O Projeto de Lei 5/2026, encaminhado pelo presidente do TJMS, desembargador Dorival Renato Pavan, prevê o reforço do quadro de assessoria jurídica e administrativa do Judiciário.


O texto foi aprovado de forma unânime pelo Órgão Especial antes de chegar ao Legislativo.


Na justificativa, o Tribunal aponta o crescimento da demanda processual como principal argumento para a expansão da estrutura.


Em 2024, o Judiciário estadual registrou milhões de movimentações internas, além de centenas de milhares de processos julgados e novos casos distribuídos. O ano de 2025 teve início com cerca de 773 mil ações em tramitação, número usado para sustentar a necessidade de mais pessoal.


Apesar do diagnóstico, o projeto reacende o debate sobre até que ponto a ampliação de cargos comissionados é a melhor resposta para o acúmulo de processos, especialmente diante do impacto direto na folha de pagamento do Estado.


O texto prevê a criação de mais de 300 cargos, concentrados principalmente em funções de assessoramento direto a magistrados de primeira e segunda instância.


Segundo o Judiciário, os novos cargos devem atuar no apoio à atividade jurisdicional e administrativa, em alinhamento à política de fortalecimento do primeiro grau definida pelo Conselho Nacional de Justiça. Ainda assim, a proposta não detalha de forma individualizada como a ampliação da assessoria se traduzirá, na prática, em redução do tempo de tramitação dos processos.


Impacto financeiro 


Em relação aos custos, o Tribunal informa que o impacto financeiro foi calculado em dois cenários: um mais conservador, com parte das vagas ocupadas por servidores efetivos, e outro máximo, considerando todos os cargos preenchidos por comissionados. O provimento, segundo o texto, seria gradual e condicionado à disponibilidade orçamentária dos próximos exercícios.


O projeto também vincula a criação das vagas ao planejamento de longo prazo do Judiciário, com inclusão no BACEP (Banco de Cargos e Empregos Públicos). Ainda assim, caberá aos deputados estaduais avaliar se a ampliação da estrutura administrativa do Judiciário é compatível com o momento fiscal do Estado e com outras demandas prioritárias da administração pública.


A proposta agora entra na fase de análise pelas comissões temáticas da Assembleia Legislativa, onde deverá enfrentar discussão sobre custo, eficiência e limites da expansão da máquina pública.


Cargos previstos no projeto


O Projeto de Lei 5/2026 propõe a criação de 50 cargos PJAS-1 (Assessor de Desembargador); 150 cargos PJAS-6 (Assessor Jurídico de Juiz); 75 cargos PJAS-8 (Assessor Jurídico de Juiz de Segunda Entrância); 25 cargos PJAS-9 (Assessor Jurídico de Juiz de Primeira Entrância); e 2 cargos PJAS-1 (Assessor Jurídico-Administrativo).

Por chance de ir à Copa, meia do Palmeiras se naturaliza paraguaio

 

                                            Mauricio, meia do Palmeiras (Foto: Cesar Greco/Palmeiras/by Canon)



O meio-campista Maurício, do Palmeiras, poderá defender a Seleção do Paraguai na Copa do Mundo de 2026.


Em decisão homologada pela Fifa em 9 de fevereiro, o meio-campista conseguiu se naturalizar paraguaio.


Filho de pai com nacionalidade paraguaia, o processo foi facilitado. Mauricio também passou parte importante de sua vida no país sul-americano e, desde 2022, já pensava na possibilidade de jogar pelo Paraguai.


O meio-campista de 24 anos poderá ser convocado pelo Paraguai já na Data Fifa de março e, consequentemente, pode disputar a Copa do Mundo.


Mauricio pode encontrar Gustavo Gómez e Ramón Sosa, companheiros de Palmeiras, na seleção.


Na atual temporada, Mauricio fez seis jogos, anotou dois gols e deu uma assistência. No Palmeiras desde 2024, já disputou 81 jogos, marcou 16 gols e distribuiu 12 assistências. (Com CNN)

Atiradora abre fogo em escola no Canadá e mata nove, diz polícia

 

                                              Trent Ernst via Reuters


  • Suspeita de um dos ataques mais letais da história do país também foi encontrada morta, aparentemente por suicídio

  • Outras duas pessoas foram hospitalizadas com ferimentos graves; autoridades não informam idade das vítimas





Um ataque a tiros matou nove pessoas em uma escola no oeste do Canadá, afirmou a polícia nesta terça-feira (10). A suspeita de um dos massacres mais letais da história recente do país também foi encontrada morta, aparentemente por suicídio.


O ataque levou para o Canadá o tipo de preocupação mais comum no país vizinho, os Estados Unidos, e foi realizado por uma atiradora descrita como mulher, segundo a polícia.


O ataque teria tido como foco uma escola de ensino médio na cidade de Tumbler Ridge, no nordeste da Colúmbia Britânica, onde seis corpos foram achados. Outros dois corpos foram encontrados em uma residência que estaria ligada ao incidente, e mais uma pessoa morreu a caminho do hospital, segundo as autoridades.


Ao menos duas outras vítimas foram hospitalizadas com ferimentos graves, e até 25 pessoas estavam sendo atendidas por ferimentos leves, informou a polícia. A suspeita de ser a atiradora também foi encontrada morta com o que parece ser um ferimento autoinfligido.


As autoridades ainda não informaram a idade das vítimas nem detalhes sobre a agressora, exceto que era "uma mulher de vestido e cabelos castanhos" —um fato incomum, já que tiroteios em massa são quase sempre cometidos por homens.


"É difícil saber o que dizer em uma noite como esta. É o tipo de coisa que parece acontecer em outros lugares, não perto de casa", disse a jornalistas o premiê da Colúmbia Britânica, David Eby.


Tumbler Ridge, local do tiroteio, é um município remoto com uma população de cerca de 2.400 pessoas, situado no sopé das Montanhas Rochosas, no norte da Colúmbia Britânica, a aproximadamente 1.155 km de Vancouver. Imagens da cidade mostram uma paisagem coberta de neve e repleta de pinheiros.


A Escola Secundária que foi palco do massacre tem 160 alunos do 7º ao 12º ano, com idades entre 12 e 18 anos, de acordo com o site da instituição. A escola ficará fechada até o fim da semana e oferecerá apoio psicológico aos alunos que precisarem, informaram os responsáveis.


A pequena força policial da cidade chegou ao local dois minutos após receber a ligação, segundo as autoridades. "Esta é uma comunidade pequena e unida, com um pequeno destacamento da Polícia Montada Real Canadense", disse Nina Krieger, ministra da Segurança Pública da Colúmbia Britânica, a jornalistas.


"Vários feridos e vários mortos foram encontrados dentro da escola conforme os policiais avançavam pelo local", disse o superintendente de polícia Ken Floyd. "A cena está isolada agora. Temos investigadores lá tentando determinar a natureza e a extensão dos ferimentos e quais armas podem ter sido usadas."


O estudante Darian Quist afirmou à emissora pública CBC que estava em aula quando recebeu um alerta. No início, não sabia se era algo grave até começar a receber fotos do massacre em sua escola. "Trancamos as portas com mesas por mais de duas horas", afirmou.


"Estou devastado com os horríveis ataques de hoje em Tumbler Ridge. Minhas orações e mais profundas condolências estão com as famílias e os amigos que perderam entes queridos para esses atos horríveis de violência", disse o primeiro-ministro canadense, Mark Carney. Após o ataque, o premiê suspendeu a viagem planejada para a Conferência de Segurança de Munique.


O Canadá possui leis de armas mais rigorosas do que os EUA, mas os canadenses podem possuir armas de fogo com licença. O governo anterior, de Justin Trudeau, introduziu uma série de restrições à posse de armas de fogo curtas e armas de assalto desde 2020, em parte como resposta a um massacre na província de Nova Escócia.


No entanto, as tentativas de proibir certos tipos de rifles e espingardas foram abandonadas após a oposição de agricultores e caçadores.


O ataque que motivou as restrições ocorreu em abril de 2020, quando um homem de 51 anos, disfarçado com uniforme policial e dirigindo um carro de polícia falso, matou 22 pessoas em uma agressão que durou 13 horas. Ele foi morto pela polícia em um posto de gasolina a cerca de 90 km do local dos primeiros assassinatos.


O pior massacre em uma escola do Canadá ocorreu em dezembro de 1989, quando um atirador matou 14 estudantes e feriu 13 na Escola Politécnica de Montreal, em Quebec, antes de cometer suicídio.


Reuters e AFP

PRF inicia Operação Carnaval 2026 em Mato Grosso do Sul

 



A PRF (Polícia Rodoviária Federal) inicia na próxima sexta-feira, dia 13 de fevereiro, a Operação Carnaval 2026 em Mato Grosso do Sul, que segue até a Quarta-feira de Cinzas (18).


Em Mato Grosso do Sul, policiais rodoviários federais atuarão a partir de nove Delegacias e 24 Unidades Operacionais, reforçando o policiamento em mais de 4 mil quilômetros de rodovias federais, distribuídos em 11 rodovias que atravessam o estado, com o objetivo de garantir a segurança e a fluidez do trânsito nas rodovias.


A operação tem como temática central o combate à alcoolemia, principal fator associado aos sinistros de trânsito mais graves.


Durante o período da operação, equipes da PRF estarão posicionadas em locais com maior fluxo de veículos. As ações priorizam o enfrentamento à embriaguez ao volante, além de outras condutas de risco, como excesso de velocidade e ultrapassagens proibidas.


Restrição de tráfego


No Mato Grosso do Sul, não haverá restrição de tráfego no feriado de carnaval. 


Dicas de segurança da PRF:


A PRF orienta que, antes de viajar, os condutores verifiquem as condições do veículo, com atenção especial aos itens de segurança, como freios, pneus e sistemas de iluminação e sinalização. A viagem deve ser planejada para evitar longos períodos de condução ininterrupta, respeitando pausas de descanso, especialmente após quatro horas ao volante.


Todos os ocupantes do veículo devem utilizar o cinto de segurança, e crianças devem ser transportadas em dispositivos de retenção adequados, conforme a legislação. Bagagens devem ser acomodadas em compartimentos próprios, evitando riscos em caso de acidentes.


Os motoristas devem respeitar a sinalização, os limites de velocidade e realizar ultrapassagens somente em locais permitidos e com segurança. A PRF alerta que ultrapassagens mal executadas estão entre as principais causas de mortes nas rodovias federais. Em caso de chuva, é fundamental reduzir a velocidade, manter os faróis acesos e aumentar a distância de segurança entre os veículos.


Em situações de emergência, a orientação é acionar a PRF pelo telefone 191.

Homem morre no Hospital da Vida após engasgar com pedaço de carne

 



Um homem de 62 anos, identificado como Vilmar Rodrigues Oliveira, morreu no Hospital da Vida, nesta terça-feira (10) em Dourados.


Segundo o boletim de ocorrência, Vilmar estava em sua residência, localizada na Rua Continental, no Jardim Piratininga, quando se engasgou com um pedaço de carne.


Ele chegou a ser socorrido e permaneceu internado na unidade hospitalar, mas não resistiu as complicações e morreu. 

Sem vencer no Brasileiro, Vasco pega o Bahia em São Januário

 

                                                    São Januário será o palco do duelo entre Vasco e Bahia (Foto: Divulgação/SCI)


Vasco e Bahia se enfrentam às 21h30 (de Brasília) desta quarta-feira, em São Januário, em jogo válido pela 3ª rodada do Campeonato Brasileiro. TV Globo e Premiere transmitem a partida. 


O time carioca ainda não venceu no Brasileirão. A estreia da equipe comandada por Fernando Diniz terminou com derrota de virada para o Mirassol, fora de casa.


Na sequência, a estreia vascaína em São Januário culminou em um empate frustrante em 1 a 1 com a Chapecoense, com gol sofrido nos acréscimos do segundo tempo.


Invicto na temporada, o Bahia vem de empates contra o Juazeirense, pelo Campeonato Baiano, e Fluminense, pela segunda rodada do Campeonato Brasileiro.


Para ampliar a série sem perder, o Tricolor conta com os seus principais jogadores descansados, já que foram poupados na última partida pelo Estadual.


Vasco - Técnico: Fernando Diniz

A direção vascaína apresentou nesta terça-feira Cuiabano e Claudio Spinelli, últimos dois reforços contratados na janela de transferências. Diniz ainda não contará com o lateral contra Bahia, mas o atacante deve ser relacionado. O treinador terá a chance de repetir a escalação que iniciou a partida contra a Chapecoense.


Provável time do Vasco: Léo Jardim; Puma Rodríguez (Paulo Henrique), Cuesta, Robert Renan, Lucas Piton; Barros, Thiago Mendes; Andrés Gómez, Coutinho, Nuno Moreira; Brenner


Bahia - Técnico: Rogério Ceni

Rogério Ceni conta com o retorno de Michel Araújo, que cumpriu suspensão contra o Fluminense. Além dele, o treinador vai ter o centroavante Everaldo, recém-contratado e que estreou no empate pelo Estadual. A equipe titular, contudo, deve ser a mesma que empatou com o Flu na última rodada.


Provável escalação: Ronaldo; Gilberto, David Duarte, Ramos Mingo e Luciano Juba; Nicolás Acevedo, Everton Ribeiro e Jean Lucas; Ademir, Erick Pulga e Willian José


(Com ge)

Tereza Cristina assume Conselho do Agronegócio da Fiesp

 


Reunião presidida por senadora discute geopolítica e economia, com destaque para acordo Mercosul-União Europeia, desafios estruturais e competitividade do setor



“Os efeitos da geopolítica mundial no agronegócio brasileiro” foi o tema da reunião de abertura dos trabalhos anuais do Conselho Superior do Agronegócio (Cosag) da Fiesp, realizada na segunda-feira (9/2). Presidido pela senadora Tereza Cristina (PP-MS), o Cosag é um dos maiores conselhos temáticos da entidade.


Diante de uma plateia de cerca de 100 participantes, a vice-presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) no Senado destacou que o Acordo Mercosul-União Europeia, assinado em janeiro de 2026, pode trazer benefícios ao Brasil, embora esteja longe do ideal. “Esse não é, nunca foi, o acordo dos nossos sonhos, mas é o acordo possível. Ainda estamos distantes de uma pauta de livre comércio, mas já é um começo”, afirmou.


Segundo a senadora, o modelo atual prevê um acordo comercial provisório, acompanhado de salvaguardas consideradas desproporcionais e sem precedentes no histórico de tratados firmados pela União Europeia. Tereza Cristina era ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) à época das negociações iniciais.


Ela observou que produtos brasileiros, como a carne bovina, já exportam volumes superiores ao limite de 5% previsto nos gatilhos automáticos dessas salvaguardas, o que amplia o risco de acionamento quase imediato. “Não há dúvidas de que as práticas protecionistas continuam no horizonte. Governos e setores produtivos terão de lidar, além das questões domésticas, com essa nova realidade da geopolítica mundial”, ressaltou.


Entre os desafios para 2026, a senadora citou a reforma tributária, os juros elevados e o alto endividamento do setor. “Não podemos nos esquecer da explosão de pedidos de recuperação judicial no agro”, acrescentou.


Ao encerrar, Tereza Cristina afirmou que, sob sua presidência, o Cosag seguirá a linha do trabalho desenvolvido por Jacyr Costa, ex-presidente do conselho, mantendo-se como referência da agroindústria nacional. “Para que possamos contribuir com esse setor, que é o mais pujante da economia brasileira”, concluiu.


Em sua exposição, o ex-ministro da Agricultura (1998-1999) Francisco Turra afirmou que o agronegócio brasileiro é fundamental para garantir o abastecimento alimentar e promover energia limpa no mundo. Ele destacou que a produção de grãos no Brasil saltou de 75 milhões de toneladas, há 25 anos, para 370 milhões de toneladas atualmente.


Turra também ressaltou a liderança do país em energia limpa, com uso de fontes hídricas, eólicas e solares, reforçando o papel do Brasil na transição energética e na redução das emissões de carbono.


Para ele, o Acordo Mercosul-União Europeia é um instrumento estratégico para o setor. “A expansão dos serviços no agro facilita o acesso a novas tecnologias e aumenta a competitividade no mercado internacional”, afirmou.


Na avaliação de Turra, logística, complexidade tributária, seguro rural e jornada de trabalho estão entre os principais desafios estruturais e operacionais do agronegócio, com impacto direto na competitividade e nos custos.


O ex-ministro Roberto Rodrigues (2003-2006) também apontou problemas internos e externos considerados graves, como os custos de produção, a situação fiscal e a ausência de estratégia de longo prazo. No cenário internacional, destacou o protecionismo de nações industrializadas e as crescentes exigências relacionadas à segurança alimentar.


Encerrando a reunião, o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, afirmou que os 19 conselhos temáticos da entidade devem contribuir para trazer os grandes temas nacionais para o centro do debate institucional. “Precisamos, como sociedade, estar unidos e fortes para dar nossa contribuição ao Brasil”, declarou.


Homenagens


O empresário João Guilherme Ometto, um dos fundadores da Associação Brasileira de Agribusiness (Abag), e o ex-ministro Roberto Rodrigues foram nomeados presidentes de honra do Cosag.


Além disso, Roberto Rodrigues recebeu a Ordem do Mérito Industrial São Paulo, criada pela Resolução nº 4, de 5 de abril de 2007, destinada a condecorar personalidades e instituições, nacionais ou estrangeiras, que se tenham tornado dignas de reconhecimento ou da admiração da indústria.


Leia aqui a íntegra do discurso de posse da senadora Tereza Cristina


Bom dia a todos,


É com muita satisfação e alegria que abro esta nossa primeira reunião de 2026 – um ano relativamente curto, pois teremos eleições majoritárias no segundo semestre, e, por isso mesmo, um ano de expectativas e incertezas, que podem se refletir em instabilidades no mercado.


Hoje vamos debater os efeitos da geopolítica mundial no agronegócio brasileiro, é este o nosso tema, depois de um 2025 em que o tarifaço dos Estados Unidos sacudiu o comércio mundial.


Com o recuo, felizmente, de boa parte das tarifas impostas ao Brasil, estamos numa situação menos desconfortável, mas não há dúvidas de que as práticas protecionistas continuam no horizonte – e governos e setores produtivos terão de lidar, além das questões domésticas,  com essa nova realidade da geopolítica mundial.


Também sob influência do aumento de tarifas determinado pelo presidente Donald Trump, que penalizou praticamente todos os parceiros comerciais dos norte-americanos, inclusive os europeus, tivemos, finalmente, há poucas semanas, o desfecho do Acordo Mercosul-União Europeia. Um tratado aguardado há 25 anos e fechado em 2019, em Bruxelas, quando eu estava à frente do Ministério da Agricultura.


Sabemos que continua forte a resistência dos que temem, sobretudo, a pujança do agronegócio brasileiro. Como último recurso, os derrotados no Parlamento Europeu conseguiram submeter os temos do Acordo à avaliação do Tribunal de Justiça da UE, que, entretanto, não tem poder de veto.


Informes diplomáticos indicam que, enquanto os juízes analisam, as partes interessadas poderiam avançar em suas negociações comerciais – e eventualmente realizar, posteriormente, ajustes que venham a ser sugeridos pelo Tribunal. Ou seja: o Acordo Mercosul-UE não está paralisado ou inviabilizado.


Os países, como o Brasil, que desejam agilizar as transações comerciais, precisam, primeiramente, aprovar o acordo em seus respectivos parlamentos. Como vice-presidente da Comissão de Relações Exteriores (CRE) no Senado, estarei empenhada nesta tarefa. Infelizmente, os termos do tratado são pouco conhecidos pelos senadores e deputados – e teremos de debater, ainda que com celeridade, esse assunto. 


Eu, que acompanho as tratativas e as idas e vindas desde 2019, tenho dito que esse não é e nunca foi o acordo dos nossos sonhos, mas o acordo possível. Ele abre portas, eleva a régua das exportações, e estabelece cotas, no caso do agro, pequenas. Ou seja: ainda estamos distantes de uma pauta de livre comércio.


É claro que o acordo é um avanço, mas foram colocadas, na última hora, salvaguardas contra o agro, como os limites de 5% para aumento de exportações, que precisam ser esclarecidas antes da aprovação do Acordo no Congresso.


Na prática, essas novas restrições, no caso da carne bovina, por exemplo, impõem volumes menores do que os já exportados hoje. Ou seja, fica a pergunta: que Acordo é esse? Criamos um grupo na CRE do Senado para analisar e responder a essas incongruências.


Além disso, continuam as velhas desconfianças e ameaças injustas ao agronegócio, algumas travestidas de exigências ambientais. Felizmente temos hoje na prateleira, se precisarmos usar, a Lei da Reciprocidade Comercial, aprovada no ano passado e da qual fui relatora.


Em resumo, o Acordo Mercosul-UE, que envolve um mercado consumidor de mais de 700 milhões de pessoas e um PIB conjunto de mais de US$ 22 trilhões, não pode ser desprezado porque abre novas perspectivas comerciais para o Brasil. E traz alternativas para nossas exportações justamente quando temos de ultrapassar uma conjuntura protecionista global.


Ao contrário do que pode imaginar o senso comum, quando falamos de exportações do agronegócio, temos de falar São Paulo. É pela importância do agro paulista, sobretudo da agroindústria, que temos esse Conselho Superior do Agronegócio instalado nesta Federação das Indústrias do Estado mais desenvolvido do país.


O agro paulista é vice-campeão em exportações, alcançando mais de US$ 26 bilhões até novembro último, fruto de investimentos do Estado em ciência, infraestrutura, desburocratização e competitividade.


Segundo números da Secretaria Estadual da Agricultura, as vendas externas do setor representaram 40,6% de tudo o que o Estado exportou em 2025. No cenário nacional, São Paulo manteve posição de destaque e respondeu por 17% das exportações do agronegócio do país, ocupando o segundo lugar no ranking, atrás apenas de Mato Grosso, que registrou 17,3%.


Mais uma vez, e mesmo com forte redução, o complexo sucroalcooleiro, que enfrenta desafios, liderou a pauta de exportações do agro paulista. As exportações de janeiro a novembro registraram altas em café, carnes e soja; açúcar, produtos florestais e sucos tiveram recuo.


O setor sentiu, também em São Paulo, no segundo semestre, o impacto do tarifaço de Trump. A China segue como principal destino das vendas do agro paulista, com 24,4% de participação, seguida pela União Europeia (14,3%) e pelos Estados Unidos (11,8%).


A queda foi parcialmente compensada por novos destinos de exportação, como México, Canadá, Argentina e União Europeia, um movimento que ocorreu em todo o país. Ainda seguimos com alguns produtos sobretaxados, mas há uma expectativa, a médio prazo, de normalização de contratos e exportações com os Estados Unidos.


Nós continuaremos a ser, em 2026, o país das supersafras. No cenário nacional, a última projeção da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima que a safra de grãos de 2025/2026 deve atingir 353,1 milhões de toneladas. O quarto levantamento, divulgado em 15 de janeiro, mostra uma redução de 1,26 milhões de toneladas no comparativo com os dados projetados em dezembro. 


Mas, em relação à safra 2024/2025, o número é 0,3% maior. A estabilidade ainda configura esse ciclo como recorde. A área semeada prevista é de 83,8 milhões de hectares, representando uma alta de 2,6%. Já a produtividade deve ter uma queda de 2,2%. 


Uma das culturas responsáveis pela queda na projeção foi a soja. As estimativas para a produção de algodão, milho, arroz, feijão e trigo também apresentam queda, em alguns casos ligeira.


Segundo os analistas do agronegócio, a conjuntura doméstica, marcada, como já mencionamos, pelas eleições presidenciais, aliadas à provável manutenção do protecionismo nos mercados internacionais, cada vez mais seletivos e restritivos, (como vimos recentemente, no caso da China, com as importações de carne bovina), vão demandar grande atenção do setor, influenciando no crédito rural, nas margens de lucro e na competitividade das exportações.


É importante destacar ainda que a implantação da reforma tributária exigirá a adaptação do setor e maior vigilância da gestão financeira. Provavelmente continuaremos a conviver com o desafio dos preços internacionais, juros altos e endividamento elevados – não podemos nos esquecer da explosão de pedidos de recuperação judicial no setor.


Como podem ver, meus amigos, desafios não faltarão neste 2026. Mas estaremos prontos, com a resiliência que tem o agro brasileiro, para debatê-los e enfrentá-los a partir deste tão qualificado Conselho. Quero agradecer a todos os conselheiros, em especial ao meu antecessor e querido amigo, Jacyr Costa Filho, pela acolhida e pela confiança. Também quero agradecer, mais uma vez, ao presidente Paulo Skaf pelo convite. Por fim, quero dizer que estou pronta para ouvir todos vocês e para agirmos juntos, sempre em favor do Brasil. Muito obrigada a todos.


Com informações do site da Fiesp