terça-feira, 12 de maio de 2026

Lula assina MP que zera imposto da 'taxa das blusinhas' a cinco meses da eleição

 

                                              Presidente Lula durante cerimônia de lançamento do Programa Reforma Casa Brasil, no Palácio do Planalto, em outubro de 2025 - Pedro Ladeira - 20.out.25/Folhapress

  • Tema era alvo de debate interno entre alas do governo; ministros do Planalto defendiam revogação

  • Imposto gerou R$ 1,7 bi para caixa do governo até abril, e perda pode ser compensada por ganhos com alta do petróleo, diz Instituição Fiscal Independente



O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) assinou nesta terça-feira (12) uma MP (Medida Provisória) que zera o imposto federal conhecido como "taxa das blusinhas".


A MP e a portaria que regulamenta a revogação da taxa devem ser publicadas em edição extra do Diário Oficial da União e têm efeito imediato.


O anúncio foi feito de última hora no Palácio do Planalto, antes da ida do petista à posse do novo presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), Kássio Nunes Marques.


A chamada "taxa das blusinhas" entrou em vigor em 2024 por meio de lei que estabeleceu a taxação em 20% (em impostos federais) para compras internacionais de até US$ 50 (R$ 245 em valores de hoje) em plataformas internacionais como Shein, Shopee e AliExpress.


A MP não altera a tributação cobrada pelos estados sobre essas encomendas. O ICMS incidente atualmente é de 17% a 20%.


O anúncio foi feito pelos ministros Miriam Belchior (Casa Civil), Bruno Moretti (Planejamento e Orçamento) e pelo secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Rogério Ceron.


Convocado de última hora, o comunicado sobre a revogação ocorre a cinco meses das eleições presidenciais. Desde 2024, quando a lei originária do Congresso Nacional foi sancionada, o tema sofreu críticas de partes da população por taxar compras de pequenos valores.


"O que importa mesmo, presidente, é que são produtos de consumo popular", disse Moretti, durante o anúncio. "Os números mostram que a maior parte das compras é de pequeno valor, então o que senhor está fazendo é retirar impostos federais do consumo popular, das pessoas mais pobres, então o senhor está melhorando o perfil da nossa tributação."


No anúncio, a ministra da Casa Civil direcionou uma fala à primeira-dama, Janja da Silva, ao abordar preconceitos de gênero associados a compras online.


"Muito se fala da taxa das blusinhas, que embute duas informações incorretas, a primeira, Janja, parece que é só mulher que compra nesses sites e não é verdade. Tem muita criança que acaba pegando pequenos selinhos, canetinhas, etc, mas também homem que compra um monte de capa de celular, etc. Essa é uma questão que a Janja está aqui pedindo pra reforçar", disse.


Segundo Marcus Pestana, diretor-executivo da IFI (Instituição Fiscal Independente, órgão ligado ao Senado), de janeiro a abril deste ano a taxa das blusinhas arrecadou cerca de R$ 1,7 bilhão. A projeção dele é que, em 2026, a cobrança sobre o consumo alcançasse um valor entre R$ 5 bilhões e R$ 6 bilhões.


Ele afirma que o governo tem se beneficiado fiscalmente da alta do preço do petróleo, que subiu em decorrência da guerra entre os Estados Unidos e o Irã. Mesmo com os subsídios aos combustíveis fósseis para compensar o consumidor, há uma folga fiscal inesperada.


Pestana diz que o propósito da taxa, no entanto, não era apenas arrecadar dinheiro, mas também proteger parte da indústria brasileira.


O tema vinha sendo motivo de racha dentro do governo. Ministros do Palácio do Planalto como Guilherme Boulos (Secretaria-Geral) e José Guimarães (Relações Institucionais) se manifestavam a favor de revogar a taxa. Ambos estiveram presentes na assinatura desta terça, que também teve a presença da ex-ministra da articulação política Gleisi Hoffmann.


Em paralelo, alas como o Mdic (Ministério da Indústria e Comércio) resistiam, e defendiam a manutenção do imposto. O titular da pasta, Márcio Elias Rosa, e Geraldo Alckmin, vice-presidente e ex-chefe do ministério, estiveram presentes durante a assinatura.


O ministro Dario Durigan (Fazenda) estava em uma audiência na Câmara dos Deputados quando Lula anunciou a assinatura da MP.


Ao deixar o plenário onde foi ouvido sobre a PEC (Proposta de Emenda à Constituição) do fim da 6x1, Durigan não quis comentar a decisão e afirmou que só abordaria o assunto após conversar com o presidente.


"Estou terminando aqui uma audiência, uma conversa prática em que a gente falou da 6x1. Estou voltando para o Planalto, falo com o presidente e falo na sequência sobre isso", disse.


O chefe da equipe econômica disse que a pasta trabalhou na medida, mas disse que não responderia qual a previsão de renúncia fiscal com a isenção do imposto antes de falar com Lula no Planalto.


Colaborou Felipe Gutierrez, de São Paulo

Mariana BrasilFernanda BrigattiFolha de São Paulo

Nutricionistas rebatem críticas e defendem consumo de arroz com feijão

 

                                           A combinação de arroz com feijão fornece aminoácidos essenciais e, juntos, formam uma proteína de alto valor biológico, que contribui para construção e reparação dos tecidos, além de fortalecer os músculos, entre outras ações - Keiny Andrade/Folhapress

  • Combinação fornece aminoácidos essenciais que formam proteínas de alto valor biológico

  • Técnica do remolho por 12 horas remove substâncias que causam gases e desconfortos


Símbolo da alimentação brasileira, a combinação de arroz com feijão virou tema de debate nas redes sociais, onde passou a ser chamada por alguns de "ração do governo." A classificação, porém, não tem respaldo científico. Há evidências de que a dupla pode ser incluída em um cardápio saudável, já que oferece energia, proteínas, fibras, vitaminas, sais minerais e fitoquímicos.


O feijão, inclusive, pode ser um aliado no controle do peso, como mostra trabalho publicado no periódico Nutrition Journal. Já o arroz integral se destacou em um estudo na revista Food & Function por seus compostos de ação antioxidante.


"Além de se tratar de alimentos amplamente cultivados e de custo acessível, eles [arroz e feijão] são nutricionalmente riquíssimos, especialmente quando consumidos em conjunto", observa a nutricionista Gabriela Mieko Yoshimura, do Espaço Einstein Esporte e Reabilitação, do Einstein Hospital Israelita.


Relatos dão conta de que os povos originários já apreciavam os feijões bem antes dos portugueses aportarem por aqui. O arroz tornou-se mais popular no século 18, quando teria nascido a junção da dupla. "Um prato com arroz e feijão, quando bem planejado, oferece saciedade e energia que sustentam o organismo ao longo do dia", enfatiza Gabriela Yoshimura. E a dupla pode aparecer tanto no almoço quanto no jantar.


Nas redes, nutricionistas rebatem o argumento de que essa combinação seria prejudicial. "Têm sido propagadas por perfis que defendem padrões alimentares com alto consumo de proteína animal e excesso de carne vermelha, caso da ‘Dieta da Selva’", comenta o nutricionista Carlos Eduardo Haluch, coordenador de pós-graduação da União de Ensino Superior do Iguaçu (Uniguaçu). "Um movimento para chamar a atenção e trazer engajamento, atraindo mais público."


Por que comer arroz e feijão

Um dos atributos mais reconhecidos é que a dupla fornece aminoácidos essenciais, moléculas que formam proteínas e que nosso corpo precisa obter via alimentação. Enquanto o arroz contém mais metionina, o feijão é rico em lisina. Juntos, se complementam formando uma proteína de alto valor biológico, que contribui para construção e reparação dos tecidos, além de fortalecer os músculos, entre outras ações.


Mas isso não significa que você precisa comer todo dia o mesmo. Há diferentes tipos de arroz, por exemplo. "O integral contém fibras, vitaminas, sais minerais e compostos antioxidantes, enquanto o branco perde boa parte desses nutrientes", analisa Haluch.


"Já o parboilizado passa por um processo hidrotérmico antes do polimento, fazendo com que parte dos nutrientes da casca migre para o interior do grão", comenta Gabriela Yoshimura. Tem também o arroz vermelho e o preto, ambos ricos em antioxidantes.


O feijão, por sua vez, é reconhecido como uma das melhores fontes proteicas no reino vegetal. "E diversos estudos mostram que priorizar proteínas vegetais, reduzindo as de origem animal, contribui para a saúde cardiovascular", afirma o nutricionista. Também dá para variar no dia a dia, alternando entre preto, carioca, branco, vermelho, fradinho e demais.


"A diversidade é incrível, mas o carioca tem sido o mais consumido no Brasil, com perfil nutricional equilibrado e sabor que se adapta às nossas preparações tradicionais", destaca a especialista do Einstein.


Independentemente da escolha, é crucial adotar a técnica do remolho, que consiste em deixar o feijão de molho por 12 horas, trocando a água várias vezes. Essa estratégia remove substâncias por trás de desconfortos como gases e reduz compostos antinutricionais, que interferem com a absorção de sais minerais, por exemplo.


Saiba mais sobre as vantagens de comer mais arroz com feijão:


Contém vitaminas do complexo B

Na versão integral, o arroz oferece as vitaminas B1, B2, B6, entre outras integrantes do complexo B, micronutrientes associados à disposição e ao humor. Já os feijões ofertam a B9, mais conhecida como folato. Essa vitamina aparece em estudos como aliada contra males cardiovasculares; na gravidez, atua na prevenção de malformação fetal.


Oferta de ferro e outros minerais

O feijão é conhecido por concentrar ferro e zinco, minerais indispensáveis ao combate da anemia e favorecem o sistema imunológico, entre outras funções. Nos vegetais, o ferro aparece no formato chamado não heme, e precisa de vitamina C para ser melhor absorvido e aproveitado no nosso corpo. Por isso, quando comer feijoada, não dispense aquela laranja.


No arroz, um dos destaques entre minerais é o magnésio, um micronutriente que atua na transmissão de impulsos nervosos e na produção de neurotransmissores do bem-estar, daí a relação com a melhora no sono.


Fonte de carboidrato

Assim como outros integrantes da família dos cereais, o arroz concentra carboidrato —o feijão também, mas em menor quantidade. Trata-se da principal fonte de energia do organismo e é fundamental para o funcionamento do sistema nervoso central. Na medida certa, ajuda a preservar a massa magra, resguardando a musculatura.


Contribui com fibras

As fibras insolúveis vindas da dupla, tanto do arroz integral quanto as encontradas nas cascas dos feijões, são aliadas contra a prisão de ventre. Elas colaboram para a formação do bolo fecal e ajudam nas contrações, facilitando o trânsito intestinal. Mas, para assegurar esse benefício, é importante tomar água ao longo do dia.


Além delas, o feijão oferece as fibras solúveis. Há evidências de que elas incrementem a microbiota intestinal, com o aumento na população de bactérias do bem. Esse mecanismo repercute na imunidade e até no humor.


Fornece antioxidantes

Tanto arroz quanto feijão oferecem polifenóis, grupo com propriedades antioxidantes. Eles ajudam a neutralizar os radicais livres, moléculas que, em excesso, causam danos celulares. O arroz, sobretudo o integral, oferece o ácido ferúlico, que também aparece em outros cereais.


Já as antocianinas são os polifenóis presentes nos feijões, especialmente o tipo preto. São pigmentos que conferem aquela coloração arroxeada ao caldo e há indícios de que favoreçam a saúde cerebral.

Regina Célia Pereira

Agência Einstein

Centelha MS ganha novo prazo para inscrições de ideias inovadoras

 

                                               Divulgação



A Fundect (Fundação de Apoio ao Desenvolvimento do Ensino, Ciência e Tecnologia do Estado de Mato Grosso do Sul) prorrogou o prazo de inscrições para a terceira edição do Programa Centelha MS. Agora, os interessados terão até as 18h (horário de Brasília), do dia 25 de maio de 2026 para submeter suas propostas inovadoras. A prorrogação foi publicada no Diário Oficial do Estado desta segunda-feira (11).


Com a ampliação do prazo, pesquisadores, professores, empreendedores, inventores e empresas nascentes ganham mais tempo para transformar ideias inovadoras em oportunidades de negócio e participar de um dos principais programas de incentivo ao empreendedorismo tecnológico do país.


O Programa Centelha tem como objetivo estimular a criação de empreendimentos de base tecnológica e fortalecer o ecossistema de inovação sul-mato-grossense. Em Mato Grosso do Sul, a iniciativa é executada pela Fundect, vinculada à Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc), com apoio do Sebrae MS, Fiems-Senai, Fecomércio-Senac, Ecossistema de Inovação e o Conselho de Reitores das Instituições de Ensino Superior de Mato Grosso do Sul (CRIE-MS).


Coordenado nacionalmente pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), por meio da Finep, em parceria com o CNPq, Confap e Fundação CERTI, o programa busca apoiar ideias inovadoras em diferentes áreas do conhecimento e incentivar a geração de novos negócios.


Nesta terceira edição, o Centelha MS prevê a seleção de até 47 propostas, com investimento total de R$ 6,5 milhões. Cada projeto poderá receber até R$ 89,6 mil em recursos de subvenção econômica (modalidade que não exige reembolso) além de até R$ 50 mil em bolsas de fomento tecnológico e extensão inovadora concedidas pelo CNPq.


Podem participar pessoas físicas com ideias inovadoras, além de empresas com até 12 meses de existência. As inscrições devem ser realizadas exclusivamente pelo site do programa: Programa Centelha MS.


Nas duas edições anteriores, o Programa Centelha selecionou 79 startups em Mato Grosso do Sul, com investimento superior a R$ 5,9 milhões. Para esta edição, a expectativa é alcançar mil propostas inscritas, ampliando ainda mais o alcance da iniciativa e incentivando o desenvolvimento de soluções inovadoras no Estado.


O edital do Centelha pode ser conferido na íntegra nesta página.

Funsat promove entrevistas imediatas hoje (13)

 



O Emprega CG realiza, nesta quarta-feira, dia 13 de maio, uma edição especial em alusão ao “Mês do Trabalhador”. O evento acontece na sede da Funsat (Fundação Social do Trabalho), reunindo representantes de 19 empresas para o recrutamento de candidatos em 500 vagas de emprego.


No formato já consagrado de “Feirão”, a ação promove entrevistas imediatas das 8h às 12h, além da atualização de cadastros no banco de talentos da Fundação.


Entre as oportunidades disponíveis estão vagas para operador de caixa, atendente de balcão de farmácia, auxiliar de limpeza, auxiliar de linha de produção, atendente de frios e laticínios, motorista, motorista entregador, auxiliar administrativo, atendente de telemarketing, operador de processo de produção e vendedor. Para nenhuma das funções será exigida experiência anterior dos candidatos.


O sistema de atendimento do Feirão prioriza abordagens rápidas, com histórico médio de cinco minutos por atendimento, reduzindo o tempo de espera entre a retirada da senha e a entrevista com os analistas de Recursos Humanos das empresas participantes.


A recomendação é que os candidatos compareçam munidos de RG, CPF e comprovante de residência atualizado em 2026.


A sede da Funsat está localizada na Rua 14 de Julho, 992, na Vila Glória, onde funciona, no piso térreo, a principal unidade da Agência de Empregos da Fundação, vinculada ao Ministério do Trabalho e Emprego do Governo Federal.


Além da sede, a Funsat também mantém atendimento em outros pontos da cidade, como o Polo Funsat Moreninhas, na Rua Anacá, 699, além de unidades instaladas na Semu (Secretaria-Executiva de Políticas Públicas para Mulheres) e na Sejuv (Secretaria Municipal da Juventude).


Ao longo do ano, o Emprega CG promove ações itinerantes de recrutamento, eventos temáticos e parcerias institucionais para ampliar o acesso da população ao mercado de trabalho. Em 2025, o programa já contribuiu para o encaminhamento de cerca de 2.500 candidatos, por meio de 71 ações realizadas em dez meses, sendo 47 delas fora da região central de Campo Grande.


Serviço


Emprega CG – Mês do Trabalhador

Evento do circuito nacional do Sine com 500 vagas


19 empresas com recrutadores presentes

Entrevistas imediatas

Data: quarta-feira, 13 de maio

Horário: das 8h às 12h

Local: Sede da Funsat (Piso Térreo)

Endereço: Rua 14 de Julho, 992 – Vila Glória


Candidatos devem apresentar comprovante de residência e documentos pessoais (RG e CPF). Só poderão concorrer às vagas trabalhadores com perfil atualizado no banco de talentos.

Aulas gratuitas de Breaking retornam ao Parque Ayrton Senna

 

                                             Divulgação



Serão retomadas a partir da próxima semana (20), no Parque Ayrton Senna, as aulas gratuitas de Breaking e Danças Urbanas. As atividades acontecem às quartas-feiras, das 19h às 20h20, e aos sábados, das 15h30 às 17h. 


As aulas são abertas para todas as idades e para participar é necessário realizar inscrição prévia comparecendo diretamente no local, que fica na Rua Jorn. Valdir Lago, 512, no bairro Aero Rancho. 


O curso é ofertado pela Secretaria Executiva da Juventude (Sejuv), e é ministrado pelo professor Kadux, que recentemente conquistou o 1º lugar no Festival Vale das Ruas, realizado entre os dias 1º e 3 de maio, em Nova Andradina. 


O evento reuniu mais de 11 grupos de diferentes estados brasileiros e é considerado uma das principais competições de danças urbanas da região. Ao lado do filho, de apenas 10 anos, Kadux garantiu o título nas categorias Grupo e Duo, somando R$ 4,6 mil em premiação. 


A conquista entrou para a história da cultura urbana sul-mato-grossense: é a primeira vez que o Breaking alcança o lugar mais alto do pódio em competições coreográficas de danças urbanas no Estado. 


“Conquistar o primeiro lugar é gratificante por saber que meu trabalho tem dado resultados. Representar o Breaking no Mato Grosso do Sul com competições coreográficas e mostrar que a modalidade vai além de cyphers e batalhas, ela também pode estar nos palcos de grandes eventos”, afirmou. 


A participação ao lado do filho tornou a vitória ainda mais significativa. “Sobre ver meu filho sendo um dos maiores representantes do Breaking Kids, é um sonho sendo realizado por ambas as partes. Eu sempre o incentivei a praticar esporte, e ele sempre me acompanhou nas apresentações, aulas e trabalhos relacionados à cultura Hip Hop”, destacou. 

Brasil tenta reverter veto da União Europeia à carne e animais brasileiros

 

                                             Foto: Pixabay



Governo diz receber decisão “com surpresa”

O governo brasileiro afirmou nesta terça-feira (12) ter recebido “com surpresa” a decisão da União Europeia de retirar o Brasil da lista de países autorizados a exportar produtos de origem animal destinados ao consumo humano para o bloco europeu a partir de setembro deste ano. A manifestação foi feita em nota conjunta divulgada pelo Ministério das Relações Exteriores, pelo Ministério da Agricultura e Pecuária e pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.



“O governo brasileiro recebeu, hoje (12/5), com surpresa, a notícia da retirada do Brasil da lista de países autorizados a exportar produtos de origem animal destinados ao consumo humano para a União Europeia, a partir de 3 de setembro de 2026”, informou o comunicado oficial.


Segundo o governo, a decisão ocorreu após votação realizada no Comitê Permanente para Plantas, Animais, Alimentos e Ração da Comissão Europeia, que aprovou uma atualização da lista de países habilitados. A nota destaca que, neste momento, as exportações brasileiras de produtos de origem animal seguem ocorrendo normalmente.


“O Governo do Brasil tomará prontamente todas as medidas necessárias para reverter essa decisão, voltar à lista de países autorizados, e garantir o fluxo de vendas desses produtos para o mercado europeu, para o qual exporta há 40 anos”, afirmou o comunicado.


O chefe da delegação brasileira junto à União Europeia já tem reunião marcada para esta quarta-feira (13) com autoridades sanitárias do bloco europeu para buscar esclarecimentos sobre a medida.


Na nota, o governo brasileiro ressaltou ainda que o país possui um sistema sanitário reconhecido internacionalmente e destacou a posição do Brasil como maior exportador mundial de proteínas de origem animal e principal fornecedor de produtos agrícolas ao mercado europeu.


Decisão da UE ameaça mercado de US$ 1,8 bilhão para o Brasil

 

                                              Foto: Pixabay



A retirada do Brasil da lista de países autorizados a exportar produtos de origem animal para a União Europeia acendeu um alerta no setor agropecuário. A medida, comunicada ao governo brasileiro nesta terça-feira (12/5), pode atingir um mercado que movimentou US$ 1,8 bilhão em 2025, segundo dados da Agrostat, sistema do Ministério da Agricultura. Apesar da preocupação, o MAPA e a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) reforçam que as exportações seguem normalmente e que a decisão só passaria a valer a partir de 3 de setembro de 2026.



Segundo a União Europeia, o Brasil ficou fora da atualização da lista por não ter apresentado garantias sobre a não utilização de antimicrobianos na pecuária, conforme informou a agência de notícias France Presse. O tema é sensível porque envolve regras sanitárias, acesso a mercados e a confiança internacional sobre os sistemas de controle de produtos de origem animal.


A decisão foi aprovada no âmbito do Comitê Permanente para Plantas, Animais, Alimentos e Ração da Comissão Europeia. Em nota oficial, o Ministério da Agricultura informou que recebeu a notícia “com surpresa” e destacou que, neste momento, os embarques brasileiros continuam ocorrendo normalmente.


O impacto potencial é relevante. A União Europeia é o segundo maior mercado para carnes brasileiras em valor, atrás apenas da China. Em 2025, o bloco comprou 368,1 mil toneladas de produtos brasileiros, com receita de US$ 1,8 bilhão. A carne bovina responde pela maior parte desse valor: foram US$ 1,048 bilhão em vendas e 128 mil toneladas embarcadas ao mercado europeu. O bloco é o terceiro maior destino da carne bovina brasileira, depois de China e Estados Unidos.


A carne de frango também aparece entre os produtos expostos à decisão. Em 2025, as exportações brasileiras de frango para a União Europeia somaram US$ 762 milhões, com volume de 230 mil toneladas. Outros produtos de origem animal, como o mel, também podem ser afetados. No ano passado, as vendas brasileiras de mel ao bloco europeu alcançaram US$ 6 milhões, com embarques de mil toneladas. Segundo a ABPA, o Brasil não exporta carne suína para a União Europeia.


O ponto central da controvérsia está nos antimicrobianos, substâncias usadas para tratar e prevenir infecções em animais. Alguns desses medicamentos também podem funcionar como promotores de crescimento. Para voltar à lista europeia, o Brasil terá de avançar em uma das frentes apontadas no material: restringir legalmente o uso dos medicamentos mencionados ou garantir que a carne exportada não contenha essas substâncias.


Na avaliação do governo brasileiro, há espaço para reverter a decisão antes que ela produza efeitos comerciais. O MAPA afirmou que tomará “prontamente todas as medidas necessárias” para que o país retorne à lista de autorizados e mantenha o fluxo de vendas ao mercado europeu, destino para o qual o Brasil exporta há 40 anos. O chefe da Delegação do Brasil junto à União Europeia tem reunião marcada para esta quarta-feira (13/5) com autoridades sanitárias do bloco para buscar explicações sobre a medida.


A ABPA também adotou tom de reação técnica. Em posicionamento oficial, a entidade informou que o Brasil, por meio do MAPA e com apoio do setor produtivo privado, prestará os esclarecimentos necessários à União Europeia sobre as diretrizes relacionadas aos antimicrobianos. A associação sustenta que o país cumpre integralmente os requisitos europeus, inclusive os regulamentos ligados ao tema.


A entidade ressaltou ainda que as exportações não estão suspensas. Segundo a ABPA, a lista de países em não conformidade ainda depende de publicação oficial e só entrará em vigor em 3 de setembro. Até lá, o setor pretende demonstrar que os protocolos exigidos pela União Europeia são atendidos pelas empresas brasileiras e fiscalizados pelo órgão oficial.


O setor produtivo também busca reforçar a imagem sanitária do país. Na nota, a ABPA afirma que o Brasil possui estruturas de controle produtivo, rastreabilidade, monitoramento veterinário e uso responsável de medicamentos, em linha com referências internacionais de saúde animal e segurança dos alimentos. O MAPA, por sua vez, destacou que o Brasil é o maior exportador mundial de proteínas de origem animal e tem sistema sanitário de qualidade internacional reconhecida.


Mesmo sem suspensão imediata, a decisão pressiona frigoríficos, exportadores, produtores e cadeias ligadas à proteína animal. O risco está na possibilidade de perda ou interrupção de acesso a um mercado de alto valor agregado, especialmente para a carne bovina, que tem na União Europeia um dos principais destinos em receita.


Nos próximos meses, o resultado das tratativas entre Brasil e União Europeia será decisivo para medir o tamanho do impacto. Se a medida for revertida antes de setembro, o efeito tende a ficar restrito à tensão diplomática e sanitária. Caso contrário, o agro brasileiro poderá enfrentar prejuízo em um mercado bilionário, com reflexos comerciais para carnes, produtos de origem animal e para a reputação sanitária do país no comércio internacional.