segunda-feira, 28 de setembro de 2026

Corpo é encontrado boiando no Rio Miranda

 

                                              O Pantaneiro




Populares encontraram o corpo de um homem boiando no Rio Miranda, entre os municípios de Anastácio e Bonito. O fato ocorreu no início da tarde de domingo (27/9). 


Segundo informações preliminares do portal O Pantaneiro, a vítima era conhecida na comunidade pelo apelido de “Japão”, também sendo chamada de “Mirtão Japonês”, porém, a identidade dele ainda não foi divulgada.


Após encontrarem o corpo, moradores o amarraram à margem do rio para evitar que fosse levado pela correnteza até a chegada das equipes responsáveis pelo atendimento da ocorrência.


Ainda não há informações oficiais sobre as circunstâncias da morte ou sobre o que teria acontecido antes de o homem ser encontrado na água. O caso está sob investigação.

China amplia importação de miúdos suínos do Brasil

 

                                                 Foto: Pixabay

Protocolo amplia acesso ao mercado chinês e pode gerar mais de US$ 100 milhões

O Brasil ampliou o acesso de miúdos suínos ao mercado chinês com a revisão do protocolo sanitário bilateral assinada neste sábado (26/9). A medida cria novas possibilidades comerciais para frigoríficos habilitados e pode direcionar mais de 100 mil toneladas anuais desses produtos à China.


A assinatura foi realizada pelo ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, e pelo embaixador da China no Brasil, Zhu Qingqiao. Segundo dados divulgados pelo Ministério da Agricultura e Pecuária no material apresentado, o acordo estabelece novos requisitos sanitários e de certificação para os estabelecimentos brasileiros interessados nas exportações.


As negociações definiram requisitos sanitários, regras de certificação e condições aplicáveis aos estabelecimentos brasileiros que pretendem exportar os produtos à China. Com o protocolo revisado, as empresas habilitadas deverão cumprir os requisitos acordados entre as autoridades sanitárias dos dois países para realizar os embarques.


O ministro André de Paula destacou a importância da medida para a cadeia produtiva. “Significa um capítulo importante na suinocultura brasileira, acesso ao mercado de mais de US$ 2,5 bilhões por ano, valorização da nossa produção e mais renda e emprego no campo e na indústria”, afirmou.


Segundo dados divulgados pelo material apresentado, a China é a maior produtora e consumidora de carne suína do mundo. Para o país asiático, a ampliação do acesso representa uma fonte adicional de alimentos, com a garantia do sistema sanitário brasileiro.


De acordo com estimativas da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), mais de 100 mil toneladas anuais de miúdos suínos brasileiros poderão ser destinadas ao mercado chinês com o novo acesso.


Segundo dados divulgados pela ABPA, o direcionamento desses produtos para um mercado de maior valor agregado pode gerar incremento superior a US$ 100 milhões em receita para o setor.


A ampliação também permite que produtos que apresentam menor valor comercial em outros destinos encontrem novas oportunidades de comercialização no mercado chinês.


O anúncio ocorreu no encerramento da auditoria chinesa em frigoríficos brasileiros, iniciada no dia 20. Segundo dados divulgados pelo material apresentado, técnicos chineses visitaram estabelecimentos de produção, fazendas, abatedouros e laboratórios oficiais em seis estados. As visitas envolveram estruturas relacionadas à produção de carnes bovina, suína e de aves.


O embaixador Zhu Qingqiao também destacou o impacto da medida para as relações comerciais entre os dois países. “Essa assinatura abre novas oportunidades para as exportações brasileiras ao mercado chinês. É mais um resultado concreto dos nossos esforços conjuntos e uma demonstração clara do dinamismo e vitalidade das cooperações agropecuárias entre os dois países”, afirmou.


Segundo dados divulgados pelo material apresentado, o agronegócio é considerado pelos dois países um pilar da relação bilateral. O embaixador afirmou ainda que a cooperação entre Brasil e China apresenta grande potencial. Ele também declarou que, desde 2008, a China é, há 18 anos consecutivos, o maior mercado de exportação dos produtos agrícolas e pecuários brasileiros.


Para Susan Kleebank, secretária de Ásia e Oceania do Ministério das Relações Exteriores (MRE), a medida representa “um exemplo da dinâmica ganha-ganha que caracteriza o relacionamento Brasil-China”.


Quais produtos suínos poderão ser exportados?


Atualmente, apenas alguns tipos de miúdos, como pés, orelhas, rabo, língua, focinho e máscara suína, estão autorizados para exportação à China, em razão do reconhecimento sanitário concedido à região pelas autoridades chinesas em relação à febre aftosa.


Segundo dados divulgados pelo material apresentado, em maio de 2025 o Brasil foi reconhecido pela Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA) como país livre de febre aftosa sem vacinação. Com a ampliação do protocolo, a lista de produtos autorizados passa a incluir músculo suíno congelado, desossado ou com osso, incluindo gordura, além de miúdos e coprodutos comestíveis congelados.


Também estão autorizados banha suína não refinada, composta apenas por gordura corporal e sem gordura proveniente das vísceras; línguas, máscara, focinho, orelhas, cauda e pés suínos inteiros. A relação inclui ainda pele, cartilagem — sem cartilagem derivada da garganta, glote ou vísceras —, estômagos, fígado, coração, rins, diafragma e ossos suínos.


Segundo dados divulgados pelo material apresentado, a China está entre os maiores mercados consumidores e importadores de produtos de origem suína no mundo, com importações de aproximadamente US$ 2,5 bilhões em miúdos suínos. A ampliação do protocolo aumenta o número de produtos brasileiros autorizados a entrar nesse mercado e cria novas oportunidades para estabelecimentos habilitados.


Além do impacto comercial, a medida aproxima a produção brasileira dos hábitos alimentares chineses. O consumo de miúdos faz parte da culinária do país e está presente tanto em restaurantes quanto nos lares.


Para a suinocultura brasileira, a ampliação do acesso abre espaço para direcionar produtos a um mercado de maior valor agregado e diversificar a pauta de exportações.


Com Tereza Cristina na linha de frente, Santullo intensifica campanha na reta final em MS

 


                                           Foto: Reprodução




Candidato a deputado estadual pelo PP aposta na presença nos municípios, na experiência de articulação política e na parceria construída com a senadora para chegar à Assembleia Legislativa


A poucos dias das eleições, Marco Aurélio Santullo (PP), o Santullo da Tereza, entra na reta final de sua primeira disputa eleitoral com uma campanha concentrada na mobilização dos municípios e na parceria política com a senadora Tereza Cristina (PP).


Depois de anos atuando nos bastidores da política e da administração pública, Santullo passou a percorrer Mato Grosso do Sul como candidato a deputado estadual, levando ao eleitorado uma trajetória ligada principalmente à articulação institucional e ao atendimento das demandas municipais.


Durante a campanha, Santullo participou de reuniões, encontros políticos e mobilizações com prefeitos, vereadores, produtores rurais, profissionais da educação, lideranças comunitárias e apoiadores de diferentes regiões do Estado.


O municipalismo tornou-se um dos principais eixos de seu discurso. A campanha apresenta como diferencial a experiência de Santullo na interlocução entre municípios, Governo do Estado e Brasília, especialmente no encaminhamento de demandas relacionadas a infraestrutura, saúde, educação, assistência social e setor produtivo.


A força política de Tereza


A ligação com Tereza Cristina ocupa posição central na estratégia eleitoral. A relação construída durante anos de trabalho conjunto chegou às urnas estampada no próprio nome utilizado pelo candidato: Santullo da Tereza.


Na reta final, Tereza Cristina ampliou sua participação e declarou publicamente apoio à candidatura de Santullo, reforçando a parceria política construída entre os dois.


Para a campanha, a presença da senadora também funciona como uma forma de apresentar Santullo aos eleitores que conhecem o trabalho desenvolvido por Tereza Cristina, mas ainda não tinham contato direto com aquele que durante anos atuou nos bastidores de sua equipe.


Santullo busca, assim, transformar em capital eleitoral uma trajetória até então muito mais conhecida entre prefeitos, vereadores, lideranças políticas e representantes dos setores produtivos do que pelo grande público.


Das articulações aos palanques


A campanha também representa uma mudança importante na trajetória de Santullo. Acostumado à articulação política, ele passou a ocupar pessoalmente os palanques, participar de caminhadas, reuniões e encontros e pedir o voto diretamente à população.


O candidato intensificou as agendas pelo interior justamente na fase decisiva da eleição. A estratégia procura ampliar sua presença fora de Campo Grande e fortalecer o discurso de que pretende ser, na Assembleia Legislativa, um interlocutor dos municípios.


Pesquisas divulgadas durante a campanha também registraram o nome de Santullo entre os citados espontaneamente para deputado estadual. Como ocorre com qualquer levantamento eleitoral, os números precisam ser analisados considerando metodologia, período de realização, amostra e margem de erro de cada pesquisa.


Hora de transformar articulação em votos


Com a chegada dos últimos dias de campanha, o desafio de Santullo é transformar a estrutura política construída ao longo dos anos, o apoio recebido de lideranças municipais e a presença de Tereza Cristina em votos nas urnas.


A campanha entra agora em sua etapa mais intensa, com agendas, reuniões e mobilizações voltadas à consolidação do nome do candidato entre os eleitores.


Para Santullo, a eleição de 2026 também representa um teste de uma trajetória construída longe dos holofotes. Depois de anos participando da articulação política e institucional nos bastidores, ele busca conquistar um mandato próprio e levar essa experiência para a Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul.


Nos últimos dias antes da votação, Santullo da Tereza aposta justamente nessa combinação: presença nos municípios, experiência política e a parceria com uma das principais lideranças do Progressistas no Estado, Tereza Cristina.

Orçamento de 2027 tem déficit de R$ 86 bilhões, diz IFI

 

                                              Foto Edison Rodrigues

"Sempre alertamos que Lula 3 patrocinou uma tal gastança que impactaria o próximo governo, qualquer que ele seja", destacou Tereza Cristina.


Em seu mais recente relatório de acompanhamento fiscal, a Instituição Fiscal Independente (IFI) analisa o projeto do Orçamento 2027 e avalia que o governo federal terá dificuldades para cumprir a meta de resultado primário de 2027. Com isso, a instituição prevê um significativo corte de despesas no ano que vem.


A meta de superávit primário de R$ 18,6 bilhões — que consta no projeto da Lei Orçamentária Anual (LOA) para 2027 — não deve ser cumprida, segundo os cálculos da IFI. Eles apontam na direção contrária: um déficit de R$ 86,1 bilhões. Por isso, o relatório prevê que o governo federal terá de congelar pelo menos R$ 35,7 bilhões em gastos ao longo do próximo ano para tentar cumprir formalmente a meta.


“Sempre alertamos que Lula 3 patrocinou uma tal gastança que impactaria o próximo governo, qualquer que ele seja”, destacou a líder do Progressistas, senadora Tereza Cristina (PP-MS). “Votei contra o arcabouço fiscal, lá atrás, em 2023, porque ele garantia a indexação das despesas, superestimava receitas e não trazia nenhuma ferramenta de austeridade”, completou.


Juros e dívidas

O relatório da IFI mostra que os juros continuam elevados, e uma das razões seria o crescimento da dívida pública. Na avaliação da IFI, o Brasil está em um ciclo difícil, pois o maior endividamento empurra os juros para cima, o que faz a dívida crescer ainda mais. Assim, o governo tem restrições orçamentárias, e não pode cortar despesas obrigatórias.


Os juros altos também influenciam no custo das dívidas da população, como o financiamento imobiliário, o cartão de crédito e o crédito consignado.


A dívida do setor público equivale atualmente a 82,5% do Produto Interno Bruto (PIB). Segundo a IFI, a porcentagem pode chegar a 86,4% até o final de 2027.


Quando falta dinheiro, o governo acaba sendo obrigado a cortar despesas com obras, investimentos e serviços públicos. Houve contingenciamento de gastos em 2026, lembra a IFI, e o mesmo deve ocorrer em 2027.


A instituição avalia que a previsão do governo federal de crescimento do PIB em 2,5% no ano que vem também não deve acontecer. A projeção da IFI é de crescimento de 1,8% em 2027, com impactos na geração de emprego e renda.


Programas sociais

Os principais programas sociais e de distribuição de renda do Poder Executivo estão previstos no Orçamento de 2027, diz a IFI. O Bolsa Família custaria R$ 157,1 bilhões no ano que vem, e o BPC, R$ 145,1 bilhões. Abono salarial e seguro-desemprego têm previsão de gastos de R$ 104,7 bilhões. 


Os recursos para o aumento do Bolsa Família, anunciado pelo governo em plena campanha eleitoral, não constam do Orçamento de 2027. Segundo cálculos oficiais, essa nova despesa consumirá R$ 5,8 bilhões em 2026 e R$ 22,7 bilhões em 2027. Isso significa que mais cortes deverão ter de ser feitos em outras despesas para pagar o Bolsa Família.


Além disso, o projeto de Lei Orçamentária de 2027 (PLN 24/2026) prevê usar R$ 10,5 bilhões para pagar o programa Pé-de-Meia, destinado a alunos do ensino médio público.


Outras despesas que constam no Orçamento da União de 2027 são o novo salário-paternidade, que passa a valer em 1º de janeiro, e a ampliação do salário-maternidade para trabalhadoras autônomas e rurais.


O dispêndio com pagamentos de precatórios, entretanto, será de R$ 97,7 bilhões — R$ 24,6 bilhões a menos que em 2026. 


O projeto de Lei Orçamentária para 2027 foi enviado pelo governo ao Congresso em agosto e agora será examinado pelos parlamentares.


A instituição 

Criada no âmbito do Senado em 2016, a IFI tem como atribuições acompanhar as contas públicas, analisando o cenário fiscal e orçamentário e estimando o impacto de medidas econômicas. As análises são divulgadas a cada mês nos relatórios de acompanhamento fiscal elaborados pela instituição.


Com informações da Agência Senado

Vacina contra o HPV é resultado de mais de 150 anos de pesquisas

 

                                              Robson Ventura - 10.mar.14/Folhapress

  • Relação entre vírus e câncer do colo do útero foi definida nos anos 1970; vacina chegou ao mercado em 2006

  • Imunização entrou no SUS em 2014 e hoje é oferecida em dose única a crianças e adolescentes



Todos os dias no Brasil morrem 20 mulheres vítimas de câncer do colo do útero. Hoje, a doença é considerada quase 100% prevenível. Ainda assim, é o câncer que mais mata mulheres de até os 35 anos no país.


A OMS (Organização Mundial da Saúde) estabeleceu como meta eliminar a patologia como problema de saúde pública até 2100, reduzindo sua incidência para menos de 4 casos por 100 mil mulheres.


Ainda há muitos passos a serem percorridos até lá —e que só podem ser traçados graças a uma história que começou há mais de 150 anos.


Mulheres casadas, viúvas e prostitutas morriam mais de câncer do colo do útero do que freiras e virgens. A diferença foi registrada em 1842 pelo médico italiano Domenico Rigoni-Stern, que analisou registros de mortes em Verona, na Itália.


O médico não sabia explicar a diferença, mas os dados sugeriam que algum fator relacionado à vida sexual estava envolvido.


A hipótese levaria décadas para ser investigada. Ao longo do século 20, pesquisadores acumularam evidências de uma relação entre o câncer do colo do útero e a atividade sexual. Faltava descobrir o que estava por trás dessa associação.


Nos anos 1970, o virologista alemão Harald zur Hausen levantou a hipótese de que o HPV, ou papilomavírus humano, seria o responsável. Até então, o vírus era conhecido principalmente por causar verrugas genitais.


Zur Hausen propôs que determinados tipos de HPV alteram as células do colo do útero. Essas alterações, chamadas de displasias, podem formar lesões pré-cancerosas, que têm potencial de evoluir para tumor maligno.


Ao analisar tumores, a equipe do virologista encontrou material genético do HPV em amostras de câncer do colo do útero. Os resultados ajudaram a estabelecer a relação entre o vírus e a doença —descoberta que rendeu a Zur Hausen o prêmio Nobel de Medicina em 2008.


O vírus e os cânceres

Nas décadas seguintes, com o advento de técnicas de laboratório mais sofisticadas, cientistas consolidaram a relação de causalidade entre o HPV e o câncer do colo do útero.


Eles detectaram, ainda, que o vírus estava presente em tumores de outros cinco locais: vagina, vulva, ânus, pênis e orofaringe (a parte da garganta que fica atrás da boca).


Além disso, identificaram que o HPV não é apenas um vírus, mas uma família composta por mais de 200 tipos diferentes.


Desses 200, a maioria é considerada de baixo risco e não está associada ao câncer. Porém, pelo menos 12 são classificados como de alto risco e podem provocar a doença. Entre eles, os tipos 16 e 18 são os mais carcinogênicos.


Nem toda pessoa infectada por um tipo de alto risco desenvolverá câncer. Na maioria dos casos, a infecção desaparece sozinha. O risco aumenta quando ela persiste por anos e provoca alterações nas células.


Essas descobertas também abriram uma possibilidade inédita: ensinar o sistema imunológico a reconhecer o HPV antes que ele cause uma infecção. Isso significa prevenir o câncer.


No fim dos anos 1980, o imunologista australiano Ian Frazer e o virologista chinês Jian Zhou encontraram uma forma de fazer isso.


A dupla produziu estruturas que imitavam a parte externa do HPV, chamadas partículas semelhantes a vírus (VLPs, no acrônimo em inglês).


Conforme explica Júlio Teixeira, médico e professor da Unicamp que pesquisa HPV, as VLPs tinham a aparência do vírus, mas não continham seu material genético e, portanto, não causavam infecção.


Essas estruturas eram capazes de estimular o sistema imunológico a produzir anticorpos contra o HPV. Assim, apresentavam ao organismo uma imitação inofensiva do vírus para que ele estivesse preparado caso encontrasse o verdadeiro.


"É como se colocasse apenas a cápsula [do vírus] direto em contato com o sistema imune da pessoa. Ele vai produzir anticorpos contra aquela cápsula. Toda vez que você tem anticorpos circulando e você tem contato com o vírus, ele é bloqueado e não entra", diz Teixeira.


A partir dali, era preciso demonstrar que a estratégia funcionava. As VLPs passaram por novos estudos, enquanto pesquisadores e empresas farmacêuticas buscavam formas de transformá-las em vacinas.


Os tipos 16 e 18 foram os primeiros alvos da vacina contra o HPV. Em 2006, o FDA (agência reguladora dos Estados Unidos) aprovou o imunizante com formulação quadrivalente, que protege também contra os tipos 6 e 11, responsáveis pela maioria das verrugas genitais.


No Brasil, essa vacina quadrivalente foi incorporada ao Programa Nacional de Imunizações somente em 2014. A produção no país é fruto de uma transferência de tecnologia entre a farmacêutica Merck Sharp & Dohme (MSD) e o Instituto Butantan.


Vinte anos depois da aprovação da primeira vacina pelo FDA, alguns países da Europa, os EUA, o Brasil e a Austrália já observaram resultados promissores: redução do número de lesões pré-cancerosas, da prevalência do vírus e do câncer do colo do útero na população.


Segundo Teixeira, esses dados mostram que mesmo as vacinas da primeira geração têm uma importância muito grande na prevenção dos cânceres associados ao HPV.


Quem toma a vacina?

Hoje, o esquema de rotina no SUS (Sistema Único de Saúde) é de dose única para meninas e meninos de 9 a 14 anos.


Também está disponível para alguns grupos específicos: pessoas imunossuprimidas de 9 a 45 anos; pessoas vivendo com HIV; transplantados; pacientes com câncer; usuários de PrEP (drogas antirretrovirais usadas antes da exposição ao HIV); vítimas de violência sexual; e pessoas com papilomatose respiratória recorrente.


Além disso, até dezembro deste ano, o Ministério da Saúde mantém a vacinação contra o HPV para adolescentes de 15 a 19 anos que ainda não foram imunizados.


As campanhas de vacinação priorizam os mais jovens por dois motivos principais. O primeiro é que pessoas dessa faixa etária tendem a produzir uma resposta de anticorpos mais intensa após a vacinação.


O segundo é que a vacina previne novas infecções, mas não elimina uma infecção já existente nem trata lesões ou cânceres causados pelo HPV. Por isso, a vacinação é priorizada antes do início da vida sexual, quando a pessoa tem maiores chances de não ter sido exposta ao vírus.

O foco do programa também leva em conta critérios de saúde pública, como o custo e a viabilidade de ampliar a vacinação para toda a população.


Isso não significa que a vacina deixe de funcionar em pessoas mais velhas ou que já tenham tido contato com o HPV. Elas também podem desenvolver resposta imunológica e se beneficiar da vacinação. O imunizante pode protegê-las contra outros tipos incluídos na vacina aos quais ainda não foram expostas.


Após a criação da vacina quadrivalente, pesquisadores buscaram formas de ampliar a proteção para outros tipos de HPV associados a cânceres.


Uma formulação nonavalente foi desenvolvida e ficou disponível para aplicação no Brasil em 2023. Ela manteve os quatro HPVs da formulação original e adicionou outros cinco tipos, também associados a diferentes tumores malignos (31, 33, 45, 52 e 58).


A nonavalente está disponível apenas na rede particular. São necessárias duas doses para pessoas entre 9 e 19 anos e três doses para pessoas a partir dos 20 anos. Cada dose custa em torno de R$ 900.


Há uma proposta de inclusão da vacina nonavalente contra o HPV no SUS. Ela está em debate na Câmara dos Deputados desde maio.


Para viabilizar a produção nacional da vacina tetravalente contra o HPV, o Ministério da Saúde destinou R$ 495,9 milhões à construção de uma nova fábrica no Instituto Butantan, cujas obras já foram iniciadas.


A vacina nonavalente não está na linha de produtos do Butantan.


Esta reportagem foi produzida durante o 11º Programa de Treinamento em Jornalismo de Saúde da Folha, que teve apoio do Einstein Hospital Israelita e do Laboratório Roche.


Luiza LopesPaula DinizFolha de São Paulo


Restrição de bets pode ajudar viciados a mudar comportamento, diz especialista

 



A medida provisória (MP) assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) que pôs fim às casas de apostas em território nacional deve trazer uma nova vida aos dependentes do jogo virtual em Mato Grosso do Sul, especialmente aos diagnosticados com ludopatia (transtorno mental que se caracteriza pelo desejo incontrolável e compulsivo de jogar), que devem ter uma mudança de comportamento, segundo especialista.


No início deste mês, quando o debate em proibir ou não os cassinos virtuais ainda estava devagar, o Correio do Estado realizou uma série de reportagens que revelou 11 casos de ludopatas sul-mato-grossenses que, acumulados, investiram e movimentaram mais de R$ 22,7 milhões dentro dos sistemas das plataformas, além de terem perdido cerca de R$ 1,7 milhão desse montante total.


A análise consolidada e detalhada dos 11 processos revelou a magnitude de uma verdadeira engrenagem de esvaziamento patrimonial estruturada em ambiente digital. O valor perdido pelos apostadores representa o dinheiro de subsistência de famílias inteiras, economias de décadas e recursos obtidos por meio de empréstimos bancários desesperados.


A disparidade monumental entre o prejuízo líquido de bolso e o giro contábil do sistema ilustra com precisão o fenômeno da “reciclagem de capital”, sintoma clássico da ludopatia. Sob o efeito do sistema de recompensa do cérebro (sequestro dopaminérgico), o doente perde a capacidade de reter os seus ganhos transitórios. 



Cada prêmio obtido não retorna para a conta bancária do indivíduo; ele é reinserido de forma compulsiva e intradiária em novas e maiores jogadas, girando infinitamente na máquina até sua progressiva exaustão.


Os exemplos apresentados pelo Correio do Estado há semanas ajudam a entender o apelo do público e do governo federal pelo fim das bets, que chegou a sofrer resistência, especialmente dos clubes de futebol, que argumentaram que o “mercado clandestino vai continuar existindo em paralelo”, justificativa que não surtiu efeito na cúpula federal.


À reportagem, o psicólogo clínico Alexandre Zanirato Contini da Silva Vitoriano, especialista em Análise do Comportamento, disse que somente a proibição das casas de apostas esportivas não é o suficiente para mudar um comportamento cultural, que já estaria enraizado na população, mas que é o primeiro passo para se conquistar essa mudança.


“A proibição em si atua mais como ferramenta de controle do que como tratamento. Porém, reduzindo o acesso a contextos onde os comportamentos de apostar sejam possíveis, cria-se mais oportunidades para outros comportamentos ocorrerem e serem mantidos com o passar do tempo”, destaca.


Além disso, o especialista evitou afirmar que as pessoas viciadas continuarão jogando no mercado clandestino – argumento apresentado pelos favoráveis à manutenção do mundo das bets. Por outro lado, ele declara que é muito importante que haja um acompanhamento de outras formas de acesso nas plataformas.


“É esperado que ocorra o fenômeno da resistência comportamental, algo natural em qualquer tentativa de mudança. Podemos observar a busca por outras formas de acesso, mas também por formas diferentes de entrar em contato com aquela mesma consequência gerada a partir dos comportamentos de apostar”, sustenta o psicólogo.


DADOS ESTADUAIS

Há alguns anos, o Sistema Único de Saúde (SUS) oferece atendimento presencial especializado em saúde mental para pessoas com problemas relacionados a jogos e apostas nas Unidades Básicas de Saúde (UBS), nos Centros de Atenção Psicossocial (Caps) e em outros serviços da Rede de Atenção Psicossocial (Raps).


Em março deste ano o Ministério da Saúde lançou o mesmo atendimento de forma virtual, por meio do aplicativo Meu SUS Digital, em parceria com o Hospital Sírio-Libanês, visando ampliar a acessibilidade. 


De acordo com a Pasta, 27.701 pacientes já se cadastraram no serviço on-line, desses, 304 pacientes estão em Mato Grosso do Sul. 


A alta procura fez com que o Ministério da Saúde ampliasse o serviço de forma significativa no mês passado, passando de 600 atendimentos mensais para 100 mil teleconsultas.


Outro levantamento, desta vez do Ministério da Fazenda, aponta que 3,35% dos campo-grandenses estão envolvidos em jogos de azar on-line, o que corresponde a aproximadamente 32,5 mil pessoas. 


Esse número é superior à população de 79,75% dos municípios de Mato Grosso do Sul, ou seja, 63 municípios dos 79 municípios, de acordo com a última estimativa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 


Felipe Machado

Portal Correio do Estado

Jovem de 21 anos morre após moto ser atingida por carro em cruzamento

 

Cruzamento onde aconteceu o acidente. (Foto: Google Street View)
                                            


Uma batida em um cruzamento da região do Parque Novos Estados terminou com a morte do motociclista Felipe Luan da Mata Gonçalves, de 21 anos, na noite de sábado (26), em Campo Grande.


O acidente, segundo o G1, aconteceu por volta das 22h, no encontro da Avenida Nosso Senhor do Bonfim com a Rua Jamil Basmage.


Felipe conduzia uma Honda Fan pela avenida quando teve a trajetória interrompida por um Renault Clio.


As informações levantadas no local apontam que o carro trafegava pela Rua Jamil Basmage e teria passado pela sinalização de parada obrigatória antes de entrar na avenida. A parte dianteira do veículo atingiu a lateral direita da motocicleta.


A força da colisão arremessou o jovem por vários metros. Equipes de socorro foram chamadas, mas Felipe não resistiu aos ferimentos e morreu antes de ser levado para uma unidade de saúde.


A motorista do Clio ficou em estado de choque depois do acidente e precisou ser encaminhada à UPA (Unidade de Pronto Atendimento) Nova Bahia. Após receber atendimento e ser liberada, ela retornou ao local da ocorrência.


A condutora também passou pelo teste do bafômetro, que registrou resultado de 0,00 mg/L, descartando a presença de álcool no organismo naquele momento.


A ocorrência deverá ser investigada para esclarecer as circunstâncias e eventuais responsabilidades pelo acidente.