Odair José em show da Virada Cultura, no palco São João, centro de São Paulo -
- Mestre da música popular atraiu público na rua São João, no centro de São Paulo
- Em seguida, a banda de tecnobrega Fruto Sensual animou o público mesmo com a garoa
O mercadinho do lado do palco de música brega na Virada Cultural talvez nunca tenha tido tanto movimento. Era um entra e sai de pessoas em busca de uma bebida gelada para acompanhar o show de Odair José.
Mestre da canção popular, o músico de 77 anos tocou para uma plateia que começou semivazia, mas foi enchendo no decorrer do show, no palco da rua São João, neste sábado à noite. "A felicidade não existe. O que existe são esses momentos felizes", disse o músico ao entrar no palco.
Foi uma referência à sua canção "A Noite Mais Linda do Mundo", que abriu a apresentação. De terno e camisa, elegante, o artista estava com a voz clara e segurou o show sem desafinar, enquanto tocava guitarra.
O público estava calmo, mexendo a cabeça e o corpo discreta e lentamente. Embora muita gente de mais idade que estava no show certamente tenha acompanhado o cantor na sua fase áurea, nos anos 1970, havia também bastante jovens e até crianças na plateia.
Um ou outro casal dançava juntinho às músicas mais lentas, segurando latinhas de cerveja e rodando pelo asfalto, mas a atmosfera era de contemplação e concentração nos músicos em cima do palco. Clima família.
Contudo, quando José cantou "Vou Tirar Você Desse Lugar", um de seus hits, as pessoas vibraram, filmaram e acompanharam o ritmo da música com os braços ao alto, quebrando a calmaria que dominava até então. "Eu amo vocês, obrigado", disse o músico, quando o show se aproximava do fim.
Antes de o show seguinte começar, no mesmo palco, as pessoas se abasteceram de vodka que uma senhora vendia na porta de uma garagem. Para usar o banheiro ali era R$ 5 — mas só pagava quem queria, dado que havia uma quantidade mais do que suficiente de banheiros químicos espalhados pelas ruas, de graça.
Caía uma garoa, mas isso não impediu a plateia de agitar ao som da banda Fruto Sensual, ícone tecnobrega do Pará. O público era diferente do show do Odair José — bem mais jovem, adolescentes de cabelos coloridos, boné e jaqueta Adidas.
Também era uma galera muito mais animada, dançando e cantando tudo desde a primeira música. Valéria Paiva, a líder e vocalista, se apresentou com uma roupa brilhante colada ao corpo ao lado de quatro dançarinos de vermelho, que sensualizam nos movimentos. Era clima de festa.
Nos dois shows, o som estava bom — era possível ouvir tudo com clareza mesmo mais longe do palco. Mas o volume, altíssimo, talvez pudesse estar um pouco mais baixo. Ao lado do palco, acrobatas se contorciam em uma longa corda mantida longe do chão por um guindaste.
Foha de São Paulo





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