Na Capital, a instalação-performática "Bailar no Escuro" ocupa o Casarão Thomé em cinco sessões, na sexta-feira (6) às 19h, e no sábado (7) e domingo (8) às 19h e às 20h30. A entrada é gratuita e a classificação é de 14 anos.
De sexta (6) a domingo (8), o Casarão Thomé, um dos espaços históricos mais emblemáticos de Campo Grande, recebe cinco sessões gratuitas da instalação-performática “Bailar no Escuro”, projeto do duo de artistas Halisson Nunes e Verônica Lindquist. A obra propõe uma experiência sensorial que cruza dança contemporânea, literatura, artes visuais e tecnologia, convidando o público a um estado de presença radical, onde cada olhar constrói seu próprio recorte da narrativa.
Ao todo, serão cinco sessões - na sexta-feira, às 19h; no sábado e no domingo, às 19h e 20h30. Localizado na Rua 14 de Julho, 3169, no bairro São Francisco, com entrada gratuita. Os ingressos são limitados e a retirada será feita uma hora antes, no local. A obra tem classificação de 14 anos e acessibilidade em Libras.
“Bailar no Escuro” se configura como uma instalação-performática. Ao chegar, o público é convidado a ocupar um único lugar — cadeiras e sofás do próprio casarão — e, a partir desse ponto fixo, acompanhar a ação cênica. “Não há deslocamento do espectador pelo espaço: cada pessoa assiste à obra a partir do seu campo de visão, criando uma experiência singular, determinada pelo lugar que ocupa”, informa Halisson.
A obra faz uso de recursos tecnológicos que interferem silenciosamente na percepção. Entre monitores e vídeo mapping, imagens atravessam os espaços, surgem, desaparecem e reaparecem em outros pontos, deslocando certezas. O que se vê nunca é inteiro, o que se escuta nunca está só — a experiência se constrói no intervalo entre o visível e o oculto.
O projeto nasceu da prosa poética homônima “Bailar no Escuro”, escrito pela própria Verônica Lindquist no período da pandemia. “'Bailar no Escuro' é a junção de experimentações no encontro de linguagens entre artes visuais, literatura e expressão corporal. Quando entramos nesse campo, surgem inquietações sobre as relações humanas no mundo contemporâneo, que depois se expandem para pensar as relações interespécies, uma comunicação mais subterrânea, imagética”, detalha a artista.
A ação performática se concentra, simbolicamente, no ‘quarto de despejo’ do casarão — aquele cômodo comum em casas antigas onde se acumulam objetos, memórias e fragmentos de histórias. Esse espaço torna-se metáfora de acúmulo e lembrança atravessado pelo corpo do performer e pelas imagens criadas ao longo da instalação.
Espaço vivo - A definição como instalação-performática surge da própria natureza do processo criativo. Ao longo da pesquisa, os artistas optaram por não fixar uma coreografia tradicional, mas por construir a ação em tempo real, a partir de dispositivos de ativação, relações espaciais, sons, objetos e presenças.
“Entendemos que o trabalho precisava ser vivo. A expressão corporal não é coreografada, mas construída no agora, como nas performances. Cada sessão é diferente da anterior, porque depende do espaço, das relações e da presença de quem está ali”, afirma Halisson.
A sessão tem duração de 40 minutos e ocupa três cômodos, onde esculturas e elementos cenográficos dialogam com a arquitetura, as paredes e a história do lugar, criando uma atmosfera imersiva e fragmentada — como as próprias memórias que o espaço abriga.
Casarão Thomé - Erguido em 1947, a casa é um patrimônio histórico de Campo Grande que guarda parte significativa da história urbana e cultural de Mato Grosso do Sul. Construído pela família Thomé, responsável por obras emblemáticas da cidade — como o Relógio da Rua 14 de Julho, os Correios, o Americano Hotel, o Cinema Rialto e a primeira ponte de concreto do Estado —, o espaço hoje está sob a gestão da artista Miska Thomé, neta de Manoel Thomé.
Com 80 anos de história, o casarão abriga um acervo de fotografias, documentos, jornais, utensílios de trabalho e objetos pessoais da família, mantendo viva a memória de uma época e se consolidando como espaço cultural ativo, aberto ao encontro entre arte, história e público. “Tenho encontrado minha pesquisa artística nos patrimônios históricos. Quando conheci o Casarão Thomé, senti que ele poderia ser um espaço de ocupação cênica”, destaca Halisson.
Literatura como camada, dança como escuta - Para Verônica Lindquist, o diálogo entre dança, literatura e artes visuais acontece por meio de sobreposições, sem hierarquia entre as linguagens.
“Penso a obra como camadas. Quando o texto aparece, ele não domina a cena, mas dialoga com a instalação e com a performance, criando uma composição cheia de transparências”, explica a artista.
O poema “Bailar no Escuro” aborda, como tema central, a busca por comunicação e pelo outro. “É um tatear no escuro que cria ritmo, diálogo, expansão e retração. Uma dança. Desse escuro emergem memórias, ancestralidades e também reflexões sobre o virtual, que transcendem a ideia de presença física”, afirma.
Ao refletir sobre as relações humanas na era digital, a obra desloca o olhar do humano para outras formas de comunicação presentes na natureza. “O trabalho questiona essa separação entre real e virtual. Observamos as plantas, as redes subterrâneas, os rizomas, as teias. Essas imagens nos ajudam a perceber que nossa ideia de rede digital nasce da própria natureza, de como nos comunicamos com ela e com nós mesmos”, conclui.
O projeto conta com financiamento da PNAB – Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura, do MinC – Ministério da Cultura, Governo do Federal, via edital da Fundac – Fundação Municipal de Cultura de Campo Grande que é vinculada à Prefeitura de Campo Grande. Acompanhe o trabalho pelo Instagram @bailarnoescuro.
Serviço:
Bailar no Escuro
Sessões: sexta-feira (06) – às 19h
Sábado (07) e Domingo (08) – às 19h e às 20h30
Local: Casarão Thomé
Endereço: Rua 14 de Julho, 3169 – São Francisco – Campo Grande (MS)
Classificação indicativa: 14 anos
Entrada gratuita