segunda-feira, 20 de abril de 2026

Como uma nova onda de imunoterapia está eliminando cânceres

 

                                            Pesquisadoras trabalham no Laboratório de Alta Segurança Biotecnológica da USP Ribeirão Preto, onde são desenvolvidas as células CAR-T - Joel Silva - 2.jun.23/Folhapress

  • Após um século de desenvolvimento, começam a ser usados os tratamentos que promovem o sistema imunológico do corpo para combater o câncer

  • Tratamento com células CAR-T é um dos que acumulam mais evidências, e já é utilizado em diversos países



Maureen Sideris tem 71 anos e mora em Nova York, nos Estados Unidos.


Em 2008, ela recebeu tratamento de câncer do cólon e precisou passar por uma cirurgia. Seu tratamento foi bem sucedido, mas o processo de recuperação do pós-operatório foi cansativo.


Quatorze anos depois, Sideris foi diagnosticada com câncer do esôfago. Mas, desta vez, seu tratamento, baseado em um teste clínico, parecia radicalmente diferente.


A cada três semanas, ela se dirigia ao Centro do Câncer Memorial Sloan Kettering, em Nova York, onde recebia infusões de uma droga chamada dostarlimab por 45 minutos.


Após apenas quatro meses de tratamento, o tumor de Sideris desapareceu, sem necessidade de cirurgia, quimio ou radioterapia. E o seu único efeito colateral importante foi insuficiência adrenal, que causa fadiga.


"É inacreditável", relembra ela. "É quase como ficção científica." Mas, ainda assim, é real.


Sideris faz parte de um grupo cada vez maior de pacientes que se beneficiam da imunoterapia para o tratamento de câncer, um método que, agora, acerta o passo após mais de um século de desenvolvimento.


Ele traz consigo a promessa de terapia personalizada, remissão do câncer a longo prazo e menos efeitos colaterais do que outros tratamentos, como a quimioterapia e a radioterapia.


Fico emocionada e arrepiada", afirma a professora de oncologia cirúrgica Jennifer Wargo, pesquisadora de imunoterapia do Centro do Câncer MD Anderson, no estado americano do Texas.


"As pessoas estão sobrevivendo e com boa qualidade de vida. Estamos falando de curas", comemora ela.


O corpo tem a capacidade natural de "detectar e eliminar células que parecem não ser você", explica Karen Knudsen, CEO do Instituto Parker para Imunoterapia do Câncer, uma organização americana sem fins lucrativos que promove o desenvolvimento da imunoterapia.


E, se tudo estiver certo, isso deve incluir as células que se tornaram cancerosas.


Mas, às vezes, as células cancerosas escapam ou ludibriam o sistema, gerando crescimento descontrolado, o que é perigoso. Elas se escondem, à plena vista, sem que sejam diferenciadas das células saudáveis à sua volta.


O objetivo da imunoterapia é desmascarar essas células cancerosas, para que o sistema imunológico possa observá-las como elas são. Ela reforça as defesas do sistema imunológico para poder localizar as células cancerosas e destruí-las, com resultados potencialmente inacreditáveis.


Como a imunoterapia funciona atualmente

Duas das formas mais conhecidas de imunoterapia são as terapias de células CAR-T e os inibidores de checkpoint imunológico.


As células T são as células imunológicas altamente específicas que caçam e matam determinados invasores externos.


As terapias de células CAR-T envolvem a extração de células T do sangue do paciente e sua modificação em laboratório, para que elas possam encontrar e atacar células cancerosas, deixando as células T agirem livremente no corpo.


Estas terapias estão sendo utilizadas atualmente para o tratamento de câncer no sangue.


Já os inibidores de checkpoint imunológico são drogas que "desligam" uma chave embutida no sistema imunológico. Esta proteção tem um propósito importante, pois evita reações imunológicas excessivamente agressivas, que prejudicam as células saudáveis.


Algumas células cancerosas podem desligar essa chave, fazendo com que as células T se afastem sem detectá-las.


Os inibidores de checkpoint imunológico evitam que isso aconteça, fazendo com que as células T identifiquem as células cancerosas como ameaça e deem início a um ataque.


Os cientistas pioneiros desta inovação ganharam o prêmio Nobel em 2018 e as drogas, atualmente, são usadas para combater muitos tipos de câncer. Mas os dois métodos têm limitações.


As pesquisas estão em andamento, mas os cientistas têm dificuldade para fazer as terapias com células CAR-T funcionarem contra tumores sólidos, que representam mais de 90% dos novos diagnósticos (ao contrário dos cânceres no sangue). E a administração do tratamento também é cara e trabalhosa.




As células cancerosas, muitas vezes, podem se parecer com as outras células saudáveis à sua volta, de forma que o sistema imunológico pode precisar de indicadores para auxiliar na sua identificação


Já os inibidores de checkpoint imunológico podem ter um "caleidoscópio de efeitos colaterais", segundo a médica oncologista Samra Turajlic, do Instituto Francis Crick, em Londres.


Isso ocorre porque o desligamento das chaves do sistema imunológico se destina a evitar que o corpo ataque seus próprios tecidos. Por isso, a retirada deste mecanismo de defesa pode colocar em risco células não cancerosas, além dos tumores.


Segundo o Instituto Nacional do Câncer dos Estados Unidos, efeitos colaterais comuns incluem erupções cutâneas, diarreia e fadiga. Mas, em casos raros, o tratamento pode causar inflamações do fígado, coração e pulmões.


Estes efeitos colaterais podem valer a pena, se a droga controlar um câncer agressivo. Mas nem sempre funciona assim.



Um problema importante enfrentado por todo o campo da oncologia, segundo Turajlic, é que nenhuma imunoterapia funciona em 100% dos pacientes.


Existem muitas possíveis razões, que variam da estrutura do tumor, que pode reduzir sua acessibilidade ao sistema imunológico, até as características das próprias células imunológicas.


De forma geral, 20% a 40% dos pacientes reagem à imunoterapia. Isso significa que muitos pacientes (a maioria deles, na verdade) estão se abrindo aos seus efeitos colaterais, sem mencionar a perda de tempo e de esperança, sem resultados positivos.


Abordagem multifacetada

Como mais pacientes podem se beneficiar da imunoterapia? Os pesquisadores vêm abordando esta questão de muitas formas diferentes.


Embora preliminar, a pesquisa de Wargo indica que os pacientes que seguem dietas com alto teor de fibras podem observar melhores resultados, devido a mudanças da microbiota intestinal que podem afetar o sistema imunológico e o tumor.


Outra pesquisa surpreendente indica que as estatinas, que são medicamentos acessíveis e de baixo custo para a redução do colesterol, podem aumentar os efeitos da imunoterapia, por meio de mudanças inesperadas da comunicação celular.


O próprio horário do tratamento pode influenciar os resultados. Pesquisas recentes indicam que os pacientes que recebem a dosagem no início do dia apresentam melhores resultados que os tratados mais tarde.


A combinação de imunoterapia com outros tratamentos contra o câncer, como radiação ou ultrassom, pode ser outra forma de aumentar os índices de reação.


"A radiação, na verdade, pode...fazer com que o tumor fique visível para o sistema imunológico", explica Sandra Demaria, do Centro Médico Weill Cornell. Ela pesquisou esta combinação de tratamentos


Já a terapia com ultrassom, que utiliza ondas sonoras de alta frequência para atacar os tumores, pode fazer o mesmo.


Outros pesquisadores utilizam a capacidade de customização da imunoterapia e selecionam cuidadosamente os pacientes para oferecer o melhor tratamento possível.


A medicina personalizada gera entusiasmo em muitas disciplinas. Mas Knudsen destaca que ela é particularmente importante para a oncologia, considerando a heterogeneidade da doença.


"O câncer não é uma doença", explica ela. "São 200 doenças diferentes e todas elas surgem por diferentes motivos e precisam receber tratamentos diferentes."


Dois pacientes com exatamente o mesmo tipo e estágio de câncer podem ter doenças diferentes em nível celular.


Para Demaria, "este campo se encontra em um ponto de inflexão. Podemos avançar tratando não o câncer, mas o paciente."


Cientistas do Centro do Câncer Memorial Sloan Kettering já testaram uma estratégia promissora, baseada na descoberta de que os tumores com um perfil genético específico tendem a reagir bem aos inibidores de checkpoint imunológico, como dostarlimab.


Em dois testes pequenos, realizados entre 2022 e 2024, em casos de câncer retal com este perfil, o tratamento erradicou completamente os tumores.


A equipe expandiu sua pesquisa para incluir 117 pacientes com diversos tipos de tumores, incluindo do esôfago, bexiga e estômago, com a mesma assinatura genética.


Dentre as 103 pessoas que terminaram o tratamento, 84 pacientes, incluindo Sideris, observaram o desaparecimento completo dos seus tumores. Apenas dois necessitaram passar também por cirurgia.


Pesquisadores da MD Anderson relataram resultados similares para uma técnica utilizando um inibidor de checkpoint diferente. E outros grupos demonstraram que, mesmo se os pacientes realmente acabarem passando por cirurgia, seus resultados operativos podem ser melhores, pelo menos em alguns casos, se os tumores forem tratados primeiramente com imunoterapia.


Mais pesquisas são necessárias, mas essas descobertas são promissoras. Elas abrem as portas para uma era de tratamentos menos invasivos e altamente eficazes, segundo o chefe de oncologia de tumores sólidos do Centro de Câncer Memorial Sloan Kettering, Luis Diaz.


"Precisamos sair da era medieval para os tempos modernos", afirma ele. "Retirar seu reto, estômago ou bexiga —precisamos fazer melhor do que isso."


A ressalva é que apenas cerca de 5% dos tumores possuem a composição genética necessária para que eles sejam adequados para tratamento com imunoterapia livre de cirurgia, segundo estudos de Diaz e seus colegas.


"Os outros 95% precisam de algo tão bom quanto isso", segundo ele.


A promessa de vacinas

Com este objetivo em mente, os pesquisadores continuam buscando novas técnicas de imunoterapia e tentando aprimorar as antigas, como vacinas contra o câncer.


As vacinas tradicionais apresentam ao corpo partes de um patógeno, como um vírus, para que ele possa praticar, produzindo uma reação imunológica à ameaça real.


Um conceito similar pode funcionar para o câncer, segundo Karen Knudsen, mas poderá ser usado para tratar a doença, em vez de evitá-la.


As células cancerosas possuem diversas proteínas de superfície.


Usando a tecnologia de vacinas, os pesquisadores podem conseguir treinar o sistema imunológico do paciente para reconhecer e atacar essas proteínas, acionando forte reação contra seu câncer específico, explica Knudsen.


E já existem evidências preliminares que apoiam esta técnica. Pesquisadores do Instituto do Câncer Dana-Farber, nos Estados Unidos, criaram recentemente vacinas personalizadas para nove pessoas com um tipo de câncer renal.


Após a retirada cirúrgica dos seus tumores, os pacientes foram vacinados, para eliminar do corpo eventuais células de tumor remanescentes.


Em uma pesquisa publicada em 2025, a equipe relatou que todos os nove pacientes tiveram reação imunológica contra o câncer e permaneceram livres do tumor por anos após a cirurgia. E as vacinas personalizadas também se mostraram promissoras para o tratamento de melanoma.


"É um mundo totalmente novo", segundo Knudsen. "É a definição da medicina de precisão."


"Talvez possamos, agora, desenvolver estratégias de vacinação contra o tumor específico do paciente com muita rapidez."


Mas, apesar de todo este entusiasmo, existe um longo caminho pela frente.


São necessários mais estudos para respaldar alguns dos métodos encorajadores sendo investigados e chegar a um futuro em que os médicos poderão oferecer aos pacientes, de forma precisa e confiável, tratamentos que funcionarão contra seus cânceres específicos.


"Existem muitos alvos muito promissores e novos agentes que não progrediram além dos testes clínicos de fase inicial", alerta Sandra Demaria.


É possível que um subconjunto de pacientes não reaja a nenhum tipo de imunoterapia, segundo Diaz. Os cânceres têm "superpoderes" diferentes, que permitem seu crescimento e expansão, explica ele, e o sistema imunológico é um oponente melhor para algumas pessoas do que outras.


Mas, para os pacientes que reagem ao tratamento, a imunoterapia já está mostrando que pode salvar e mudar vidas.


Maureen Sideris, a paciente de Nova York que participou do teste de Luis Diaz, se sente parte de um futuro brilhante para a oncologia.


"Estamos seguindo em uma direção ótima", segundo ela.


"Um dos médicos me disse que, em questão de 10 anos, passar por qualquer tipo de quimio e radioterapia será como fazer sangria: algo muito antiquado."


BBC NEWS

Anvisa restringe emagrecedores manipulados e do Paraguai em meio a pressão política

 

                                           Fachada do edifício sede da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) - Marcelo Camargo/Agência Brasil



  • Agência barra importação de marcas do país vizinho e restringe atuação de farmácias de manipulação

  • Compra de produto sem registro da Anvisa é impulsionada na internet, e apreensões de produtos irregulares disparam




A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) tenta construir barreiras ao uso de canetas emagrecedoras irregulares em meio a pressões do mundo político, à explosão do consumo e ao apelo nas redes sociais para o uso com fins estéticos.


Em medidas anunciadas nos últimos dias, a agência mirou produtos trazidos do Paraguai ou feitos fora dos padrões sanitários nas farmácias de manipulação.


Trata-se de mercado paralelo ao dos medicamentos registrados pela Anvisa e conhecidos por marcas como Ozempic (semaglutida) e Mounjaro (tirzepatida).


As canetas sem registro são mais baratas, mas a Anvisa afirma que tem identificado diversos casos de falsificação e de produtos com baixa qualidade.


"Quando a população fica suscetível a produto sem registro da Anvisa, ela não tem aquela garantia da tríade básica que é o sustentáculo da agência: o produto é seguro, ou seja, dirime questões de riscos e efeitos adversos, tem qualidade, feito com boas práticas de fabricação e manipulação, e é eficaz, funciona para aquilo que está sendo anunciado", afirma o presidente da Anvisa, Leandro Safatle.


No último dia 6, a Anvisa anunciou que fará cobranças mais rígidas sobre a qualidade do ingrediente farmacêutico importado para farmácias de manipulação.


A proposta deve ser votada no fim de abril e obriga que farmácias usem ingredientes de laboratórios que têm o CBPF (Certificado de Boas Práticas de Fabricação) da Anvisa, ou seja, que receberam algum tipo de inspeção do órgão brasileiro ou de agências parceiras.


A agência ainda pretende reforçar a exigência de que a manipulação só pode ser feita após a apresentação da prescrição de cada paciente. Isso porque fiscalizações da Anvisa já localizaram produção em larga escala para venda em clínicas.


A Polícia Federal investiga irregularidades em farmácias de manipulação. Os agentes apreenderam carros, avião, embalagens e remédios em operação realizada em novembro de 2025. Ainda cumpriram mandados em 12 estados no começo de abril.


Depois da ação da PF, cinco entidades médicas pediram a proibição imediata e total da venda das canetas por farmácias de manipulação devido ao risco sanitário. A Anvisa, porém, afirma que a legislação sanitária permite a produção dos medicamentos em farmácias de manipulação. Diz ainda que está aperfeiçoando regras para garantir a segurança dos produtos.


Veto aos emagrecedores do Paraguai

Em outra frente, a Anvisa vetou no dia 14 o uso e venda de duas marcas do Paraguai, chamadas Gluconex e Tirzedral. Os modelos eram os únicos registrados no país vizinho que ainda não haviam sido barrados pela agência, ou seja, não é mais permitido importar os emagrecedores nem mesmo para uso pessoal.


A venda dos produtos no Paraguai é impulsionada por influenciadores e ações de marketing. Empresas locais ainda fazem lançamentos luxuosos dos seus produtos. O laboratório paraguaio Catedral apresentou o Tirzedral no fim de março, em evento com show do cantor Zé Felipe e voltado ao público brasileiro —o nome foi "Noite Vermelha".


As canetas são medicamentos agonistas de GLP-1, hormônio produzido naturalmente pelo corpo humano e que atua no controle dos níveis de glicose no sangue e nos mecanismos de saciedade. Os medicamentos são indicados para obesidade e diabetes. O uso desenfreado das versões sem registro ou para fins estéticos preocupa entidades médicas.


Mercado irregular

O volume de canetas irregulares em circulação é incerto, mas dados oficiais sinalizam alta no consumo. A Receita Federal diz que apreendeu 32,8 mil unidades de emagrecedores em 2025 ante 2.700 no ano anterior.


O órgão ainda afirma que localizou apenas em Viracopos (SP), desde janeiro, cerca de 1 tonelada de ingredientes irregulares. Os fiscais apreenderam frascos rotulados como retratutida, droga que ainda está em estudo pela Lilly, mesma fabricante do Mounjaro.


Nos últimos seis meses ainda foram importados 130 kg de tirzepatida, suficientes para produção de 25 milhões de doses em farmácias de manipulação, segundo a Anvisa.


Pressão política

Os movimentos da agência são vistos no governo como necessários, mas delicados por causa das reações negativas dos consumidores. Ainda há temor de judicialização ou de que o tema entre na pauta do Congresso.


O uso das canetas no SUS é cobrado por gestores locais. No Rio, o prefeito Eduardo Paes (PSD) lançou um programa com o Ozempic, em parceria com a fabricante Novo Nordisk.


Já a Prefeitura de Urupês (SP) afirma que usará medicamentos de farmácias de manipulação e abriu uma licitação por produto contendo tirzepatida, sob protestos da fabricante Lilly. A compra fracassou e o governo municipal tentará credenciar farmácias como fornecedoras.



Outro exemplo da sensibilidade do tema está nos comentários de uma publicação feita na quarta-feira (15) pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha (PT), sobre risco das canetas falsificadas.


Além de críticas sobre restringir o acesso a produtos sem registro feitas por diversas pessoas, o deputado Mario Heringer (PDT-MG) afirmou na publicação que a "solução" é ter "coragem" para quebrar a patente do Mounjaro, medida que é defendida pelo parlamentar em um projeto de lei. Ele é favorável a importação dos produtos do Paraguai.


No ano passado, a disputa pelo mercado dos emagrecedores ganhou novo rumo com atuação direta do governo Lula (PT), que pediu para a Anvisa passar as canetas à frente na lista de análise de novos produtos. Auxiliares de Padilha avaliam que a pressão pelo acesso às drogas do Paraguai ou manipulados se reduzirá com o registro de novas marcas no Brasil. A Anvisa avalia 16 produtos contendo semaglutida, mesmo princípio ativo do Ozempic e que perdeu a patente no fim de março


.Mateus Vargas

Folha de São Paulo

Com mais de 11 mil microchipagens, tecnologia amplia proteção aos pets

 

                                              Reprodução



A microchipagem de cães e gatos tem se consolidado como uma importante ferramenta de identificação e proteção animal. Somente em 2025, a Superintendência de Bem-Estar Animal (Subea) realizou 11.108 procedimentos, evidenciando a adesão da população à iniciativa.


A tecnologia funciona como uma forma permanente de registro e permite localizar os tutores com rapidez em casos de perda, abandono ou maus-tratos.


O microchip armazena um número único, lido por aparelho específico e vinculado aos dados do tutor em um sistema digital, garantindo a identificação segura do animal.


A aplicação é simples, rápida e segura, realizada por médico-veterinário com o uso de uma seringa própria, semelhante a uma injeção. O procedimento não requer cirurgia nem anestesia, causando apenas um leve desconforto momentâneo.


Além de facilitar a identificação de animais perdidos, a tecnologia também contribui para a responsabilização dos tutores e o fortalecimento das políticas públicas de bem-estar animal.


Serviços


A Subea também disponibiliza outros serviços gratuitos à população, com atendimento de segunda a sexta-feira, das 7h30 às 13h, na unidade central:


15 senhas diárias para castração

15 senhas diárias para consulta veterinária

Vacina antirrábica

Vermifugação

Carrapaticida

Microchipagem

Castração


Para acessar os serviços, é necessário que o tutor apresente o CadÚnico atualizado e impresso, exceto para os atendimentos de vacina antirrábica e microchipagem, que não exigem a documentação.


A iniciativa reforça o compromisso do município com a saúde pública e o bem-estar animal, promovendo cuidado, responsabilidade e proteção aos pets.

Paquetá tem lesão muscular na coxa e desfalca o Fla por alguns dias

 

                                           Paquetá deixa Flamengo x Bahia com dores no joelho esquerdo (Foto: Reprodução: Premiere)


Alívio no Flamengo. Apesar do susto ao apito final, Lucas Paquetá não tem maiores problemas médicos para a sequência da temporada.


O camisa 20 fez exames ainda na noite de domingo, ao sair do Maracanã, e foi diagnosticado um edema na coxa esquerda, sem lesão no joelho.


Diante do cenário, a expectativa é de que Paquetá desfalque a equipe entre uma semana e dez dias, ficando fora dos jogos contra o Vitória, quarta-feira, pela Copa do Brasil, e Atlético-MG, pelo Brasileirão.


O planejamento da comissão técnica é tê-lo à disposição no jogo contra o Estudiantes, dia 29, pela Libertadores, ou, no mais tardar, no clássico com o Vasco, dia 3 de maio.


Lucas Paquetá deixou o gramado após a vitória sobre o Bahia, por 2 a 0, queixando-se de dores no joelho e preocupou o torcedor. De acordo com nota oficial do Flamengo, porém, exames apontaram um edema no tendão da coxa esquerda.


O Flamengo vem de cinco vitórias consecutivas na temporada e ocupa a segunda colocação no Brasileirão com 23 pontos, seis a menos que o líder Palmeiras, que tem um jogo a mais. Na próxima quarta-feira, o time estreia na Copa do Brasil diante do Vitória, às 21h30 (de Brasília), no Maracanã. (Com ge)

Brasileiro desaparecido em Buenos Aires é encontrado morto

 

                                            Brasileiro desaparece na Argentina após marcar encontro por aplicativo de relacionamento (Foto: Reprodução/redes sociais)


O professor universitário brasileiro Danilo Neves Pereira, de 35 anos, que estava desaparecido desde 14 de abril em Buenos Aires, na Argentina, foi encontrado morto. A informação foi confirmada por um amigo da vítima à CNN Brasil nesta segunda-feira (20).


Segundo a TN, afiliada da CNN na Argentina, o brasileiro morreu poucas horas após o desaparecimento, no Hospital Ramos Mejía, na madrugada de 15 de abril, em razão de uma descompensação psicotrópica causada pelo uso de entorpecentes. No centro médico, ele estava registrado como anônimo.


A última vez que Danilo se comunicou com seu amigo, ele informou que havia ido a um encontro amoroso marcado por meio de um aplicativo de relacionamento. Depois disso, não foi mais visto.


O endereço compartilhado por ele indicava uma área turística e central da capital argentina, em frente à Embaixada de Israel e próximo ao tradicional Café Tortoni.


Após o desaparecimento, os amigos entraram em contato com o Consulado e com a Polícia local. Segundo eles, foram essas autoridades que auxiliaram nas buscas.


Quem é Danilo?

Danilo é professor de inglês há 17 anos e deu aulas no Centro de Línguas da UFG (Universidade Federal de Goiás) por 12 anos e se mudou para a Argentina há seis meses. Ele é mestre pela UFG, aluno de doutorado da UFRJ e já ensinou português na universidade americana Emory, através do programa Fulbright.


Além de professor, o brasileiro também é artista e escritor. Danilo dá vida à drag queen "Zelda, The Queen" e lançou sua primeira coletânea de contos em 2025. 


A CNN Brasil tenta contato com o Itamaraty, mas ainda não obteve retorno. (Com CNN)

Empresa americana compra mineradora brasileira de terras raras por US$ 2,8 bilhões

 

Mina da Serra Verde, em Goiás - Divulgação
                                             

  • Transação pela Serra Verde combina pagamento de US$ 300 milhões em dinheiro e emissão de 126,9 milhões de ações

  • Conclusão do negócio está prevista para o terceiro trimestre de 2026




A empresa norte-americana USA Rare Earth anunciou nesta segunda-feira (20) a compra da Serra Verde, única mineradora de terras raras em operação no Brasil, em um negócio avaliado em US$ 2,8 bilhões, combinando pagamento em dinheiro e ações.


As terras raras são um conjunto de elementos químicos de difícil extração e refino, sendo alguns deles matérias-primas para a fabricação de ímãs essenciais para tecnologias relacionadas à transição energética e à defesa. A China detém hoje mais da metade da extração do material e controla quase toda a capacidade de refino. Empresas e o governo americano tentam reduzir essa dependência.


Pelos termos do acordo, a USA Rare Earth desembolsará US$ 300 milhões em dinheiro e emitirá 126,9 milhões de novas ações para viabilizar a transação. A conclusão do negócio está prevista para o terceiro trimestre de 2026, conforme comunicado divulgado pela empresa.


A USA Rare Earth é uma empresa americana que atua de forma integrada na produção de ímãs e na exploração de terras raras, insumos estratégicos para setores como veículos elétricos, energia limpa, e eletrônicos. A companhia possui uma fábrica em Oklahoma e o depósito de terras raras Round Top, no Texas.


A Serra Verde opera uma mina de terras raras no norte de Goiás. De acordo com a USA Rare Earth, a produção no local deve representar mais da metade de todo o suprimento mundial de terras raras pesadas fora da China até 2027.


Com a combinação, a empresa passará a atuar em toda a cadeia produtiva, que inclui mineração, processamento, separação, metalização e fabricação de ímãs —materiais usados nos ímãs permanentes encontrados em tudo, de carros elétricos a sistemas de armamentos.


O movimento ocorre num momento em que os EUA têm se preocupado cada vez mais em quebrar o domínio chinês sobre a produção desses minerais. Com as segundas maiores reservas de terras raras do mundo, mas produção ainda incipiente, o Brasil está no centro dessa corrida global pelos recursos.


Para Barbara Humpton, diretora executiva da USA Rare Earth, a aquisição representa "um passo transformador na realização da ambição de construir uma campeã global e a parceira preferencial em elementos de terras raras, óxidos, metais e ímãs". "A mina Pela Ema, da Serra Verde, é um ativo único e a única produtora fora da Ásia capaz de fornecer os quatro elementos de terras raras magnéticos em grande escala", acrescentou, em nota, a executiva.


Em paralelo, a Serra Verde também anunciou que firmou um acordo de 15 anos para fornecer 100% da produção durante a fase inicial de sua mina a uma empresa de propósito específico capitalizada pelo governo dos EUA e por fontes privadas.


Atualmente a empresa exporta toda a sua produção para a China. Mas já havia sinalizado no ano passado que remodelou contratos com chineses para escoar parte de sua produção para clientes ocidentais, sem citar a nacionalidade deles.


As ações da empresa listadas na Nasdaq, segunda maior bolsa de valores dos EUA e do mundo, subiram 8,3% nas negociações de pré-mercado após o anúncio, resultando em uma capitalização de mercado de US$ 4,4 bilhões.


FINANCIAMENTO DE BANCO ESTATAL DOS EUA E TERRAS RARAS COMO GARANTIA

Em fevereiro deste ano, a Serra Verde anunciou que um banco estatal dos Estados Unidos aumentou para US$ 565 milhões o financiamento concedido à empresa. Com isso, o governo americano passou a ter o direito de adquirir uma participação acionária minoritária na mineradora.


Em novembro de 2025, a companhia já havia anunciado que o DFC (Development Finance Corporation) tinha se comprometido a aportar US$ 465 milhões na empresa.


Com informações da Reuters e do Financial Times

Lideranças políticas se reúnem em encontro marcado por diálogo e compromisso social

 



O encontro foi marcado pelo diálogo aberto, pela troca de experiências e pela construção de caminhos conjuntos voltados ao desenvolvimento social e ao bem-estar da população. Durante a reunião, foram discutidas demandas importantes do município, com destaque para ações na área da assistência social e políticas públicas voltadas às famílias em situação de vulnerabilidade.


A presença das lideranças reforça a importância da união entre diferentes esferas do poder público para garantir avanços concretos. A senadora Tereza Cristina destacou a relevância do trabalho em parceria, ressaltando que ouvir as necessidades locais é fundamental para direcionar investimentos e projetos que impactem diretamente a vida das pessoas.


Já a vice-prefeita Maria Vital enfatizou a importância do apoio político e institucional para fortalecer os serviços oferecidos à população de Anastácio, especialmente nas áreas sociais. A secretária Mary Beltrão também pontuou os desafios enfrentados no município e a necessidade de ampliar programas que promovam inclusão e qualidade de vida.


Marco Santullo também enfatizou o compromisso com a população e a importância do diálogo entre as lideranças. “É sempre muito produtivo receber representantes comprometidos com o bem-estar das pessoas. Nosso objetivo é somar esforços, ouvir as demandas e buscar soluções que realmente façam a diferença na vida da população”, afirmou.


O encontro simboliza mais um passo na construção de uma agenda colaborativa, baseada no compromisso com a população e na busca por soluções efetivas para os desafios sociais da região.


Rosa Vasconcelos, Planews