Keeta deve chegar às capitais em 2027, após expansão para o interior - Cristiane Gercina/Folhapress
- Vice-presidente da empresa afirma que grandes centros ainda estão em definição
- Segundo o executivo, contratos restritivos de rivais freiam entrada em regiões metropolitanas
Após anunciar a expansão para 21 cidades no interior do Brasil, o foco da Keeta se volta à abertura de mercado nas capitais. Segundo o vice-presidente Danilo Mansano, a empresa está definindo quais serão os grandes centros urbanos de atuação. A nova fase de operações começará em 2027.
Capitais de estados nos quais a plataforma já opera podem ter prioridade de escolha, afirma o executivo. "Isso é um facilitador, mas não é o único fator a ser considerado", disse.
Com a expansão anunciada nesta quarta-feira (7), a Keeta chegou a Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.
Hoje, porém, a única capital atendida pelo aplicativo de delivery da chinesa Meituan é São Paulo. Conforme estudos internos, o mercado de entrega de comidas na capital paulista dobrou de tamanho desde a chegada da empresa, em novembro de 2025
Segundo Mansano, o plano da Keeta era terminar o primeiro ano de operação no Brasil com presença em 16 regiões metropolitanas de grandes cidades, mas os contratos de exclusividade firmados com restaurantes pelas concorrentes 99Food e iFood impediram a empresa de avançar.
"Por isso a companhia resolveu focar todos os esforços na questão regulatória e de competitividade", afirma o executivo. "Direcionamos boa parte da liderança a se debruçar sobre o tema porque entendemos que isso é uma questão estrutural para o mercado efetivamente crescer".
Para o vice-presidente da Keeta, a decisão da Justiça paulista que considerou ilegais as cláusulas de banimento em contratos da 99Food sinaliza um ambiente mais favorável à competitividade no mercado de entregas.
Além da questão da exclusividade, afirma Mansano, o domínio de dados pelo iFood atrapalha a concorrência. "O iFood é detentor do dado, então ele consegue escolher restaurantes que performam bem para definir qual vai ser exclusivo".
Em junho, uma reportagem da Folha mostrou que a Keeta pedia a restaurantes dados de contratos com o iFood em troca de pagar a quebra de exclusividade entre as lojas e o concorrente. À época, a empresa disse ter pedido apenas comprovações do valor necessário para a saída de contratos restritivos.
Sobre a escolha de retomar a expansão por cidades menores, o executivo diz que ela se deve à maior velocidade de lançamento nesses municípios em relação às capitais. "A Keeta chegou ao Brasil com a proposta de atender 80% da população urbana brasileira. Isso nunca mudou".
Nas 21 cidades escolhidas, a plataforma adotará o chamado modelo "full-service", no qual o aplicativo media a venda e organiza a entrega, em vez de delegá-la às lojas. Essa forma de trabalho, segundo Mansano, permite ao restaurante se dedicar apenas ao preparo do prato e garante entregas mais rápidas aos clientes.
Para o representante da Keeta, a chamada "guerra dos apps", como tem sido chamada a sucessão de disputas entre as plataformas de entregas, não é uma guerra. "Eu não tenho inimizade com nenhum concorrente. Quando fazem coisas boas, a gente obviamente usa de inspiração", afirma.
Segundo ele, as críticas da empresa são direcionadas apenas à dificuldade de abertura de mercado: "Aí sim, claramente, os outros dois discordam da gente", diz Mansano, se referindo ao iFood e à 99Food.
RAIO-X | Keeta
Fundação: 2023, quando surgiu como braço internacional da Meituan
Sede no Brasil: São Paulo
Funcionários: 130 mil funcionários ligados à Meituan, sendo 1.200 no Brasil
Presença: Hong Kong, Arábia Saudita, Qatar, Kuwait e Emirados Árabes e Brasil; no Brasil, opera em Santos, São Vicente e Grande São Paulo
Faturamento 2025 (global): US$ 52,8 bilhões (cerca de R$ 275 bilhões)
Principais concorrentes: iFood, 99Food, Rappi
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