O avanço da regulação sobre emissões tende a ampliar a presença das cadeias produtivas ligadas ao campo no mercado de carbono brasileiro, ainda que a produção primária não esteja entre os primeiros setores diretamente alcançados. A avaliação é de Anderson Teixeira, analista na Petrobras, com atuação na área de Inteligência de Mercado e Conhecimento em Transição Energética, ao comentar os possíveis efeitos do Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões sobre o agronegócio.
Segundo a análise, a ideia de que o agro estaria fora do SBCE simplifica um movimento mais amplo. Embora as atividades “da porteira para dentro” possam não assumir responsabilidades logo no início, a proposta do Ministério da Fazenda indica que segmentos agroindustriais deverão avançar em obrigações de mensuração, relato e verificação de emissões nos próximos anos.
Uma primeira etapa citada envolve o setor de papel e celulose, previsto para entrar em 2027. Esse movimento alcança uma cadeia ligada à base florestal, à bioeconomia, às exportações e à logística de grandes volumes, com exigências que devem fortalecer a necessidade de inventários e controles climáticos.
Na sequência, a partir de 2029, alimentos e bebidas aparecem como outro eixo relevante da agroindústria a ser incorporado ao processo. A cobrança tende a envolver inventários, rastreabilidade e governança climática, elementos que já ganham peso nas relações comerciais e nas exigências de compradores internacionais.
O impacto, portanto, deve chegar ao setor por meio das cadeias de fornecimento, dos grandes processadores, dos operadores logísticos e dos critérios ESG adotados nos mercados externos. Nesse contexto, o carbono passa a ser tratado como variável de custo, risco e acesso a mercados, especialmente para empresas que dependem de logística estruturada e integração com compradores mais exigentes.
Agrolink - Leonardo Gottems

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