quinta-feira, 18 de junho de 2026

Juros caem, mas inflação ameaça próximos cortes

 



]A política monetária entrou em uma nova etapa de flexibilização, mas o cenário exige prudência diante da piora das expectativas de inflação e das incertezas externas. Segundo o Rabobank, o Comitê de Política Monetária decidiu, de forma unânime, reduzir a Selic em 25 pontos-base, para 14,25%, em linha com a expectativa da instituição e do mercado.



A decisão foi justificada pela avaliação de que a trajetória de juros capaz de levar a inflação à meta no horizonte relevante, no quarto trimestre de 2027, também produziria inflação projetada abaixo do objetivo no trimestre seguinte. Com isso, o comitê antecipou o horizonte relevante da próxima reunião e indicou que trajetórias alternativas podem suavizar a variação dos agregados macroeconômicos, mantendo a inflação na meta no primeiro trimestre de 2028.


Apesar do corte, a falta de clareza sobre o fim dos conflitos no Oriente Médio amplia a incerteza das projeções e reforça a necessidade de cautela. Por isso, o comitê não sinalizou os próximos passos e condicionou novas decisões à confirmação dos efeitos diretos e indiretos sobre os preços.



O Rabobank destaca que a projeção de inflação para o quarto trimestre de 2027 subiu 20 pontos-base, para 3,7%. As expectativas para 2026 passaram de 4,9% para 5,3%, enquanto as estimativas para 2027 e 2028 também tiveram piora marginal.


Para agosto, a instituição vê como piso um corte de 25 pontos-base. O cenário de referência ainda admite redução total de 250 pontos-base em 2026, com a Selic podendo chegar a 12,50% no fim do ano. Mesmo assim, o banco mantém projeção de 13,25% para 2026 e 11,25% para 2027, com viés de alta. A ata da reunião, em 23 de junho, e o Relatório de Política Monetária, em 25 de junho, poderão trazer novos elementos para recalibrar essas expectativas.


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