quinta-feira, 8 de janeiro de 2026

PF vai investigar se influenciadores foram pagos para defender Master nas redes

 

                                            Rafaela Araújo/Folhapress

  • Se forem comprovadas irregularidades, o órgão poderá instaurar inquérito policial

  • Banco Central virou alvo ao barrar compra do Master pelo BRB



A Polícia Federal abriu uma apuração inicial sobre informações sobre o caso de 46 perfis em redes sociais que fizeram um bombardeio digital com ataques simultâneos contra o Banco Central e investigadores no caso Master. Se forem comprovadas irregularidades, o órgão poderá instaurar inquérito policial.


A prática já vinha sendo observada durante o processo de análise pelo órgão regulador da venda do banco para o BRB (Banco de Brasília), mas cresceu nos últimos dias em meio à guerra jurídica no STF (Supremo Tribunal Federal) e no TCU (Tribunal de Contas da União) travada entre os investigadores e os advogados do Master.


Os influenciadores vêm publicando posts com informações enviesadas sobre os acontecimentos em torno da liquidação do Master, com críticas à atuação do BC.


A ofensiva digital também mira o presidente do BC, Gabriel Galípolo, seus familiares, o diretor de Fiscalização, Aílton de Aquino Santos, além de banqueiros e associações do setor financeiro que organizaram uma contra-ofensiva em defesa da autoridade monetária por meio de uma série de notas de apoio à decisão técnica de liquidar o Master em novembro.


Numa postagem de quatro dias atrás no Instagram, em 2 de janeiro, o perfil @divasdohumor relata que a gestão de Renato Gomes no BC deixou um cenário de instabilidade no mercado financeiro. "Mudanças regulatórias frequentes, interpretações voláteis das normas e ausência de sinalização clara ampliaram a insegurança jurídica", diz a postagem. Gomes deixou a diretoria do BC em 31 de dezembro.


"O papel do Banco Central é reduzir incertezas. Quando decisões são mal explicadas, o efeito se espalha por todo o sistema, atingindo grandes instituições e também o crédito na ponta", acrescenta a postagem. A publicação anterior do perfil trata de uma conversa entre Nicole Bahls e Gil do Vigor, e a seguinte, do papel das tias na educação de crianças.


O presidente da Febraban (Federação Brasileira de Bancos), Isaac Sidney, também ficou na mira. A entidade fez um mapeamento sobre os ataques sofridos por ela e afirmou, em nota, que identificou volume atípico de postagens em dezembro que a mencionam. Disse, ainda, que está analisando se o caso poderia ser caracterizado como um ataque coordenado.


Outro perfil que participa da ofensiva contra o BC é o @Festadafirma. Em 31 de dezembro, ele postou um conteúdo sobre o caso na sua página do Instagram sobre os depoimentos prestados naquele dia por Vorcaro e pelo presidente do BRB à PF (Policia Federal). A página é administrada pela Banca Digital, agência de marketing na internet


A Banca Digital informou que foi procurada para divulgar conteúdo sobre o Banco Master, mas que declinou o convite na hora. A empresa afirmou que a postagem do perfil @Festadafirma "foi um post orgânico sobre um tema pertinente aos tratados na página. Não houve nenhum tipo de negociação ou remuneração para que esse conteúdo fosse publicado".


Associações representativas do setor financeiro têm reiteradamente manifestado apoio público ao Banco Central após atos do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), Dias Toffoli, e do TCU mirando a atuação da autoridade monetária no caso do Banco Master.


Já o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, foi intimado pela Polícia Federal a prestar depoimento no dia 27 de janeiro no âmbito das investigações sobre a tentativa de venda ao BRB (Banco de Brasília).


Além de Vorcaro, outros ex-executivos, como o ex-sócio dele Augusto Lima, também tiveram o depoimento marcado. O empresário pode optar por falar por videoconferência ou presencialmente.


Constança Rezende

Folha de São Paulo

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