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A proximidade da abertura da janela partidária, em março, já movimenta intensamente os bastidores políticos de Mato Grosso do Sul. No centro das articulações está a Federação União Progressista — formada por PP e União Brasil —, que busca definir sua estratégia para a disputa das duas vagas ao Senado Federal nas eleições de 4 de outubro de 2026.
Lideranças ouvidas pela reportagem avaliam que o crescimento da federação no estado torna difícil abrir mão de uma candidatura própria à Câmara Alta. Nesse contexto, ganha força o nome do presidente da Assembleia Legislativa (Alems), Gerson Claro. Em entrevistas recentes, o parlamentar tem ressaltado que sua pré-candidatura não é um projeto individual, mas resultado de uma construção coletiva, destacando o papel da senadora Tereza Cristina na condução das articulações.
Apesar de o foco principal do PP ser a reeleição do governador Eduardo Riedel, Gerson Claro admite que o debate sobre o Senado permanece em aberto e deve ganhar corpo nos próximos meses. Segundo ele, qualquer decisão passará por diálogo com a sociedade e com a base aliada, tendo como prioridade a estabilidade do projeto estadual.
A movimentação do presidente da Alems é interpretada como parte de uma estratégia mais ampla do PP para consolidar sua hegemonia política em Mato Grosso do Sul. Ao manter a pauta do Senado em aberto, o partido valoriza seus quadros internos e amplia seu poder de barganha nas negociações de alianças que tendem a se intensificar com a janela partidária, equilibrando fidelidade ao governo estadual e ambição de ampliar a representação em Brasília.
O tabuleiro da disputa, no entanto, é mais amplo. Um dos nomes mais consolidados é o do ex-governador Reinaldo Azambuja, atual presidente estadual do PSDB. Considerado o nome natural dos tucanos para o Senado, Azambuja mantém capital político expressivo, o que influencia diretamente as negociações dentro da base do governo.
Outro postulante de peso é o ex-ministro da Saúde e deputado federal Luiz Henrique Mandetta, filiado ao União Brasil. Integrante da mesma federação do PP, Mandetta surge como opção competitiva, dependendo dos arranjos internos e da distribuição de espaços entre os partidos federados.
No campo mais alinhado ao bolsonarismo, o deputado federal Rodolfo Nogueira é citado como alternativa para atrair o eleitorado conservador. Já à esquerda, o ex-governador Zeca do PT sinaliza interesse em retornar à disputa majoritária, buscando reorganizar uma frente progressista no estado.
A pulverização de nomes dentro da própria base aliada revela tanto a força política do grupo quanto o risco de um gargalo nas negociações. Com apenas duas vagas em disputa, caberá ao governador Eduardo Riedel administrar as ambições de aliados históricos, como Reinaldo Azambuja, e o avanço do PP liderado por Tereza Cristina e Gerson Claro, evitando que o excesso de candidaturas fragilize a unidade do grupo nas urnas.
Nesse cenário, a atual senadora Soraya Thronicke surge como peça central. Com mandato em curso e projeção nacional crescente, Soraya mantém um capital político relevante e é observada de perto tanto pela base governista quanto pela oposição. Sua eventual permanência ou mudança de campo político pode alterar significativamente o equilíbrio da disputa.
A tendência é de uma corrida acirrada, na qual Soraya buscará viabilizar a reeleição ampliando alianças e fortalecendo sua presença no interior do estado. Sua inclusão no debate eleva o nível da competição e obriga partidos como PP e PSDB a refinar estratégias para não perder espaço diante de uma candidata que já domina os meandros do Senado.
Com múltiplas lideranças competitivas disputando espaço limitado, o caminho até 2026 exigirá habilidade política e capacidade de conciliação. O desfecho dessa equação definirá não apenas as candidaturas ao Senado, mas também o grau de coesão do grupo político que hoje sustenta o governo de Mato Grosso do Sul.
De Lu Barreto

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