Foto: United Soybean Board
No curto prazo, a leitura do mercado futuro mostra quatro rodadas de baixa
O mercado internacional da soja entra no ciclo de 2026 sob um ambiente marcado por excesso de oferta, fragilidade técnica e necessidade de gestão ativa de risco. Análise da TF Agroeconômica indica que o cenário é de pressão estrutural sobre os preços, com volatilidade condicionada a fatores climáticos e movimentos técnicos dos fundos em Chicago.
No curto prazo, a leitura do mercado futuro mostra quatro rodadas consecutivas de baixa no encerramento de 2025, exportações norte-americanas 32% inferiores às do ano anterior e forte desaceleração das compras chinesas. Os fundos seguem com posição comprada, mas o mercado permanece vulnerável a liquidações, o que reforça um quadro considerado pesado nos fundamentos e frágil no aspecto técnico.
No balanço global, a China aparece como o principal vetor baixista, com expectativa de compras limitadas nos Estados Unidos e clara priorização da soja sul-americana. O Brasil surge como o maior peso do mercado em 2026, com produção estimada entre 178 e 180 milhões de toneladas, clima favorável e oferta abundante a partir do primeiro trimestre, funcionando como teto para os preços. A Argentina é apontada como o único fator altista relevante, com produção ajustada para 46 milhões de toneladas, riscos climáticos localizados e maior competitividade externa, embora insuficiente para alterar sozinha a tendência global. Nos Estados Unidos, exportações fracas e redução do interesse dos fundos seguem pressionando as cotações, com o nível de US$ 10,57 por bushel sendo considerado um ponto técnico decisivo.
Dentro desse contexto, a consultoria trabalha com três cenários para a soja em Chicago. O cenário base, o mais provável, projeta preços entre US$ 10,20 e US$ 10,80 por bushel para março de 2026, com mercado lateral e pesado. O cenário pessimista aponta valores abaixo de US$ 10,00, refletindo excesso de oferta, enquanto o cenário altista depende de choques climáticos no Cone Sul, com altas limitadas pela produção brasileira.
A recomendação central é de um mercado de defesa, não de ataque, com estratégias de hedge flexíveis, escalonadas e disciplinadas, priorizando opções e proteção de margens diante de um ambiente de oferta abundante e demanda cautelosa.
Agrolink - Leonardo Gottems

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