Os novos materiais são desenvolvidos para retornar à natureza de forma amigável
O setor de alimentos vive um momento de transformação ao tentar equilibrar a praticidade exigida pelo consumo moderno com a necessidade crescente de reduzir impactos ambientais causados pelos resíduos. Segundo análise de Breno Moraes, engenheiro de planejamento, as embalagens biodegradáveis deixaram de ser apenas um diferencial e passaram a ocupar um papel estratégico diante do avanço da geração de lixo e da pressão por soluções sustentáveis.
Diferentemente dos plásticos convencionais, que permanecem no ambiente por séculos, os novos materiais são desenvolvidos para retornar à natureza de forma segura, dentro de um ciclo fechado. Entre as inovações já em uso estão os bioplásticos como PLA e PHA, produzidos a partir de fontes renováveis como milho, cana-de-açúcar e subprodutos agroindustriais, que oferecem resistência e transparência adequadas para copos e recipientes de curta duração. Outra frente relevante é o uso de fibras naturais e celulose moldada, com matérias-primas como bagaço de cana e palha de trigo, aplicadas em marmitas e bandejas que apresentam bom isolamento térmico e facilidade de compostagem doméstica.
Também avançam soluções baseadas em algas, consideradas uma das áreas mais promissoras do setor por utilizarem organismos de crescimento rápido, sem demanda por água doce ou fertilizantes, resultando em embalagens que se degradam em poucas semanas no solo ou na água. No transporte de produtos, o micélio de fungos surge como alternativa ao isopor, combinando alta resistência com baixa pegada de carbono.
A adoção desses materiais impacta toda a cadeia de valor, exigindo ajustes na logística e no design dos produtos. Empresas que avançam nesse movimento buscam reduzir riscos associados a futuras restrições ao plástico de uso único e atender a uma demanda crescente por consumo consciente. Com a tecnologia disponível e a escala industrial em evolução, o desafio passa a ser a integração entre indústria, varejo e sistemas de compostagem para que o ciclo sustentável se complete de forma efetiva.
Agrolink - Leonardo Gottems
Foto: Canva
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