quarta-feira, 30 de agosto de 2017

Polícia Militar e bombeiros decidem por aquartelamento na sexta-feira


Eduardo Coutinho e Bruna Pasche               Foto Valentin Manie

Militares reivindicam proposta de reajuste salarial e um plano de contratação


A Polícia Militar e o Corpo de Bombeiros decidiram ontem (29), por unanimidade em assembleia geral, pelo aquartelamento por 24 horas na sexta-feira. Os militares cobram do governo do Estado a valorização salarial e plano para reforçar o efetivo.

Além de Campo Grande, a assembleia ocorreu em outras 12 regionais no interior do Estado e até o meio da tarde tinha mais de 80% de aprovação entre a categoria. Impedidos por lei de realizar greve, policiais e bombeiros se apresentarão aos quartéis, mas não atenderão ocorrências.

“Assim como o governo descumpre a lei quando faz compromisso com a categoria de dar, no mínimo, 12% de reajuste, e depois volta atrás e ninguém faz nada contra ele, nós também temos o direito de protestar. Com todo o respeito que nós temos às leis, mas se nosso governador não cumpre. A nossa vontade é resolver tudo amigavelmente, se eles anunciarem que vão pagar, a gente cancela tudo, mas, se não, seguimos com a programação”, explicou o presidente da ACS-MS (Associação de Cabos e Soldados da Polícia Militar e Bombeiro Militar de Mato Grosso do Sul), Edmar Soares da Silva.

Pela manhã, o representante chegou a utilizar a tribuna na Assembleia Legislativa para comentar a situação “caótica” dos militares. “[Reinaldo] Azambuja manteve o compromisso com a Polícia Civil de 7% [de reajuste] a partir de julho e manteve os 7% para o ano que vem. E para a Polícia Militar ele teve a desfaçatez de oferecer 5% para o soldado e cabo, 3,5% para sargentos e subtenentes e para os oficiais 2,49%. Quando o governador adota essa posição, está dizendo que a vida do policial militar vale menos, uma falta de respeito com policiais, bombeiros e instituições.”

Associação não descarta parar por tempo indeterminado se não houver proposta

O presidente da ACS ainda afirma que a Polícia Militar tem atualmente uma defasagem de 4 mil militares. “A previsão para o policiamento no Estado é de 9.400 homens, mas hoje temos apenas 5.400. Além disso, temos uma média de pedidos de reserva [aposentadoria] de 650 militares por ano. Nestes três anos de governo, Azambuja não contratou nenhum policial militar, apenas convocou 150 do concurso remanescente do governo do André Puccinelli [ex-governador, PMDB]”, comentou.

Neste primeiro momento o aquartelamento ocorre durante 24 horas, mas a associação não descarta paralisação por tempo indeterminado caso o governador não ofereça proposta de reajuste e anuncie contratação, e também já estuda outras manifestações, como o fechamento da Avenida Afonso Pena, esquina com a 14 de Julho, na manhã de sábado, em protesto ao reajuste.

Durante a votação, foi levantada ainda a possibilidade de um novo acampamento, igual ao feito pela Polícia Civil, que ameaçou greve geral em julho deste ano. Com a proposta de reajuste zero, os policiais civis realizaram acampamento por 40 dias em frente da Governadoria como pressão. O governo recuou e aceitou cumprir a lei de 2014, que garantia à categoria os 7% de reajuste.

No entanto, o local ainda não foi definido pela PM, sendo cogitado até mesmo na frente da casa do governador. A paralisação ocorre em meio ao clima de insegurança que toma o Estado, com crimes bárbaros de facções criminosas e brigas pelo comando do tráfico de drogas na fronteira.

Procurado pela equipe de reportagem, o titular da Sejusp (Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública), José Carlos Barbosa, informou que não foi notificado oficialmente e, por isso, não iria comentar sobre o caso.

O último aquartelamento da Polícia Militar aconteceu por três dias em 2013, quando a categoria conseguiu o melhor reajuste da história, conforme o presidente da ACS, com mais de 40% de melhoria salarial para cabos e soldados e de 30% para o resto da categoria em sete meses.

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