A FN-SUS (Força Nacional do Sistema Único de Saúde) antecipou o início da missão e já enviou nesta quarta-feira, dia 18, equipe para a Reserva Indígena de Dourados para reforçar as ações de combate ao aumento súbito de casos de Chikungunya. Compõem o grupo sete profissionais, entre médicos, enfermeiros, técnicos e responsáveis por logística que tem vivência no enfrentamento de arboviroses.
Após levantamento de informações com autoridades locais e equipe de técnicos do Ministério da Saúde que estão há duas semanas no município, foi verificada a necessidade de ampliação do efetivo. Segundo o diretor da FN-SUS, Rodrigo Guerino Stabeli, cerca de 20 profissionais devem estar no município até domingo, dia 22, para formar mais quatro equipes volantes que vão atuar nas aldeias Jaguapiru e Bororó.
Também está prevista chegada de dois médicos pesquisadores da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) nesta quinta-feira, dia 19, sendo um deles o infectologista Rivaldo Venâncio da Cunha, que morou em Dourados.
Stabeli acredita que a força de saúde para atender a comunidade tem condições de suportar a demanda, no entanto, precisa ser orientada de forma específica sobre o enfrentamento dessa doença. “É o primeiro surto de Chikungunya que acontece na região, então a Força Nacional ela veio com esse papel de treinamento desse pessoal, de qualificação, de como faz o manejo, de como como faz o alerta, de como reorienta o ambulatório, como é que orienta o seu fluxo de serviço”, pontua.
Na sexta-feira, dia 20, haverá um treinamento da FN-SUS em conjunto com a Sems (Secretaria Municipal de Saúde) voltada a profissionais de saúde, para colaborar na identificação de casos nas unidades básicas dentro e fora das aldeias, já que os casos avançaram e metade já são registrados em outras regiões da cidade.
“Lembrando que o manejo clínico para as arboviroses, ele não necessita de muita gente para atender, necessita de estratégia e orientação para atingir os focos e ir para as áreas mais necessitadas. Nós detectamos a importância de se aumentar a equipe no território também porque muitos dos agentes de saúde, médicos, enfermeiros que trabalham naquela área, moram naquela área. Então tem gente que está doente, então a gente vem também para poder dar um conforto àqueles profissionais que estão trabalhando ali, para que a gente possa assumir os turnos também”, complementa o diretor.
As ações do Ministério da Saúde são executadas em conjunto pela FN-SUS, Sesai (Secretaria Especial de Saúde Indígena) e SVSA (Vigilância em Saúde e Ambiente), além do apoio do Governo do Estado e Prefeitura, em três frentes principais.
Essas incluem as ações de controle vetorial com visitas aos imóveis para orientar sobre eliminação de focos e borrifação de inseticidas; busca ativa da população que eventualmente está infectada, mas não conseguiu chegar ao posto de saúde, além da reorganização do processo assistencial.
O atendimento não está concentrado somente em que busca pelos serviços de saúde, mas também pela notificação dos agentes comunitários durante a busca ativa e, em caso de necessidade de remoção do paciente de casa, o serviço deve ser feito pelo Samui (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência Indígena), incluindo as que moram nas retomadas.
Ainda segundo o diretor da FN-SUS, a Sesai acionou reforço de agentes de endemias de outras regiões remanejados para Dourados temporariamente, mas que teria começado o processo de contratação de novos profissionais. A atenção primária em saúde nas aldeias é de responsabilidade do Governo Federal, mas o mutirão que acontece atualmente é composto por uma maioria de servidores da saúde dos municípios de Dourados e Itaporã, e do Governo do Estado.
Além disso vai permanecer o atendimento em cooperação com unidade itinerante montada pelo HU-UFGD/Ebserh (Hospital Universitário da Universidade Federal da Grande Dourados administrado pela Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares), na quadra da Escola Municipal Indígena Tengatuí Marangatu. Pelo menos 70 pessoas foram atendidas somente no primeiro dia da ação, na terça-feira, dia 17, e sete encaminhadas para atendimento hospitalar, sendo três adultos para o Hospital da Missão e quatro crianças para o HU.
ENERGÊNCIA
A projeção das autoridades de saúde é para continuidade de aumento no número de casos ao longo da próxima semana e depois, com as medidas adotadas, uma tendência de estabilidade em até 60 dias.
O mais recente boletim epidemiológico divulgado na manhã desta quarta-feira, dia 18, apontam para 692 casos notificados somente em 2026. Desses 217 foram confirmados, 401 estão em investigação e quatro pessoas morreram.
Diante do cenário, o município ainda estuda junto com o Governo do Estado e Federal, a elaboração de um decreto de emergência de saúde pública.
As autoridades ainda orientam que dentro e fora das aldeias, a população deve ter cuidado redobrado. Além de usar repelente, é preciso manter ações de limpeza em locais que podem servir de criadouro para o mosquito. Isso porque 80% dos focos encontrados pelos agentes estão dentro das residências.

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