Reuters
Os presidentes Lula e Donald Trump se encontraram na tarde deste domingo na Malásia, madrugada no Brasil. "Vamos chegar a um acordo", garantiu o presidente dos EUA sobre as negociações com o Brasil. O petista ainda declarou que "haveria boas notícias" depois do encontro.
A reunião bilateral começou às 15h30 (horário local) -- 4h30 no horário de Brasília --, no Centro da Cidade de Kuala Lumpur (KLCC), como a Secom já havia confirmado. Ao todo, durou cerca de 50 minutos.
Mauro Vieira, Márcio Elias Rosa, do MDIC, e Audo Faleiro, diplomata da equipe do assessor especial da presidência Celso Amorim, acompanham a conversa ao lado de Lula. Do lado americano, estavam o secretário de Estado, Marco Rubio; o secretário do Tesouro, Scott Bessent; e o representante do Comércio, Jamieson Greer.
O foco principal previsto para a primeira reunião entre os dois países deveria ser o tarifaço imposto por Washington a exportações brasileiras para os Estados Unidos. Além disso, sanções contra cidadãos brasileiros, ofensiva americana sobre a Venezuela e outros temas sensíveis também poderiam ser discutidos pelos líderes.
Para o Brasil, o encontro pode indicar um termômetro da relação futura com os EUA -- medindo se Washington estará disposto a recuar nas sanções políticas, vistas por Brasília como medidas mais políticas do que comerciais.
Destaques da reunião
Questionado se os Estados Unidos reduziriam as tarifas sobre o Brasil, Trump indicou:
— Vamos discutir isso por um tempo. Sabemos o que cada um quer.
— É uma grande honra estar com o presidente do Brasil — um grande país. É um país grande e lindo. Acho que conseguiremos fechar alguns bons acordos, como temos conversado, e acho que acabaremos tendo um ótimo relacionamento — ressaltou o presidente americano.
Donald Trump elogiou Jair Bolsonaro, condenado por trama golpista, na frente de Lula.
— Sempre gostei dele. Me sinto muito mal pelo que aconteceu com ele. Sempre achei que ele era direto, mas ele passou por muita coisa — sugeriu.
Contudo, quando perguntaram se ele discutiria sobre o ex-presidente brasileiro com o petista, ele respondeu:
— Não é da sua conta.
Além de Bolsonaro, foi questionado se havia algo que o Brasil poderia oferecer para melhorar as relações com os EUA.
— Provavelmente. Saberemos em 15 minutos. Eles podem oferecer muito e nós podemos oferecer muito — reforçou.
Quando Lula reclamou que eles estavam perdendo tempo falando com a mídia, Trump rebateu:
— A mídia nem precisa demorar tanto .
E completou:
— Suas perguntas são muito entediantes.
Atritos na América Latina
Ações de Washington contra os governos de Nicolás Maduro e Gustavo Petro -- presidentes da Venezuela e da Colômbia, respectivamente -- aumentaram as tensões na conversa com o Brasil.
Nesse contexto, o país se divide entre o pragmatismo com os EUA e a defesa dos vizinhos. Enquanto Lula tenta uma trégua com Trump nas taxas sobre os produtos exportados, ainda defende a soberania dos países da América Latina em meio à ofensiva americana.
Protagonismo do dólar
O dólar é outro ponto sensível da discussão bilateral. Lula propõe a diminuição do uso da moeda em relações comerciais do Brics, bloco econômico que integra Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul.
Por outro lado, o presidente americano discorda do projeto e já ameaçou elevar as tarifas dos produtos dessas nações caso a iniciativa avançasse no bloco.
Por
Isabela Cagliarie
Marcelo Ninio— São Paulo e Kuala Lumpur
o Globo

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