Foto: Luician Nassar
A defesa da valorização dos profissionais da Educação marcou a tribuna da Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul (ALEMS) nesta quinta-feira (23). A presidente da Federação dos Trabalhadores em Educação de Mato Grosso do Sul (Fetems), Deumeires Morais, usou a manifestação externa, solicitada pelo deputado Pedro Kemp (PT), para reforçar as pautas da categoria e denunciar a precarização das relações de trabalho nas redes estadual e municipal de ensino.
“Viva a educação pública, viva os trabalhadores da Educação!”, encerrou Deumeires, após destacar que a campanha da Fetems — iniciada em abril — busca defender a qualidade do ensino e o reconhecimento dos profissionais. Ela reforçou dois pontos centrais: a revisão da tabela dos administrativos, para contemplar quem possui formação superior, e a realização de concurso público, diante do elevado número de professores temporários.
Segundo a dirigente, há 74 mil profissionais que concluíram o ensino superior e ainda aguardam a aplicação da gratificação prevista em lei. “Os temporários se tornaram uma prática comum dos gestores, mas isso caminha na contramão do que está sendo debatido no Plano Nacional de Educação. Hoje, de cada dez professores em exercício, seis são convocados”, alertou.
Apoio e críticas no plenário
O deputado Pedro Kemp manifestou apoio integral às reivindicações. “Há uma distorção muito grande. Os professores convocados deveriam substituir efetivos, e não ocupar vagas puras. Eles fazem o mesmo trabalho, mas recebem metade do salário, o que também prejudica a previdência estadual”, destacou, defendendo a realização de concurso público e o reconhecimento dos servidores administrativos.
O presidente da ALEMS, Gerson Claro (PP), reforçou o compromisso do Legislativo em manter o diálogo com a categoria. “Temos pautado as reivindicações com respeito e diálogo. A educação avançou, mas é preciso continuar ouvindo e aperfeiçoando as políticas”, disse.
O vice-presidente da Casa, Renato Câmara (MDB), também se posicionou favoravelmente. “Todas as reivindicações são justas. Contem conosco”, afirmou.
Situação nas escolas
A deputada Gleice Jane (PT) relatou a realidade que observa em visitas às escolas. “O quadro é ainda pior do que o relatado. O número de contratados é muito grande e isso impacta diretamente no desenvolvimento educacional. O concurso é urgente”, afirmou.
O presidente da Comissão de Educação, professor Rinaldo Modesto (Podemos), classificou a situação como um problema nacional. “Mato Grosso do Sul supera a média do país em número de convocados. Conheço professores com doutorado nessa condição. Nosso apoio é total à categoria”, declarou.
O deputado Zeca do PT elogiou o pronunciamento de Deumeires e propôs a criação de uma comissão para tratar do assunto com o Governo do Estado. “É um clamor legítimo da categoria mais lutadora do nosso Estado”, afirmou.
Governo deve dialogar, dizem parlamentares
Encerrando as manifestações, o deputado Pedrossian Neto (PSD) reconheceu a legitimidade das pautas. “Essa mobilização é justa e necessária. O Governo tem vontade política de avançar, mas precisamos enfrentar a precarização dos vínculos e buscar soluções conjuntas”, ressaltou.
Com apoio de diferentes bancadas, a fala da presidente da Fetems deu novo fôlego à mobilização dos trabalhadores da Educação, que defendem salário digno, carreira estruturada, jornada equilibrada e previdência própria como pilares de uma educação pública de qualidade em Mato Grosso do Sul.

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