sábado, 25 de outubro de 2025

Paraguai intensifica caça a chefe de pistoleiros na fronteira com o Brasil

 

                                              Reprodução FTC



A Polícia Nacional do Paraguai mantém uma operação de grande escala para capturar Éder Rolando Giménez Duarte, conhecido como “Largo”, apontado como chefe de uma organização criminosa responsável por uma série de execuções recentes na fronteira entre Pedro Juan Caballero e Ponta Porã (MS).

Considerado o principal mentor da nova onda de assassinatos, Largo teria herdado o comando da pistolagem após a morte de Marcio Ariel Sánchez, o “Aguacate”. Segundo o comissário Marcelino Espinoza, diretor de Investigação Criminal, o criminoso “passou de matador a líder de um esquema que recruta jovens para impor domínio no Departamento de Amambay”.

Em resposta à escalada da violência, o presidente Santiago Peña autorizou o envio de 42 militares da Força Tarefa Conjunta (FTC) para apoiar as ações policiais em Pedro Juan Caballero. O objetivo é desarticular o grupo, que vem promovendo ataques armados em plena área urbana — incluindo execuções em comércios e vias públicas.

Entre as vítimas recentes está o brasileiro Victor Manuel Benítez, morto por bala perdida durante um tiroteio na terça-feira (21). A polícia acredita que o grupo de Largo esteja ligado a pelo menos três execuções ocorridas nesta semana, entre elas a do ex-candidato a vereador Jonathan Medeiro da Fonseca, morto em um shopping de Pedro Juan.

Especialistas alertam que a violência na fronteira atinge um novo patamar. O criminólogo Juan Alberto Martens Molas, da Universidade de Barcelona, analisa que os homicídios por encomenda seguem duas lógicas: a dos “empresários do crime”, que usam a pistolagem como ferramenta de poder, e a da banalização da violência, com o serviço de execução se tornando cada vez mais acessível.

Segundo Martens, “a violência, antes restrita a disputas entre facções, agora é um recurso disponível para resolver conflitos pessoais ou empresariais — um perigoso reflexo da normalização do crime na fronteira”.

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