segunda-feira, 27 de outubro de 2025

Lavagem intestinal, citada por Gaby Amarantos, não emagrece e pode ser perigosa em excesso

 

                                             Ronny Santos/Folhapress

  • Limpeza feita pelo reto é usada para tratamentos específicos

  • Uso como forma de desintoxicar o corpo não tem evidências e pode causar inflamações, segundo especialistas


A cantora Gaby Amarantos viralizou ao dizer em entrevista que perdeu 15 kg após realizar procedimento de lavagem intestinal, também conhecida como enema ou "chuca". Especialistas dizem que o método não serve para emagrecimento e que o uso indiscriminado pode trazer riscos à flora intestinal.


"A minha mente limpou. O meu corpo limpou. Eu consegui emagrecer com estes processos. Foi a solução mais radical que encontrei. Eu já tinha feito de tudo e não conseguia emagrecer", disse a cantora no programa De Frente com Blogueirinha, exibido no canal Dia TV.


Procedimentos como o enema vêm surgindo como método de emagrecimento fácil e rápido. Eles são divulgados em clínicas de estética como uma forma de "desintoxicação" do corpo. Contudo, segundo médicos consultados pela Folha, não há evidências científicas sólidas que comprovem os benefícios.


O que é a lavagem intestinal, ou enema?

O enema é uma limpeza intestinal feita pelo orifício do reto, com a introdução de líquido no intestino grosso, diz Alexandre Nishimura, cirurgião coloproctologista da clínica Procto Prime, em São Paulo.


O método é usado para aliviar constipação intensa, tratar impactação fecal (quando fezes muito endurecidas bloqueiam o intestino), preparar o intestino para exames (como a colonoscopia ou exames de imagem relacionados ao cólon) ou, em alguns casos, para aplicar medicamentos.


Enema emagrece?

O enema não faz emagrecer, diz Fernando Flaquer, gastroenterologista do Einstein Hospital Israelita. "O procedimento somente limpa a parte do intestino onde não há mais absorção de nutrientes. Ou seja, somente limpa os resíduos, as fezes."


Nishimura diz que o procedimento pode causar uma perda momentânea de peso "porque elimina fezes e líquidos, mas não queima gordura nem acelera o metabolismo"


Qualquer um pode fazer?

Segundo Nishimura, o enema só deve ser feito com orientação médica, principalmente em quem tem problemas intestinais, inflamações ou já fez cirurgias abdominais. Como a maioria dos procedimentos, possui riscos, que podem ser agravados quando é feito de forma incorreta.


"O enema pode causar irritação, ferimentos no intestino, infecções e até desequilíbrio de sais minerais do corpo. Usar com frequência também pode deixar o intestino 'preguiçoso'", diz o médico. Também há risco de alteração do funcionamento do esfíncter anal, podendo levar à incontinência.


Como é o procedimento?

O enema é realizado introduzindo um tubo ou frasco próprio no reto. Injeta-se uma solução líquida, que pode ser água ou medicamentos. "O exame é desconfortável, com distensão e sensação de urgência para evacuar", diz Flaquer.


'Super chuca'

Gaby Amarantos também cita uma "super chuca" como método de emagrecimento. O termo é usado popularmente para se referir à limpeza intestinal feita com maior volume de líquido, para alcançar o intestino grosso.


O termo faz referência à "chuca" é uma lavagem interna do ânus e do reto, também chamada de ducha higiênica, usada para limpar fezes e garantir a higiene antes do sexo anal.


Os médicos reforçam que o uso do procedimento com forma de "detox" não tem benefício comprovado e pode ser prejudicial à saúde. "Para emagrecer de forma sustentável, é preciso alimentação adequada, exercício, e mudança de estilo de vida", diz Nishimura.


Luísa Monte

Folha de São Paulo

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