sábado, 25 de outubro de 2025

Consórcio Guaicurus garante pagamento e greve de motoristas é descartada em Campo Grande

                                               Foto: Paulo Ribas



 A assembleia que os motoristas do transporte coletivo de Campo Grande realizariam na próxima segunda-feira (27) foi cancelada. A decisão ocorreu depois que o Consórcio Guaicurus se comprometeu a pagar o adiantamento salarial (vale) na mesma data. O presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Transporte Coletivo Urbano de Campo Grande (STTCG), Demétrio Ferreira, confirmou nesta sexta-feira (24) que recebeu um ofício do consórcio garantindo o repasse.

Com o acordo, foi afastado o risco de nova paralisação, que poderia ocorrer na terça-feira (28). Na última quarta-feira (22), motoristas interromperam o serviço por cerca de três horas no início da manhã, prejudicando milhares de usuários do transporte público.

Repasses da Prefeitura

O impasse ocorre em meio à regularização dos repasses da Prefeitura de Campo Grande ao sistema. Nos últimos dois dias, o município transferiu R$ 2,3 milhões em subvenções ao consórcio, restando ainda R$ 1,03 milhão, que deve ser pago no início da próxima semana com recursos do Fundo Municipal de Saúde.

Segundo a secretária de Fazenda, Márcia Helena Okama, parte das gratuidades bancadas pelo município está ligada ao transporte de pacientes renais crônicos, pessoas em tratamento contra o câncer e portadores de algumas doenças sexualmente transmissíveis (DSTs). O repasse mensal varia conforme o fluxo de passageiros e gira em torno de R$ 1,5 milhão. Após o pagamento previsto, ainda restam os meses de novembro e dezembro para completar o subsídio anual.

Okama destacou que o consórcio já recebeu os valores transferidos nesta semana e que a normalização deve evitar novos atrasos salariais. Ela também informou que o município está prestes a resolver totalmente sua inadimplência junto ao Tesouro Nacional, deixando de constar no Cadin (Cadastro de Inadimplentes da Receita Federal). O bloqueio impedia que o Governo do Estado repassasse R$ 3,3 milhões referentes ao subsídio do transporte coletivo. Com a situação regularizada, o recurso poderá ser transferido normalmente.

Expectativa de estabilidade

Na coletiva, o presidente da Agência Municipal de Transporte e Trânsito (Agetran), Paulo da Silva, e o presidente da Agência Municipal de Regulação de Serviços Públicos (Agereg), José Mário Antunes da Silva, reforçaram que esperam estabilidade no serviço e alertaram que o Consórcio Guaicurus poderá ser multado se houver novas interrupções injustificadas.

O subsídio ao transporte coletivo foi criado após a pandemia para equilibrar as contas do sistema. Atualmente, o consórcio recebe R$ 6,17 por passagem, enquanto o usuário paga R$ 4,90. A diferença é coberta pela prefeitura e pelo governo do Estado, evitando reajustes diretos na tarifa ao usuário.

Protesto recente

Na quarta-feira (22), Campo Grande amanheceu sem ônibus nas ruas. Os motoristas retardaram em cerca de uma hora e meia o início das atividades em protesto contra o atraso no pagamento do vale, de aproximadamente R$ 1,3 mil, que normalmente é creditado no dia 20 de cada mês. Segundo o sindicato, cerca de mil trabalhadores foram afetados.

O protesto e a ameaça de greve ocorreram no mesmo período em que os empresários do transporte reivindicam reajuste tarifário de 26%, o que elevaria o valor da passagem para R$ 6,17. Uma decisão judicial recente determinou que a prefeitura cumpra sentença que fixa a tarifa técnica — valor total do custo do serviço — em R$ 7,79.

Com informações de Eduardo Miranda — Correio do Estado

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