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Irrigação influencia produtividade do feijão
O crescimento vegetativo corresponde ao período entre a emergência das plântulas e o início do florescimento. É nessa fase que ocorre a formação e o alongamento do sistema radicular, a emissão de folhas trifoliadas e o desenvolvimento dos ramos laterais. Como as raízes ainda estão em expansão, o feijoeiro apresenta elevada sensibilidade tanto à falta quanto ao excesso de água, especialmente porque o solo permanece mais exposto à evaporação.
O manejo da irrigação, nesse período, deve manter o solo próximo da capacidade de campo, evitando extremos de seca e saturação. O monitoramento da umidade do solo, por meio da observação direta, tensiômetros ou sensores, auxilia na tomada de decisão. Também é importante evitar aplicações excessivas em solos mais argilosos, permitir uma leve secagem entre as irrigações para estimular o aprofundamento das raízes, priorizar os horários mais frescos do dia e adaptar a lâmina de água conforme o tipo de solo, o clima e o estágio de desenvolvimento da cultura, sempre seguindo recomendações técnicas oficiais.
Segundo a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, a irrigação é determinante no desenvolvimento inicial do feijoeiro, uma vez que a cultura responde rapidamente às variações na disponibilidade de água. Além da fase de implantação, esse período coincide com operações importantes, como adubação de cobertura e controle de plantas daninhas. Caso a irrigação seja mal conduzida, podem ocorrer perdas de nutrientes, compactação superficial do solo e aumento da incidência de doenças radiculares.
Entre dezembro de 2025 e dezembro de 2026, produtores de diferentes regiões poderão enfrentar cenários distintos, como veranicos prolongados ou chuvas concentradas em curto espaço de tempo. Essa alternância aumenta o risco de o solo passar rapidamente de condições de excesso de água para déficit hídrico, exigindo ajustes constantes no manejo, sobretudo em áreas irrigadas por pivô central, aspersão convencional ou gotejamento.
Nas primeiras semanas após a emergência, a demanda de água do feijoeiro ainda é moderada, pois a área foliar permanece reduzida. Com o avanço do crescimento vegetativo e a emissão de novas folhas trifoliadas, a planta intensifica a fotossíntese, aumenta a transpiração e, consequentemente, eleva a necessidade de reposição hídrica por irrigação ou precipitação.
A necessidade de água varia conforme o tipo de solo, as condições climáticas e o estádio de desenvolvimento da planta. Solos arenosos armazenam menos água e exigem irrigações mais frequentes, enquanto solos argilosos permitem intervalos maiores, desde que não haja encharcamento. Temperaturas elevadas, baixa umidade relativa do ar e ventos intensificam a evapotranspiração. À medida que a cultura se aproxima da fase reprodutiva, a demanda hídrica também cresce.
O manejo adequado da irrigação traz reflexos diretos sobre a produtividade. Com disponibilidade equilibrada de água, o sistema radicular se desenvolve melhor, há maior emissão de ramos laterais, crescimento uniforme das plantas, melhor aproveitamento dos fertilizantes e entrada mais vigorosa no período de florescimento.
Por outro lado, o excesso de água reduz a oxigenação do solo, prejudica o desenvolvimento das raízes e favorece doenças radiculares, além de aumentar o risco de acamamento e perdas de plântulas em áreas mal drenadas.
Já o déficit hídrico limita o crescimento das plantas, reduz a expansão foliar, compromete a formação de ramos e pode diminuir o número de flores e vagens produzidas posteriormente, afetando diretamente a produtividade da lavoura.
A decisão sobre o momento de irrigar deve considerar indicadores observados no campo e, sempre que possível, informações obtidas por instrumentos de monitoramento da umidade do solo.
Entre os sinais mais utilizados estão a persistência do murchamento das folhas em horários mais amenos e a condição da camada superficial do solo, que deve permanecer úmida sem apresentar aspecto excessivamente seco ou saturado. A formação de crostas superficiais também pode indicar excesso de água em irrigações anteriores.
Quando disponíveis, tensiômetros e sensores de umidade tornam o manejo mais preciso ao indicar a disponibilidade de água no solo. Ainda assim, a recomendação é combinar os dados obtidos pelos equipamentos com a observação das plantas e das condições da área.
O ajuste da lâmina de irrigação deve considerar a capacidade de armazenamento de água do solo e o crescimento gradual do sistema radicular do feijoeiro. Em vez de grandes volumes em uma única aplicação, especialmente em solos de textura média e argilosa, o ideal é realizar reposições fracionadas para manter a umidade mais estável.
De forma geral, recomenda-se calcular a reposição hídrica com base na evapotranspiração da cultura e nas recomendações técnicas regionais. Também é importante reduzir a lâmina em áreas com baixa infiltração ou histórico de encharcamento e evitar aplicações superiores à capacidade de armazenamento da zona radicular, reduzindo perdas por percolação profunda.
A frequência das irrigações também varia conforme o tipo de solo. Em áreas arenosas, normalmente são necessárias irrigações mais frequentes e com menor volume de água. Já em solos argilosos, os intervalos podem ser ampliados, desde que a umidade permaneça em níveis adequados para o desenvolvimento da cultura.
Sempre que possível, as irrigações devem ser realizadas nos horários mais frescos do dia, como início da manhã ou final da tarde. Essa prática reduz perdas por evaporação, minimiza o estresse térmico sobre as plantas irrigadas por aspersão e melhora o aproveitamento da água aplicada.
No caso de sistemas de gotejamento, há maior flexibilidade para definir os horários de irrigação, embora os períodos de menor temperatura continuem sendo mais indicados para aumentar a eficiência do uso da água e reduzir o consumo de energia em sistemas de bombeamento.
Outro cuidado importante é evitar o encharcamento durante o crescimento vegetativo. A saturação do solo reduz a disponibilidade de oxigênio para as raízes e compromete processos como a fixação biológica de nitrogênio quando há inoculação com rizóbios.
Entre as práticas recomendadas estão o ajuste da velocidade dos equipamentos de irrigação, a manutenção dos sistemas de drenagem, a observação de áreas com formação de poças e o manejo adequado do solo para evitar crostas superficiais, mantendo a infiltração e a aeração.
A irrigação também precisa estar integrada às demais práticas de manejo da lavoura.
Após a adubação de cobertura, por exemplo, uma irrigação moderada favorece a incorporação dos nutrientes ao solo, enquanto aplicações excessivas podem provocar lixiviação. O controle da umidade também interfere na emergência de plantas daninhas e no manejo de herbicidas.
Além disso, plantas bem hidratadas apresentam maior vigor e menor suscetibilidade a pragas e doenças. Em contrapartida, ambientes excessivamente úmidos, especialmente em sistemas de aspersão, podem favorecer doenças foliares, tornando o ajuste do horário e da intensidade da irrigação uma ferramenta importante também para o manejo fitossanitário.
O manejo da irrigação deve respeitar a legislação ambiental e as normas relacionadas ao uso dos recursos hídricos, incluindo a obtenção de outorga quando exigida. Também cabe ao produtor utilizar os equipamentos de irrigação de forma eficiente, evitando desperdícios, erosão e contaminação de corpos d’água.
Quando a irrigação estiver associada à fertirrigação ou à aplicação de defensivos agrícolas, sempre que permitido tecnicamente, é indispensável seguir as recomendações previstas em bula, rótulo e receituário agronômico, além da utilização correta dos equipamentos de proteção individual.
Antes de definir a irrigação, o produtor deve avaliar a umidade da camada superficial do solo, observar possíveis sinais de estresse hídrico, considerar a realização recente de adubação de cobertura, identificar áreas com drenagem deficiente, acompanhar a previsão do tempo, verificar a regulagem dos equipamentos e integrar o manejo hídrico às demais práticas adotadas na lavoura.
Em síntese, manter o solo próximo da capacidade de campo, ajustar lâmina e frequência conforme as condições climáticas e do solo, evitar tanto o déficit quanto o excesso de água e integrar a irrigação às demais operações agrícolas são medidas que favorecem a formação de uma lavoura uniforme e aumentam o potencial produtivo do feijoeiro.
O conteúdo tem caráter informativo e não substitui a avaliação de um engenheiro agrônomo em condições reais de campo.
Como referências técnicas, foram utilizados estudos da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, além de publicações de pesquisadores como Paulo Estevão de Pádua Albuquerque, Cícero Vieira, Tarcísio José de Paula Júnior, Aluízio Borém, Luiz Fernando Stone, João Afonso de Almeida Moreira e os trabalhos de J. Doorenbos e A. H. Kassam sobre resposta das culturas à água.

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