quinta-feira, 9 de julho de 2026

Adeptos da posse da bola, França e Marrocos brigam por ela para ir às semifinais

 

                                            À esquerda, Dembélé e Mbappé celebram um dos 14 gols da França na Copa; à direita, Diop (14) vibra com Rahimi em tento de Marrocos - Franck Fife - 30.jun.26 e Carl de Souza - 29.jun.26/AFP


  • Duelo em estádio nos arredores de Boston reúne equipes que gostam de controlar o jogo com trocas de passes

  • Apontada como favorita ao título, formação europeia tem adversário técnico pela frente nas quartas de final da Copa


A estatística que importa, observou Carlo Ancelotti antes das oitavas de final da Copa do Mundo, é o placar. Seu time, porém, foi eliminado com uma contagem de gols proporcional à da posse de bola. Com 33,6%, contra 66,4% da Noruega, segundo a Opta Analyst, o Brasil perdeu por 2 a 1 e deu adeus ao torneio.


FRANÇA X MARROCOS

Foxborough, quinta-feira (9), às 17h (de Brasília)


Globo, SBT, CazéTV, SporTV, N Sports, e Ge TV (Globoplay)

França e Marrocos, com estratégia bem diferente da brasileira, avançaram às quartas. Adeptas do controle do jogo por meio da troca de passes, as equipes vão se encontrar na tarde desta quinta-feira (9), em Foxborough, em um duelo no qual o domínio da Trionda, como é chamado o esférico do Mundial, deverá ser crucial.


Confira a tabela da Copa

"São duas seleções que gostam de ter a bola e fazer gols", afirmou o técnico da formação europeia, Didier Deschamps, a quem não faltam atletas de qualidade na construção e na conclusão das jogadas. Municiado sobretudo por Olise, que tem cinco assistências na competição, Mbappé já tem sete gols –um a menos que o artilheiro geral, Messi, da Argentina.


Apontada como uma das grandes favoritas ao título, a equipe francesa marcou ao menos três vezes contra cada um de seus oponentes no Grupo I: fez 3 a 1 no Senegal, derrotou o Iraque por 3 a 0 e goleou por 4 a 1 os reservas da Noruega. No mata-mata, voltou a mostrar poder de fogo com um tranquilo 3 a 0 sobre a Suécia antes de um duro triunfo por 1 a 0 sobre o Paraguai.


A cada jogo, os comandados de Deschamps foram controlando mais a bola. De acordo com a Opta, tiveram 53,4% de posse na estreia e, na sequência, 55,6%, 56,7% 61% e 75,9%. O maior número foi na partida contra os defensivos e ríspidos paraguaios, cuja barreira foi quebrada em uma jogada individual de Doué, com pênalti convertido por Mbappé.


"Nós temos que ser mais eficientes do ponto de vista ofensivo. Somos eficientes, mas acho que poderíamos ter tido um desempenho melhor nesse sentido na última partida. Às vezes, você tem seis chances de gol e faz dois gols. Às vezes, tem duas chances e marca duas vezes. É importante ser eficiente", declarou o treinador da França.


Ele sabe que o adversário desta quinta não é o Paraguai. Também cheio de jogadores técnicos, Marrocos gosta de ter a bola nos pés. Em seus quatro compromissos mais recentes, teve 58,9% de posse na vitória por 1 a 0 sobre a Escócia, 69,1% no triunfo por 4 a 2 sobre o Haiti, 70,1% no empate por 1 a 1 com a Holanda –seguido de alegria nos penais– e 55,3% no 3 a 0 sobre o Canadá.


O time atua de maneira diferente da adotada na Copa de 2022, na qual surpreendeu ao avançar até as semifinais, na melhor campanha de um africano na história. Naquela versão, teve média de 37,8% de posse de bola, apostando em uma marcação firme e nos contra-ataques. Parou na própria França, nas semifinais, 2 a 0.


Comandante da equipe no Qatar, Walid Regragui foi mantido até a Copa Africana de Nações deste ano. Após a derrota em campo na final –no tapetão, o resultado mudou, porque o Senegal chegou a abandonar o gramado em protesto contra marcação de pênalti–, a federação marroquina decidiu trocá-lo por Mohamed Ouahbi.


Campeão mundial com a formação sub-20 de Marrocos no ano passado, Ouahbi chegou com a responsabilidade de estabelecer um jogo mais fluido, apropriado para atletas de qualidade como Hakimi, Brahim Díaz e Saibari. Para isso, ganhou em maio um ótimo reforço: o volante Bouaddi, que defendia a França sub-20 e resolveu adotar a nação de seus pais como adulto.


É um dos vários ingredientes de uma partida que movimenta as torcidas também pelo histórico político: Marrocos foi um protetorado da França até 1956. Os países têm uma relação pós-colonial relativamente boa –na comparação, por exemplo, com o que se vê entre Argélia e França–, mas não livre de tensões. Boa parte dos marroquinos considera os franceses seus maiores rivais.


Os jogadores não têm necessariamente esse sentimento. Cinco além de Bouaddi nasceram em território francês e fizeram o caminho inverso de Just Fontaine, maior artilheiro de uma edição da Copa. Em 1958, o atacante nascido em Marrakech marcou 13 gols com a camisa da França, terceira colocada.


Mbappé, com sete bolas na rede neste Mundial e a possibilidade de jogar mais três vezes, é um dos que ameaçam o recorde. Para perseguir a marca, precisará da bola contra Marrocos. Os africanos também a querem.


Ficha técnica

FRANÇA X MARROCOS (Copa do Mundo – quartas de final)

Data: 9 de julho de 2026 (quinta-feira), às 17h (de Brasília)

Local: Gillette Stadium, em Foxborough (EUA)

Transmissão: Globo, SBT, CazéTV, SporTV, N Sports e Ge TV (Globoplay)

Árbitro: Facundo Tello (ARG)

Assistentes: Juan Pablo Belatti e Gabriel Chade (ARG)


França

Maignan; Koundé, Upamecano, Saliba e Digne; Koné, Rabiot e Olise; Dembélé, Mbappé e Barcola

Técnico: Didier Deschamps


Marrocos

Bounou; Hakimi, Diop, Riad e Mazraoui; Bouaddi, El Aynaoui e Ounahi; Brahim Díaz, Rahimi e El Khannouss

Técnico: Mohamed Ouahbi

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