sábado, 21 de novembro de 2020

Do balcão da farmácia, Zé conquistou um gabinete na Câmara de Campo Grande

 


                                           Álvaro Rezende


Flávio Veras


Quem verificou a lista dos vereadores eleitos de Campo Grande, ao ver o terceiro mais votado da lista, dever ter se perguntado: “Quem é esse Zé da Farmácia?”. O Correio do Estado foi às Moreninhas para entrevistar Jacinto Luna Neto, ou simplesmente Zé da Farmácia (Podemos), e lá foi possível compreender que o desconhecido da maioria dos moradores da Capital, além de ser muito popular no bairro – um dos maiores da cidade –, é famoso pelo atendimento atrás do balcão da farmácia em que ele é funcionário.  


Antes de tudo, uma curiosidade que chamou a atenção da reportagem foi o nome. Apesar de se chamar Jacinto, ele ficou conhecido como Zé da Farmácia. Ao ser questionado sobre o porquê do apelido, ele afirmou que não tem muita explicação.  


“Por eu sempre trabalhar na mesma farmácia há 33 anos, desde que cheguei, fiquei conhecido como Zé da Farmácia. Não sei por que esse nome ficou conhecido, mas pegou, e aqui ninguém me chama pelo meu nome de batismo. É o Zé da Farmácia, sem ao menos ser dono de uma farmácia”, brincou.


Natural de Vicentina, interior do Estado, Zé chegou em Campo Grande com 16 anos, em 1988. O primeiro emprego na cidade foi no atual local de trabalho, onde hoje completa 32 anos atrás do mesmo balcão. Figura divertida e de sorriso fácil, outra característica que chama a atenção do mais novo político é que ele conhece todos os clientes pelo nome, – pelo menos ele tratava todos os clientes que chegavam com muita proximidade enquanto a entrevista ocorria.


Além disso, cada um dos consumidores que entrava no comércio fazia questão de cumprimentá-lo pela vitória nas urnas. E foi por causa desta popularidade que o atendente de farmácia desde seus 16 anos conquistou o eleitorado.  


A primeira eleição que disputou foi em 2016, pelo Pros. A decisão foi tomada em razão da cobrança dos moradores para que ele se candidatasse, mas não saiu vitorioso daquele pleito.


“Eu faço política há muitos anos, porém fora de qualquer cargo eletivo. Com meu trabalho aqui na farmácia eu sempre procurei ajudar a todos, na medida do possível. Por muitas vezes um cliente antigo chega aqui e fala que não tem todo o dinheiro para comprar um medicamento. Quando isso acontece, faço um rateio junto aos colegas, pego o valor que ele tem e compramos a medicação. É muito duro ver uma pessoa com dor e não poder comprar o remédio que pode amenizar esse sofrimento”, contou.


Como liderança de bairro, ele afirmou que participou de diversas reuniões com o poder público. Para Zé da Farmácia, esses encontros e conversas lhe deram a “cancha” necessária para entender como funciona o setor. “Participei de diversas reuniões onde reivindicava desde asfalto até medicamentos no postos de saúde da região. Toda essa experiência me deu coragem para enfrentar uma eleição e vencer, como aconteceu agora. Portanto, hoje sinto que posso fazer bem mais dentro da Câmara Municipal”, explicou.


ELEIÇÃO

Sobre a vitória nas urnas, o vereador eleito disse que esperava uma votação expressiva na região das Moreninhas e que ela poderia lhe dar uma cadeira na Câmara. Porém, ele ainda contou com o apoio da deputada federal Rose Modesto (PSDB), que para ele foi fundamental para conquistar voto em outras regiões da Capital.  


“Eu sempre fui eleitor e cabo eleitoral da deputada, sendo que na eleição que lhe deu a vaga na Câmara Federal trabalhei de forma voluntária. Devido a essa dedicação, a Modesto prometeu que me apoiaria e cumpriu essa promessa. Sou muito grato a ela e a todos os cabos eleitorais que ela me indicou, pois eles foram fundamentais para que nossa campanha fosse ainda maior”, agradeceu.


PLATAFORMAS

Segundo Zé, agora como vereador ele quer trazer para a região, bem como a outros bairros da periferia da Capital, cursos profissionalizantes destinados aos jovens que pretendem entrar no mercado de trabalho. Além disso, ele pretende viabilizar obras de infraestrutura, como forma de atender à principal reclamação feita pelos seus eleitores, que é a falta de asfalto.  


“Nós temos espaços físicos que poderiam ser utilizados para a formação profissional desses jovens da região, como a associação de bairro ou igrejas católicas e evangélicas. Nós temos instituições como o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial [Senai], que já tem esse know-how [habilidade adquirida pela experiência], e podemos fazer uma parceria. Além disso, a infraestrutura, principalmente em bairros mais afastados de nossa cidade, é precária, e eu acredito que esse é trabalho do vereador: tentar viabilizar essas melhorias”, projetou.  


Apesar do olhar mais social, a prioridade é a área da saúde. Nesse setor, ele pretende buscar um atendimento humanizado aos pacientes dentro das Unidades Básicas de Saúde (UBSs). “Temos muitos profissionais bons, que tratam o enfermo de forma humana, porém alguns não têm esse mesmo carinho. Eu pretendo conversar com os gestores dos postos para tentar entender por que isso acontece e mudar essa realidade. Podemos também buscar parcerias para realizarmos palestras e capacitações, a fim de melhorar esses profissionais e, consequentemente, o atendimento”, exemplificou.


 FALTA DE REMÉDIOS

Questionado pelo Correio do Estado sobre o porquê da falta de medicação gratuita nas unidades públicas de saúde, o vereador eleito acredita que às vezes falta gestão e planejamento. “Por exemplo, aqui na farmácia, sabemos que junho, julho e agosto são meses em que se tem uma maior contaminação de gripe. Sabendo disso, nos preparamos anteriormente para que os medicamentos que combatem a doença não faltem. Portanto, no sistema público de saúde, é isso que deve acontecer, se preparar para que esses períodos sazonais sejam enfrentados da melhor forma”, finalizou.


Com informação do Portal Correio do Estado

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