José Antônio Pires de Souza, conhecido como Zé Bocão, assessor parlamentar do deputado estadual Lídio Lopes (Avante), está em liberdade provisória após ser preso com R$ 127 mil em dinheiro e material da campanha do parlamentar.
A soltura ocorreu após decisão judicial e pagamento de fiança de R$ 32,4 mil.
O assessor havia sido preso na quarta-feira (30), depois de ser abordado pela Polícia Militar no sul de Mato Grosso do Sul.
Ele conduzia um Volkswagen T-Cross e seguia de Campo Grande para Mundo Novo quando foi parado após uma denúncia sobre um veículo trafegando em alta velocidade.
Durante a vistoria, os policiais encontraram 11 pacotes com notas de R$ 50 e R$ 100, totalizando R$ 127 mil. No veículo também estavam santinhos e outros materiais da campanha de Lídio Lopes, candidato à reeleição para deputado estadual.
A presença do dinheiro junto ao material eleitoral não comprova, por si só, eventual compra de votos. A investigação busca esclarecer a origem, a finalidade e o destino dos valores transportados pelo assessor.
O caso ganhou outro desdobramento porque, segundo o boletim de ocorrência, José Antônio teria oferecido R$ 5 mil aos policiais para evitar ser levado à delegacia. A suposta oferta também será analisada diante da possibilidade de enquadramento por corrupção ativa.
Ao conceder a liberdade provisória, a Justiça entendeu que não estavam presentes os requisitos necessários para converter o flagrante em prisão preventiva. A defesa também argumentou que o assessor tem 71 anos e apresentou questões relacionadas à saúde.
Zé Bocão terá de cumprir medidas cautelares. Entre elas estão comparecer sempre que for intimado, não mudar de endereço sem autorização e não permanecer fora da comarca por mais de oito dias sem informar onde estará. O descumprimento poderá resultar em prisão preventiva.
O celular apreendido durante a ocorrência também será alvo da investigação. A Justiça autorizou a quebra do sigilo telefônico e a extração de informações do aparelho para auxiliar a apuração conduzida pela Polícia Federal e pelo Ministério Público.
José Antônio trabalha no gabinete de Lídio Lopes desde 2019 e também atua na articulação política do parlamentar em municípios do interior. Antes disso, foi vereador e presidente da Câmara de Mundo Novo.
Até o momento, não há comprovação de que Lídio Lopes soubesse do transporte dos R$ 127 mil ou de que o dinheiro tivesse como destino a compra de votos. A investigação segue para esclarecer a relação, se houver, entre os valores apreendidos e a campanha eleitoral.

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