quarta-feira, 28 de outubro de 2026

Acidente entre trens de alta velocidade mata ao menos 68 pessoas na Espanha

 

                                            Equipes de emergência atuam no local em que dois trens colidiram na região de Toledo, na Espanha - Javier Soriano - 28.out.26/AFP

  • Colisão ocorreu em Toledo, e circulação ferroviária entre Madri e a Andaluzia é suspensa
  • País vai às urnas no próximo mês em eleições antecipadas; Sánchez cancelou agenda desta quarta


Ao menos 68 pessoas morreram nesta quarta-feira (28) na colisão entre dois trens de alta velocidade na província de Toledo, na Espanha, a cerca de 150 km de Madri. O balanço foi divulgado pelas autoridades locais, e o número de mortos pode aumentar.


Cerca de cem pessoas ficaram feridas. Segundo a imprensa local, há 77 feridos, dos quais 15 em estado grave.


O acidente ocorreu por volta das 8h54 locais (4h54 em Brasília) entre os municípios de Los Yébenes e Urda. Segundo os serviços de emergência, um trem da Renfe, operadora ferroviária estatal, colidiu com outro da empresa privada Iryo, que estava parado na via.


O ministro dos Transportes da Espanha, Óscar Puente, afirmou que o trem da Renfe foi autorizado a seguir viagem mesmo com um sinal vermelho ativo, que indicava a presença do trem parado na via à frente. Segundo ele, a autorização violou o protocolo.


Puente explicou que uma falha de comunicação nos sistemas informáticos acionou o sinal vermelho e interrompeu automaticamente toda a circulação. Mesmo sem o sistema ter sido restabelecido, o centro de controle decidiu retomar o tráfego. "Essa decisão é do centro de controle, que a tomou em circunstâncias que, do nosso ponto de vista, são inexplicáveis", disse o ministro a jornalistas em Madri.


O trem da Renfe havia partido de Madri às 8h com destino a Sevilha. Segundo o governo local, 544 pessoas viajavam nas duas composições —147 pessoas no trem da Iryo e 397 no da Renfe. O premiê Pedro Sánchez decretou luto nacional de três dias. "Chocado com o grave acidente ferroviário em Toledo. Meu carinho, minha solidariedade e meu apoio a todas as vítimas e seus familiares", escreveu no X.

As imagens do acidente mostram os dois trens, um vermelho e outro branco, parcialmente descarrilados, com vagões tombados. Dois deles caíram por um barranco. A circulação ferroviária entre Madri e a Andaluzia foi suspensa.


Esse é um dos piores da história ferroviária da Espanha desde os anos 1970, e ocorre apenas nove meses após outra colisão entre dois trens em Adamuz, na província de Córdoba, que matou 46 pessoas.


Uma passageira do trem da Iryo disse à rádio Cadena SER que sentiu um forte impacto que a arremessou para a frente, levando-a inicialmente a pensar que o trem havia feito uma parada de emergência. Ela só percebeu a gravidade do acidente depois de ver pessoas feridas e receber a orientação para deixar o trem.


Equipes de bombeiros e três helicópteros foram enviados ao local, segundo os serviços de emergência. O Ministério do Interior mobilizou integrantes da Unidade Militar de Emergências.


A ministra da Saúde, Mónica García, afirmou à TV pública que o acidente pode se revelar uma "grande tragédia". O presidente da região de Castela-Mancha, Emiliano García-Page, suspendeu a agenda para ir ao local e lamentou as mortes. Segundo ele, foram encontrados 24 corpos no trem da Renfe e 6 no da Iryo, mas o número deve crescer, já que as equipes ainda não chegaram ao fundo dos vagões.


A presidente regional de Madri, Isabela Díaz Ayuso, pediu doações de sangue em um post no X. O Itamaraty lamentou o acidente e afirmou que está monitorando a situação para prestar a assistência consular cabível a brasileiros afetados pela colisão.


O Sanchez cancelou a agenda de campanha desta quarta, e o Partido Socialista (PSOE), do qual é líder, suspendeu as atividades do dia. O gabinete do premiê informou que ele viajará a Urda, cidade mais próxima do acidente, para prestar apoio.


Outros partidos também cancelaram seus compromissos da campanha. O país vai às urnas no próximo mês em eleições antecipadas, após uma onda de protestos contra a crise habitacional pressionar o governo do premiê.


O líder da sigla de ultradireita Vox, Santiago Abascal, descartou suspender os compromissos de campanha e criticou políticos que, em sua opinião, se transformam em "carpideiras" após tragédias. A fala foi dita em um evento em Valladolid, onde apoiadores xingaram Sánchez.


"Muitos vão querer usar a dor e o luto, como já fizeram, para tentar calar as denúncias e os protestos diante de uma deterioração da infraestrutura que já não podemos mais suportar", acrescentou Abascal.


O Vox apresentou uma queixa-crime contra os responsáveis pela Adif, entidade pública que administra a infraestrutura ferroviária, e contra os operadores que estariam envolvidos no acidente.


Com 4.000 km de trilhos, a malha espanhola de alta velocidade é a segunda maior do mundo. O acidente, porém, ocorre menos de um ano após a colisão ferroviária em Adamuz, na província espanhola de Córdoba.


Em janeiro, um trem da Iryo descarrilou e foi atingido por outro, da Renfe, que vinha em sentido contrário. O episódio matou 46 pessoas. A tragédia reacendeu o debate sobre a manutenção da rede e a segurança dos passageiros, e rendeu duras críticas ao governo Sánchez.


A Espanha gastou, em média, cerca de € 1,5 bilhão por ano entre 2018 e 2022 em sua rede de alta velocidade. No entanto, a grande maioria foi destinada a novas infraestruturas, e apenas cerca de 16% foram reservados para manutenção, renovação e modernização.

Com Reuters e AFP 

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