terça-feira, 19 de maio de 2026

Diretor da OMS diz estar 'profundamente preocupado' com escala e velocidade da epidemia de ebola

 

                                            O Diretor-Geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, discursa na abertura da 79ª Assembleia Geral da Organização Mundial da Saúde em Genebra; os estados-membros da OMS reúnem-se para sua reunião anual em meio à preocupação com os surtos mortais de hantavírus e Ebola - Fabrice Coffrini - 18.mai.26/AFP

  • Não há vacina ou tratamento específico para a cepa responsável pelo surto atual

  • Epicentro da epidemia é Ituri, província do nordeste do país rica em ouro



O diretor-geral da OMS (Organização Mundial da Saúde) se declarou "profundamente preocupado com a escala e velocidade" da epidemia de ebola que afeta a República Democrática do Congo.


"Convocaremos hoje o comitê de emergências para que nos aconselhe sobre recomendações temporárias", declarou Tedros Adhanom Ghebreyesus, no segundo dia da assembleia annual dos Estados-membros da OMS.


A OMS declarou no domingo uma emergência de saúde pública de importância internacional para enfrentar a epidemia de ebola, que provoca uma febre hemorrágica altamente contagiosa. Nos últimos 50 anos, o vírus provocou mais de 15 mil mortes na África.


Não tomei essa decisão levianamente... Estou profundamente preocupado com a escala e a velocidade da epidemia", afirmou Adhanom Ghebreyesus sobre a declaração de emergência. Não há vacina ou tratamento específico para a cepa responsável pelo atual surto.


A atual epidemia na República Democrática do Congo teria provocado 131 óbitos e 513 casos suspeitos até o momento, afirmou nesta terça-feira (19) o ministro congolês da Saúde, Samuel Roger Kamba.


"Registramos 131 mortes e temos 513 casos suspeitos", declarou o ministro à televisão nacional. "Todas as mortes que informamos são aquelas que detectamos na comunidade, sem dizer necessariamente que estejam vinculadas ao ebola", explicou.


Até o momento, poucas amostras foram analisadas em laboratório e os balanços são baseados principalmente em casos suspeitos.


O balanço anterior do ministro congolês da Saúde mencionava 91 óbitos e 350 casos suspeitos.

A situação levou a agência de saúde da União Africana (África CDC) a declarar uma "emergência de saúde pública" continental.


Segundo a agência, a declaração permitirá "reforçar a coordenação regional, facilitar a mobilização rápida de recursos financeiros e técnicos, e consolidar os sistemas de vigilância e de laboratório".


O epicentro da epidemia é Ituri, uma província do nordeste do Congo, na fronteira com Uganda e o Sudão do Sul.


A região, rica em ouro, tem deslocamentos intensos da população devido à atividade de mineração.


O vírus se propagou para além de Ituri e das fronteiras da RDC, com duas mortes registradas em Uganda, segundo a OMS.


As vítimas são pessoas que viajaram ao país a partir do congo, sem que tenha sido identificado algum foco epidêmico local.


AFP

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