quinta-feira, 21 de maio de 2026

Alimentos ultraprocessados são associados a maior risco de câncer, diabetes e doenças cardivasculares

 

                                            Alimentos ultraprocessados - Eduardo Knapp - 22.out.11/Folhapress

  • Epidemiologista afirma que 93 de 104 estudos mostram efeitos nocivos dos ultraprocessados

  • Conservantes como sorbato de potássio elevam em 24% o risco de hipertensão arterial


Consumir alimentos com alguns corantes ou conservantes está associado a um risco maior de câncer, diabetes, doenças cardiovasculares e hipertensão, segundo três estudos franceses publicados nesta quinta-feira (21), que apresentam mais dados sobre os efeitos dos alimentos ultraprocessados.


As pesquisas se concentraram no consumo de certos aditivos, corantes alimentares e conservantes e antioxidantes, com a participação de mais de 100 mil pessoas.


Os estudos foram coordenados por Sanam Shah e Anaïs Hasenböhler, sob supervisão da epidemiologista Mathilde Touvier, diretora de pesquisa no Inserm (Instituto Nacional de Saúde e Pesquisa Médica da França).


Os resultados foram publicados nas revistas Diabetes Care, European Journal of Epidemiology e European Heart Journal, com o objetivo de "orientar as políticas públicas", segundo um comunicado do Inserm.


Pela primeira vez, as pesquisas confirmaram associações entre o consumo de corantes alimentares e um risco maior de diabetes tipo 2 e de câncer; e entre o consumo de conservantes e o risco de hipertensão e doenças cardiovasculares.


Os maiores consumidores de corantes alimentares têm, em comparação com as pessoas menos expostas, um risco mais elevado de sofrer de diabetes tipo 2 (+38%), câncer (+14%) e câncer de mama (+21% e até +32% em mulheres após a menopausa).


Por sua vez, os maiores consumidores de conservantes –principalmente sorbato de potássio E202 e ácido cítrico E330 – têm um risco 24% maior de ser hipertenso se comparado aos menos expostos, além de uma chance 16% maior para doenças cardiovasculares.


Embora os estudos não provem uma relação causa-efeito, eles se somam a muitos outros que demonstram como os alimentos ultraprocessados são nocivos, lembrou à AFP Mathilde Touvier.


"De 104 estudos que tratam dos vínculos entre os alimentos ultraprocessados e a saúde, 93 mostram os efeitos nocivos de forma muito consistente", afirmou. "O volume de evidências é bastante forte para dizer que é necessário agir no plano da saúde pública"


A ONG Foodwatch afirmou que os estudos "devem provocar um choque político" e lembrou que há anos exige a proibição de nitritos, devido à relação "claramente demonstrada" com o câncer de cólon, e também do aspartame, outro possível cancerígeno.


Em janeiro, dois estudos da mesma equipe demonstraram uma associação entre o consumo de conservantes e uma maior incidência de câncer e de diabetes tipo 2.


AFP

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