sexta-feira, 22 de maio de 2026

Desenrola renegociou R$ 10 bilhões em dívidas com desconto médio de 85%

 

                                            O ministro da Fazenda, Dario Durigan durante assinatura da Medida Provisória que estabalece Novo Desenrola Brasil - Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

  • Débitos de 449 mil famílias foram quitadas à vista até o dia 14 de maio
  • Ministro da Fazenda promete renegociação para adimplentes ainda em junho



A nova edição do Desenrola Brasil renegociou R$ 10 bilhões em dívidas em 1,1 milhão de pedidos desde o dia 5 de maio, quando as regras entraram em vigor, disse nesta quinta-feira (21) o ministro Dario Durigan, da Fazenda.


O desconto médio dessas operações, enquadradas no Desenrola Famílias, foi de 85%. Segundo Durigan, 449 mil dívidas foram quitadas à vista, levando um estoque original de R$ 1 bilhão a ser encerrado com R$ 154 milhões.


Entre as operações renegociadas com novos juros e prazo, foram 685 mil dívidas recalculadas, também com desconto médio de 85%. O estoque desses débitos era de R$ 9 bilhões, que se transformaram em R$ 1,3 bilhão refinanciados.


A partir da próxima semana, os trabalhadores formais também poderão usar o saldo do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) para quitar ou abater seus débitos, segundo o secretário-executivo da Fazenda, Rogério Ceron.


O calendário foi definido para casar com a disponibilização de R$ 7 bilhões remanescentes do saque-aniversário do fundo.


A nova edição do programa é uma aposta do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para reduzir o nível de endividamento da população e melhorar a percepção da população em relação à gestão petista na economia.


O Desenrola pode ser usado por pessoas com renda de até cinco salários mínimos, equivalente a R$ 8.105 mensais. A renegociação abate até 90% da dívidas de consumidores com bancos, propõe limpar o nome de quem deve até R$ 100 e permite até 20% do saldo do FGTS ou até R$ 1.000, o que for maior, para pagar esses débitos.


No Desenrola Fies (Fundo de Financiamento Estudantil), 34 mil contratos foram renegociados até o dia 19 de maio. O valor original era R$ 2,04 bilhões, segundo a Fazenda, e chegaram a R$ 410 milhões após a renegociação, que teve um desconto médio de 80%.


Segundo o balanço apresentado nesta quinta pelo Ministério da Fazenda, as contratações diárias do Pronampe, a que a pasta tem chamado de Desenrola Empreendedor, cresceram 174% na comparação com o mês de abril, chegando a R$ 5,1 bilhões de operações renegociadas.


No Pró-Crédito, o Desenrola MEI (Microempreendedor Individual), R$ 400 milhões foram contratados em novas operações.


Na avaliação do ministro da Fazenda, o balanço do Desenrola até agora é positivo. Ele prevê anunciar ainda no mês de junho uma linha do Desenrola para consumidores adimplentes que desejem renegociar as dívidas contratadas para buscar taxas de juros menores.


"[O Desenrola] não é uma situação rotineira, é algo que tem que ser feito de maneira pontual e por isso a chamada para que as pessoas procurem os bancos e renegociem."


RENEGOCIAÇÕES EXTRAPOLAM DESENROLA

Também nesta quinta-feira (21), o Banco do Brasil divulgou o balanço das renegociações desde o lançamento do novo Desenrola. O maior volume, porém, é de operações fora do esocpo do programa.


No âmbito do Desenrola 2.0, a estatal realizou 142 mil operações com pessoas físicas, totalizando R$ 205,6 milhões, até o momento. Para clientes pessoas físicas não contidos no âmbito do programa, mas contemplados com condições especiais pelo próprio banco, foram mais 152 mil operações, somando R$ 838 milhões.


No Desenrola Empresas, nas linhas Pronampe e Procred, foram R$ 1,56 bilhão renegociados para 12,2 mil empresas atendidas no período. No Desenrola FIES, foram R$ 1,4 bilhão em 24,7 mil renegociações.


Até semana passada, último balanço do Desenrola Rural do BB, foram realizadas operações na ordem de R$ 4,5 milhões para mil produtores rurais no país.


Já a Caixa Econômica Federal divulgou que, até esta quinta, foi renegociado R$ 1,76 bilhão, com 47,29 mil operações.


Colaborou Júlia Moura, de São Paulo

Fernanda Brigatti

Folha de São Paulo

Nenhum comentário: