quarta-feira, 27 de maio de 2026

Habitantes da República Democrática do Congo invadem hospital para levar corpo de morto por ebola

 

                                            Funcionários da Cruz Vermelha de Uganda vestem trajes de proteção enquanto se preparam para remover o corpo de uma possível vítima de Ebola em Kampala - Badru Katumba - 26.mai.26/AFP

  • Soldados dispararam tiros de advertência para dispersar o grupo que atacou o hospital
  • Rituais funerários com contato direto aos corpos dificultam contenção da doença


Habitantes da província de Ituri, na República Democrática do Congo, onde fica o epicentro do surto de ebola, invadiram um hospital para exigirem o corpo de um líder religioso morto em decorrência do vírus.


Em Mongbwalu, na província de Ituri, no nordeste do país, foi detectado pela primeira vez o atual surto da febre hemorrágica viral, em 15 de maio. Desde então, o vírus matou mais de 200 pessoas no país.


No domingo à noite, "um grupo de jovens atacou o hospital em quatro ocasiões", declarou à AFP um funcionário do local.


"Queriam recuperar o corpo de um pastor católico que havia morrido de ebola", explicou o funcionário, que pediu para não ser identificado. A vítima era "muito conhecida, um líder religioso de Mongbwalu", uma cidade de 130 mil habitantes.


Os soldados intervieram para dispersar a multidão com disparos de advertência, indicou a fonte.


O ebola é uma doença viral mortal transmitida por contato direto com fluidos corporais. Pode provocar hemorragias graves e falência de múltiplos órgãos.


Não há vacina nem tratamento para a espécie Bundibugyo, responsável pelo surto atual, o 17º que afeta este vasto país da África central, de mais de 100 milhões de habitantes.


As tentativas de frear sua propagação dependem principalmente de medidas de precaução e do rápido rastreamento de contatos.


Nas zonas rurais da República Democrática do Congo, "os familiares se lançam sobre os corpos, tocam os cadáveres e as roupas dos mortos enquanto organizam rituais funerários que reúnem muitas pessoas", explicou na semana passada à AFP Jean Marie Ezadri, líder da sociedade civil em Ituri.


O centro médico de Mongbwalu não é o primeiro dessa província a ser atacado.


Na quinta-feira, várias pessoas incendiaram tendas utilizadas para isolar pacientes com ebola no hospital de Rwampara, depois que a família de uma pessoa morta foi proibida de levar o corpo para enterrá-lo, devido ao risco de contágio.



AFP


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