quinta-feira, 1 de junho de 2017

ESTREIA–“Mulher-Maravilha” tenta superar o padrão de filmes de heróis



 Talvez seja sintomático, talvez não, mas ao longo dos 140 minutos de “Mulher-Maravilha” ninguém chama a personagem por esse nome. Dessa forma, o filme dirigido por Patty Jenkins (“Monster – Desejo Assassino”), como todo primeiro solo de super-heróis, é um filme de formação. É sobre a transformação de Diana (mais tarde, Diana Prince) na heroína que todos conhecemos.

A inocência de Diana (Gal Gadot) por muitos anos foi muito bem guardada numa ilha utópica habitada apenas por amazonas, perdida em meio à bruma, chamada Temiscira. Lá, ela foi criada por sua mãe e rainha das amazonas (Connie Nielsen) e treinada para se defender pela tia, a general Antiope (Robin Wright). Os problemas no paraíso começam, como não?, com a chegada de um homem, um espião americano fugindo dos alemães, Steve Trevor (Chris Pine).

Nesse momento, cria-se uma ruptura, quando Diana descobre que do lado de fora dessa redoma de vidro existe guerra – no caso, a Primeira Guerra Mundial. Decidida a acabar com o conflito e trazer a paz para a humanidade, ela se une a Trevor e vão para a Europa.

Ao chegar a Londres – o espião trabalha para a Inglaterra –, Diana tem um comportamento de peixe fora d’água, o que gera uma dezena de cenas de humor, a ponto de se tornarem excessivas. Não demora muito, a protagonista e Trevor estão lutando contra os alemães, liderados por um general, Ludendorff (Danny Huston), e sua cientista maluca, conhecida como Dra. Veneno (a espanhola Elena Anaya, de “A Pele Que Habito”), que criou um gás letal.

Há um visível esforço de Patty Jenkins para livrar-se das amarras da cartilha de filmes de heróis. Embora ela não seja conhecida como uma diretora com uma assinatura e estilo fortes, consegue sutilmente introduzir algumas mudanças num universo saturado de testosterona. Entre elas, está a forma como sua câmera enquadra a protagonista: Diana aparece sempre como a figura ativa, liderando a ação.

Ainda assim, “Mulher-Maravilha” conta com vários elementos que marcam o gênero: câmera lenta em cenas de luta, uma forçada batalha final e uma trama um tanto confusa. Por outro lado, há algo de mágico na personagem e em Gal Gadot, que passa o filme todo com cara de surpresa e coragem.

Tudo é novidade para ela, e nada parece ser impossível de ser derrotado – ao menos, ela pensa assim. Seu grande rival, em sua cabeça, é o deus da guerra, Ares. Segundo sua lógica, ele domina os humanos e, se ela o destruir, eles cairão em si e nunca mais haverá guerra.

Muito se falou sobre a afirmação do feminino em “Mulher Maravilha”. Enquanto é inegável que exista uma tentativa disso – só o fato de ser um filme protagonizado por uma heroína já diz muito –, mas é preciso levar em consideração que oito dos dez produtores do filme, além dos cinco roteiristas, são homens. Nesse sentido, é de se perguntar até que ponto o filme não se aproveita do feminismo contemporâneo que o cerca apenas para vender a si mesmo e aos seus produtos.

(Por Alysson Oliveira, do Cineweb)

* As opiniões expressas são responsabilidade do Cineweb

ESTREIA–Aventura recria biografia de explorador britânico desaparecido no Brasil





Desaparecido na selva do Mato Grosso em 1925, o coronel britânico Percy Fawcett (1867-1925) está no centro de uma das maiores coleções de hipóteses e lendas sobre seu destino, que alimentaram muitas reportagens e livros não só no Brasil como em todo o mundo. Uma dessas obras, o livro de David Grann “The Lost City of Z” (2009), inspira o roteiro da aventura dramática “Z: A Cidade Perdida”, de James Gray.

Interpretado por Charlie Hunnam (“Rei Arthur: A Lenda da Espada”), o oficial e explorador é retratado como um respeitável militar dedicado a limpar o nome de sua família. Afinal, seu pai manchou a reputação do clã com uma vida de jogatina e episódios pouco respeitáveis. No longo prazo, isto prejudica as chances de seu filho obter medalhas à altura de bons serviços prestados à coroa britânica em missões no sudeste asiático.

Esta experiência em localidades exóticas é que vai, finalmente, propiciar uma virada na vida de Fawcett. Em 1906, ele é convencido pela Real Sociedade Geográfica a usar sua experiência como cartógrafo para mapear a até então desconhecida nascente do rio Verde, na Bolívia.

Dessa expedição, nasce a curiosidade pela cultura dos índios locais, cujos restos de antigos artefatos despertam em Fawcett a certeza de que o continente sul-americano abrigara antigas civilizações complexas, ainda desconhecidas (Machu Picchu, por exemplo, seria descoberta apenas em 1912).

Com fotografia refinada de Darius Khonji (“Seven – Os Sete Crimes Capitais”), o filme é capaz de evocar de forma visual intensa tanto a beleza natural da selva colombiana, onde ocorreram boa parte das filmagens, quanto seus incríveis perigos – como cobras, piranhas e feras.

Cria-se, assim, a moldura perfeita para que o público simpatize com o grupo de exploradores liderados por Fawcett em suas sucessivas expedições, com destaque para seu assistente Henry Costin (o melhor papel da carreira de Robert Pattinson).

Um outro acerto no filme de James Gray (em geral, com mão mais pesada em melodramas, em “Os Donos da Noite” e “Amantes”, mas não aqui) é dar suficiente peso na tela à vida familiar do protagonista.

Pai de três filhos, dois deles nascidos durante suas longas viagens, ele tem uma mulher independente, culta e desafiadora, Nina (Sienna Miller, ocupando com carisma a tela num papel que só à primeira vista parece coadjuvante).

Ao fazer esse contraponto, entre a esfera pessoal e suas aventuras arriscadas, o filme permite que um personagem complexo e carismático se apresente, contando com a interpretação sutil de Charlie Hunnam, fazendo sua transição mais decisiva para tornar-se um ator de primeira linha. No elenco destacam-se ainda Tom Holland, como seu filho mais velho, Jack, e o italiano Franco Nero, como um barão sul-americano.

(Por Neusa Barbosa, do Cineweb)

* As opiniões expressas são responsabilidade do Cineweb

ESTREIA–Comédia nacional “Amor.com” retrata romance da era digital

Anos atrás, o cinema brasileiro viveu um surto de “filmes espíritas”, com obras como “Chico Xavier”, “Nosso Lar”, além de outras que não ficaram tão famosas. Foi uma onda que durou um tempo, rendeu dinheiro até que a temática saturou (embora vez por outra alguém ressuscite o subgênero). Agora, a moda são filmes sobre e/ou protagonizados por figuras da internet nacional.
Em mais ou menos seis meses já vimos filmes com Kéfera Buchmann, Christian Figueiredo e um número enorme de Youtubers e afins num longa chamado, como não?, “Internet”, liderado por Rafinha Bastos. “Amor.com” é mais um espécime do novo subgênero que precisa ser explorado com rapidez pois esse tipo de tendência não dura muito.
Protagonizado por Isis Valverde e Gil Coelho, a comédia romântica traz a dupla como Katrina e Fernando, dois influenciadores digitais de mundos opostos que se conhecem por acaso e acabam se apaixonando. Ela publica posts e vídeo sobre moda e tem milhares de seguidores. Vive cercada de glamour e ganha muitos “jabás” – que, no jargão da imprensa, significa presentes dados por empresas tentando divulgar suas marcas. Ele, por sua vez, tem um canal de games com algumas centenas de seguidores e uma dupla de amigos inseparáveis.
Com roteiro assinado por Saulo Aride, Bruno Garotti e Leandro Matos, “Amor.com” não esconde sua admiração por comédia românticas hollywoodianas – com encontros, desencontros e reviravoltas típicas. A diretora estreante Anita Barbosa imprime, por sua vez, um ritmo de sitcom, o que não é ruim, uma vez que, em se tratando desse gênero, tem ocorrido coisas mais interessantes na televisão do que no cinema. O problema é que ela acaba esbarrando em personagens e situações esquemáticas.
Há também aquela estranha necessidade forçada de sincronizar o filme com o presente, dado sua temática e personagens. Então, por isso (ou, talvez, para isso) é preciso carregar os diálogos nas gírias típicas da internet: “é mara!”, “divo!” são algumas. É necessário um interesse quase antropológico sobre como vive e pensa nossa juventude para se envolver com as conversas dos personagens. É claro que “Amor.com” tem seu público – assim como outros filmes inspirados em, ou oriundos da internet – mas, primeiro, é preciso tirar essa plateia da frente do computador ou do celular e levá-la ao cinema. Esse é o grande desafio.
(Por Alysson Oliveira, do Cineweb)
* As opiniões expressas são responsabilidade do Cineweb

Campo Grande vira corredor do tráfico de cocaína para outros países

                                              Foto:Divulgação PF
Traficantes buscam pequenas quantidades na Bolívia


Traficantes passaram a usar Campo Grande como corredor do tráfico de cocaína para outros países. Vários casos foram registrados no último mês. A situação também é vista no Aeroporto Internacional de São Paulo (Guarulhos), principal porta de saída para pequenos volumes do entorpecente para o exterior e onde diariamente ocorrem apreensões.a reportagem, de Renan Nucci e Thiago Gomes, na edição de hoje do jornal Correio do Estado.

Na noite de terça-feira, operação conjunta entre a Polícia Federal e a Delegacia Especializada de Repressão ao Narcotráfico (Denar) culminou na prisão de um turco de 35 anos que tentava chegar a Campo Grande com 1,9 quilo de cocaína. O flagrante aconteceu no posto da Polícia Rodoviária Federal (PRF) da BR-262, no município de Terenos.

No dia 22, comerciante boliviano de 39 anos foi detido pela PF com 3,100 quilos de cocaína escondidos no fundo falso de uma mala, no Aeroporto Internacional de Campo Grande. Pelo transporte da droga da Bolívia até São Paulo, o homem receberia dois mil dólares, prometidos por um amigo de um amigo.

Três dias depois, a corporação deteve uma boliviana de 41 anos que tentava embarcar no aeroporto com três quilos de cocaína.

Três apostas acertam as seis dezenas e levam R$ 20,9 milhões cada uma


G1


Três apostas acertaram as seis dezenas do concurso 1.935 da Mega-Sena, realizado na noite desta quarta-feira (31) em Paraíba do Sul (RJ). As apostas são de Contagem (MG), Boa Esperança (PR) e Rio de Janeiro (RJ) --cada uma irá ganhar R$ 20.928.347,70.

As dezenas sorteadas foram: 01 - 03 - 10 - 17 - 23 - 24.

A quina teve 497 apostas ganhadoras, e cada uma vai levar R$ 7.778,22. Outras 18.964 apostas acertaram a quadra e vão receber R$ 291,21 cada uma.

A estimativa de prêmio para o próximo sorteio, no sábado (3), é de R$ 3 milhões.

As apostas podem ser feitas até as 19h (de Brasília) do dia do sorteio, em qualquer lotérica do país. A aposta mínima custa R$ 3,50.

Probabilidades

A probabilidade de vencer em cada concurso varia de acordo com o número de dezenas jogadas e do tipo de aposta realizada. Para a aposta simples, com apenas seis dezenas, com preço de R$ 3,50, a probabilidade de ganhar o prêmio milionário é de 1 em 50.063.860, segundo a Caixa.

Já para uma aposta com 15 dezenas (limite máximo), com o preço de R$ 17.517,50, a probabilidade de acertar o prêmio é de 1 em 10.003, ainda segundo a Caixa.

Viviane Bordin critica donos da "Playboy" e diz que mulher lida melhor com nudez

                                          Viviane Bordin, idealizadora o portal de ensaio sensuais Diamond Brazil, criticou atuais donos da Playboy - Foto: Neto Soares / MF Press Global

IG Gente


Com os recentes escândalos envolvendo os donos da "Playboy" , onde os donos da revista são acusados de assédio, a modelo e empresária Viviane Bordin, que já foi capa da publicação, aproveitou a oportunidade para falar que mulheres lidam melhor que homens com a nudez.

"Tenho certeza que com mulher no comando se torna muito mais tranquilo o ensaio nu, mais credibilidade e o foco não se divide. Um homem não tem a capacidade de agir profissionalmente em algumas situações que podem ocorrer durante um ensaio sensual", diz Viviane Bordin.

A loira de 36 anos, que idealizou o portal de ensaio sensuais Diamond Brazil, em 2016, ainda aproveitou para dar uma alfinetada nos donos da revista. "Quando a 'Playboy' tinha uma mulher como diretora, nunca se ouviu falar em assédio e foi a melhor fase da revista no Brasil", afirma.

Viviane nasceu em Cascavel, no Paraná, mas mora em Balneário Camboriú, em Santa Catarina, e fez inúmeras capas de revistas e campanhas publicitárias nos últimos 15 anos.

'Sgt. Pepper' completa 50 anos como o mais influente disco conceitual pop

                                        O álbum 'Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band' completa 50 anos como o principal disco conceitual da música pop Foto: EMI/Universal Music

Sérgio Augusto, O Estado de S. Paulo

Obra-prima dos Beatles aponta para ápice do experimentalismo sonoro do rock dos anos 1960


Amanhã. Sexta-feiraa Banda do Sargento Pimenta voltará a desfilar. Quando ela desfilou pela primeira vez, há 50 anos, o mundo descobriu que o pop podia ser outra coisa, a soma de inúmeras e antinômicas vertentes estilísticas: rockabilly, vaudeville inglês, music hall americano, big band, música erudita, indiana, circo, jazz, blues, até absorver Stockhausen. Que o rock, enfim, podia fazer parte da alta cultura.

A banda está de volta, mais completa e luxuosa. O que antes era um álbum duplo, gravado em mono e tesouro de colecionadores de bolachas, ressurge em mix estéreo, com áudio 5.1 surround, potencializando ao máximo o experimentalismo das gravações originais, comandadas por George Martin, agora entregues ao talento de seu filho Giles Martin. Em dois formatos: CD e vinil. Ou numa caixa com vários mimos: CD, DVD, Blu-ray,  vídeos, fotos, memorabilia, um livro de capa dura de 144 páginas e um inédito filme com o making of de Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band, produzido em 1992.

É uma cornucópia de outtakes e 30 versões alternativas exumadas dos arquivos, inclusive as duas primeiras faixas gravadas para o álbum original, Penny Lane e Strawberry Fields Forever, que dele sobraram e saíram num single de face dupla. Das novidades, as mais esperadas são o primeiro teste de Lucy in the Sky with Diamonds, um arranjo instrumental de George Martin para She’s Leaving Home e um Lovely Rita animado por um lero-lero entre Paul, John e George. Quem esperava pela inclusão de Carnival of Light, tido como o Santo Graal do grupo, pode tirar o cavalinho da chuva.


Sgt. Pepper foi um dos êxtases musicais da minha mocidade. A frase é meio ridícula, mas verdadeira; e o êxtase, sincero e permanente. Uns continuaram preferindo Revolver, o álbum anterior, mas foi a banda que passou com mais galhardia pelo teste do tempo. Era um caleidoscópio do seu tempo, da cultura psicodélica londrina, do Flower Power e seus baratos, um prelúdio alegre e por vezes nostálgico à utopia que a juventude 68 levaria às ruas menos de um ano depois. Gravado entre 24 de novembro de 1966 e 21 de abril de 1967, chegou às lojas em 1.º de junho. Sete faixas no lado A, seis no lado B, 39 minutos e 52 de som.

Lançamento mundial simultâneo, uma novidade, Sgt. Pepper vendeu de cara 11 milhões de cópias só nos EUA. Outra novidade: a capa e a contracapa (com as letras de cada faixa). A partir de um esboço rabiscado por McCartney, os designers Peter Blake e Jann Haworth juntaram-se ao desenhista Robert Fraser e montaram uma colagem de fotos com dezenas de celebridades das mais variadas procedências e heróis infantis e juvenis do quarteto, de difícil reconhecimento fora da Inglaterra e por quem não curtira a BBC em criança. Consegui identificar 34 figuras, modéstia à parte, um assombro 50 anos atrás. Elvis não entrou no puzzle por ser o Rei do Rock, sacrossantificado pelo quarteto. Lennon queria incluir Jesus e Hitler, não emplacou.

Além do puzzle, havia a disputa sobre a melhor faixa. Árdua escolha, em permanente mutação. Minha favorita sempre foi A Day in the Life, que começa com uma desalentadora leitura matinal: “I read the news today, oh boy.” Lennon inspirou-se na capa do Daily Mail de 17 de janeiro de 1967.

Sgt. Pepper nasceu de uma crise – de identidade e criatividade. Os Beatles não suportavam mais participar de shows e ouvir aqueles gritinhos histéricos das fãs. “Não queríamos mais ser tratados como adolescentes, mas como adultos”, desabafou McCartney. “E fazer experiências musicais e sonoras em estúdio, irreproduzíveis em apresentações ao vivo.” E assim surgiu o Clube dos Corações Solitários de Sargeant Pepper, alter ego inspirado numa banda militar eduardiana.

Já na época me pareceu bizantino discutir se ao álbum se aplicava ou não o rótulo de conceitual. Depende do que se entende por isso, como se define o termo, pela costura de uma narrativa entre as letras ou por variações em torno de melodias afins ou pelas relações melódicas e harmônicas entre os temas selecionados. Os próprios Beatles recusaram a distinção. Alguns músicos de jazz e o Sinatra da fase Capitol já haviam feito discos conceituais; Sgt. Pepper teria sido o primeiro da discografia roqueira se o grupo Mothers of Invention não tivesse lançado Freak Out, dois anos antes, e os Beach Boys não tivessem inventado seus Pet Sounds em 1966. Por sinal, duas influências, entusiasticamente assumidas por McCartney e Lennon.

Três dias depois do lançamento do álbum, Jimi Hendrix surpreendeu Paul, John, George e Ringo abrindo um show em Londres com uma interpretação personalíssima do tema que dá título ao disco. Mas ainda não é esse o melhor episódio do folclore de Sgt. Pepper. Terminada a mixagem, o quarteto levou uma cópia em acetato ao apartamento da cantora Cass Elliot (Mama Cass), em King’s Road. Já (ou ainda) eram seis da manhã quando puseram o disco para tocar, no volume máximo e com as janelas abertas. As janelas vizinhas se encheram de gente. Que ouviu sem reclamar, em primeira mão, o futuro Disco do Ano. Ou do século, na opinião de milhões de beatlemaníacos.