sexta-feira, 2 de outubro de 2026

Ozonioterapia: entenda o tratamento com ozônio, suas indicações e os cuidados necessários

 

                                             Getty Images




Técnica utiliza uma mistura de oxigênio e ozônio e ganhou espaço como terapia complementar; especialistas e órgãos reguladores alertam que o procedimento não deve substituir tratamentos convencionais


A ozonioterapia, popularmente conhecida como “tratamento com ozônio”, é uma técnica que utiliza uma mistura de oxigênio e ozônio medicinal com finalidade terapêutica. Nos últimos anos, o procedimento passou a despertar cada vez mais interesse de pacientes que procuram tratamentos complementares para diferentes problemas de saúde.


No Brasil, a ozonioterapia foi autorizada por lei federal em 2023 como procedimento de caráter complementar. A legislação estabelece que ela deve ser realizada por profissional de saúde de nível superior inscrito em seu respectivo conselho profissional e com equipamento de produção de ozônio medicinal devidamente regularizado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). O paciente também deve ser informado de que se trata de um procedimento complementar.


Como funciona o tratamento?


O ozônio utilizado na terapia é produzido a partir do oxigênio por equipamentos específicos. Devido à sua capacidade oxidativa, a substância vem sendo estudada por possíveis efeitos antimicrobianos, de modulação da resposta inflamatória e de estímulo à oxigenação dos tecidos.


A forma de aplicação depende da finalidade do tratamento e das normas estabelecidas para cada profissão. No tratamento de determinadas feridas, por exemplo, pode ocorrer aplicação tópica com uma bolsa hermética envolvendo a região afetada, além do emprego de óleo ou água ozonizada em situações específicas.


Na área médica, uma importante mudança ocorreu em 2025. O Conselho Federal de Medicina (CFM), por meio da Resolução nº 2.445/2025, passou a autorizar a ozonioterapia como terapia médica adjuvante em situações determinadas.


Entre elas estão úlceras de pé diabético, úlceras arteriais isquêmicas, feridas infecciosas agudas e úlceras venosas crônicas. A regulamentação também contempla, sob condições estabelecidas pelo CFM, tratamento complementar da osteoartrite do joelho e da dor lombar relacionada à hérnia de disco.


Isso significa que, nesses casos, o ozônio pode integrar o tratamento, mas não deve ser entendido como substituto automático das terapias convencionais.


Ozonioterapia exige cuidados


Apesar da popularização da técnica, a indicação do ozônio para qualquer doença não deve ser generalizada. A própria Anvisa mantém posicionamentos técnicos sobre as indicações e finalidades autorizadas para equipamentos médicos emissores de ozônio e atualizou essas informações em 2026.


Por isso, promessas de que a ozonioterapia seria capaz de tratar ou curar uma grande variedade de doenças devem ser vistas com cautela. A existência de autorização para a prática não significa que qualquer utilização do ozônio tenha eficácia comprovada.


O paciente deve procurar profissional devidamente habilitado, perguntar qual é a indicação do procedimento, conhecer os possíveis riscos e benefícios e verificar se o equipamento utilizado está regularizado. A Anvisa também orienta a população a observar se o estabelecimento possui autorização sanitária e se os produtos e equipamentos empregados são regularizados.


Tratamento complementar


A discussão sobre a ozonioterapia avançou nos últimos anos, inclusive com novas avaliações científicas e mudanças regulatórias. Ainda assim, o ponto fundamental para quem pensa em realizar o procedimento é compreender que a ozonioterapia tem caráter complementar ou adjuvante nas indicações autorizadas, e não deve ser apresentada como solução universal.


Antes de iniciar qualquer tratamento, especialmente diante de doenças crônicas, feridas, dores persistentes ou outras condições de saúde, a orientação é buscar avaliação de profissional habilitado e não abandonar tratamentos já prescritos sem acompanhamento adequado.


Informação, avaliação individualizada e acompanhamento profissional são fundamentais para que qualquer procedimento seja realizado com segurança.

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