segunda-feira, 27 de abril de 2026

Crédito trava e isso pode ser problema

 

                                             Foto: Pixabay



A queda do dólar para níveis próximos de R$ 5,00 gera efeito duplo

O agronegócio brasileiro atravessa um momento de definição, marcado por pressão financeira, atenção redobrada ao clima e decisões estratégicas voltadas à próxima safra. As informações são de Antonio Prado G. B. Neto, CEO da Pirecal.


O vencimento de mais de R$ 155 bilhões em crédito rural em abril coloca a liquidez do setor à prova, com inadimplência próxima de 7% e queda na pontualidade. O cenário leva instituições financeiras a adotarem critérios mais rigorosos, elevando a exigência de garantias e impactando diretamente o acesso a recursos para a safra 26/27. Nos próximos dois a três meses, a disponibilidade de crédito deve ser definida, consolidando a liquidez como fator central.



A queda do dólar para níveis próximos de R$ 5,00 gera efeito duplo. Ao mesmo tempo em que pressiona os preços das commodities em reais, reduz a competitividade das exportações e comprime margens, também indica tendência de queda nos custos de insumos, ainda que com defasagem. O descompasso entre receita e custo intensifica o aperto no curto prazo.


No mercado de soja, o ritmo segue lento, com baixo volume de negócios, margens reduzidas e produtores retraídos. A ausência de reação consistente em Chicago e no câmbio mantém o cenário travado, agravado pela pressão de vendas para cumprimento de vencimentos no fim de abril.


Já o milho passa a incorporar o risco climático, com valorização recente na B3 e sustentação da demanda internacional. As próximas semanas serão decisivas, especialmente diante da dependência de chuvas em cerca de 5,3 milhões de hectares da segunda safra, com maior atenção para regiões do Centro-Oeste e Matopiba.


Apesar das margens pressionadas, as exportações de soja seguem fortes, com expectativa de novo recorde em abril. No campo climático, o avanço do El Niño eleva o risco para a safra 26/27, com previsão de seca no centro-norte e chuvas acima da média no Sul.


Nenhum comentário: