segunda-feira, 9 de março de 2026

PoliticaPoliticaSem espaço no PL, vice-prefeita de Dourados admite trocar de partido para manter pré-candidatura ao Senado

 

                                           Reprodução Arquivo



A vice-prefeita de Dourados, Gianni Nogueira (PL), reafirmou que sua pré-candidatura ao Senado Federal nas eleições deste ano segue firme, mesmo que para isso seja necessário trocar de legenda. Em entrevista, a política destacou uma promessa feita pelo ex-presidente Jair Bolsonaro e sinalizou que pode buscar outro partido caso não encontre respaldo no PL estadual, atualmente sob comando do ex-governador Reinaldo Azambuja.


Gianni revelou que conversou com Azambuja apenas uma vez, quando ele se filiou ao partido no ano passado, vindo do PSDB. Desde então, não houve novos diálogos sobre o assunto.


Articulação e impasse no diretório estadual


Segundo a vice-prefeita, ela comunicou suas intenções a Azambuja logo após a chegada dele à sigla, mas o presidente estadual do PL teria indicado que o partido já conta com outros nomes para a disputa ao Senado, como Capitão Contar e Marcos Pollon. A definição, conforme Azambuja, passaria pelo desempenho dos pré-candidatos em pesquisas internas.


Fontes do partido afirmam que os levantamentos podem apontar um nome diferente da direita para a vaga, e que o nome do ex-governador não é consenso entre os filiados.


“Ele sinalizou de forma positiva, mas deixou claro que o partido tem outros pré-candidatos. Citou o Contar, o Pollon e o próprio nome dele, e disse que o partido analisaria pesquisas. Como presidente, fez o papel dele, uma fala de grupo, amena. Mas não garantiu a vaga”, declarou Gianni, que afirma ter recebido o aval de Jair Bolsonaro para disputar o cargo.


Diante da indefinição, a pré-candidata não descarta uma mudança de partido durante a janela partidária, prevista para março e abril. Gianni argumenta que sua prioridade é cumprir a missão dada por Bolsonaro, mencionando ainda o apoio à possível candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência.


“Se eu tiver que encerrar meu ciclo dentro do PL, vou encerrar se for necessário. Muito triste, mas preciso dar um passo em torno daquilo que me foi solicitado pelo presidente Bolsonaro”, afirmou.


Representatividade regional


A vice-prefeita também destacou a importância de levar um representante da região da Grande Dourados ao Senado. Para ela, a segunda maior cidade do estado precisa de um senador que conheça de perto a realidade local, o que reforça sua determinação em manter a candidatura.


Ao ser questionada sobre a aceitação de nomes moderados pelo eleitorado conservador, Gianni evitou comentar diretamente o perfil de Reinaldo Azambuja, mas definiu o que considera prioritário para o “eleitor de direita”.


“As pessoas da direita querem alguém que não tenha restrição, por exemplo, de pautar o impeachment de ministro do STF. Esse é o padrão número 1 de decisão do eleitor da direita”, afirmou.


Ela não acredita que Azambuja desista da disputa, ainda que as pesquisas não favoreçam seu nome.


Sem recuo


Gianni Nogueira foi taxativa ao descartar qualquer possibilidade de negociar sua candidatura para outros cargos, como deputada estadual ou federal. Segundo ela, o convite partiu diretamente de Bolsonaro, e desistir agora, no atual momento político do ex-presidente, seria interpretado negativamente.


“Não devo recuar. Tenho sido muito clara sobre isso desde abril do ano passado. O presidente Bolsonaro me ofereceu essa vaga, me chamou para isso. No momento mais sensível da vida do nosso presidente, politicamente falando, um recuo seria uma interpretação muito ruim”, disse, em referência à prisão do ex-presidente após condenação por tentativa de golpe.


A pré-candidata encerrou a entrevista informando que mantém conversas com outras legendas alinhadas ao seu espectro político.

Por: Allyson Leguizamon

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