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As EDLs (Estações Disseminadoras de Larvicida) devem chegar nesta quinta-feira, dia 26, em Dourados, segundo previsão do Ministério da Saúde. A estratégia conhecida como uma espécie de ‘armadilha’ contra o Aedes aegypti, deve reforçar as ações de controle da proliferação do mosquito transmissor da Febre Chikungunya, doença que já provocou cinco mortes no município.
O Ministério informou ao Dourados News que as EDLs serão enviadas de Campo Grande. “O planejamento da distribuição, bem como a definição da quantidade de estações, depende do mapeamento da área territorial. Essa estratégia está sendo finalizada em conjunto com o município, no âmbito do Centro de Operações de Emergência (COE)”, detalhou em nota.
Ainda conforme a pasta, tem início no mesmo dia o treinamento das equipes para a implementação das EDLs. O larvicida usado nessas estações é um pó fino colocado em potes com água, em locais estratégicos onde há densidade de mosquitos. Como a fêmea costuma colocar ovos em vários pontos, ao passar pela armadilha fica impregnada pelo produto e leva até outros criadouros, fazendo a disseminação.
O órgão do Governo Federal ainda relatou que o quantitativo exato de bairros que vão receber a estratégia, será consolidado em breve. Apenas informou que três são considerados prioritários, sem citar quais são.
A Sems (Secretaria Municipal de Saúde) divulgou recentemente que as regiões dos bairros Jóquei Clube, Jardim dos Estados e Novo Horizonte são as mais críticas na área urbana, onde há um crescimento expressivo de casos ao longo de pouco mais de uma semana. Já na Reserva Indígena há um surto da doença que abrange as duas aldeias, Jaguapiru e Bororó.
AGENTES DE ENDEMIAS
Ainda dentro das ações de enfrentamento à proliferação do mosquito, foi autorizada a contratação temporária, em caráter emergencial, de 20 ACEs (Agentes de Controle de Endemias).
“A contratação, que já está em andamento, é organizada em parceria com a AgSUS [Agência Brasileira de Apoio à Gestão do Sistema Único de Saúde]. A expectativa é que, nas próximas semanas, os agentes já estejam atuando”, pontuou o Ministério, sem estabelecer uma data.
No sábado, dia 21, durante coletiva de imprensa, Lucinha Tremembé, secretária-adjunta da Sesai (Secretaria de Saúde Indígena), órgão vinculado ao Ministério da Saúde, já tinha adiantado que haveria a contratação emergencial de agentes de endemias.
Na ocasião, Lucinha relatou que a previsão seria de quatro agentes, sendo dois para cada aldeia, mas que esse quantitativo poderia ser reavaliado devido à demanda. Ela ainda relatou que a previsão era de que esses profissionais estivessem na Reserva até segunda-feira, dia 30, mas o Ministério não detalhou se essa será uma ação paralela ou integrada à feita através da AgSUS.
As aldeias estavam sem visitas de agentes de endemias, profissionais que percorrem casas fazendo tratamento de focos e orientando sobre medidas de prevenção a doenças como a Febre Chikungunya, através do controle da proliferação do mosquito transmissor.
Após o registro do surto de casos, desde o dia nove deste mês agentes de endemias da prefeitura, junto com agentes de saúde indígena da Sesai e apoio de servidores do Estado, passaram a percorrer as aldeias em mutirão.
MAIS UMA MORTE
Apesar do avanço dos casos na área urbana, a situação da Reserva Indígena continua a mais preocupante, não só pela escalada de registros, mas também porque moradores das aldeias foram os únicos que morreram na cidade vítimas da doença até o momento.
A quinta morte foi confirmada nesta quarta-feira, dia 25. Foi a de um bebê de um mês de vida, morador na aldeia Jaguapiru.
De acordo com o Relatório Epidemiológico Diário divulgado pela prefeitura, ele apresentou sintomas no dia 17 e faleceu nesta terça-feira, dia 24. É o segundo bebê que morre vítima da doença, sendo que o primeiro tinha três meses. Além deles, morreram duas idosas de 60 e 62 anos e um idoso de 73 anos.
O Dourados News apurou que quando faleceu, o menino estava internado no HU-UFGD/Ebserh (Hospital Universitário da Universidade Federal da Grande Dourados administrado pela Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares).
A unidade é referência para encaminhamento de crianças indígenas que precisam de suporte hospitalar ou estão com quadro grave de Chikungunya, sendo elas a maioria entre os internados no local. Os adultos das aldeias são encaminhados prioritariamente para o Hospital da Missão.
INTERNAÇÕES AUMENTARAM
As internações pela doença estão aumentando de forma considerável com o passar dos dias, assim como a procura por unidades de saúde dentro e fora da Reserva.
O Relatório divulgado pela prefeitura aponta para 36 leitos ocupados por pacientes indígenas e não-indígenas com Chikungunya, sendo que o levantamento anterior contabilizava 27. A alta é de 37% em um único dia.
A maioria desses pacientes está no HU-UFGD/Ebserh, que tem 26 internados, seguido do Hospital da Missão com seis. No Cassems são três internações e una no Unimed e no Evangélico Mackenzie.
A rede hospitalar está com pacientes das mais diferentes enfermidades em 345 dos 353 leitos disponíveis, conforme dados da Central de Regulação de Leitos Hospitalares. Isso corresponde a uma taxa de ocupação de 97%, indicando início de sobrecarga.
Na segunda-feira, dia 23, representantes do Ministério da Saúde se reuniram com diretores de hospitais da região e equipes técnicas, para alinhar “ações voltadas à ampliação de leitos hospitalares, à organização da regulação assistencial, ao fortalecimento do transporte sanitário e à integração entre as redes pública e privada”, divulgou o órgão.
O HRD (Hospital Regional de Dourados) disponibilizou 15 leitos, sendo dez adultos e cinco pediátricos para pacientes com Chikungunya, além de unidades como a Santa Casa que teria indicado a possibilidade de oferta via contratualização.
Ainda ficaram definidas como ações prioritárias “o mapeamento da capacidade instalada da rede e a organização de fluxos assistenciais para garantir maior resolutividade, especialmente diante do cenário de alta circulação do vírus no município e na região”.
NÚMERO DE CASOS
O Relatório da prefeitura aponta para 1,8 mil notificações, 780 casos confirmados e 858 em investigação. A taxa de positividade subiu para 78,15%.
No recorte específico para a Reserva Indígena que abrange em sua maioria o território de Dourados, mas também tem parte em Itaporã e Douradina que é atendida pelo mesmo polo base, a situação epidemiológica é de 1,3 mil notificações, sendo 564 casos confirmados e 675 em investigação. Pelo menos 182 mil precisaram de atendimento hospitalar.
SITUAÇÃO DO ESTADO
Em todo Mato Grosso do Sul, o cenário também é de avanço da doença. Além das cinco mortes contabilizadas em Dourados, o Boletim Epidemiolígico divulgado pela SES (Secretaria de Estado de Saúde) traz o sexto do ano registrado em Bonito.
É o caso de um idoso de 72 anos, que apresentou os primeiros sintomas no dia 13, faleceu no dia 19 e teve a confirmação em resultado de exame laboratorial na segunda-feira, dia 23. Ele tinha como comorbidades, hipertensão arterial e diabetes.
Ao todo, já são 1,4 mil casos confirmados e 1,6 mil suspeitos em investigação. A cidade com maior número de casos é Fátima do Sul, com 477 casos confirmados e mais oito em investigação. A cidade que é vizinha de Dourados, ainda tem a maior incidência considerado o número de habitantes que é de 20,6 mil.

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