Reuters
- Declarações ocorrem após alta de preços da commodity que ameaça prejudicar economia global e aumentar inflação
- Preço chegou a disparar 30% nesta segunda (9) e esteve próximo de US$ 120 pelo barril
O petróleo chegou a disparar quase 30%, na maior variação diária desde 1988, e ficar próximo de US$ 120 pelo barril nesta segunda-feira (9), antes de sofrer uma forte queda que levou o preço do barril para abaixo de US$ 90.
Por volta das 17h, o Brent caiu para US$ 87,90 (R$ 453,54) o barril, enquanto o WTI (West Texas Intermediate), referência americana, recuou para US$ 88,32 (R$ 455,71).
A derrocada ocorreu após Donald Trump afirmar que a guerra no Irã está "praticamente encerrada" e que não havia "mais nada em termos militares" no país.
"Eles não têm marinha, não têm comunicações, não têm força aérea. Seus mísseis estão reduzidos a poucos. Seus drones estão sendo destruídos por toda parte, incluindo suas fábricas de drones. Se você olhar, não sobrou nada", disse ele em entrevista à CBS nesta segunda.
"Eles dispararam tudo o que tinham para disparar, e é melhor não tentarem nada esperto ou será o fim daquele país", acrescentou Trump.
As quedas deixam ambos os contratos de petróleo abaixo dos níveis de fechamento de sexta-feira (6), mas ainda significativamente acima dos valores anteriores ao início do conflito. Nove dias após o início da guerra, a commodity vem registrando uma alta nos preços que ameaça prejudicar a economia global e aumentar a inflação.
A disparada de preços foi causada pela ameaça de redução na produção, já que o transporte marítimo que passa pelo estreito de Hormuz está paralisado.
A negociação do barril Brent começou a sessão em US$ 92,69, foi subindo e atingiu o ápice às 23h30 de domingo (horário de Brasília), cotado a US$ 119,46 (R$ 626,14), no maior valor desde 29 de junho de 2022. No mesmo horário, o barril WTI também chegou a disparar quase 30% e atingir a marca de US$ 119,43 (R$ 625,98).
Antes das falas de Trump, os ganhos já haviam começado a sumir após a informação de que as maiores economias do mundo consideravam uma liberação coordenada de reservas emergenciais de petróleo em reunião esta segunda. Com isso, o mercado se acalmou.
Porém, por volta das 11h30 (de Brasília), o ministro de Finanças da França, Roland Lescure, afirmou que não houve um acordo sobre o uso da reserva. Em nota, o G7 afirmou que "acompanha de perto a situação".
Segundo a agência de notícias Bloomberg, funcionários do governo dos EUA acreditam que uma liberação conjunta na faixa de 300 milhões a 400 milhões de barris —até 30% dos 1,2 bilhão de barris na reserva— seria apropriada.
A AIE (Agência Internacional de Energia) defendeu a liberação coordenada de reservas emergenciais de petróleo na reunião dos ministros das finanças do G7, que contou ainda com executivos da OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico), do Banco Mundial e do FMI (Fundo Monetário Internacional).
No final de semana, Trump afirmou em sua rede social Truth Social que os movimentos de curto prazo são "um preço muito pequeno a pagar" para os EUA, o mundo e a paz. Ele acrescentou que os preços cairão rapidamente "quando a destruição da ameaça nuclear iraniana acabar".
Para analistas, a opção de liberar reservas de emergência é uma solução paliativa. "As alternativas são limitadas, como recorrer às reservas estratégicas de petróleo, mas em comparação com a magnitude potencial da interrupção do fornecimento se o estreito permanecer fechado por mais tempo, elas são uma gota no oceano", afirmou o analista do UBS Giovanni Staunovo.
"Quanto mais tempo o estreito permanecer fechado, mais produção será interrompida, exigindo preços substancialmente mais altos para conter a demanda", complementou Staunovo.
O prêmio dos contratos de carregamento do Brent no primeiro mês sobre os contratos para entrega em seis meses disparou para uma máxima histórica nesta segunda de quase US$ 36, segundo dados da LSEG que remontam a 2004.
A disparada durante esta segunda ficou bem acima de seu pico anterior de cerca de US$ 23 em março de 2022, nas primeiras semanas da guerra Rússia-Ucrânia.
Esse prêmio indica uma estrutura de mercado conhecida como backwardation, mostrando que os traders veem uma intensa escassez de oferta no momento.
O estreito de Hormuz, por onde normalmente passa cerca de um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito do mundo, está virtualmente fechado.
A nomeação de Mojtaba Khamenei para suceder seu pai Ali Khamenei como líder supremo do Irã também alimentou a alta de preços, sinalizando que os linha-dura permanecem firmemente no comando em Teerã uma semana após o início do conflito com EUA e Israel.
A guerra pode deixar consumidores e empresas em todo o mundo enfrentando semanas ou meses de preços mais altos de combustíveis, mesmo que o conflito termine rapidamente, enquanto os fornecedores lidam com instalações danificadas, logística interrompida e riscos elevados para o transporte marítimo.
Os contratos de gasolina dos EUA dispararam para seu nível mais alto desde 2022, cerca de US$ 3,22 (R$ 16,87) o galão, em um momento em que o presidente dos EUA, Donald Trump, disse aos consumidores norte-americanos que o impacto em seu custo de vida seria limitado, antes das eleições de meio de mandato em novembro.
O líder democrata do Senado dos EUA, Chuck Schumer, pediu a Trump que libere as reservas estratégicas de petróleo, e uma fonte do governo francês disse na segunda-feira que o G7 também discutiria isso.
SAUDI ARAMCO COMEÇA A CORTAR PRODUÇÃO
A Saudi Aramco começou a cortar a produção em dois de seus campos de petróleo, disseram pessoas ouvidas pela Reuters. Analistas disseram na semana passada que esperavam que os pesos-pesados da Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo), incluindo os Emirados Árabes Unidos, tivessem que cortar a produção em breve, pois estão ficando sem capacidade de armazenamento de petróleo.
A produção de petróleo iraquiana de seus principais campos do sul caiu 70%, afirmaram fontes do setor, com o armazenamento de petróleo bruto tendo atingido a capacidade máxima
A Kuwait Petroleum Corporation também começou a cortar a produção de petróleo no sábado (7) e declarou força maior nos embarques, embora não tenha informado quanta produção seria interrompida. A QatarEnergy também havia declarado força maior na semana passada para GNL (gás natural liquefeito) e outros produtos.
A Saudi Aramco, que pode desviar alguns fluxos pelo porto de Yanbu no Mar Vermelho, ofereceu mais de 4 milhões de barris de petróleo saudita em licitações raras para contrabalançar o fechamento de Hormuz. O processo é incomum com entrega imediata com carga vinda de um superpetroleiro próximo a Taiwan. A empresa normalmente só oferece fornecimento sob contratos de longo prazo. É um dos muitos sinais de que os produtores estão tomando medidas incomuns para manter o mercado de petróleo abastecido.
Ao mesmo tempo, informações de bombardeios em campos petrolíferos continuam impactando no mercado. Nesta segunda-feira, um ataque atingiu a zona industrial de petróleo de Fujairah, nos Emirados Árabes Unidos, com queda de destroços provocando incêndio, sem feridos relatados.
As paralisações na produção de petróleo no Oriente Médio podem ultrapassar 4 milhões de barris por dia até o final da próxima semana, à medida que os estoques se enchem e os gargalos persistem, escreveram analistas do JPMorgan Chase & Co., em uma nota de domingo (8).
O governo da China ordenou que as principais refinarias do país suspendam as exportações de diesel e gasolina, e a Coreia do Sul está avaliando se deve introduzir um teto para os preços do petróleo pela primeira vez em 30 anos.

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