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Campo Grande começou a utilizar tecnologia de raio-X com inteligência artificial para agilizar a identificação de doenças respiratórias, especialmente entre pessoas que vivem com HIV/Aids.
O novo sistema permite analisar imagens de tórax e oferecer uma avaliação inicial praticamente em tempo real, o que pode acelerar a tomada de decisão médica e o início do tratamento.
A ferramenta foi incorporada à rede municipal de saúde dentro do projeto A Hora é Agora, voltado ao cuidado e acompanhamento de pacientes com HIV.
Inicialmente, o equipamento será utilizado no CEDIP (Centro Especializado em Doenças Infectoparasitárias) e no Centro de Testagem e Aconselhamento (CTA), unidades que concentram atendimento e acompanhamento desse público.
Antes de entrar em funcionamento, profissionais das equipes assistenciais e de gestão participaram de capacitação para operar o equipamento, interpretar as análises geradas pelo sistema e integrar a tecnologia à rotina de atendimento das unidades.
Segundo o secretário municipal de Saúde, Marcelo Brandão Vilela, a adoção da ferramenta representa um avanço no processo de modernização da rede municipal. “Essa tecnologia alia mobilidade e inteligência artificial para tornar o diagnóstico mais rápido e preciso, fortalecendo a rede municipal de saúde”, afirmou.
Equipamento portátil amplia alcance do diagnóstico
Outro diferencial da tecnologia é a mobilidade. De acordo com o especialista da Fujifilm, Fernando Operman, o aparelho pesa cerca de 3,5 quilos e pode ser instalado em diferentes ambientes de atendimento, suportando pacientes de até 300 quilos.
O sistema conta ainda com uma tecnologia de grade virtual que auxilia na qualidade da imagem e na análise automatizada dos exames. Embora o principal objetivo seja reforçar o rastreamento da tuberculose — doença que representa risco elevado para pessoas com HIV — o equipamento também ajuda a identificar outras alterações pulmonares.
“Após a captação da imagem, o sistema faz a análise com poucos comandos. Ele é especialmente eficaz para sugerir indícios de tuberculose, mas também auxilia na detecção de diversas outras patologias, como nódulos pulmonares, lesões malignas, pneumonia e pneumotórax”, explicou Operman.
A gerente da Rede de Atenção Especializada da Sesau, Andreia Silva, destacou que a ferramenta funciona como suporte à equipe médica no processo de avaliação dos exames. “O objetivo principal é o rastreamento da tuberculose, oferecendo resposta mais rápida para a tomada de decisão clínica. O diagnóstico final sempre é realizado pelo médico”, ressaltou.
Diagnóstico mais rápido
A tecnologia faz parte da estratégia chamada RAIA (Radiografia Rápida com Inteligência Artificial), que combina um aparelho de raio-X ultraportátil com um software de detecção assistida por computador. O modelo permite que o exame seja feito próximo ao paciente, com interpretação inicial imediata das imagens.
Para o médico infectologista do CDC (Centro de Controle e Prevenção de Doenças), Filipe Perine, a inovação pode reduzir o tempo entre o exame e o início do tratamento, além de ampliar o acesso ao diagnóstico entre grupos mais vulneráveis.
“Com a nova tecnologia, a expectativa é fortalecer o cuidado integral às pessoas vivendo com HIV/Aids e ampliar o rastreamento precoce da tuberculose, que é uma das principais causas de morte nesse grupo”, afirmou.

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