quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

Brasileiro fundador do Agibank entra em grupo de bilionários após caótico IPO

 

                                                Reuters

  • Marciano Testa passa a ter fortuna estimada em US$ 1,1 bilhão após lançamento de ações

  • Papeis tiveram desvalorização de 10% em seu primeiro dia na Nasdaq



O fundador da fintech Agibank, o brasileiro Marciano Testa, tornou-se bilionário nessa quarta-feira (11), apesar de uma IPO (oferta pública inicial de ações) conturbada de sua empresa Agi Inc.


As ações do Agibank, como a companhia é conhecida, caíram 10% em sua estreia na Nasdaq após a empresa ser forçada a reduzir tanto o preço quanto o número de ações ofertadas horas antes da oferta.


A participação de 63% de Testa no Agibank está avaliada em US$ 1,1 bilhão (R$ 5,7 bilhões) ao preço de fechamento de quarta-feira, de US$ 10,75 (R$ 55,72).


A fintech abriu capital na Bolsa de Nova York, no que é a segunda grande listagem de uma empresa brasileira nos Estados Unidos desde 2021.


O processo do Agibank pareceu ter sido prejudicado pela IPO de outra fintech brasileira, a PicPay, que começou a ser negociada na Nasdaq no mês passado. Ela precificou sua oferta no topo da faixa proposta, mas as ações caíram 23% desde então.


O Agibank, onde Testa é presidente do conselho, vinha considerando uma listagem nos EUA desde pelo menos 2019. Antes disso, havia tentado, sem sucesso, abrir capital na Bolsa brasileira.


Juntos, os IPOs do Agibank e do PicPay, que pertence à bilionária família dos irmãos Joesley e Wesley Batista, representam uma espécie de retomada para os mercados de capitais ligados à maior economia da América Latina. Antes deles, o último IPO de uma empresa brasileira nos EUA havia sido o do banco digital Nubank, liderado pelo bilionário David Velez.


Velez detém um patrimônio líquido de US$ 17 bilhões (R$ 88,12 bilhões), de acordo com o índice de bilionários da Bloomberg, a maior parte proveniente de sua participação de 20% no Nubank.


A listagem das ações em Bolsa do Agibank diluiu a participação de Testa, mas não seu controle sobre a empresa. Sua fatia agora é mantida por meio de ações especiais da Classe B, que lhe conferem quase 95% do poder de voto. Embora essa classe de ações de Testa não seja negociada, ele tem o direito de converter sua participação em ações negociadas na Bolsa e vendê-las, enquanto mantém o controle da companhia.


O modelo de negócios do Agibank combina uma plataforma digital com mais de 1.000 chamados "smart hubs". A empresa tinha mais de 6,4 milhões de clientes ativos até setembro, e foca na concessão de empréstimos a trabalhadores aposentados, com desconto automático das parcelas de seus benefícios da Previdência.


A empresa já recebeu investimentos da Lumina Capital Management, fundada por um ex-executivo do Morgan Stanley, e da plataforma de investimentos alternativos Vinci Partners.


Marcelo Rochabrun

Bloomberg

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