segunda-feira, 23 de março de 2026

Casos de chikungunya disparam em Dourados e município entra em emergência em saúde pública

 

                                               Foto: Reprodução




O número de casos confirmados de chikungunya em Dourados registrou um aumento expressivo em poucos dias, acendendo um alerta máximo entre as autoridades de saúde. De acordo com o boletim mais recente da Vigilância Epidemiológica, divulgado nesta segunda-feira (23), o município saltou de 274 confirmações no dia 19 para 648 casos — um acréscimo de 374 registros no período.


No total, já são 1.426 notificações da doença, além de 576 exames ainda em análise. Até o momento, quatro mortes foram confirmadas, todas na área da Reserva Indígena, região que concentra os quadros mais graves e onde a situação é considerada mais crítica.


Diante do avanço acelerado da doença, transmitida pelo mosquito Aedes aegypti, a Prefeitura de Dourados decretou estado de emergência em saúde pública na última sexta-feira (20). A decisão foi tomada após reunião entre autoridades municipais, estaduais e federais, motivada pelo crescimento significativo dos casos tanto na área urbana quanto, principalmente, nas aldeias Jaguapiru e Bororó.


Inicialmente concentrada na Reserva Indígena, a disseminação da chikungunya já alcança diversos bairros da cidade, como Jardim dos Estados, Novo Horizonte e a região do Jóquei Clube, locais apontados com maior incidência de focos do mosquito.


No último sábado (21), representantes das três esferas de governo se reuniram com a imprensa para reforçar a importância da conscientização da população. Segundo o secretário municipal de Saúde, Márcio Figueiredo, uma força-tarefa já está em andamento, com ações intensificadas nas áreas mais afetadas.


Entre as estratégias adotadas, o município deve receber ainda nesta semana as Estações Disseminadoras de Larvicida (EDLs), tecnologia desenvolvida pelo Ministério da Saúde para o controle do mosquito transmissor. O diretor da Força Nacional do SUS, Rodrigo Stábeli, explicou que o dispositivo atrai as fêmeas do mosquito, que são contaminadas com o larvicida e acabam espalhando o produto em outros criadouros, interrompendo o ciclo de desenvolvimento das larvas.


Apesar das ações governamentais, as autoridades reforçam que o combate à doença depende diretamente da população. A principal orientação é eliminar qualquer recipiente que possa acumular água parada, já que os ovos do mosquito podem permanecer viáveis por até um ano.


“Se dedicar 10 minutos por semana para vistoriar a própria residência, é possível eliminar o vetor. Se há mosquito em casa, o foco está ali”, alertou Stábeli, destacando a importância da mobilização coletiva.


Especialistas também chamam atenção para a gravidade da chikungunya. O infectologista Rivaldo Venâncio ressaltou o impacto da doença no sistema de saúde, uma vez que os pacientes frequentemente necessitam de múltiplos atendimentos, sobrecarregando as unidades.


Ele ainda destacou que idosos e pessoas com doenças crônicas, como diabetes, hipertensão e condições autoimunes, apresentam maior risco de desenvolver formas graves da doença.


Vacinação ainda sem previsão


O avanço dos casos em Dourados levou o Governo do Estado a intensificar as articulações para incluir Mato Grosso do Sul na estratégia nacional de vacinação contra a chikungunya. O imunizante, já aprovado pela Anvisa, encontra-se em fase 4 de monitoramento, que avalia sua efetividade em condições reais de uso.


Atualmente, a vacina é aplicada de forma controlada no Brasil, dentro de um projeto piloto conduzido pelo Ministério da Saúde em parceria com o Instituto Butantan, em municípios selecionados de diferentes estados.


A secretária-adjunta de Saúde, Crhistinne Maymone, destacou que o pedido de inclusão do Estado foi construído de forma integrada entre diferentes áreas técnicas.


Segundo a coordenadora de Imunização, Ana Paula Goldfinger, Mato Grosso do Sul não estava entre os territórios inicialmente contemplados. No entanto, o cenário recente, especialmente na Reserva Indígena de Dourados, com registro de mortes, reforçou a necessidade de inclusão prioritária.


Apesar da solicitação, ainda não há previsão para a chegada de doses ao Estado. Enquanto isso, as autoridades reforçam que a prevenção continua sendo a principal ferramenta para conter o avanço da doença.


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