segunda-feira, 8 de setembro de 2025

Carlos Lupi depõe à CPMI do INSS nesta segunda-feira

 

                                            Carlos Lupi depõe à CPMI do INSS e deve responder por nomeações durante fraudes em descontos de aposentadorias (Foto: Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados)



Em meio à tensão entre governo e oposição no Congresso, o ex-ministro da Previdência Social Carlos Lupi (PDT) deve comparecer nesta segunda-feira, 8, à CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito) que investiga fraudes em benefícios do INSS. A reunião está marcada para as 16h.


Lupi comandou o Ministério da Previdência entre janeiro de 2023 e maio de 2025, quando deixou o cargo após denúncias envolvendo descontos indevidos em aposentadorias e pensões pagos pelo Instituto Nacional do Seguro Social.


Ele foi o responsável por nomear Alessandro Stefanutto à presidência do INSS, que também se afastou após o avanço das investigações conduzidas pela CGU (Controladoria-Geral da União) e pela Polícia Federal.


O ex-ministro de Lula (PT) negou qualquer envolvimento direto com o esquema e afirmou estar disposto a colaborar com as apurações. Na última sexta-feira, 5, em entrevista à CNN, Lupi disse estar com "consciência e alma tranquilas". Tudo indica que, se ele comparecer ao depoimento, deve manter o mesmo discurso.


Esquema investigado envolvia descontos sem autorização


As investigações da PF e da CGU revelaram um esquema nacional de cobranças não autorizadas aplicadas diretamente nos contracheques de aposentados e pensionistas. Os valores eram repassados mensalmente a entidades e sindicatos que, na prática, não tinham vínculo formal com os beneficiários.


O presidente da CPMI, senador Carlos Viana (Podemos-MG), confirmou a convocação de Lupi e afirmou que o depoimento será essencial para esclarecer a cadeia de responsabilidades dentro da estrutura do Ministério da Previdência e do INSS.


Apesar de não ser alvo direto da investigação, Lupi será questionado sobre omissões administrativas e os critérios usados para nomear Stefanutto. Parlamentares querem entender se houve negligência ou falha de fiscalização durante sua gestão.


Climão


O depoimento de Lupi ocorre em um momento de forte tensão no Congresso e promete aprofundar o embate entre governo e oposição na CPMI do INSS. A comissão, dominada por adversários do Palácio do Planalto, transformou-se em um palco de disputa política desde a sua instalação, quando a base governista foi surpreendida pela eleição de Viana para a presidência e de Alfredo Gaspar (União Brasil-AL) para a relatoria. Desde então, o Planalto tenta retomar o controle da narrativa, mas encontra dificuldades diante de um colegiado hostil.


As reuniões são quase sempre marcadas por bate-boca. Na semana passada, por exemplo, a senadora Leila Barros (PDT-DF) e a deputada federal Coronel Fernanda (PL-MT) protagonizaram uma discussão. 


O depoimento de Lupi é visto pela oposição como uma oportunidade para ampliar o desgaste da atual gestão, sobretudo ao vincular diretamente o ex-ministro à escolha de Alessandro Stefanutto, ex-presidente do INSS e peça central no esquema de descontos irregulares aplicados a aposentados e pensionistas. Embora Lupi não seja investigado formalmente, o fato de ter conduzido as nomeações no período em que as fraudes ocorreram o coloca no centro das cobranças.


Nos bastidores, a base governista trabalha para conter danos e orientar parlamentares a adotarem uma postura técnica. A ordem é clara: defender o legado da pasta sem transformar a oitiva em mais um flanco de ataque ao governo Lula. Integrantes da articulação política consideram que a exposição de Lupi em rede nacional poderá reabrir feridas recentes deixadas por falhas na articulação da comissão.


Outros depoimentos também são aguardados


A CPMI também convocou para a próxima semana dois nomes apontados como operadores do esquema: Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, e Mauricio Camisotti. Os dois devem depor na quinta-feira, 11.


Parlamentares esperam que, junto com o depoimento de Lupi, esses interrogatórios ajudem a revelar a extensão da rede de fraudes e a identificar os beneficiários políticos e financeiros do esquema. (Com Portal Terra)

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