sexta-feira, 16 de outubro de 2026

Grãos puxam alta de 3,62% nos preços do agro

 

                                            Foto: Divulgação




Valorização mensal contrasta com recuo de 6,56% na comparação anual

A valorização dos grãos mudou o comportamento dos preços agropecuários em setembro de 2026. Com avanço de 6,58% nesse segmento, o Índice de Preços ao Produtor de Grupos de Produtos Agropecuários (IPPA/CEPEA) encerrou o mês com alta nominal de 3,62% em relação a agosto. O movimento, porém, contrasta com a queda de 6,56% registrada na comparação dos nove primeiros meses do ano com igual período de 2025.



O levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) aponta que a valorização de produtos como soja, milho, trigo, arroz e algodão teve participação no resultado positivo de setembro. O avanço dos grãos foi acompanhado pela pecuária, que registrou elevação de 2,08% nos preços.


Nesse segmento, boi gordo, frango vivo, suíno vivo e leite apresentaram valorização. Já o grupo formado por cana-de-açúcar e café teve aumento mais discreto, de 0,15%, com influência positiva da cana-de-açúcar e pressão negativa do café.


A principal resistência à alta geral veio dos hortifrutícolas. Os preços do grupo recuaram 3,98%, influenciados pelas quedas de banana, laranja e uva. O resultado negativo ocorreu mesmo com a valorização da batata e do tomate. Os ovos também estiveram entre os produtos que exerceram pressão de baixa sobre os respectivos indicadores.



A diferença entre o desempenho mensal dos segmentos mostra que a recuperação dos preços agropecuários não ocorreu de maneira uniforme. Enquanto os grãos concentraram o maior avanço, outros produtos permaneceram em trajetória de desvalorização.


Na comparação com os preços industriais, o resultado do setor agropecuário também se destacou. Em setembro, o IPA-OG-DI registrou elevação de 1,57%, abaixo dos 3,62% observados no indicador do Cepea.


O comportamento dos preços internacionais dos alimentos apresentou movimento semelhante de alta no mês, mas com diferença conforme a moeda utilizada. Em dólares, a valorização foi de 1,48%. Quando os valores foram convertidos para reais, o aumento ficou em 1,31%, refletindo a apreciação de 0,16% da moeda brasileira frente ao dólar.


Apesar desses resultados, a análise de um período mais longo revela que os preços recebidos pelos produtores ainda apresentam perdas em relação ao ano anterior.


Entre janeiro e setembro de 2026, na comparação com os mesmos meses de 2025, a maior retração ocorreu no grupo de cana-de-açúcar e café, com redução de 20,90%. Os hortifrutícolas aparecem na sequência, com queda de 8,58%.


Os grãos, que lideraram a valorização em setembro, registram recuo de 3,49% nessa comparação anual. Na pecuária, a redução chega a 2,54%. Dessa forma, nenhum dos quatro grupos acompanhados pelo IPPA/CEPEA apresenta resultado positivo no período.


O contraste também aparece na relação com os preços industriais. Enquanto o indicador agropecuário acumula retração de 6,56%, o IPA-OG-DI registra crescimento de 1,24% na comparação entre os nove primeiros meses dos dois anos. A influência do câmbio fica mais evidente nos preços internacionais dos alimentos. Embora o indicador tenha apresentado leve alta de 0,75% em dólares no período analisado, a conversão para reais aponta redução de 8,39%.


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