(Foto: Bob Paulino/Ag. Paulistão)
Aliados de Augusto Melo protocolaram nesta sexta-feira uma ação na Vara Cível do Foro Regional VIII do Tatuapé, em São Paulo, para tentar validar o ato do último sábado no Parque São Jorge, liderado pelo presidente afastado do Corinthians.
O processo é apoiado pelo ex-Ministro da Justiça e advogado da defesa de Augusto Melo, José Eduardo Cardozo, e pelo escritório de Levy Sartori, ex-presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo. A petição, assinada pelos conselheiros Mario Mello, Ronaldo Fernandez Tomé, Maria Ângela de Sousa Ocampos e Peterson Ruan Aiello do Couto Ramos, é movida contra o presidente do Conselho Deliberativo, Romeu Tuma Júnior, o atual presidente interino do clube, Osmar Stabile, e contra o próprio clube.
Na ação, a qual a Gazeta Esportiva teve acesso, os aliados de Augusto pedem que a Justiça confirme a "vigência imediata" da decisão da Comissão de Ética e Disciplina, que teria decidido afastar Romeu Tuma da presidência do CD no último dia 9 de abril. Consequentemente, eles também solicitam que Maria Ângela seja empossada como presidente interina do órgão.
No último dia 31, Augusto Melo se dirigiu ao Parque São Jorge com alguns aliados e tentou reassumir a presidência do Corinthians através de um documento, assinado por Maria Ângela.
Ela, que atua como 1ª vice secretária do Conselho Deliberativo, se intitulava presidente interina do órgão já que, em seu entendimento, Romeu deveria estar afastado e o sucessor imediato do posto, o vice Roberson de Medeiros, o 'Dunga', estava de licença médica. A conselheira, então, dizia ter anulado todos os atos conduzidos por Tuma desde o dia 9 de abril, dentre eles, a votação que aprovou o impeachment de Augusto pelo caso VaideBet, e determinava que o presidente afastado deveria ser reconduzido ao cargo.
Para defender a tese, os aliados de Augusto voltaram a sustentar a ação com os Artigos 28, letras D e E, e 30 do estatuto do Corinthians. No entanto, como já publicou a Gazeta Esportiva, estes artigos são pertinentes aos associados do clube social, e não aos conselheiros eleitos.
Além disso, na última quinta-feira, a Gazeta Esportiva publicou, com exclusividade, irregularidades do ato liderado por Augusto Melo que foram expostos por Rodrigo Bittar, membro da Comissão de Ética. Ele, inclusive, votou contra o afastamento de Tuma na tal reunião do dia 9 de abril.
Por não haver amparo estutário ou jurídico, Osmar Stabile não reconheceu o ofício apresentado por Augusto e se recusou a deixar a presidência do clube. Nesta sexta-feira, inclusive, ele marcou presença no treino da equipe no CT Dr. Joaquim Grava e conversou brevemente com a imprensa.
A reportagem entrou em contato com a assessoria do Corinthians, pedindo um posicionamento do clube e de Osmar Stabile. O Timão, contudo, respondeu que "não comenta processos em andamento".
A Gazeta Esportiva também procurou Romeu. Através de sua assessoria, o presidente do CD lembrou que os argumentos apresentados pelos aliados de Augusto já foram anteriormente rejeitados pela Justiça em outras ações e volta a acusar Melo de "golpe".
"Trata-se de nova ação, tratando dos mesmos fatos que o judiciário já negou: não houve meu afastamento, especialmente válido e eficaz, da presidência do Conselho Deliberativo. Os mesmos que tentaram dar um golpe, agora processam o Corinthians. Eles podem ser tudo, menos corinthianos. Aguarda-se a mesma posição da Justiça, considerando ser a mesma argumentação falaciosa já rechaçada pela mesma 5ª Vara Cível do Tatuapé", afirmou, em nota enviada à reportagem.
Por Tiago Salazar e André da Silva Costa

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