quarta-feira, 22 de abril de 2026

Grupo de extermínio já matou 20 na fronteira com o Paraguai desde 2014

 


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O grupo de extermínio autoproclamado Justiceiros da Fronteira voltou a ganhar notoriedade depois de matarem duas vítimas nas últimas duas semanas, se juntando aos cerca de 20 casos que seguem a organização nestes últimos 12 anos de atuação contra supostos criminosos que praticaram roubos na região de Pedro Juan Caballero, cidade gêmea de Ponta Porã.


Na segunda-feira, mais um corpo foi encontrado no município paraguaio, mais especificamente no Bairro General Genes. A vítima foi achada com uma série de ferimentos, além de estar com os pés e mãos amarrados, segundo a delegacia paraguaia. Junto ao corpo, estava um bilhete com um recado “não roubar”, marca registrada do grupo Justiceiros da Fronteira.


Em conversa com o jornalista paraguaio Rubén Valdez, o Correio do Estado apurou que o primeiro caso ligado à organização criminosa aconteceu em 2014 e, embora não haja um número oficial consolidado em razão da natureza clandestina do grupo e à falta de confirmação em vários casos, eles somam aproximadamente 20 ações nestes últimos 12 anos.


“Uma característica recorrente nesses crimes era a presença de panfletos deixados ao lado das vítimas, com mensagens como ‘não roubar’, geralmente assinadas como ‘justiceiros da fronteira’, sugerindo uma espécie de punição extrajudicial contra supostos criminosos. Outro ponto em comum entre as vítimas é que todas possuem antecedentes criminais, principalmente por furtos ou roubos”, explica.



Inclusive, o jornalista destaca que o grupo praticou crimes extremamente brutais em episódios anteriores, como desmembramento de jovens e vítimas que tiveram as mãos decepadas.


Algumas dessas vítimas morreram, enquanto outras sobreviveram.


Porém, Valdez destaca que, mesmo com a assinatura nos crimes e o modus operandi conhecido, não há confirmação de que se trate de um único grupo organizado, apenas suspeitas que apontam para a existência de vários grupos que atuam sob essa mesma denominação, com ligação a facções que buscam controlar territórios.


“Uma das principais linhas de investigação sugere que, nos casos mais recentes, os crimes possam estar ligados a facções de microtraficantes que buscam controlar territórios com maior concentração de usuários de drogas. Esses grupos recrutariam jovens com histórico criminal para atuar como distribuidores e, em situações de traição, falha ou disputa por controle total das áreas, acabam executando essas pessoas de forma violenta”, comenta o jornalista.


Além de crimes em Pedro Juan Caballero, casos ligados ao grupo já foram encontrados em Zanja Pytá, também localizado no departamento de Amambay, e Ponta Porã.


CASOS

No dia 7, um corpo foi achado na região do distrito de Cerro Cora’i, próximo a Pedro Juan Caballero. Esse indivíduo, como aponta o portal da região de fronteira Ponta Porã News, foi deixado em meio à vegetação, às margens de um caminho de terra. 


Nas palavras do comissário Sérgio Sosa, as forças de segurança foram acionadas por volta de 22h, encontrando o corpo já sem vida, deixado de bruços no local, apresentando um corte no pescoço e várias marcas de tiro, o que levantou a suspeita de execução. 


Esse caso começou a ganhar contornos mais claros, que foram para além de uma briga de facções, graças a um bilhete encontrado na cena do crime.


Quase que como em menção ao sétimo mandamento bíblico, o bilhete deixado na cena do achado de corpo era breve e objetivo: “Justiciero esta de vuelta. No robar”, que pode ser traduzido como “o justiceiro está de volta. Não roubar”.


O indivíduo executado trata-se de um homem de 38 anos, que apresenta uma série de passagens criminais. 


Identificado como Marcelino Villalba Barreto, ele acumulou crimes de furto e roubo agravado, além de mandados de prisão em aberto e recorrentes problemas por conta do uso abusivo de substâncias.


Na segunda-feira, segundo informações do jornal ABC Color, mais um corpo foi encontrado com evidentes sinais de tortura ao lado de outro bilhete de “não roubar”, o que levanta suspeita de ter sido vítima dos chamados “Justiceiros da Fronteira” que voltaram a agir na linha entre Pedro Juan Caballero e Ponta Porã.


Esse corpo foi identificado por meio do Sistema Automatizado de Identificação de Impressões Digitais (Afis), como Christian Rodrigo Toledo, de 35 anos, que tinha antecedentes criminais que passam entre outros delitos por furto qualificado.


O caso foi registrado na 6ª Delegacia de Polícia de Pedro Juan Caballero.


No Brasil, as autoridades também estão atentas para crimes semelhantes a esses.


Felipe Machado

P)ortal Correio do Estado


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