Foto:Gerson Oliveira
Mato Grosso do Sul já registra 12 mortes por chikungunya em 2026, segundo boletim atualizado nesta quinta-feira (16) pela Gerência Técnica de Doenças Endêmicas da Secretaria de Estado de Saúde (SES). O número representa 63% de todos os óbitos pela doença no Brasil neste ano, conforme dados do Ministério da Saúde, que contabiliza 19 mortes em todo o país.
O cenário preocupa autoridades sanitárias, já que o Estado atingiu esse patamar três meses antes do período mais crítico da série histórica, uma antecipação de cerca de 12 semanas epidemiológicas. A tendência indica avanço acelerado da doença em 2026.
Além da alta concentração de mortes, a letalidade também chama atenção. Em 2025, os 12 óbitos registrados estavam inseridos em um universo de 5.428 casos confirmados. Já neste ano, o mesmo número de mortes ocorre em um total menor de 2.639 confirmações, sugerindo agravamento no impacto da doença.
Dourados é epicentro da doença
A cerca de 231 quilômetros de Campo Grande, o município de Dourados concentra a maior parte das mortes e é considerado o epicentro da chikungunya no Estado. A cidade soma oito óbitos em 2026.
A morte mais recente foi a de um homem de 63 anos, morador do bairro Parque das Nações II. Ele chegou a ser internado em um hospital da rede privada, mas não resistiu e morreu na segunda-feira (13). A confirmação da causa ocorreu nesta quinta-feira (16), após exame laboratorial do Lacen.
Entre as demais vítimas em Dourados estão duas mulheres idosas, de 60 e 69 anos, três homens de 55, 73 e 77 anos, além de dois bebês, de um e três meses.
Outros municípios também registraram mortes:
Bonito (1)
Fátima do Sul (1)
Jardim (2)
A SES ainda investiga dois óbitos suspeitos. No total, o Estado contabiliza 5.352 casos prováveis da doença, sendo 2.639 confirmados — entre eles, 46 em gestantes.
Avanço precoce e maior letalidade
O monitoramento do Ministério da Saúde aponta que Mato Grosso do Sul já havia registrado o sétimo óbito por chikungunya antes do fim de março, tornando 2026 um ano com letalidade significativamente maior — até sete vezes superior ao pior período da série histórica para o mesmo intervalo.
Transmitida pelo mosquito Aedes aegypti, vetor também da dengue e da zika, a chikungunya tem como característica sintomas intensos e evolução rápida. Em muitos casos, o agravamento pode levar ao óbito em até três semanas após o início dos sintomas.
Histórico recente agrava preocupação
O avanço da doença já vinha sendo observado desde 2025, quando Mato Grosso do Sul registrou o maior número de mortes da série histórica: 17 no total, o equivalente ao dobro dos óbitos acumulados na década anterior.
A série histórica do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan) mostra que, desde 2015, quando houve o primeiro registro de morte, até 2024, apenas oito sul-mato-grossenses haviam morrido por chikungunya. Houve anos sem qualquer óbito, como 2016, 2017 e o período entre 2019 e 2022.
O crescimento expressivo nos últimos dois anos reforça o alerta das autoridades de saúde para medidas de prevenção e controle do mosquito, principal forma de conter o avanço da doença no Estado.
Fonte Correio do Estado
Leo Ribeiro

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