Citroën C3 na versão XTR, que tem motor 1.0 flex e pneus de uso misto -
- Modelo evolui na linha 2026, mas faltam itens de segurança
- Marca chegou ao Brasil há 35 anos com carros de alto lu
O som emitido ao fechar a porta do motorista já mostra que o Citroën C3 evoluiu. O barulho foi atenuado pelo uso de borrachas mais espessas na versão XTR avaliada, que traz o melhor pacote de equipamentos entre as versões 1.0 flex sem turbo.
Ao verificar o isolamento acústico, os engenheiros do Instituto Mauá de Tecnologia encontraram reforço no material fonoabsorvente instalado junto à parede corta-fogo, que separa a cabine do cofre do motor. O carro está mais silencioso que antes, até lembra um Citroën dos anos 1990.
Quando chegou ao Brasil, logo após a reabertura das importações, há 35 anos, a marca foi posicionada no segmento premium. O XM, por exemplo, custava praticamente o mesmo que os primeiros sedãs da Mercedes e da BMW disponíveis no país. Em valores corrigidos com base no IPCA, o luxuoso modelo francês era vendido pelo equivalente a R$ 950 mil em maio de 1991.
O C3 é de uma outra era: a da Citroën transformada na marca de entrada do grupo Stellantis. Ainda há lampejos de ousadia e refinamento em alguns produtos, como o atual C5 Aircross disponível na Europa. Entretanto, para os mercados considerados emergentes, o que chega às lojas tem no custo-benefício o principal apelo.
A versão XTR vive em eterna promoção. O carro é oferecido por R$ 92.590 no site da marca, um suposto desconto de R$ 8.000. O valor inclui ar-condicionado, direção com assistência elétrica, central multimídia, acionamento elétrico das janelas e das travas das portas, assistente de partida em rampa, controle de estabilidade, rodas de liga leve aro 15 e pneus de uso misto.
Há apenas os obrigatórios airbags frontais, ponto negativo no quesito segurança. O concorrente Renault Kwid Outsider (R$ 89.090) vem com as bolsas laterais instaladas nos bancos dianteiros.
Ambos os projetos nasceram na Índia e tiveram que passar por muitas adaptações para se adequar ao gosto do consumidor brasileiro, que é mais exigente.
A posição de dirigir do Citroën é superior à do Kwid, com bom espaço para a perna esquerda e comandos leves. A versão XTR tem volante forrado de couro e com costuras aparentes na cor verde.
O banco traseiro acomoda bem dois passageiros, quesito em que supera com folga o hatch da Renault e o Fiat Mobi Way (R$ 85.990), com o qual compartilha o conjunto motriz e a proposta aventureira.
A linha 2026 do Citroën passou por mudanças para reduzir o consumo e a emissão de poluentes. Com a nova calibração, o hatch entrou no programa Carro Sustentável, que oferece benefícios tributários.
De fato, houve avanço. Enquanto a versão 1.0 Feel avaliada em dezembro de 2022 registrou a média rodoviária de 14,8 km/l com etanol no tanque a 90 km/h, o modelo 2026 atingiu a marca de 16,5 km/l na mesma condição.
O motor 1.0 flex Firefly (75 cv) tem força suficiente para empurrar os 1.046 quilos do C3 XTR. Ainda com etanol no tanque, o hatch precisou de 17,6 segundos para ir do zero aos 100 km/h. Não é um carro rápido, mas outra medição feita pelo Instituto Mauá de Tecnologia mostrou que há agilidade no trânsito.
Para chegar aos 60 km/h, o compacto montado em Porto Real (RJ) precisou de sete segundos, bom número para a categoria. Dessa forma, o modelo se desloca bem em meio ao trânsito urbano de uma cidade como São Paulo, cujos limites não costumam passar dos 50 km/h nas vias urbanas de grande fluxo.
CITROËN C3 XTR
Preço: R$ 92.590 (abril/2026)
Motorização: flex, 999 cm³; 75 cv com etanol e 71 cv com gasolina, ambas a 6.000 rpm
Torque: 10,7 kgfm a etanol a 3.250 rpm e 10,1 kgfm a gasolina a 4.250 rpm
Transmissão: tração dianteira, câmbio manual, cinco marchas
Pneus: 205/60 R15
Peso: 1.046 kg
Porta-malas: 315 litros
Comprimento: 3,98 m
Largura: 1,73 m
Altura: 1,61 m
Entre-eixos: 2,54 m
Capacidade do tanque: 47 litros
Aceleração (0 a 100 km/h, em segundos): 17,6 (etanol) e 18 (gasolina)
Retomada (80 km/h a 120 km/h, em segundos): 19,4 (etanol) e 22 (gasolina)
Consumo urbano (km/l): 10,1 (etanol) e 15,4 (gasolina)
Consumo rodoviário (km/l): 16,5 (etanol) e 22,1 (gasolina)
Autonomia rodoviária com etanol (a 90 km/h): 776 km
Autonomia rodoviária com gasolina (a 90 km/h): 1.039 km
Dados sobre preço, potência, dimensões e capacidades são de responsabilidade da montadora; consumo e desempenho foram medidos pelo Instituto Mauá de Tecnologia
Foi nesse ambiente que as evoluções se sobressaíram. O C3 2026 está mais silencioso e com menos vibrações que as versões anteriores. O barulho da ventoinha já não invade mais a cabine como antes —era tão alto que parecia haver algum defeito.
Mas após dois dias ao volante em trajetos urbanos e mais a viagem até a pista de testes, em Limeira (interior de São Paulo), o pequeno XTR não convenceu como alternativa econômica, embora apele para o lado emocional ao oferecer o estilo fora de estrada que faz sucesso no mercado nacional.
Seu preço está muito próximo do cobrado pelas versões mais simples do Hyundai HB20 (R$ 96.140) e do Volkswagen Polo Track (R$ 96.690), que trazem construção refinada e pacotes de segurança melhores.
Pelo lado racional, a versão mais interessante do Citroën C3 é a Live Go, que custa R$ 76.990. Trata-se de uma opção mais simples, com rodas de ferro cobertas por calotas de plástico. Itens como ar-condicionado e direção com assistência elétrica estão presentes, bem como as travas elétricas das portas e o assistente de partida em rampa.

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