Arquivo pessoal
- Três dias após aplicação judicial da polilaminina, ela movimentou o braço direito pela primeira vez
- Substância ainda está em fase de testes na Anvisa; família acumula dívida de R$ 1 milhão
Um mergulho na praia de Maresias, litoral norte de São Paulo, causou uma lesão medular extremamente grave na nutricionista Flávia Bueno, 35, que ficou tetraplégica. Por ordem judicial, ela recebeu, na sexta-feira (23), a substância polilaminina, ainda em fase de testes clínicos na Anvisa, e voltou a movimentar o braço direito, o que não fazia antes, de acordo com a família.
Em sua página no Instagram, com 156 mil seguidores, Flávia dá dicas de alimentação, bem-estar e saúde. Ela se acidentou no dia 3 de janeiro e sua lesão repercutiu nas vértebras C3, C4, C5 e C6, o que a deixou sem movimentos nas pernas e no braço direito. Ela também teve perda de sensibilidade e sofreu dois AVCs (Acidente Vascular Cerebral). A hipótese é que ela tenha batido a cabeça em um banco de areia
Segundo a família, ela já está consciente e reage bem à recuperação. Três adias após a aplicação da substância, realizada na semana passada, Flávia movimentou o braço direito. O vídeo foi repassado exclusivamente à Folha.
"Ela não tinha esse movimento do braço. Foram feitos vários testes antes. A equipe médica está acompanhando muito de perto e analisando. Acreditamos muito na medicação", afirmou Felipe Checchin da Silva Bueno, irmão da influenciadora.
Na literatura médica, pessoas com lesões semelhantes às de Flávia têm chances (em cerca de 9% dos casos) de retomar alguns movimentos dentro de um período de até dois anos.
Por questão de urgência e de tentar acessar cuidados médicos fundamentais para a recuperação de Flávia, a família a descolocou de um hospital em Caraguatatuba para o Albert Einstein, em São Paulo, onde foi realizado o procedimento.
"Tentamos fazer a transferência dela para o Hospital das Clínicas, mas não foi possível. Não ficamos aqui [no Einstein] por luxo. É uma necessidade, é onde ela está sendo muito bem atendida", disse Felipe.
A família já soma uma conta de R$ 1 milhão no hospital e está pedindo apoio nas redes sociais para diminuir o débito.
Procurado por meio de sua assessoria de imprensa, o hospital preferiu não se manifestar por sigilo médico.
As aplicações compassivas da polilaminina, realizadas por determinação judicial, já são pelo menos 17, em todo o país. Até agora, nenhum relato de reação adversa foi registrado pelo grupo de pesquisa, que vem se desdobrando para conseguir dar conta de toda a demanda.
O laboratório Cristália, parceiro da pesquisa e quem produz a substância, não tem cobrado pelo fármaco, que tem sido injetado em hospitais públicos e privados. A empresa alerta que não existe venda da polilaminina em nenhum meio e que apenas ela detém a fórmula.
Os resultados da substância, que ainda não é um medicamento autorizado e passa por um período de análise de segurança, de acordo com os pesquisadores, podem variar de pessoa a pessoa e também dependem do estado geral do paciente e, principalmente, do acesso à fisioterapia intensa.
Folha de São Paulo

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