Clara Medeiros/ Dourados News
Após episódios de corrupção que culminaram na deposição da antiga cúpula, a FFMS (Federação de Futebol de Mato Grosso do Sul) está sob nova direção há menos de um ano e segue com o desafio de organizar a casa para fazer com que o Estado saia do penúltimo lugar no ranking da CBF (Confederação Brasileira de Futebol). Para o atual presidente, Estevão Petrallás a resposta para isso está principalmente na Copa MS e na transformação dos clubes em SAFs (Sociedades Anônimas do Futebol).
“É lógico que quando vêm as equipes na transformação da SAF existe a possibilidade de ter uma qualidade melhor de atletas, porque existe um investimento e esse atleta melhor condicionado, melhor preparado, ganhando um pouquinho mais, ele tem que demonstrar qualidade técnica. Se houver isso de fato comprovado, nós vamos conseguir avançar um pouquinho e isso vai provocar consequentemente a mudança do ranking”, acredita Petrallás.
Dois clubes já passaram por essa transição, o Operário Futebol Clube e o Futebol Clube Pantanal. “O que de fato existe é uma discussão, possivelmente vem o DAC [Dourados Atlético Clube], o Corumbaense pensa nessa possibilidade, mas o importante é: os clubes começam a ver a possibilidade de ter uma gestão profissionalizada’”, acredita o presidente.
Como foco, pretende levar adiante o conceito de gestão. “Acho que o dirigente precisa entender que o futebol hoje tem a paixão, nós trabalhamos com o coração do torcedor, mas precisa ter uma gestão mais profissional. Isso sem sombra de dúvidas vai fazer a grande transformação”, pontuou.
COPA MS E BASE
Para além das SAFs, a Federação também aposta em um trabalho interno focado na ampliação das competições para as categorias de base, especialmente para o feminino; além das Séries A e B, a partir da Copa MS. “Isso vai possibilitar se não em 2026, com certeza em 2027 nós subiremos um degrau nesse ranking, quem sabe dois, e nós estamos tendo o cuidado disso”, disse Petrallás.
A Copa MS anunciada em novembro do ano passado, entra pela primeira vez no calendário do futebol sul-mato-grossense no segundo semestre deste ano. Os clubes profissionais da primeira e segunda divisão, vão poder disputar o campeonato de setembro a novembro. O vencedor tem a prioridade de escolha se no ano seguinte quer disputar a Copa do Brasil ou a Copa Centro-Oeste, ficando ao vice-campeão com a outra vaga. O Estadual Série B foi adiantado, será de maio a julho e o Série A que já começou, termina em março.
CREDIBILIDADE
“A estrutura da Federação é outra, a Federação inverte o papel que havia permanecido aí por 28 a 30 anos, de que uma federação forte e os seus filiados enfraquecidos. Hoje todos numa linha horizontal, nós temos o maior carinho e o cuidado com cada filiado, independente da categoria que esteja. Isso por si só muda o comportamento. Retomamos a credibilidade, existe uma discussão que a gente possa crescer e aí do ranking nacional nós precisamos que os nossos representantes que recentemente tiveram o sorteio dos seus adversários e os locais de jogo, possam ir bem na competição nacional para que esse reflexo venha para o ranking nacional que a CBF coordena”, acrescentou.
Para ele, havia um clamor por mudança, mas ressalva que isso não passa somente pela Federação e manda um recado direcionado aos prefeitos, especialmente sobre a estrutura dos estádios. “Precisam entender que o seu munícipe precisa de alegria, não é só trabalho e esse munícipe que vai aos finais de semana ao estádio, precisa do mínimo de conforto e de segurança. A Federação quer encaminhar isso junto com as prefeituras do interior, principalmente, Campo Grande ainda temos um pouco mais de dificuldade”, pontuou.
Na capital, o Morenão está fechado desde 2022 devido a problemas estruturais, e o Jacques da Luz recebeu uma reforma por parte da Federação porque, segundo o presidente, “é o estádio mais precário do Estado”. Nas demais cidades que recebem competições, também há problemas. Um exemplo é o Douradão que tem capacidade para 26 mil pessoas, mas está liberado para apenas 4 mil torcedores e a iluminação não funciona.
A precariedade e o tamanho das estruturas, também são gargalos para que os municípios recebam competições nacionais. O Ivinhema, por exemplo, vai estrear na Copa do Brasil deste ano jogando em casa, devido a permissão da CBF para que na primeira fase possa ter até 2 mil torcedores. Já o Pantanal e o Operário vão estrear fora de casa.
“Esperamos que eles façam um bom trabalho, tenham uma disputa bastante equilibrada fora, porque não é fácil jogar fora, mas que tragam a pontuação que vai motivar essa mudança de ranking da Federação”, finaliza o presidente.

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