sábado, 21 de junho de 2025

Trump afirma que EUA atacaram três instalações nucleares no Irã

 





O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou neste sábado que as Forças Armadas dos EUA realizaram um “ataque muito bem-sucedido” a três instalações nucleares iranianas, marcando a entrada oficial de Washington na guerra, iniciada por Israel em um amplo ataque na última quinta-feira à noite (sexta de madrugada no horário local). De acordo com o republicano, as ações miraram inclusive a instalação subterrânea de enriquecimento de urânio em Fordow, considerada o "coração" do programa nuclear da República Islâmica. Ainda não há informações sobre os danos causados pela operação.


“Concluímos nosso ataque muito bem-sucedido às três instalações nucleares no Irã, incluindo Fordow, Natanz e Isfahã”, afirmou Trump em uma publicação em sua plataforma Truth Social. “Uma carga completa de BOMBAS foi lançada sobre a instalação principal, Fordow”, disse ele, acrescentando que os bombardeiros já estavam em segurança, fora do espaço aéreo iraniano, e a caminho da sua base.


Após o anúncio, o presidente americano afirmou que fará um discurso à nação às 22h (23h no horário de Brasília). Na sua série publicação, ele afirmou indicou que o ataque forçará o regime iraniano a acabar com a guerra, defendendo que “não há outro exército no mundo que poderia ter feito isso" — justificativa que deve repetir à população esta noite para justificar a própria contradição.


Durante a campanha presidencial, o republicano frequentemente criticou rivais democratas por se envolverem em guerras em países distantes em vez de voltarem os olhares para problemas domésticos. Além disso, Trump repetiu em diversas ocasiões, orgulhoso, de que guerras não foram iniciadas no seu primeiro mandato, alegando que pacificaria o mundo nesta segunda passagem pela Casa Branca.


Nos últimos dias, Washington deu diversos indícios de que entraria oficialmente na guerra.


Mais cedo neste sábado, os EUA haviam enviado para sua Base Naval de Guam, no Pacífico, seis bombardeiros B-2 — os únicos com capacidade para transportar bombas do tipo "bunker busters", de quase 14 toneladas, projetadas para destruir bunkers subterrâneos como a fortaleza nuclear de Fordow. A manobra foi vista como um presságio de um ataque iminente, uma vez que a proximidade da base com o Oriente Médio e seu papel como centro logístico regional a tornam um ponto de partida estratégico para operações na região.


Paralelamente, os EUA já haviam enviado cerca de 30 aviões de abastecimento para a região e deslocado seu maior porta-aviões, o USS Gerald R. Ford, para o leste do Mar Mediterrâneo, perto de Israel, com previsão de chegada na próxima semana. Com capacidade para cerca de 4.600 militares e até 90 aeronaves, ele se juntará a outros dois superporta-aviões americanos que já estão nas proximidades: o USS Nimitz, que estava no sudeste da Ásia, e o USS Carl Vinson, antes em operação no Oceano Índico.


Outro indicio de que Washington foi uma informação revelada mais cedo pela AFP de que Trump, que raramente passa os fins de semana em Washington, retornaria à Casa Branca na noite deste sábado para uma "Reunião de Segurança Nacional" não especificada.


Há dois dias, ele advertiu que Teerã tem “no máximo” duas semanas para evitar possíveis ataques aéreos americanos, enquanto Washington avaliava se deveria se juntar à campanha de bombardeios sem precedentes de Israel. No entanto, em uma reportagem da Reuters publicada neste sábado, duas autoridades ouvidas sob condição de anonimato pela agência teriam afirmado que Israel estava pressionando Trump a aproveitar a janela de oportunidade para atacar agora.


Teerã havia ameaçado retaliar as forças americanas no Oriente Médio se Trump atacasse, mas o presidente dos EUA pediu “paz”. Nos dias anteriores ao ataque em larga escala impetrado por Israel, Washington emitiu um alerta ao seu corpo diplomático em países na região orientando que retornassem aos Estados Unidos.

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