Santa Casa em Campo Grande. (Foto: Reprodução)
Famílias de crianças que dependem do SUS (Sistema Único de Saúde) em Mato Grosso do Sul podem enfrentar deslocamentos para outros estados em busca de cirurgia cardíaca pediátrica, informa o G1.
A preocupação aumentou após a suspensão dos procedimentos eletivos na Santa Casa de Campo Grande, única unidade credenciada pelo SUS no Estado para esse tipo de atendimento de alta complexidade.
A paralisação ocorre desde 29 de julho e também atingiu os atendimentos ambulatoriais. Segundo o Sinmed-MS (Sindicato dos Médicos de Mato Grosso do Sul), entre os motivos estão a falta de insumos e o atraso no pagamento de mais de 100 médicos contratados como pessoa jurídica.
Para o presidente do Sinmed-MS, Marcelo Santana Silveira, a saída da equipe responsável pelas cirurgias cardíacas infantis é o ponto mais preocupante. Ele afirma que outras especialidades também avaliam interromper os atendimentos na unidade.
“O que mais impacta foi realmente a saída da cirurgia cardíaca infantil, mas outras especialidades também estão se organizando para sair, como, por exemplo, a anestesiologia. Outras podem vir a sair, como a ortopedia.”
Pacientes podem precisar deixar MS
Mato Grosso do Sul conta com outro serviço de cirurgia cardíaca pediátrica, em hospital particular, que atende recém-nascidos e crianças, inclusive em casos de maior complexidade. Atualmente, porém, o atendimento é destinado a pacientes particulares e de planos de saúde.
Na prática, uma criança que depende do SUS e precise de um procedimento não disponível na Santa Casa poderá ser encaminhada para outra unidade fora de Mato Grosso do Sul.
“Para a cirurgia cardíaca pediátrica, com o descredenciamento da Santa Casa, esses pacientes necessitarão ser deslocados para outros estados para realizarem o atendimento”, afirmou Marcelo.
Falta de insumos também afeta atendimento
De acordo com o Sinmed-MS, a suspensão dos procedimentos está relacionada ainda às condições de trabalho dos médicos e à falta de materiais necessários para a realização das cirurgias.
Marcelo classificou a situação da Santa Casa como delicada e afirmou que a interrupção dos atendimentos compromete especialmente os pacientes que dependem do hospital, referência para moradores de diferentes municípios do Estado.
Além da cirurgia cardíaca pediátrica, a entidade aponta risco de saída de profissionais de outras áreas caso os problemas não sejam solucionados.
A Santa Casa de Campo Grande foi procurada para se manifestar sobre a falta de insumos, os pagamentos aos médicos e a suspensão dos procedimentos. Também foi questionada sobre as medidas adotadas para garantir o atendimento às crianças que dependem do SUS. Até a última atualização, não havia enviado resposta.

Nenhum comentário:
Postar um comentário