- Jared Kushner e Steve Witkoff foram recebidos por Zelenski
- Casa Branca diz que conversas tratam de próximos passos para encerrar o conflito na Europa
Os enviados dos Estados Unidos Jared Kushner e Steve Witkoff chegaram a Kiev neste domingo (6) para sua primeira visita à capital ucraniana, um dia depois de se reunirem com Vladimir Putin no Kremlin para discutir o fim de mais de quatro anos de guerra entre os países vizinhos.
Witkoff, sócio de Donald Trump, e Kushner, genro do presidente, já haviam visitado Moscou várias vezes, mas ainda não tinham mantido conversas na capital ucraniana. A cidade é alvo de ataques russos desde o início da invasão, em 2022.
Os dois chegaram a Kiev de trem e se reuniram com o presidente Volodimir Zelenski. A expectativa é retomar as negociações para encerrar o pior conflito na Europa desde a Segunda Guerra Mundial, após um período de intensificação dos combates.
Witkoff afirmou que a discussão foi "significativa, substancial, importante" e instou a Rússia e a Ucrânia a fazerem concessões para encontrar uma solução para o fim do conflito.
"Ambas as partes terão de fazer concessões e reduzir suas divergências, e acreditamos que dispomos dos elementos necessários para alcançar isso", disse. Kushner afirmou esperar que "esta viagem tenha permitido abrir novos caminhos para avançar".
Zelenski, fez uma avaliação positiva das conversaram mas afirmou que, "por enquanto", a guerra com a Rússia deve se estender por mais um inverno. O presidente também reiterou que questões complexas, como a disputa territorial, só podem ser resolvidas em "nível de líderes".
Após esse encontro, houve outra reunião entre os dois enviados de Washington, a delegação ucraniana e autoridades de segurança do Reino Unido, França e Alemanha. "Somos gratos pelo fato de os europeus estarem aqui conosco hoje", declarou Zelenski.
Witkoff e Kushner se reuniram com Putin no sábado (5) para "promover a agenda de paz do presidente Trump para a guerra entre Rússia e Ucrânia", segundo comunicado da Casa Branca.
"As duas partes discutiram planos concretos para as próximas etapas, que serão anunciadas nas próximas semanas, e aguardam com expectativa reuniões igualmente produtivas amanhã na Ucrânia", diz ainda a nota do governo Trump.
O assessor diplomático do Kremlin, Yuri Ushakov, classificou as conversas como "extremamente francas" e afirmou que os americanos "apresentaram uma série de ideias sobre possíveis caminhos para um acordo", sem detalhar as propostas.
Ushakov disse ainda que os russos afirmaram estar "confiantes" de que podem alcançar seus objetivos militares e tomar o restante do leste da Ucrânia.
Rússia e Ucrânia prometeram não atacar as capitais uma da outra durante três dias, para permitir a realização das negociações.
Esta foi a oitava visita de Kushner e Witkoff a Moscou durante a guerra e a primeira a Kiev. A agência russa TASS informou pela manhã que os dois haviam chegado a Rzeszów, na Polônia, de onde seguiram para a capital ucraniana. O espaço aéreo da Ucrânia está fechado desde que Moscou iniciou a guerra, e os líderes em visita têm chegado de trem.
Para muitos ucranianos, porém, as esperanças de um avanço continuam pequenas.
"Neste momento, isso não me dá nenhuma esperança. Já houve negociações demais", disse à agência AFP Yaroslav, morador de Kiev de 29 anos.
Putin agradece a Trump
Em declarações televisionadas antes das conversas, Putin afirmou que a Rússia garantiria a segurança dos enviados em Kiev. Mais cedo, no sábado, Putin havia agradecido a Trump por persistir em seus esforços para encerrar a guerra, apesar de a tarefa "não ser simples".
Sobre a viagem dos enviados a Kiev, ele afirmou: "Independentemente do que aconteça a seguir, contatos desse tipo são, sem dúvida, sempre benéficos".
Trump disse na sexta-feira (4) que seus enviados levavam uma "proposta" para encerrar os combates. "Temos uma ideia para a paz", afirmou o republicano, sem dar detalhes.
Até agora, os esforços dos EUA não produziram um avanço na guerra, e as iniciativas de paz estão paralisadas, em parte, devido à guerra de Washington com o Irã.
A Rússia ocupa grandes áreas do leste e do sul da Ucrânia, e Putin insiste que Moscou pretende tomar o restante do território no leste.
Moscou e Kiev se comprometeram a suspender os ataques durante as negociações.
Os combates, porém, continuaram em outras regiões. A Força Aérea da Ucrânia afirmou que a Rússia lançou 108 drones e mísseis durante a noite. Moscou, por sua vez, disse ter abatido 258 drone.
Neste sábado, Putin afirmou ter "observado que o lado ucraniano reduziu significativamente" seus ataques contra a Rússia e Moscou.
Kiev, no entanto, disse que ataques russos mataram dez pessoas em diferentes regiões do país, entre elas uma criança e familiares na região de Kharkiv. Outras duas pessoas morreram nos arredores da capital
AFP

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