domingo, 10 de maio de 2026

Israel deporta ativistas brasileiro e palestino detidos em flotilha para Gaza

 

                                            Ativista brasileiro Thiago Ávila comparece a tribunal em Beersheba, no sul de Israel, após ser detido em embarcação interceptada por forças israelenses a caminho de Gaza - Amir Cohen/Reuters

  • Thiago Ávila e Saif Abu Keshek foram capturados no final de abril em águas internacionais, segundo organização

  • Autoridades israelenses acusaram ativistas de ligação com organização sancionada pelos EUA



Após vários dias de prisão, o governo de Israel deportou neste domingo (10) os ativistas brasileiro Thiago Ávila e palestino-espanhol Saif Abu Keshek. Eles faziam parte de uma flotilha que tentava chegar à Faixa de Gaza e foram capturados por forças israelenses no final de abril.


A decisão foi anunciada primeiro pelo Ministério das Relações Exteriores de Israel. Em nota divulgada nas redes sociais, a pasta escreveu que os dois integraram uma "flotilha de provocação". Acrescentou ainda que as autoridades concluíram a investigação sobre o caso e que não vão permitir qualquer violação do bloqueio imposto ao território palestino.


Também nas redes sociais, a equipe de Ávila informou que os dois ativistas chegaram a Atenas, na Grécia, e deveriam desembarcar no Cairo, no Egito, nas próximas horas.


Grupos de direitos humanos e autoridades de vários países disseram que a detenção foi ilegal e ocorreu em águas internacionais, "fora de qualquer jurisdição". Já a ONU (Organização das Nações Unidas) havia exigido a "libertação imediata" dos ativistas. Apesar da pressão internacional, um tribunal israelense rejeitou na última quarta (6) um recurso contra a prisão.


A flotilha da qual Avila e Keshek participaram pretendia levar ajuda humanitária a Gaza, segundo os organizadores. O grupo, entretanto, teria sido interceptado em águas internacionais, nas proximidades da ilha de Creta, na Grécia. No total, 175 pessoas, de várias nacionalidades, foram detidas, informou Tel Aviv.


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) chegou a criticar a decisão das autoridades israelenses. "Manter a prisão do cidadão brasileiro Thiago Ávila, integrante da flotilha 'Global Sumud', é uma ação injustificável do governo de Israel, causa grande preocupação e deve ser condenada por todos", escreveu.


Em nota após a libertação, a ONG israelense Adalah, que representou os ativistas, escreveu que "as ações das autoridades israelenses foram um ataque punitivo contra uma missão puramente civil". "[Trata-se de] uma tentativa inaceitável de suprimir a solidariedade global com os palestinos em Gaza", publicou.


Durante a prisão na região de Ashkelon, no sul de Israel, a Adalah disse que os dois sofreram maus-tratos e abusos psicológicos. Segundo a organização, eles foram submetidos a interrogatórios de até oito horas, mantidos sob iluminação intensa nas celas 24 horas por dia, em isolamento total, e transportados com os olhos vendados, inclusive durante atendimentos médicos.


As autoridades israelenses negam as acusações. "Ao contrário das acusações falsas e infundadas, preparadas com antecedência, em nenhum momento Saif Abu Keshek e Thiago Ávila foram submetidos a torturas", disse à agência de notícias AFP o porta-voz da chancelaria israelense, Oren Marmorstein


O Ministério das Relações Exteriores de Israel acusou os dois ativistas de terem ligações com a Conferência Popular para os Palestinos no Exterior (PCPA), organização sancionada pelo Departamento do Tesouro dos EUA. Washington acusa a PCPA de "agir clandestinamente em nome" do grupo terrorista Hamas.


A primeira viagem da chamada Flotilha Global Sumud, no ano passado, também foi interceptada por forças israelenses. Israel controla todos os acessos ao território palestino.


Desde o início da guerra em Gaza, em outubro de 2023, a escassez de suprimentos se agravou no território. Em diferentes momentos do conflito, Israel chegou a interromper completamente a entrada de ajuda humanitária.


Além de Ávila, Amanda Coelho Marzall, Leandro Lanfredi de Andrade e Thainara Rogério foram outros brasileiros detidos por Israel na ação. Todos participavam da missão da Global Sumud Flotilla, que havia partido de Catânia, na Itália, em 26 de abril, com destino ao território palestino.


Amanda Marzall, também conhecida como Mandi Coelho, é militante do PSTU e pré-candidata a deputada federal por São Paulo. Leandro Lanfredi é petroleiro da Transpetro, diretor do Sindipetro-RJ e da Federação Nacional dos Petroleiros. Já Thainara Rogério possui dupla nacionalidade brasileira e espanhola e estava em um barco com delegação catalã.


Ainda no início de maio, a maior parte dos ativistas foi libertada na Grécia. Ávila e Abu Keshek, porém, continuaram detidos até este domingo.


 AFP

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